1. As divisões, os Conteúdos e a exegese do Prólogo
1.5. O lo>gov e o relacionamento com a humanidade
“…kai< hJ zwh< h+n to< fw~v
305tw~n ajnqrw>pwn
306?” (Jo 1.4b) – “…e a vida era
a luz dos homens.” (Jo 1.4b)
Esta declaração, em si mesma, evidencia o princípio estruturante da
humanidade. Enquanto a humanidade tiver a vida de Cristo, viverá ilumi-
nada e esclarecida. Por outras palavras, é impossível haver luz e esclareci-
mento na mente humana, se primeiramente não “brilhar” a vida de Cristo
no coração do “Homem”.
O problema central da humanidade não são os problemas sociais, ou
económicos, mas a falta da vida de Cristo. É interessante notar que mais
uma vez o apóstolo João usa o verbo “eijmi>”, no Imperfeito, evidenciando
uma acção inacabada, uma acção situada no passado, (no decorrer da sua
rea lização), com o objectivo de atestar que a vida de Cristo, continua a ser a
luz dos homens. Um outro aspecto merecedor do nosso cuidado prende-se
com o uso de dois substantivos determinativos na oração: “zwh>” – (vida) –
“o direito e o poder de outorgar actividade, de vivificar”
307e o substantivo “fw~v”
– (luz) – “aquilo que capacita os homens a reconhecerem a operação de Deus no
302Cf. ALMEIDA, Op. cit., p. 31. «Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anun-
cia a obra das suas mãos» (Sl 19.1; Cf. 81).
303Cf. Idem, ibidem, p. 32. «Deus criou Adão e Eva à sua própria imagem, para uma comunhão
amorável e pessoal com o ser humano por toda a eternidade.»
304Cf. Idem, ibidem, p. 32. «…com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará
com eles e será o seu Deus…» (Ap.21.3).
305Cf. VINE, Op. cit., p. 762. «phõs (fw~v), [fwto>v, substantivo neutro], cognato de phaõ, “dar
luz” (das raízes pha – e phan -, expressando “luz conforme é vista pelos olhos”, e, metaforicamente, conforme “alcança a mente”…); cf. em português, “fósforo” (literalmente, “que traz a luz”). “Pri- mariamente, luz é uma emanação luminosa, provavelmente de força, proveniente de certos corpos que permitem os olhos discernirem forma e cor. A luz requer um órgão adaptado para sua recep- ção (Mt 6.22). Quando não há a participação dos olhos, ou quando estes, por algum motivo, estão debilitados, a luz é inútil …[Cristo necessita de adaptar os nossos olhos para que possamos receber a luz espiritual que Ele emana]…»
306Cf. Idem, ibidem, p. 692. «anthrõpos (a]nqrwpov), [ou, substantivo masculino] é usado: (a) de
modo geral, “ser humano, macho e fêmea”, sem referência a sexo ou nacionalidade (por exemplo, Mt 4.4; 12.35; Jo 2.25)…»
308Cf. RIENECKER, Op. cit., p. 161. 309Cf. RYLE, Op. cit., p.10.
310Cf. PEREIRA, Op. cit., p. 606. «fai>nw … [brilhar] fazer brilhar, fazer aparecer, fazer visível,
fazer perceptível … fazer conhecer…» A forma verbal fai>nei encontra-se no presente modo indi- cativo voz activa, denotando uma acção permanente que está na sua realização.
311Cf. FREIRE, Op. cit., p. 63. «aujto>, [Pronome Demonstrativo neutro acusativo singular], isto,
esta coisa…» Morfologicamente tanto poderá ser um neutro nominativo, como um neutro acusa- tivo singular. Sintacticamente só poderá ser um neutro acusativo singular.
312Cf. RIENECKER, Op. cit., p. 161. «katalamba>nw ... agarrar, vencer, captar com a mente,
compreender.» Cf. COENEN, Op. cit., vl. II pp. 2527 – 2533. «…katalamba>nw (katalambanõ), “agar- rar”, “apanhar”, “atingir”, “tomar como seu”, “tomar posse” … reforça a intenção original, e sig- ni fica “apanhar”, “agarrar-se firmemente em”, “atacar”; (na voz) média “apanhar para si”; a apreensão mental é basicamente apropriação e compreesão… katalamba>nw é empregado no Novo Testamento para designar o ataque de poderes malignos, e também o modo de Cristo segu- rar os homens. O menino epiléptico era apanhado por um espírito mudo e lançado por terra (Mc 9.18). As trevas que não “aceitaram “ a luz … nem aceitaram nem compreenderam (nem ven- ceram) Cristo (Jo 1.5; Cf. v.11), “apanham” os homens quando estes não têm Cristo (Jo 12.35). Paulo adverte seus leitores contra uma falsa confiança na sua fé, pois o Dia do Senhor os “apa- nhará de surpresa” (1 Ts 5.4). Do lado positivo, katalamba>nw marca o modo de Cristo segurar o crente. Paulo foi conquistado por Jesus Cristo; é a possessão de Cristo e, portanto, na luta da fé, prossegue para o alvo da soberana vocação (Fp 3.12-13). Somente alguém que foi “conquistado” esforça-se para obter a coroa imperecível do vencedor, da vida eterna (1 Co 9.24). (A voz média) katalamba>nomai (para a compreensão ou percepção mental ou espiritual) denota “apanhar” a verdade, mediante a qual a pessoa pode reconhecer as acções ocultas de Deus (Act 4.13; 10.34; 25.25). o verbo também ocorre em Rm 9.30 (acerca dos gentios, que vieram a “alcançar” a justifica- ção, embora não a buscassem), e Ef 3.18 (acerca do crente que “compreende” a extensão do amor de Deus)…» A forma verbal kate>laben encontra-se no aoristo modo indicativo voz activa.
mundo”
308, ambos têm como função determinar a existência presente e fu -
tura da humanidade. O Homem, enquanto criatura de Deus, sempre depen-
derá da vida e da luz do Criador. Viver à parte da vida e da luz de Cristo é
viver num mundo obscuro, sem sentido existencial. “Toda a vida e luz espiri-
tuais que Adão e Eva possuíam antes da queda, haviam emanado de Cristo.”
309É certo que a vida e a luz, que outrora brilhava no “Homem” na sua
excelência, perdeu o seu “brilho” por altura da queda, no entanto, João apre-
senta a oportunidade da humanidade adquirir novamente, a vida e a luz de
Jesus.
“kai< to< fw~v ejn th~| skoti>a| fai>nei
310, kai< hJ skoti>a aujto<
311ouj
kate>laben
312.” (Jo 1.5) – “E a luz refulge nas trevas, (obscuro, tenebroso), e as
trevas não a venceram, (não a compreenderam).” (Jo 1.5)
A presente expressão revela-nos aspectos fundamentais do poder da luz
sobre as trevas: Antes de mais, João usa a forma verbal “fai>nei”, no Pre-
sente do Modo Indicativo transmitindo a ideia de uma acção que se realiza
actualmente, (no tempo da elocução), procurando mostrar que ainda hoje, a
luz através do seu poder dissipa as trevas. João não remete a acção para um
Aoristo Histórico, porque não quer circunscrever a acção a um mero acon-
tecimento relatado na história, mas quer, sim, situar o evento no Presente,
fazendo com que o leitor, ao ler, possa viver esta experiência com uma certa
contemporaneidade. “Cristo é para as almas dos homens o que o Sol é para o
mundo. Sim! Ele é o centro e a fonte de toda a luz espiritual, da vida, da animação,
do crescimento, da formosura, da fecundidade.”
313À semelhança do Sol, Cristo é
uma luz que brilha para o bem de toda a humanidade.
A segunda forma verbal “kate>laben” – (apanhou, compreendeu, venceu,
aniquilou, suplantou, ofuscou)
314, usada por João no Aoristo Modo Indicativo
remete-nos para duas ideias distintas: a ideia de que não só as trevas não
compreenderam a luz, bem como não venceram a luz. É bem possível que
João procurasse reunir numa mesma palavra os dois significados, pro-
curando evidenciar estas duas perspectivas. Se assim não fosse, João pode-
ria ter usado outras formas verbais, tal como “nika>w”
315– (vencer, triunfar),
ou “sullamba>nw”
316– (entender, compreender).
O Tempo verbal da segunda oração, revela-nos também alguma coisa
importante, visto que, na primeira oração como anteriormente analisamos, a
acção é desenrolada no Presente, na segunda oração, a acção é apresentada
no Aoristo, Modo Indicativo, transmitindo-nos um facto realizado num
determinado momento histórico, plenamente concretizado. Parafraseando –
“As trevas não prevaleceram contra a luz, mas a luz continua a suplantar as
trevas.” (Jo 1.5)
“ +Hn to< fw~v to< ajlhqino>n
317, o{
318fwti>zei
319pa>nta
320a]nqrwpon,
ejrco>menon
321eijv
322to<n ko>smon.” (Jo 1.9) – “Era a luz verdadeira, que alumia
313Cf. RYLE, Op. cit., p.12. 314Cf. PEREIRA, Op. cit., p. 304. 315Cf. Idem, ibidem, p. 1045. 316Cf. Idem, ibidem, p. 852.
317Cf. RIENECKER, Op. cit., p. 161. «ajlhqino>v, [h>, o>n, adjectivo triforme] real, genuíno,
autêntico… Cristo é a luz perfeita em cuja radiância todas as demais luzes parecem tenebrosas (Bernanrd).».
318Cf. FREIRE, Op. cit., p. 65. «o[, [pronome relativo neutro singular] que, o que…»
319Cf. VINE, Op. cit., p. 763. «phõtizõ (fwti>zei), usado: (a) no intransitivo, significa “brilhar,
dar luz” (Ap 22.5); (b) no transitivo: (1) “iluminar, alumiar, tornar brilhante, ser iluminado” (Lc 11.36; Ap 21.23); na voz passiva (Ap 18.1); metaforicamente, acerca da iluminação ou esclare- cimento espiritual (Jo 1.9; Ef 1.18; 3.9, “demonstrar”; Hb 6.4; 10.32); (2) “trazer à luz, elucidar, escla- recer”, ocorre em 1 Co 4.5 (acerca do acto de Deus no futuro) …» A forma verbal fwti>zei encontra- -se no presente modo indicativo voz activa. Mais uma vez encontramos o sentido de uma acção que está no seu processo de desenvolvimento.
320Cf. FREIRE, Op. cit., p. 54. «pa>nta, adjectivo masculino [triforme singular] todo.» Morfolo-
gicamente, tanto poderá ser um neutro nominativo plural, como um neutro acusativo plural, ou um masculino acusativo singular. Sintacticamente só poderá ser um masculino acusativo singular.
321 ]Ercomai, ir, vir, chegar. Cf. VINE, Op. cit., p. 1062. «erchomai (e]rcomai), o verbo mais fre-
quente, denotando ou “vir” [chegar] ou “ir” … em Fp 1.12, é traduzido por “aconteceram”, acerca da questão das circunstâncias … é traduzido em Mc 5.26 por “indo a pior” … é traduzido por “ir ter” em Mc 2.13; Jo 10.41 …[o verbo é acompanhado por inúmeras preposições] eijse>ρχοµαι, “vir em” ou “ir em”, “entrar” (formado de eis [eijv], “em” e … [e]rcomai, “ir” ou “vir”]), por exemplo, Lc 17.7 … ejxe>rcomai, “vir para fora” ou “ir para fora ou adiante”, “sair” (formado de ek [ejk], “para fora de” e … [e]rcomai, “ir” ou “vir”]), ocorre, por exemplo, em Mt 2.6 … ejpane>rcomai, “ir para trás, outra vez, voltar novamente, retornar” (formado de epi [ejpi>], “em” , ana [ajna>], “outra vez” [e]rcomai, “ir” ou “vir”]), é usado em, Lc 10.35; 19.15 … die>rcomai, “vir por” ou “ir por”, (formado de dia [dia>], “através de” e [e]rcomai, “ir” ou “vir”]), é encontrado, por exemplo, em, Act 9.38 … ejpe>rcomai, “vir sobre” ou “ir sobre”, “acometer” (formado de epi [ejpi>], “sobre” e [e]rcomai, “ir” ou
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“vir”]), ocorre, por exemplo, em Lc 1.35. Em Lc 21.26, é usado acerca de eventos que “vêm”, suge- rindo sua certeza … kate>rcomai, “vir para baixo, descer” (formado de [kata>], “para baixo” e [e]rcomai, “ir” ou “vir”]), é encontrado, em, Lc 9.37 … pareise>rcomai, “vir para dentro, entrar” (eis) [eijv], “vir ao lado ou do lado” (para) [para>], de modo a estar presente com, é usado: (a) no sentido literal, acerca da “entrada” ao lado do pecado (Rm 5.20); (b) em Gl 2.4, fala dos falsos irmãos, indicando sua “vinda” ou chegada sub-repticiamente … pare>rcomai, formado de (para>), “por” ou “fora” e e]rcomai, “ir” ou “vir”, significa: (a) “vir adiante” ou “ir adiante”, “aparecer” ou “chegar” (por exemplo, Lc 12.37; 17.7, última parte; Act 24.7); (b) “passar por” (por exemplo, Lc 18.37); (c) “negligenciar” (por exemplo, Lc 11.42) … prose>rcomai, denota “vir perto de” ou “ir perto de”, “aproximar-se” (formado de prós [pro>v], “perto de” e [e]rcomai, “ir” ou “vir”]), é usado, por exemplo, em Mt 4.3; Hb 10.1 … sune>rcomai, “vir junto, reunir-se” (formado de sun [su>n], “com” e [e]rcomai, “ir” ou “vir”]), é encontrado, por exemplo, em Jo 18.20; 1 Co 11.20; 14.23 …» A forma verbal ejrco>menon encontra-se no presente modo particípio masculino acusativo singular voz média. É um verbo depoente, tem forma média ou passiva, mas significado activo.
322A preposição eijv, juntamente com o acusativo significa: a, para, contra, em honra de, em
favor.
323Cf. FREIRE, Op. cit., p. 297. «gignw>skw [ou ginw>skw], conhecer [saber, compreender].»
Cf. COENEN, Op. cit., vl. I, pp. 392 – 405. «[gignw>skw ou] ginw>skw, “saber”, “vir a saber”, “enten- der”, “compreender”, “perceber”, “reconhecer” … No grego secular, o verbo emprega-se com a seguinte gama de significados: (a) Basicamente, significa “notar”, “perceber” ou “reconhecer” uma coisa, pessoa ou situação através dos sentidos, especialmente a vista … chega-se, dessa forma, a um ordenar inteligente na mente daquilo que foi assim percebido no mundo da experiência. Assim, o verbo também significa “experimentar”, “aprender”, “ficar conhecendo”: aquilo que foi experimentado fica conhecido por aquele que o experimentou … (b) Ocasionalmente ginõskõ [gignw>skw ou ginw>skw] significa “distinguir”, pois a experiência ou reconhecimento de um fenó- meno entre vários semelhantes ou diferentes podem levar a isto … (c) A familiaridade leva ao conhecimento pessoal. Daí “ginõskõ [gignw>skw ou ginw>skw] também significa “conhecer” de modo pessoal … “entender” … “ter conhecimento de”, “ser perito” … e “julgar” … Da mesma forma ginõskõ [gignw>skw ou ginw>skw] acha-se repetidas vezes com o significado de “conheci- mento”, “entendimento” … (d) ginõskõ [gignw>skw ou ginw>skw] pode empregar-se para expressar um relacionamento de confiança entre pessoas … “reconhecer como amigo”, “amar como amigo …» A forma verbal gnw>sesqe encontra-se no futuro modo indicativo voz média. No futuro é um verbo depoente. Apresenta-se sobre a forma média, mas com significado activo.
324Cf. VINE, Op. cit., p. 1054. «aletheia (ajlh>qeia) [av, substantivo feminino], “verdade” …
(b) no nominativo, “veracidade, verdade”, não meramente verbal, mas sinceridade e integridade de carácter (Jo 8.44; 3 Jo 3); (c) em frases, por exemplo, “em verdade”: epi, “com base de” (Mc 12.14; Lc 20.21); com en, “em” (2 Co 6.7; Cl 1.6; 1 Tm 2.7, “na verdade”; 1 Jo 3.18; 2 Jo 1, 3, 4).»
325Cf. RIENECKER, Op. cit., p. 176. «…ejleuqero>w, libertar, a libertação do pecado, um sinó-
nimo de salvação (Barrett).» Cf. COENEN, Op. cit., vl. I, pp. 1194-97. «…ejleuqero>w (eleutheroõ), “libertar”, “soltar” … O uso no Novo Testamento exibe algumas matizes interessantes. ejleuqeri>a nunca se emprega no sentido secular de liberdade política. Pode-se referir disto que a recuperação
todo o homem, (vindo) que vem ao mundo.” (Jo 1.9). Uma outra tradução possí-
vel: “Era a luz verdadeira que vindo para o mundo alumia todo o homem.” (Jo 1.9),
isto porque, nos manuscritos mais antigos, não encontramos qualquer tipo
de pontuação, todo esse trabalho foi realizado a posteriori, pelos críticos
literários.
Nesta frase, João passa a descrever as qualidades inerentes à luz: “Hn to<
fw~v to< ajlhqino>n…” — “Era a luz verdadeira…”, uma das características que
marca a diferença entre a luz de Cristo e outras pseudo-luzes é a “verdade”.
Verdade essa que sempre foi defendida e ensinada durante o ministério
publico de Jesus: “kai< gnw>sesqe
323th<n ajlh>qeian
324, kai< hJ ajlh>qeia ejleu-
qerw>sei
325uJma~v
326.” (Jo 8.32) – “E conhecereis a verdade, e a verdade vos liber-
tará.” (Jo 8.32)
O lo>gov tornou-se a manifestação visível da verdade, quer da verdade
esclarecedora, quer da verdade libertadora. Barrett afirmou: “a libertação do
pecado (é um) sinónimo de salvação.”
327Ainda em relação ao versículo nove do capítulo um, encontramos duas
formas verbais que nos transmitem a ideia de um sincronismo: “fwti>zei”
que se encontra no Presente do Indicativo, significando, (alumiar, iluminar,
resplandecer, abrilhantar) – tendo o sentido de esclarecer; e “ejrco>menon”, que
se encontra no Presente do Particípio, significando, (vir, chegar, ir) – tendo o
sentido de movimento. No Particípio Presente a acção é simultânea com a
acção do verbo principal, parafraseando – “O lo>gov, vindo ao mundo ilumina
todo o homem, ou o lo>gov, ilumina todo o homem que vem ao mundo.” – A acção
entre os dois verbo é coincidente.
“ejn tw~| ko>smw| h+n, kai< oJ ko>smov di/ aujtou~ ejge>neto
328, kai< oJ ko>smov
aujto<n oujk e]gnw
329.” (Jo 1.10) – “Estava no mundo, e o mundo por intermédio
dele apareceu, e o mundo não o conheceu.” (Jo 1.10)
Dentro do relacionamento do lo>gov com a humanidade, apesar do
mesmo ser o criador de todas as coisas, deparamo-nos com o facto de que a
mesma não o reconheceu. O conhecer aqui é mais do que um mero entendi-
mento, trata-se sim, do estabelecimento de um relacionamento pessoal entre
a criatura e o Criador
330.
Podemos então apresentar alguns aspectos importantes entre o relacio-
namento do lo>gov e a criação: a) O lo>gov é a luz divina que expressa o pró-
prio sentido da humanidade (Jo 1.4); b) O lo>gov é a luz divina que necessita
ser amada pela humanidade: “au[th de> ejstin hJ kri>siv
331o[ti
332to< fw~v
da liberdade política de Israel já não desempenhava papel algum no pensamento dos escritores do Novo Testamento. Jesus não era nenhum Messias político… O termo significa “a liberdade que temos em Cristo Jesus” (Gl 2.4), a liberdade em prol da qual “Cristo nos libertou” (Gl 5.1)… de outro lado, geralmente tem o sentido secular de “estar livre” em contraste com “ser escravo” (Gl 3.28; Ef 6.8; Cl 3.11; Ap 6.15)…» Cf. VINE, Index, 2002, pp. 756. «eleutheroõ (ejleuqero>w), “tornar livre” … é usado acerca da libertação de: (a) pecados (Jo 8.32, 36; Rm 6.18, 22); (b) a lei (Rm 8.2; Gl 5.1 …); (c) a escravidão da corrupção (Rm 8.21)…» A forma verbal ejleuqerw>sei encontra-se no futuro modo indicativo voz activa.
326Cf. FREIRE, Op. cit., p. 62. «uJma~v, [pronome pessoal segunda pessoa acusativo plural] a
vós, vós…»
327Cf. RIENECKER, Op. cit., p. 176.
328A forma verbal ejge>neto encontra-se no aoristo modo indicativo voz média ou passiva, mas
com significado activo. É um verbo depoente, (gi>gnomai, gi>nomai).
329A forma verbal e]gnw encontra-se no aoristo modo indicativo voz activa. Corresponde ao
verbo ginw>skw.
330Cf. RIENECKER, Op. cit., p. 176. «…conhecer, reconhecer, mais do que o conhecimento
intelectual: “estar no relacionamento certo” (Morris).»
331Cf. PEREIRA, Op. cit., p. 333. «Kri>siv, ewv, substantivo feminino, (kri>nw) acção ou facul-
dade de separar, de discernir, luta, litigio, processo, decisão, juízo, senteça, resultado, desenlace, crise [condenação, julgamento].»
332Cf. FREIRE, Op. cit., p. 165. «…o[ti, [conjunção subordinativa causal e consecutiva] porque
333 ]Ercomai, ir, vir, chegar. A forma verbal ejlh>luqen encontra-se no perfeito modo indicativo
voz activa.
33A forma verbal hjga>phsan encontra-se no aoristo modo indicativo voz activa. É um aoristo
sigmático.
33Cf. PEREIRA, Op. cit., pp. 356, 355. «Ma~llon, comparativo de ma>la, mais, seguido de
h], “mais do que” com genitivo demasiado … Ma>la, advvérbio I completamente, muito …»
336A forma verbal h+n encontra-se no imperfeito voz activa. O tempo imperfeito só existe no
modo indicativo. Corresponde ao verbo eijmi>.
337Cf. PEREIRA, Op. cit., p. 474. «Ponhro>v, a>, o>n, adjectivo [triforme] (pone>w), em mau estado,
defeituoso, de má qualidade, mau, perverso, cobarde, vil …»
338A forma verbal ei+pen encontra-se no aoristo modo indicativo voz activa. É o verbo le>gw. 339Cf. VINE, Op. cit., p. 379. «oun (ou+n), [conjunção], “então, portanto, [pois], com que então,
de modo que” …»
340Cf. Idem, ibidem, p. 865. «mikros (mikro>v), [a>, o>n, adjectivo triforme], “pouco tempo” (o opsto
de megas [megav], “grande”), é usado acerca de: (a) pessoas, com respeito a: (1) posição ou idade, no singular (Mc 15.40, acerca de Tiago, “o menor”, referindo-se possivelmente à idade; Lc 19.3); no plural, “pequeninos” (Mt 18.6, 10, 14; Mc 9.42); (2) grau ou influência (por exemplo, Mt 10.42, veja o contexto; Act 8.10; 26.22, “pequenos”, como em Ap 11.18; 13.16; 19.5, 18; 20.12); (b) coisas, com respeito a: (1) tamanho (por exemplo, Tg 3.5 …); (2) quantidade (Lc 12.32; 1 Co 5.6; Gl 5.9; Ap 3.8); (3) tempo (Jo 7.33; 12.35; Ap 6.11; 20.3) …»
341Cf. PEREIRA, Op. cit., p. 233. «e]ti, advérbio, ainda, todavia … então, desde então …» 342Peripate>w, caminhar, andar. A forma verbal peripatei~te encontra-se no presente modo
imperativo voz activa, (andai).
343A forma verbal e]cete encontra-se no presente modo indicativo voz activa. É o verbo e]cw. 344Verbo katalamba>nw, compreender, vencer, suplantar, apanhar, aniquilar. A forma verbal
katala>bh encontra-se no aoristo modo conjuntivo voz activa. Expressa desejo.
345A forma verbal peripatw~n encontra-se no presente modo particípio voz activa. É um verbo
contracto.
346Cf. PEREIRA, Op. cit., p. 588. « JUpa>gw … conduzir…» A forma verbal uJpa>gei encontra-se
no presente modo indicativo voz activa.