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O lo>gov e o relacionamento com a humanidade

1. As divisões, os Conteúdos e a exegese do Prólogo

1.5. O lo>gov e o relacionamento com a humanidade

“…kai< hJ zwh< h+n to< fw~v

305

tw~n ajnqrw>pwn

306

?” (Jo 1.4b) – “…e a vida era

a luz dos homens.” (Jo 1.4b)

Esta declaração, em si mesma, evidencia o princípio estruturante da

humanidade. Enquanto a humanidade tiver a vida de Cristo, viverá ilumi-

nada e esclarecida. Por outras palavras, é impossível haver luz e esclareci-

mento na mente humana, se primeiramente não “brilhar” a vida de Cristo

no coração do “Homem”.

O problema central da humanidade não são os problemas sociais, ou

económicos, mas a falta da vida de Cristo. É interessante notar que mais

uma vez o apóstolo João usa o verbo “eijmi>”, no Imperfeito, evidenciando

uma acção inacabada, uma acção situada no passado, (no decorrer da sua

rea lização), com o objectivo de atestar que a vida de Cristo, continua a ser a

luz dos homens. Um outro aspecto merecedor do nosso cuidado prende-se

com o uso de dois substantivos determinativos na oração: “zwh>” – (vida) –

“o direito e o poder de outorgar actividade, de vivificar”

307

e o substantivo “fw~v”

– (luz) – “aquilo que capacita os homens a reconhecerem a operação de Deus no

302Cf. ALMEIDA, Op. cit., p. 31. «Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anun-

cia a obra das suas mãos» (Sl 19.1; Cf. 81).

303Cf. Idem, ibidem, p. 32. «Deus criou Adão e Eva à sua própria imagem, para uma comunhão

amorável e pessoal com o ser humano por toda a eternidade.»

304Cf. Idem, ibidem, p. 32. «…com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará

com eles e será o seu Deus…» (Ap.21.3).

305Cf. VINE, Op. cit., p. 762. «phõs (fw~v), [fwto>v, substantivo neutro], cognato de phaõ, “dar

luz” (das raízes pha – e phan -, expressando “luz conforme é vista pelos olhos”, e, metaforicamente, conforme “alcança a mente”…); cf. em português, “fósforo” (literalmente, “que traz a luz”). “Pri- mariamente, luz é uma emanação luminosa, provavelmente de força, proveniente de certos corpos que permitem os olhos discernirem forma e cor. A luz requer um órgão adaptado para sua recep- ção (Mt 6.22). Quando não há a participação dos olhos, ou quando estes, por algum motivo, estão debilitados, a luz é inútil …[Cristo necessita de adaptar os nossos olhos para que possamos receber a luz espiritual que Ele emana]…»

306Cf. Idem, ibidem, p. 692. «anthrõpos (a]nqrwpov), [ou, substantivo masculino] é usado: (a) de

modo geral, “ser humano, macho e fêmea”, sem referência a sexo ou nacionalidade (por exemplo, Mt 4.4; 12.35; Jo 2.25)…»

308Cf. RIENECKER, Op. cit., p. 161. 309Cf. RYLE, Op. cit., p.10.

310Cf. PEREIRA, Op. cit., p. 606. «fai>nw … [brilhar] fazer brilhar, fazer aparecer, fazer visível,

fazer perceptível … fazer conhecer…» A forma verbal fai>nei encontra-se no presente modo indi- cativo voz activa, denotando uma acção permanente que está na sua realização.

311Cf. FREIRE, Op. cit., p. 63. «aujto>, [Pronome Demonstrativo neutro acusativo singular], isto,

esta coisa…» Morfologicamente tanto poderá ser um neutro nominativo, como um neutro acusa- tivo singular. Sintacticamente só poderá ser um neutro acusativo singular.

312Cf. RIENECKER, Op. cit., p. 161. «katalamba>nw ... agarrar, vencer, captar com a mente,

compreender.» Cf. COENEN, Op. cit., vl. II pp. 2527 – 2533. «…katalamba>nw (katalambanõ), “agar- rar”, “apanhar”, “atingir”, “tomar como seu”, “tomar posse” … reforça a intenção original, e sig- ni fica “apanhar”, “agarrar-se firmemente em”, “atacar”; (na voz) média “apanhar para si”; a apreensão mental é basicamente apropriação e compreesão… katalamba>nw é empregado no Novo Testamento para designar o ataque de poderes malignos, e também o modo de Cristo segu- rar os homens. O menino epiléptico era apanhado por um espírito mudo e lançado por terra (Mc 9.18). As trevas que não “aceitaram “ a luz … nem aceitaram nem compreenderam (nem ven- ceram) Cristo (Jo 1.5; Cf. v.11), “apanham” os homens quando estes não têm Cristo (Jo 12.35). Paulo adverte seus leitores contra uma falsa confiança na sua fé, pois o Dia do Senhor os “apa- nhará de surpresa” (1 Ts 5.4). Do lado positivo, katalamba>nw marca o modo de Cristo segurar o crente. Paulo foi conquistado por Jesus Cristo; é a possessão de Cristo e, portanto, na luta da fé, prossegue para o alvo da soberana vocação (Fp 3.12-13). Somente alguém que foi “conquistado” esforça-se para obter a coroa imperecível do vencedor, da vida eterna (1 Co 9.24). (A voz média) katalamba>nomai (para a compreensão ou percepção mental ou espiritual) denota “apanhar” a verdade, mediante a qual a pessoa pode reconhecer as acções ocultas de Deus (Act 4.13; 10.34; 25.25). o verbo também ocorre em Rm 9.30 (acerca dos gentios, que vieram a “alcançar” a justifica- ção, embora não a buscassem), e Ef 3.18 (acerca do crente que “compreende” a extensão do amor de Deus)…» A forma verbal kate>laben encontra-se no aoristo modo indicativo voz activa.

mundo”

308

, ambos têm como função determinar a existência presente e fu -

tura da humanidade. O Homem, enquanto criatura de Deus, sempre depen-

derá da vida e da luz do Criador. Viver à parte da vida e da luz de Cristo é

viver num mundo obscuro, sem sentido existencial. “Toda a vida e luz espiri-

tuais que Adão e Eva possuíam antes da queda, haviam emanado de Cristo.”

309

É certo que a vida e a luz, que outrora brilhava no “Homem” na sua

excelência, perdeu o seu “brilho” por altura da queda, no entanto, João apre-

senta a oportunidade da humanidade adquirir novamente, a vida e a luz de

Jesus.

“kai< to< fw~v ejn th~| skoti>a| fai>nei

310

, kai< hJ skoti>a aujto<

311

ouj

kate>laben

312

.” (Jo 1.5) – “E a luz refulge nas trevas, (obscuro, tenebroso), e as

trevas não a venceram, (não a compreenderam).” (Jo 1.5)

A presente expressão revela-nos aspectos fundamentais do poder da luz

sobre as trevas: Antes de mais, João usa a forma verbal “fai>nei”, no Pre-

sente do Modo Indicativo transmitindo a ideia de uma acção que se realiza

actualmente, (no tempo da elocução), procurando mostrar que ainda hoje, a

luz através do seu poder dissipa as trevas. João não remete a acção para um

Aoristo Histórico, porque não quer circunscrever a acção a um mero acon-

tecimento relatado na história, mas quer, sim, situar o evento no Presente,

fazendo com que o leitor, ao ler, possa viver esta experiência com uma certa

contemporaneidade. “Cristo é para as almas dos homens o que o Sol é para o

mundo. Sim! Ele é o centro e a fonte de toda a luz espiritual, da vida, da animação,

do crescimento, da formosura, da fecundidade.”

313

À semelhança do Sol, Cristo é

uma luz que brilha para o bem de toda a humanidade.

A segunda forma verbal “kate>laben” – (apanhou, compreendeu, venceu,

aniquilou, suplantou, ofuscou)

314

, usada por João no Aoristo Modo Indicativo

remete-nos para duas ideias distintas: a ideia de que não só as trevas não

compreenderam a luz, bem como não venceram a luz. É bem possível que

João procurasse reunir numa mesma palavra os dois significados, pro-

curando evidenciar estas duas perspectivas. Se assim não fosse, João pode-

ria ter usado outras formas verbais, tal como “nika>w”

315

– (vencer, triunfar),

ou “sullamba>nw”

316

– (entender, compreender).

O Tempo verbal da segunda oração, revela-nos também alguma coisa

importante, visto que, na primeira oração como anteriormente analisamos, a

acção é desenrolada no Presente, na segunda oração, a acção é apresentada

no Aoristo, Modo Indicativo, transmitindo-nos um facto realizado num

determinado momento histórico, plenamente concretizado. Parafraseando –

“As trevas não prevaleceram contra a luz, mas a luz continua a suplantar as

trevas.” (Jo 1.5)

“ +Hn to< fw~v to< ajlhqino>n

317

, o{

318

fwti>zei

319

pa>nta

320

a]nqrwpon,

ejrco>menon

321

eijv

322

to<n ko>smon.” (Jo 1.9) – “Era a luz verdadeira, que alumia

313Cf. RYLE, Op. cit., p.12. 314Cf. PEREIRA, Op. cit., p. 304. 315Cf. Idem, ibidem, p. 1045. 316Cf. Idem, ibidem, p. 852.

317Cf. RIENECKER, Op. cit., p. 161. «ajlhqino>v, [h>, o>n, adjectivo triforme] real, genuíno,

autêntico… Cristo é a luz perfeita em cuja radiância todas as demais luzes parecem tenebrosas (Bernanrd).».

318Cf. FREIRE, Op. cit., p. 65. «o[, [pronome relativo neutro singular] que, o que…»

319Cf. VINE, Op. cit., p. 763. «phõtizõ (fwti>zei), usado: (a) no intransitivo, significa “brilhar,

dar luz” (Ap 22.5); (b) no transitivo: (1) “iluminar, alumiar, tornar brilhante, ser iluminado” (Lc 11.36; Ap 21.23); na voz passiva (Ap 18.1); metaforicamente, acerca da iluminação ou esclare- cimento espiritual (Jo 1.9; Ef 1.18; 3.9, “demonstrar”; Hb 6.4; 10.32); (2) “trazer à luz, elucidar, escla- recer”, ocorre em 1 Co 4.5 (acerca do acto de Deus no futuro) …» A forma verbal fwti>zei encontra- -se no presente modo indicativo voz activa. Mais uma vez encontramos o sentido de uma acção que está no seu processo de desenvolvimento.

320Cf. FREIRE, Op. cit., p. 54. «pa>nta, adjectivo masculino [triforme singular] todo.» Morfolo-

gicamente, tanto poderá ser um neutro nominativo plural, como um neutro acusativo plural, ou um masculino acusativo singular. Sintacticamente só poderá ser um masculino acusativo singular.

321 ]Ercomai, ir, vir, chegar. Cf. VINE, Op. cit., p. 1062. «erchomai (e]rcomai), o verbo mais fre-

quente, denotando ou “vir” [chegar] ou “ir” … em Fp 1.12, é traduzido por “aconteceram”, acerca da questão das circunstâncias … é traduzido em Mc 5.26 por “indo a pior” … é traduzido por “ir ter” em Mc 2.13; Jo 10.41 …[o verbo é acompanhado por inúmeras preposições] eijse>ρχοµαι, “vir em” ou “ir em”, “entrar” (formado de eis [eijv], “em” e … [e]rcomai, “ir” ou “vir”]), por exemplo, Lc 17.7 … ejxe>rcomai, “vir para fora” ou “ir para fora ou adiante”, “sair” (formado de ek [ejk], “para fora de” e … [e]rcomai, “ir” ou “vir”]), ocorre, por exemplo, em Mt 2.6 … ejpane>rcomai, “ir para trás, outra vez, voltar novamente, retornar” (formado de epi [ejpi>], “em” , ana [ajna>], “outra vez” [e]rcomai, “ir” ou “vir”]), é usado em, Lc 10.35; 19.15 … die>rcomai, “vir por” ou “ir por”, (formado de dia [dia>], “através de” e [e]rcomai, “ir” ou “vir”]), é encontrado, por exemplo, em, Act 9.38 … ejpe>rcomai, “vir sobre” ou “ir sobre”, “acometer” (formado de epi [ejpi>], “sobre” e [e]rcomai, “ir” ou

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“vir”]), ocorre, por exemplo, em Lc 1.35. Em Lc 21.26, é usado acerca de eventos que “vêm”, suge- rindo sua certeza … kate>rcomai, “vir para baixo, descer” (formado de [kata>], “para baixo” e [e]rcomai, “ir” ou “vir”]), é encontrado, em, Lc 9.37 … pareise>rcomai, “vir para dentro, entrar” (eis) [eijv], “vir ao lado ou do lado” (para) [para>], de modo a estar presente com, é usado: (a) no sentido literal, acerca da “entrada” ao lado do pecado (Rm 5.20); (b) em Gl 2.4, fala dos falsos irmãos, indicando sua “vinda” ou chegada sub-repticiamente … pare>rcomai, formado de (para>), “por” ou “fora” e e]rcomai, “ir” ou “vir”, significa: (a) “vir adiante” ou “ir adiante”, “aparecer” ou “chegar” (por exemplo, Lc 12.37; 17.7, última parte; Act 24.7); (b) “passar por” (por exemplo, Lc 18.37); (c) “negligenciar” (por exemplo, Lc 11.42) … prose>rcomai, denota “vir perto de” ou “ir perto de”, “aproximar-se” (formado de prós [pro>v], “perto de” e [e]rcomai, “ir” ou “vir”]), é usado, por exemplo, em Mt 4.3; Hb 10.1 … sune>rcomai, “vir junto, reunir-se” (formado de sun [su>n], “com” e [e]rcomai, “ir” ou “vir”]), é encontrado, por exemplo, em Jo 18.20; 1 Co 11.20; 14.23 …» A forma verbal ejrco>menon encontra-se no presente modo particípio masculino acusativo singular voz média. É um verbo depoente, tem forma média ou passiva, mas significado activo.

322A preposição eijv, juntamente com o acusativo significa: a, para, contra, em honra de, em

favor.

323Cf. FREIRE, Op. cit., p. 297. «gignw>skw [ou ginw>skw], conhecer [saber, compreender].»

Cf. COENEN, Op. cit., vl. I, pp. 392 – 405. «[gignw>skw ou] ginw>skw, “saber”, “vir a saber”, “enten- der”, “compreender”, “perceber”, “reconhecer” … No grego secular, o verbo emprega-se com a seguinte gama de significados: (a) Basicamente, significa “notar”, “perceber” ou “reconhecer” uma coisa, pessoa ou situação através dos sentidos, especialmente a vista … chega-se, dessa forma, a um ordenar inteligente na mente daquilo que foi assim percebido no mundo da experiência. Assim, o verbo também significa “experimentar”, “aprender”, “ficar conhecendo”: aquilo que foi experimentado fica conhecido por aquele que o experimentou … (b) Ocasionalmente ginõskõ [gignw>skw ou ginw>skw] significa “distinguir”, pois a experiência ou reconhecimento de um fenó- meno entre vários semelhantes ou diferentes podem levar a isto … (c) A familiaridade leva ao conhecimento pessoal. Daí “ginõskõ [gignw>skw ou ginw>skw] também significa “conhecer” de modo pessoal … “entender” … “ter conhecimento de”, “ser perito” … e “julgar” … Da mesma forma ginõskõ [gignw>skw ou ginw>skw] acha-se repetidas vezes com o significado de “conheci- mento”, “entendimento” … (d) ginõskõ [gignw>skw ou ginw>skw] pode empregar-se para expressar um relacionamento de confiança entre pessoas … “reconhecer como amigo”, “amar como amigo …» A forma verbal gnw>sesqe encontra-se no futuro modo indicativo voz média. No futuro é um verbo depoente. Apresenta-se sobre a forma média, mas com significado activo.

324Cf. VINE, Op. cit., p. 1054. «aletheia (ajlh>qeia) [av, substantivo feminino], “verdade” …

(b) no nominativo, “veracidade, verdade”, não meramente verbal, mas sinceridade e integridade de carácter (Jo 8.44; 3 Jo 3); (c) em frases, por exemplo, “em verdade”: epi, “com base de” (Mc 12.14; Lc 20.21); com en, “em” (2 Co 6.7; Cl 1.6; 1 Tm 2.7, “na verdade”; 1 Jo 3.18; 2 Jo 1, 3, 4).»

325Cf. RIENECKER, Op. cit., p. 176. «…ejleuqero>w, libertar, a libertação do pecado, um sinó-

nimo de salvação (Barrett).» Cf. COENEN, Op. cit., vl. I, pp. 1194-97. «…ejleuqero>w (eleutheroõ), “libertar”, “soltar” … O uso no Novo Testamento exibe algumas matizes interessantes. ejleuqeri>a nunca se emprega no sentido secular de liberdade política. Pode-se referir disto que a recuperação

todo o homem, (vindo) que vem ao mundo.” (Jo 1.9). Uma outra tradução possí-

vel: “Era a luz verdadeira que vindo para o mundo alumia todo o homem.” (Jo 1.9),

isto porque, nos manuscritos mais antigos, não encontramos qualquer tipo

de pontuação, todo esse trabalho foi realizado a posteriori, pelos críticos

literários.

Nesta frase, João passa a descrever as qualidades inerentes à luz: “Hn to<

fw~v to< ajlhqino>n…” — “Era a luz verdadeira…”, uma das características que

marca a diferença entre a luz de Cristo e outras pseudo-luzes é a “verdade”.

Verdade essa que sempre foi defendida e ensinada durante o ministério

publico de Jesus: “kai< gnw>sesqe

323

th<n ajlh>qeian

324

, kai< hJ ajlh>qeia ejleu-

qerw>sei

325

uJma~v

326

.” (Jo 8.32) – “E conhecereis a verdade, e a verdade vos liber-

tará.” (Jo 8.32)

O lo>gov tornou-se a manifestação visível da verdade, quer da verdade

esclarecedora, quer da verdade libertadora. Barrett afirmou: “a libertação do

pecado (é um) sinónimo de salvação.”

327

Ainda em relação ao versículo nove do capítulo um, encontramos duas

formas verbais que nos transmitem a ideia de um sincronismo: “fwti>zei”

que se encontra no Presente do Indicativo, significando, (alumiar, iluminar,

resplandecer, abrilhantar) – tendo o sentido de esclarecer; e “ejrco>menon”, que

se encontra no Presente do Particípio, significando, (vir, chegar, ir) – tendo o

sentido de movimento. No Particípio Presente a acção é simultânea com a

acção do verbo principal, parafraseando – “O lo>gov, vindo ao mundo ilumina

todo o homem, ou o lo>gov, ilumina todo o homem que vem ao mundo.” – A acção

entre os dois verbo é coincidente.

“ejn tw~| ko>smw| h+n, kai< oJ ko>smov di/ aujtou~ ejge>neto

328

, kai< oJ ko>smov

aujto<n oujk e]gnw

329

.” (Jo 1.10) – “Estava no mundo, e o mundo por intermédio

dele apareceu, e o mundo não o conheceu.” (Jo 1.10)

Dentro do relacionamento do lo>gov com a humanidade, apesar do

mesmo ser o criador de todas as coisas, deparamo-nos com o facto de que a

mesma não o reconheceu. O conhecer aqui é mais do que um mero entendi-

mento, trata-se sim, do estabelecimento de um relacionamento pessoal entre

a criatura e o Criador

330

.

Podemos então apresentar alguns aspectos importantes entre o relacio-

namento do lo>gov e a criação: a) O lo>gov é a luz divina que expressa o pró-

prio sentido da humanidade (Jo 1.4); b) O lo>gov é a luz divina que necessita

ser amada pela humanidade: “au[th de> ejstin hJ kri>siv

331

o[ti

332

to< fw~v

da liberdade política de Israel já não desempenhava papel algum no pensamento dos escritores do Novo Testamento. Jesus não era nenhum Messias político… O termo significa “a liberdade que temos em Cristo Jesus” (Gl 2.4), a liberdade em prol da qual “Cristo nos libertou” (Gl 5.1)… de outro lado, geralmente tem o sentido secular de “estar livre” em contraste com “ser escravo” (Gl 3.28; Ef 6.8; Cl 3.11; Ap 6.15)…» Cf. VINE, Index, 2002, pp. 756. «eleutheroõ (ejleuqero>w), “tornar livre” … é usado acerca da libertação de: (a) pecados (Jo 8.32, 36; Rm 6.18, 22); (b) a lei (Rm 8.2; Gl 5.1 …); (c) a escravidão da corrupção (Rm 8.21)…» A forma verbal ejleuqerw>sei encontra-se no futuro modo indicativo voz activa.

326Cf. FREIRE, Op. cit., p. 62. «uJma~v, [pronome pessoal segunda pessoa acusativo plural] a

vós, vós…»

327Cf. RIENECKER, Op. cit., p. 176.

328A forma verbal ejge>neto encontra-se no aoristo modo indicativo voz média ou passiva, mas

com significado activo. É um verbo depoente, (gi>gnomai, gi>nomai).

329A forma verbal e]gnw encontra-se no aoristo modo indicativo voz activa. Corresponde ao

verbo ginw>skw.

330Cf. RIENECKER, Op. cit., p. 176. «…conhecer, reconhecer, mais do que o conhecimento

intelectual: “estar no relacionamento certo” (Morris).»

331Cf. PEREIRA, Op. cit., p. 333. «Kri>siv, ewv, substantivo feminino, (kri>nw) acção ou facul-

dade de separar, de discernir, luta, litigio, processo, decisão, juízo, senteça, resultado, desenlace, crise [condenação, julgamento].»

332Cf. FREIRE, Op. cit., p. 165. «…o[ti, [conjunção subordinativa causal e consecutiva] porque

333 ]Ercomai, ir, vir, chegar. A forma verbal ejlh>luqen encontra-se no perfeito modo indicativo

voz activa.

33A forma verbal hjga>phsan encontra-se no aoristo modo indicativo voz activa. É um aoristo

sigmático.

33Cf. PEREIRA, Op. cit., pp. 356, 355. «Ma~llon, comparativo de ma>la, mais, seguido de

h], “mais do que” com genitivo demasiado … Ma>la, advvérbio I completamente, muito …»

336A forma verbal h+n encontra-se no imperfeito voz activa. O tempo imperfeito só existe no

modo indicativo. Corresponde ao verbo eijmi>.

337Cf. PEREIRA, Op. cit., p. 474. «Ponhro>v, a>, o>n, adjectivo [triforme] (pone>w), em mau estado,

defeituoso, de má qualidade, mau, perverso, cobarde, vil …»

338A forma verbal ei+pen encontra-se no aoristo modo indicativo voz activa. É o verbo le>gw. 339Cf. VINE, Op. cit., p. 379. «oun (ou+n), [conjunção], “então, portanto, [pois], com que então,

de modo que” …»

340Cf. Idem, ibidem, p. 865. «mikros (mikro>v), [a>, o>n, adjectivo triforme], “pouco tempo” (o opsto

de megas [megav], “grande”), é usado acerca de: (a) pessoas, com respeito a: (1) posição ou idade, no singular (Mc 15.40, acerca de Tiago, “o menor”, referindo-se possivelmente à idade; Lc 19.3); no plural, “pequeninos” (Mt 18.6, 10, 14; Mc 9.42); (2) grau ou influência (por exemplo, Mt 10.42, veja o contexto; Act 8.10; 26.22, “pequenos”, como em Ap 11.18; 13.16; 19.5, 18; 20.12); (b) coisas, com respeito a: (1) tamanho (por exemplo, Tg 3.5 …); (2) quantidade (Lc 12.32; 1 Co 5.6; Gl 5.9; Ap 3.8); (3) tempo (Jo 7.33; 12.35; Ap 6.11; 20.3) …»

341Cf. PEREIRA, Op. cit., p. 233. «e]ti, advérbio, ainda, todavia … então, desde então …» 342Peripate>w, caminhar, andar. A forma verbal peripatei~te encontra-se no presente modo

imperativo voz activa, (andai).

343A forma verbal e]cete encontra-se no presente modo indicativo voz activa. É o verbo e]cw. 344Verbo katalamba>nw, compreender, vencer, suplantar, apanhar, aniquilar. A forma verbal

katala>bh encontra-se no aoristo modo conjuntivo voz activa. Expressa desejo.

345A forma verbal peripatw~n encontra-se no presente modo particípio voz activa. É um verbo

contracto.

346Cf. PEREIRA, Op. cit., p. 588. « JUpa>gw … conduzir…» A forma verbal uJpa>gei encontra-se

no presente modo indicativo voz activa.

ejlh>luqen

333

eijv to<n ko>smon kai< hjga>phsan

334

oiJ a]nqrwpoi ma~llon

335

to<

sko>tov h] to< fw~v? h+n

336

ga<r aujtw~n ponhra<

337

ta< e]rga.” (Jo 3.19) – “E esta é a

condenação (julgamento, sentença, juízo, acção ou faculdade de separar): a luz

(brilho, luminosidade, clarão, claridade, candeia, fulgor, esplendor) veio (tem vindo,

tem chegado, chegou, foi) ao mundo e os homens amaram (amor de entrega, amor

altruísta, amor abnegado, amor de rendição, amor desinteressado, amor filantropo)

mais as trevas (obscuridade, tenebroso, escuridão, negrura, noite, cegueira, igno-

rância, sombra, cavernoso, sombrio) do que a luz; porque (pois) as suas obras (tra-

balhos, acções, actos) eram más (mau, mal, vis, perversas, malévolas, malvadas, pér-

fidas, enganadoras, libertinas, corrompidas, maldosas, iníquas, ruins, cognato de

(po>nov, ou), (trabalho, pena, fadiga), labor, labuta, faina, lida, denota; “mal que

causa labor, dor, aflição, mal maligno”, ruim, desprezível).” (Jo 3.19)

c) O lo>gov é a luz divina que alumia a humanidade: “ei+pen

338

ou+n

339

aujtoi~v oJ jIhsou~v? mikro<n

340

e]ti

341

cro>non to< fw~v ejn uJmi~n ejstin. peripa-

tei~te

342

wJv to< fw~v e]cete

343

, i[na mh< skoti>a uJma~v katala>bh|

344

? kai< oJ peri-

patw~n

345

ejn th~| skoti>a| oujk oi+den pou~ uJpa>gei

346

.” (Jo 12.35) – “Disse-lhes pois

Jesus: ora, por um pouco de tempo, ainda está entre vós a luz. Andai enquanto

tendes a luz, para que as trevas (escuridão, tenebroso, escuro, tenebrosidade,

negrura, indistinto, sombrio) não vos venham a vencer (vençam, destruam, apa-

nhem, tomem posse de vós, suplantem); e o que anda nas trevas não sabe (com-

preende, conhece, entende, reconhece, percebe, alcança) para onde vai (se conduz).”

(Jo 12.35)

d) O lo>gov é a luz divina que traz vitória sobre as trevas (Jo 1.5); e) O

lo>gové a luz divina que liberta através da verdade (Jo 8.32); f) O lo>gov é a

luz divina que foi manifestada à humanidade: “kai< hJ zwh< ejfanerw>qh

347

,

kai< eJwra>kamen

348

kai< marturou~men

349

kai< ajpagge>llomen

350

uJmi~n th<n zwh<n

th<n aijw>nion h[tiv

351

h+n pro<v to<n pate>ra kai< ejfanerw>qh hJmi~n;” (1 Jo 1.2) –

“Ora a vida foi manifestada (foi tornada clara, foi revelada, foi tornada visível), e

nós temos contemplado (paráfrase – e continuamos a contemplar) e testemunhamos

e vos declaramos (relatado os factos, tornado público, reportado, feito uma descrição

pormenorizada) a vida eterna que estava com o Pai e que foi manifestada para nós.”

(1 Jo 1.2)