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2.1 ASSÉDIO MORAL

2.1.3 O perfil dos assediadores e dos assediados

De acordo com Freitas (2001), o assediador, caracterizado pelo sujeito perverso, tem o propósito de neutralizar a vítima e sua reação perante o ato. Há uma intenção aqui de despersonalizá-la psiquicamente, fazendo com que ela entre em um processo disciplinador invisível, mas que estará influenciando a sua vida. A princípio, ela terá dificuldade de perceber que o assédio não irá só prejudicar o seu

ambiente de trabalho, como também em outras áreas, externas ao ambiente laboral. Quando o ser perverso escolhe a vítima há um sentimento de onipotência, a ponto de ela mostrar domínio perante o ser submisso, menosprezando-o, por traços de frieza e calculismo, ou seja, há um planejamento de como as suas ações serão realizadas e quais resultados poderão ser alcançados com elas. Existem alguns tipos de comportamento do agressor para com a vítima, que podem fazer com que facilite a permissividade do ato em si, como a recusa por uma comunicação flexível, havendo atitudes de desqualificação dela, mas como a comunicação é implícita, a vítima não consegue raciocinar e nem reagir sobre a atitude voltada a ele, já que não há verbalizações diretas, somente sinais e comportamentos. Diante disso, ela não sabe se seria apenas um alerta ou um ato realizado para desestabilizá-la no trabalho, não dando a chance de repreender a ação. São ações como olhares de desprezo, fechar os olhos, não olhar para o outro quando fala, balanço da cabeça, troca de nome, falar com a pessoa como se fosse um objeto, atitudes essas que poderiam dar a impressão de que o indivíduo não se importa com a vítima e que ela seria um “peso morto” na organização (HIRIGOYEN, 1998). Outra ação estaria no isolamento da vítima, pois há uma tentativa de o agressor afastar o vitimado de todo tipo de aliança possível, uma vez que, estando só, ficaria mais difícil de haver retaliações. Ações como a de não convidá-la para um almoço entre funcionários e chefes ou privá-la de reuniões formais, poderiam ser realizadas pelo agressor. Um ato que vem sendo muito realizado nas organizações seria a fixação de objetivos inatingíveis, ou, até mesmo, a realização de trabalhos extras. Há também aqueles indivíduos perversos, que preferem levar a vítima a cometer erros, com o propósito de rebaixá-la perante os outros, fazendo-a sentir-se culpada (HIRIGOYEN, 1998).

O comportamento do não denunciar o perverso estaria voltado ao medo de tornar pública a humilhação que recebe do assediador, o que acaba por deixá-las em uma situação de constrangimento. Apesar de esse medo ser constante, essas vítimas não são frágeis, muito pelo contrário, são indivíduos de personalidade, que levam a sinceridade acima de tudo, não se deixando dominar e nem aceitar demandas advindas de um superior, sem lhe questionar o motivo, não se deixando levar pela dramarturgia que ocorre no ambiente de trabalho. Por apresentarem essa

rebeldia, são geralmente os alvos desses assediadores, que possuem o propósito de anular suas vítimas e continuar com o teatro ali existente (HELOANI, 2004).

Maia (2013) corroborou com a ideia de duas caracterizações de perfis que podem vir a ser alvos de assédio moral, no ambiente de trabalho. Uma estaria relacionada às situações que podem desencadear o ato, e a outra, no perfil das vítimas.

O primeiro seria o fato de o indivíduo ser sozinho, não ter contato com as pessoas dentro do ambiente de trabalho. Poderia ser um único enfermeiro, em um hospital, em que só trabalham enfermeiras, ou seja, isolá-lo por não pertencer ao gênero feminino. O segundo seria um indivíduo, cujo comportamento se diferencie dos demais colegas. O terceiro seria ao contrário, aquele indivíduo que se destaque frente aos demais, pois geralmente recebe elogios ou promoções, o que pode fazer com que ocorra o assédio, devido ao ciúme dos outros colegas. E, por último, aquele indivíduo que é novo no serviço, trazendo o fator de ser às vezes mais jovem que os seus subordinados, ou que esteja ocupando o lugar de um servidor que era popular, um motivo para à ocorrência desse ato. Este tipo de sujeito também pode provocar inveja e raiva nos outros servidores, pois esta nomeação os fará se sentirem incompetentes, perante tal idade ou alguém que teriam que tomar cuidado, já que estaria ocupando o lugar de um trabalhador bem visto por todos. Com esse sentimento, esses trabalhadores podem isolar a vítima ou cometer atos de violência moral perante ela (MAIA, 2013).

A segunda caracterização, de acordo com Guedes (2003), estaria mais voltada para o perfil das vítimas, tendo elencados:

1- O distraído - aquele indivíduo que não percebe as situações que ocorrem em sua volta; 2 - O prisioneiro - aquele que não consegue se libertar do assédio, tendo tendência a depressão; 3 - O paranóico- aquele que apresenta insegurança, pois acha que todos querem prejudicá-lo; 4 - O severo - é aquele indivíduo sistemático, que segue as regras que lhe são impostas, sem ter flexilidade em relação às situações; 5 - O presunçoso - aquele que enaltece as suas qualidades, o que pode gerar irritabilidade nos outros; 6 - O passivo dependente - Possui um caráter servil e espera ser reconhecido por todos. 7 - O brincalhão - pode se tornar vítima por ser considerado o palhaço da turma. Ninguém leva ele a sério. 8 - O hipocondríaco - aquele que reclama diariamente das suas obrigações e afazeres; 9 - O verdadeiro colega - aquele que entrega pessoas por acreditar no senso de justiça e ter conduta honesta. 10 - O ambicioso - aquele que ofusca o trabalho dos demais; 11 - O seguro de si - aquele que confia em seus talentos; 12 - O servil - esse seria aquele sujeito que se

passa pelas mais terríveis humilhações para agradar ao chefe; 13 - O bode expiatório - possui um comportamento de fraqueza perante o grupo (saco de pancadas); 14 - O sensível - tem necessidade de reconhecimento pelo grupo, sendo fraco para críticas; 15 - O introvertido - aquele que possui dificuldades de se relacionar com a equipe, podendo levá-lo a um isolamento com o grupo e ser alvo do ato.