3 A AGENDA GLOBAL DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
3.6 O PODER JUDICIÁRIO BRASILEIRO E A AGENDA GLOBAL 2030:
INTERCONEXÕES ENTRE SUSTENTABILIDADE E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
Vive-se, atualmente, no processo de enfrentamento dos riscos trazidos pela modernidade, conforme visto no primeiro capítulo do estudo. A superação desse cenário se mostra essencial para caminharmos rumo a uma sustentabilidade do sistema político-jurisdicional do Estado brasileiro. Refletimos, então, de acordo com o que foi explanado até o momento, que o direito em si não é o único elemento de importância primordial. Isso porque, segundo a lição n. 3 do estudo realizado pelo professor Brian Z. Tamanaha, da St. John's University School of Law, intitulado “The lessons of law and development studies” – tradução livre para “As lições dos estudos sobre direito e desenvolvimento” –, “o centro de gravidade em cada sociedade baseia-se numa mistura de suas peculiaridades históricas, culturais, econômicas, políticas e materiais (população, recursos naturais, tecnologia de base, entre outros)”380.
Deve-se reconhecer, portanto, que a sustentabilidade nasce como fruto do dinamismo de todas as instituições, cujo objetivo maior, inclusive a nível global, é a continuidade social, econômica, ambiental e institucional sustentáveis das próprias organizações (públicas ou privadas). Sob tal perspectiva, salienta o mencionado autor que “o reconhecimento da natureza derivativa e da influência secundária do Direito é um refrão virtualmente unânime de todos os lados do debate” 381. É necessário ir além da aplicação da norma, pois a sustentabilidade pressupõe a interconexão de todas as tônicas do cenário político-social. É claro, porém, como alerta Tamanaha, que:
Isso não nega que o Direto desempenhe sua própria e significante função como estrutura institucional e simbólica dentro da sociedade - apenas que algumas poucas soluções aos problemas serão geradas a partir do próprio Direito. Sistemas jurídicos são recursos do poder institucionalizado que se prestam a muitos usos. E, para grande desgosto daqueles que desejam reformar a sociedade por meio do
380 TAMANAHA, Brian Z. As lições dos estudos sobre direito e desenvolvimento. Revista Direito GV, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 187-216, jun. 2009. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1808-24322009000100011>. Acesso em: 16 dez. 2020.
381 TAMANAHA, Brian Z. As lições dos estudos sobre direito e desenvolvimento. Revista Direito GV, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 187-216, jun. 2009. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1808-24322009000100011>. Acesso em: 16 dez. 2020.
Direito, na maioria dos sistemas jurídicos ao redor do mundo os juristas são técnicos que executam decisões elaboradas por outros 382. Nesse contexto, pode-se compreender que o movimento “Law and Development” – Direito e Desenvolvimento –, que teve início nos Estados Unidos na década de 1960, apresenta lições de que “programas de reforma concebidos unicamente numa dimensão jurídica, notadamente em tradições legais e culturais diversas e talvez incompatíveis entre si, dirigem-se à formação de um cenário favorável a resultados fracassados”383. Por essa razão, apenas tratando o Rule of Law – Estado de Direito – enquanto um conjunto de instituições é que “os reformadores poderão capacitar a si mesmos na tarefa de alcançar os seus escopos originais, relacionados ao Estado Democrático de Direito e à proteção de direitos fundamentais”
384, a sobressair, assim, o papel primordial da compreensão racional das instituições do Estado a partir de um processo transparente e dinâmico, este, como mecanismo transformador dos meios ambiente, econômico e social.
A interação entre a Agenda Global 2030 e as entidades e instituições internacionais tem sido destacada em diversos documentos emitidos pela Organização das Nações Unidas e, internamente, pelo Conselho Nacional de Justiça.
Os estudos sobre sustentabilidade, desenvolvimento e processo judicial introduziram novos problemas [na verdade eles já existiam, mas, em razão de diversos interesses, eram negligenciados ou minimizados] e abriram oportunidades para soluções inovadoras e sustentáveis, cujas ações são perceptíveis sob diferentes ângulos.
No âmbito jurisdicional, a título de exemplo, podem-se destacar ações como: o desenvolvimento de políticas perante tomadores de decisões de impacto coletivo; a criação de indicadores e ferramentas para avaliar a judicialização das
382 TAMANAHA, Brian Z. As lições dos estudos sobre direito e desenvolvimento. Revista Direito GV, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 187-216, jun. 2009. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1808-24322009000100011>. Acesso em: 16 dez. 2020.
383 GOMES NETO, José Mário Wanderley. Direito e desenvolvimento na perspectiva da consolidação do rule of law. Revista Duc In Altum - Caderno de Direito, v. 3, n. 4, p. 129-143, jul./dez. 2011.
Disponível em:
<http://www.faculdadedamas.edu.br/revistafd/index.php/cihjur/article/view/127/119>. Acesso em: 16 dez. 2020.
384 GOMES NETO, José Mário Wanderley. Direito e desenvolvimento na perspectiva da consolidação do rule of law. Revista Duc In Altum - Caderno de Direito, v. 3, n. 4, p. 129-143, jul./dez. 2011.
Disponível em:
<http://www.faculdadedamas.edu.br/revistafd/index.php/cihjur/article/view/127/119>. Acesso em: 16 dez. 2020.
relações interpessoais e o impacto desta conduta na efetivação da sustentabilidade;
o desenvolvimento de mecanismos de desjudicialização e prevenção de demandas;
e o estabelecimento de diálogo entre as instituições, a ensejar parcerias sociais ou setoriais.
É diante desse contexto que a participação do Poder Judiciário brasileiro nas discussões sobre a institucionalização da Agenda Global 2030 encontra campo de justificação. Embora os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - ODS demandem especial protagonismo do Poder Executivo, que naturalmente capitaneia e promove as políticas públicas, existem situações, não raras vezes, em que sua atuação não alcança parcela dos sujeitos, ou mesmo falha, oportunidades nas quais o Poder Judiciário é provocado, o que, por si só, demonstra a importância de uma visão estratégica do Conselho Nacional de Justiça, consonante com os ODS, cuja prospecção, de forma direta ou indireta, terá reflexos nos indicadores nacionais da Agenda 2030.
Na medida em que a promoção da Justiça, paz e instituições eficazes passa a compor um dos ODS (ODS n. 16, objeto de estudo nesta pesquisa), a necessidade de acesso e análise daquilo que é produzido pelo Poder Judiciário passa a ser requisito imprescindível à verificação do cumprimento da Agenda Global pelo Brasil, uma vez integrada como elemento de planejamento estratégico dos Tribunais e Corregedorias de Justiça. Essa perspectiva, aliás, caminha em sintonia com a Base Nacional de Dados do Poder Judiciário (DataJud), instituída como fonte primária de dados do Sistema de Estatística do Poder Judiciário (SIESPJ), por meio da Resolução n. 331/2020385, do Conselho Nacional de Justiça. A criação desse sistema teve como escopo a coleta de informações e produção de indicadores estatísticos com precisão e confiança, de maneira a permitir diagnósticos e comparações mais fidedignas e para o subsídio das tomadas de decisões.
Com as ações de institucionalização da Agenda Global, o Conselho Nacional de Justiça mapeou os assuntos processuais previstos na Tabela Processual
385 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução n. 331, de 20 de agosto de 2020. Institui a Base Nacional de Dados do Poder Judiciário – DataJud como fonte primária de dados do Sistema de Estatística do Poder Judiciário – SIESPJ para os tribunais indicados nos incisos II a VII do art. 92 da Constituição Federal. Portal do Conselho Nacional de Justiça, Brasília, 2020. Disponível em:
<https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/3428>. Acesso em: 16 dez. 2020.
Unificada (TPU) – criada pela Resolução n. 46/2007386, do CNJ, a qual objetiva a padronização e uniformização taxonômica e terminológica de classes, assuntos, movimentação e documentos processuais no âmbito da Justiça Estadual, Federal, do Trabalho, Eleitoral, Militar da União, Militar dos Estados, do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior do Trabalho, a serem empregadas em sistemas processuais – e os indexou aos ODS para que os Tribunais pudessem eleger um plano de atuação, incorporando, assim, a Meta 9 no planejamento estratégico do Judiciário brasileiro.
Dito isso, antes de adentrar na implementação da Meta 9 pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, importante destacar o contexto de institucionalização da Agenda Global 2030 no Poder Judiciário Brasileiro e sua interface com o planejamento estratégico traçado pelo Conselho Nacional de Justiça, a fim de manter consonância com os indicadores dos ODS. Oportunamente, destacamos que as informações a seguir utilizadas foram retiradas, na sua grande maioria, do Portal da Agenda 2030387, disponível no sítio do Conselho Nacional de Justiça. Referido portal:
Tem a finalidade de apresentar os trabalhos desenvolvidos no Conselho Nacional de Justiça, por meio do Comitê Interinstitucional, da Comissão Permanente da Agenda 2030, do LIODS CNJ, da Rede de Inovação e Inteligência, e da equipe do gabinete da Coordenação da Agenda 2030, a fim de somar esforços para atingir a Meta Nacional 9 e integrar a Agenda 2030 ao plano estratégico do Poder Judiciário, por meio de Planos de Ação, cujos resultados simbolizam um marco indelével de inovação no Poder Judiciário Brasileiro, e coloca o jurisdicionado como foco principal dos serviços prestados pela Justiça em busca da solução pacífica de controvérsias.
Para isso, vale recordar que a Agenda Global 2030 consubstancia-se em um compromisso assumido por líderes de 193 (cento e noventa e três) países, incluindo o Brasil e é coordenada pelas Nações Unidas, por intermédio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), consoante disciplinado pela
386 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução n. 46, de 18 de dezembro de 2007. Cria as Tabelas Processuais Unificadas do Poder Judiciário e dá outras providências. Portal do Conselho Nacional de Justiça, Brasília, 2007. Disponível em: <https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/167>.
Acesso em: 16 dez. 2020.
387 AGENDA 2030. Portal do Conselho Nacional de Justiça, 2021. Seção Programas e Ações, Direitos Humanos e Cidadania. Disponível em: <https://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/agenda-2030/>. Acesso em: 16 dez. 2020.
Resolução A/RES/72/279.OP32-2018388, da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. A agenda de Direitos Humanos das Nações Unidas foi recepcionada pelo Poder Judiciário Brasileiro por meio do Conselho Nacional de Justiça, tendo como marco inicial, no âmbito nacional, a criação do Comitê Interinstitucional da Agenda 2030.
Internamente, destarte, a institucionalização da Agenda Global 2030 no Poder Judiciário se deu com a criação do Comitê Interinstitucional da Agenda 2030 – por meio da Portaria n. 133389, de 28 de setembro de 2018, do Conselho Nacional de Justiça –, cujo objetivo destina-se à avaliação da integração das metas do Poder Judiciário Brasileiro às metas e aos indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, assim como à elaboração de relatório de trabalho com o apoio de todos os Tribunais do País.
O normativo citado (art. 3º), preconiza 8 (oito) atribuições específicas do Comitê, a seguir destacadas:
1. Fazer a interlocução das demandas do Poder Judiciário com os órgãos e atores que contribuem para o plano de ação da Agenda 2030, aprovada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, da qual o Brasil faz parte, de acordo com o Decreto nº 19.841, de 22 de outubro de 1945;
2. Elaborar relatórios estatísticos semestrais de dados, metas e indicadores do Poder Judiciário relacionados à Agenda 2030 que integrarão a publicação Justiça em Números e servirão de subsídios para a mensagem anual do Presidente do Supremo Tribunal Federal a ser remetida ao Congresso Nacional, por ocasião da abertura da sessão legislativa, sobre a situação do Poder Judiciário no País e as atividades do CNJ;
3. Manter repositório das pesquisas acadêmicas e judiciárias relacionadas à Agenda 2030;
4. Elaborar relatório das dificuldades encontradas na obtenção de dados estatísticos desagregados referentes às metas e indicadores da Agenda 2030 à Comissão Permanente de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e Agenda 2030;
5. Acompanhar o processo de integração da Agenda 2030 no Poder Judiciário;
388 UNITED NATIONS. General Assembly. Resolução A/RES/72/279. OP32-2018. Repositioning of the United Nations development system in the context of the quadrennial comprehensive policy review of operational activities for development of the United Nations system. United Nations Documents, 2018. Disponível em: <https://undocs.org/en/A/RES/72/279>. Acesso em: 16 dez. 2020.
389 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Portaria n. 133, de 28 de setembro de 2018. Institui Comitê Interinstitucional destinado a proceder estudos e apresentar proposta de integração das metas do Poder Judiciário com as metas e indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), Agenda 2030. Portal do Conselho Nacional de Justiça, Brasília, 2018. Disponível em:
<https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/2721>. Acesso em: 15 dez. 2020.
6. Acompanhar as pesquisas relacionadas aos mecanismos que ampliem a transparência de dados do Poder Judiciário, facilitando consulta e pesquisa por usuários;
7. Contribuir com a organização anual dos Encontros Ibero-Americanos da Agenda 2030 no Poder Judiciário; e
8. Contribuir com os trabalhos do Laboratório de Inovação, Inteligência e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (LIODS) e propor temas de interesse relacionados a Agenda 2030.
Em dezembro de 2018, na abertura do XII Encontro Nacional do Poder Judiciário Brasileiro, foi destacada a importância de se incluírem no planejamento do Poder Judiciário para o ano de 2020 as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas. Além disso, no decorrer do encontro, foi apresentado painel a dispor de que maneira os Laboratórios de Inovação do Poder Judiciário, os Centros de Inteligência e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 formavam uma Rede de Inovação no Judiciário brasileiro.
Em janeiro de 2019, por meio da Coordenadora do Comitê Interinstitucional, o Conselho Nacional de Justiça conheceu, no âmbito da Justiça Federal do estado de São Paulo-BR, o primeiro dos quatorze Laboratórios de Inovação do Poder Judiciário Brasileiro, bem como o Centro de Inteligência do Conselho da Justiça Federal em Brasília-BR, criado em caráter experimental e capitaneado pelo próprio órgão nacional de controle.
No dia 7 de maio de 2019, a Coordenadora do Comitê Interinstitucional, após 140 (cento e quarenta) dias de trabalho, apresentou ao Colegiado o 1º Relatório (Relatório Preliminar390) produzido pelo Comitê Interinstitucional da Agenda 2030 com apoio da equipe do gabinete. Na oportunidade, o Comitê Interinstitucional entendeu que foi dado apenas um passo rumo à implementação da Agenda 2030 no âmbito do Poder Judiciário Brasileiro. Isso porque, inicialmente, o Comitê Interinstitucional destinava-se ao estudo de apenas duas questões principais: (1) mapear os bancos de dados existentes; e, (2) mostrar a possibilidade de relacionar a atuação fim do Poder Judiciário às metas e aos indicadores dos ODS, da Agenda 2030.
390 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Agenda 2030 no Poder Judiciário: Comitê Interinstitucional: relatório preliminar. Brasília, 2019. Disponível em: <https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2019/05/0c726e0a61db9b930947cabdb61bf549.pdf>. Acesso em: 15 dez. 2020.
Todavia, os estudos que ensejaram o Relatório Preliminar e os dados obtidos pela equipe técnica demonstraram ser plenamente possível continuar a trilhar o caminho já iniciado de forma ampliativa. O Relatório destacou que o Conselho Nacional de Justiça, por se tratar de órgão responsável pelo alinhamento estratégico da justiça brasileira, “já se dedica a reunir os tribunais nesse processo conjunto, de definição das metas nacionais, em consonância com os macrodesafios e com a Estratégia Nacional do Poder Judiciário”391.
Em razão do panorama levantado, ao final, o relatório propôs 6 (seis) encaminhamentos específicos, a saber: (1) Prorrogar as atividades do Comitê Interinstitucional; (2) Institucionalizar o Laboratório de Inovação, Inteligência e os ODS; (3) Indexar os ODS aos assuntos da TPU, bem como as metas e os indicadores dos ODS ao glossário da TPU; (4) Uniformizar os portais de transparência e sistemas de busca dos tribunais para facilitar a pesquisa por assuntos da TPU; (5) Regulamentar o modelo de relatório estatístico a ser extraído dos sistemas e disponibilizados para consulta a partir da TPU; e, (6) Criação da Meta 9, no âmbito do Poder Judiciário.
Especificamente quanto ao encaminhamento n. 6, a dispor sobre a “criação da Meta 9, no âmbito do Poder Judiciário”, a perspectiva conclusiva do Relatório Preliminar caminhou para a ideia de institucionalizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 no Poder Judiciário Brasileiro, tendo como objetivo:
Aperfeiçoar a comunicação do Judiciário com os usuários do sistema, intensificar o intercâmbio nacional e internacional com a rede de inovação no setor público e tornar os indicadores da prestação jurisdicional, ainda mais, transparentes, eficientes e responsivos à sociedade392.
A proposta de incluir na agenda do Poder Judiciário a Meta 9, segundo o Relatório, “tem o escopo de internalizar e levar à compreensão de todos o alcance da Agenda 2030, com enfoque nos ODS”. Em um primeiro momento, a Meta 9 impactará
391 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Agenda 2030 no Poder Judiciário: Comitê Interinstitucional: relatório preliminar. Brasília, 2019. Disponível em: <https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2019/05/0c726e0a61db9b930947cabdb61bf549.pdf>. Acesso em: 15 dez. 2020. p.
54.
392 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Agenda 2030 no Poder Judiciário: Comitê Interinstitucional: relatório preliminar. Brasília, 2019. Disponível em: <https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2019/05/0c726e0a61db9b930947cabdb61bf549.pdf>. Acesso em: 15 dez. 2020. p.
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nos tribunais de forma a cientificá-los acerca da existência dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - ODS e das diversas outras possibilidades de inter-relação com atividades jurisdicionais e administrativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário, “seja com enfoque na sustentabilidade ou com enfoque na atividade fim, de julgamento de processos”393.
O Relatório Preliminar ainda enfatiza o aspecto de cooperação entre todas as instituições envolvidas, de modo a atingir o desenvolvimento sustentável e a efetiva vinculação do Poder Judiciário à Agenda Global 2030, pois, afinal, tal mecanismo consiste em um “Pacto Global”, que objetiva a melhoria da qualidade de vida de todos os seres humanos, de maneira a tornar os meios social, ambiental, econômico e institucional sustentáveis para a presente e as futuras gerações. Extrai-se do relatório, por oportuno, que esse novo locus à atividade judicial:
É um passo a passo necessário para que, no futuro, haja integral vinculação do Poder Judiciário à Agenda 2030, afinal todos devem estar diretamente envolvidos com o desenvolvimento sustentável do País e não apenas o Poder Executivo. É uma tarefa que precisa ser difundida e dividida entre todos os atores da sociedade, desde os Poder da República, às Organizações Não Governamentais e à sociedade civil organizada. Afinal, a Agenda 2030 consiste em um Pacto Global para melhoria da qualidade de vida de todos os seres humanos da presente geração e das futuras gerações394.
Em evento ocorrido em agosto de 2019, na cidade de Curitiba (Brasil), a marcar o “I Encontro Ibero-Americano da Agenda 2030 no Poder Judiciário”, foi convencionado – com vigência de 60 (sessenta) meses, conforme Cláusula Onze – o Pacto pela Implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 no Poder Judiciário e no Ministério Público395, assim como a Portaria n.
393 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Agenda 2030 no Poder Judiciário: Comitê Interinstitucional: relatório preliminar. Brasília, 2019. Disponível em: <https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2019/05/0c726e0a61db9b930947cabdb61bf549.pdf>. Acesso em: 15 dez. 2020. p.
55.
394 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Agenda 2030 no Poder Judiciário: Comitê Interinstitucional: relatório preliminar. Brasília, 2019. Disponível em: <https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2019/05/0c726e0a61db9b930947cabdb61bf549.pdf>. Acesso em: 15 dez. 2020. p.
55.
395 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça; BRASIL. Conselho Nacional do Ministério Público;
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Pacto pela implementação dos objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 no Poder Judiciário e no Ministério Público. Portal do Conselho Nacional de Justiça, 19 ago. 2019. Disponível em: <https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2019/09/578d5640079e4b7cca5497137149fa7f.pdf>. Acesso em: 16 dez. 2020.
119/2019396, do Conselho Nacional de Justiça, que criou o Laboratório de Inovação, Inteligência e ODS (LIODS).
Referido pacto, firmado entre o Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Nacional do Ministério Público e a Organização das Nações Unidas, ao considerar, dentre outras premissas, (1) “o compromisso do Estado Brasileiro na implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, subscrito durante a Cúpula das Nações Unidas em setembro de 2015”; (2) o papel do Poder Público na promoção do desenvolvimento sustentável em suas dimensões social, econômica, ambiental e institucional; (3) “o teor dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), desdobrados em 169 metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU)”; e, (4) “a necessidade de conferir visibilidade aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e de unir os esforços entre os Poderes e Ministério Público na implementação desse conjunto de objetivos”, teve como objetivo a cooperação técnica e operacional com vistas ao alcance dos ODS, em especial pela conjugação de esforços para a concretização de 9 (nove) ações específicas.
Referidas ações são assim apresentadas no Pacto pela Implementação
Referidas ações são assim apresentadas no Pacto pela Implementação