2.3 LGBT
2.3.2 O Preconceito LGBT dentro do Ambiente Escolar
As divergências e as discriminações em relação aos indivíduos LGBT apontadas ao longo deste trabalho tornaram não só a sociedade um local mais intolerante como também o ambiente escolar. Devido a compulsividade heteronormativa que vê o relacionamento heterossexual como o certo desencadeou-se uma exclusão e não aceitação dos relacionamentos homossexuais e dos indivíduos que o praticam (SOUZA & SILVA, 2011).
A Sexualidade e a Diversidade Sexual são temas abordados constantemente na mídia porém esses assuntos são distanciados das escolas em consequência de uma história que enxerga essa temática como pecado, incorreta e imoral. Algumas escolas até buscam abordar as questões sexuais entretanto apresentam o assunto dentro da biologia concentrando-se na reprodução humana, órgãos sexuais e nos métodos contraceptivos de maneira pouco significativa e excluindo a parte de identidade de gênero e das orientações sexuais fora a heterossexual (FERREIRA, 2016).
Os espaços de ensino e educação devem discutir a temática da diversidade sexual, de maneira calma e embasada com a intenção de gerar novos conhecimentos para que os estudantes consigam gerar relacionamentos produtivos e positivos com eles mesmos e com os outros (PEREIRA, 2011). De acordo com o Ministério da Educação e do Desporto:
O grande desafio proposto para a educação é estabelecer conexões entre o que se aprende na escola e a vida da população brasileira. Mudar mentalidades, superar o
preconceito e combater atitudes discriminatórias são finalidades que envolvem lidar com valores de reconhecimento e respeito mútuo, o que é tarefa para a sociedade como um todo. A escola tem um papel crucial a desempenhar nesse processo. Em primeiro lugar, porque é o espaço em que pode se dar a convivência
entre crianças de origens e nível socioeconômico diferentes, com costumes e dogmas religiosos diferentes daqueles que cada uma conhece, com visões de mundo
diversas daquela que compartilha em família. Em segundo, porque é um dos lugares onde são ensinadas as regras do espaço público para o convívio democrático com a diferença. Em terceiro lugar, porque a escola apresenta à criança conhecimentos sistematizados sobre o País e o mundo, e aí a realidade plural de um país como o Brasil fornece subsídios para debates e discussões em torno de questões sociais. A criança na escola convive com a diversidade e poderá aprender com ela. (BRASIL, 1997, p.21)
Embora o ambiente escolar tenha sido idealizado para ser um espaço em que o aluno possa abraçar e aprender a lidar com as diferenças de maneira respeitosa ele não é utilizado dessa forma. Até os dias de hoje as escolas no Brasil ainda propagam o preconceito por meio de abordagens ultrapassadas e pensamentos que privilegiam um estilo de vida ou linhagem cultural acima de outra. Além de ocasionalmente promover esses comportamentos, inúmeras vezes as instituições de ensino tem se silenciado na presença desses tipos de atitudes e ao não agirem fazem com que seus alunos sejam alvos de preconceitos tornando um ambiente que deveria ser acolhedor em um espaço hostil para o aluno (PEREIRA, 2011; BRASIL, 1997).
Um estudante de 17 anos, respondente da Pesquisa Nacional Sobre o Ambiente Educacional do Brasil (ABGLT, 2016, p.11) discorre que:
Os estudantes LGBT precisam ser tratados como são os estudantes heterossexuais. Não queremos ser tratados de maneira privilegiada, nem queremos ser melhor que os outros. Queremos direitos como qualquer outro cidadão. É preciso fazer isso logo, o mundo não percebe, mas somos tão humanos quanto os outros, porém estamos morrendo. O preconceito está nos matando. A cada vez que você ofende uma pessoa LGBT, o seu senso de valor é destruído. Lembre-se mais uma vez, somos tão humanos quanto os outros, mas estamos morrendo. E ninguém tem notado essa injustiça.
A inclusão ainda não faz parte da nossa realidade, tanto na mídia quanto em diversas pesquisas pode-se notar o quanto o preconceito LGBT ainda está em alta e o quanto os estudantes são afetados por ele dentro de suas escolas. De acordo com a pesquisa Juventudes na Escola, Sentidos e Buscas: Por que frequentam? a homofobia é vista como um dos tipos de discriminação que mais ocorrem dentro do ambiente escolar e que 19,3% dos alunos entrevistados indicam que não queriam ter homossexuais, travestis, transexuais e transgêneros como colegas de classe (ABRAMOVAY, 2015, p.94).
Quanto a quantidade de alunos que não se sentem seguros em suas escolas, 60,2% dos respondentes da Pesquisa Nacional Sobre o Ambiente Educacional do Brasil afirmam que se sentem inseguros por causa de sua orientação sexual e 42,8% se sentem inseguros pela maneira que expressam seu gênero. Essa insegurança provém do medo de que não sejam
aceitos pelos colegas de classe e que venham a se tornar alvos de piadas, xingamentos e agressões verbais e físicas (ABGLT, 2016, p.28).
Segundo o Projeto de Estudo sobre as ações Discriminatórias no Âmbito Escolar da FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) junto com o Ministério da Educação e o INEP mais de 35% dos alunos não aceitam a homossexualidade masculina, 26,6% não aceitam a homossexualidade em geral e 35,3% não procuram chegar perto de homossexuais (MAZZON, 2009, p.73). Em comparação com a Pesquisa Nacional Sobre o Ambiente Educacional do Brasil, realizada 7 anos depois, o grau de aceitação dos estudantes em relação aos indivíduos LGBT aumentou, 31,9% dos alunos não aceitam muito bem e 2,8% não aceitam de forma alguma (ABGLT, 2016, p.54).
Na pesquisa Revelando tramas, descobrindo segredos: violência e convivência nas escolas, os autores revelam que 63,1% das discriminações relatadas por estudantes na instituição de ensino são referentes se a pessoa é ou parece ser homossexual. Esse dado acaba envolvendo os estereótipos dos papéis de gênero que “[…] colocam a homossexualidade não apenas como classificação para a relação afetivo e sexual entre pessoas do mesmo sexo, mas, principalmente, em assumir nessa relação o papel que seria do gênero oposto”, fazendo com que as pessoas sejam discriminadas não só pela sua orientação mas por refutar as normas de gênero impostas por nossa sociedade (ABRAMOVAY, 2009; SOUZA & SILVA, 2011, p.109). Com base nesses dados é possível perceber que o preconceito LGBT está longe de ser desconstruído dentro das instituições acadêmicas. Devido a falta preparo e ação dos educadores e das escolas para lidar com essa temática fica evidente o crescimento da intolerância e da violência contra os estudantes LGBTs e contra os alunos que não se enquadram nos padrões de gênero socialmente impostos. A homotransfobia se tornou um fator restritivo para as pessoas que não se enquadram nesses moldes e retira delas os direitos básicos de todo o cidadão como: a educação, a saúde e a própria vida (ABGLT, 2016; SOUZA & SILVA, 2011).
3 PRÉ-PRODUÇÃO
Nesta fase serão apresentadas as etapas correspondentes a toda preparação para a idealização da animação. Segundo estabelecido pela metodologia adaptada (Figura 3) aqui serão executados os seguintes procedimentos que serão realizados de acordo com a figura:
● Problematização: Definição dos objetivos, requisitos e dos aspectos técnicos;
● Pesquisa: Aprofundamento nos aspectos do problema, coleta e análise de
depoimentos;
● Roteiro: Escrita do roteiro da animação;
● Reference Sheet: Seleção de referências visuais para estabelecer o estilo da
animação;
● Personagens: Criação e definição dos Personagens;
● Storyboard: Definição dos enquadramentos dos quadros chaves do roteiro; ● Cenários: Criação e definição dos Cenários;
● Animatic e Sonorização: Animação do storyboard e escolha da trilha sonora.
Tabela 1 - Cronograma (Semanas)
Fonte: Autor