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NACIONAL: EM BUSCA DA INTEGRAÇAO ENTRE OS SISTEMAS

O PQI pode ser considerado um subsistema porque se insere dentro de um sistema (pós-graduação) mais amplo e com este dialoga interdiscursivamente. Todo programa (seja de Governo, institucional) possui

normas próprias, detém uma forma de comunicação específica, a qual está atrelada ao sistema ao qual pertence. Isso porque, de acordo com Luhmann (1983, p. 175), o sistema social, na medida em que aumenta sua complexidade, é reestruturado no sentido da formação de sistemas parciais funcionalmente específicos.

Os sistemas, portanto, comunicam-se em torno de códigos pré-estruturados que refletem discursos hegemônicos que lutam para a

preservação do seu eixo de complexidade. Isso porque os sistemas são por si próprios complexos. Qualquer complexidade fora do seu eixo de atuação resulta em mais complexidade. Logo, os sistemas precisam escolher o que entra e o que sai em termos comunicacionais (novos códigos), como uma espécie de memória seletiva. É nesse aspecto que se diferenciam.

Essa diferenciação funcional de sistemas (processos) especiais de interação é o elemento que marca a identidade de um sistema ou de um subsistema. Como já visto no Capítulo 3, a identidade é um conceito relacional, construído institucionalmente. Logo, há uma barreira da influência externa do ambiente na alteração da identidade de um sistema enquanto este não permitir que ela, a identidade, modificada por meio de mecanismos discursivos, interaja com o ambiente.

Há uma identidade para o subsistema PQI? Se não há, ao menos na sua constituição como um programa tentou-se qualificá-lo conceitualmente, ou seja, criou-se um discurso cujo projeto era a construção dessa identidade a longo prazo. Isso porque ele surgiu no momento de transição da visão ideológica, mais especificamente na troca da Presidência da Capes. Alguém sempre quer deixar a sua marca, servir aos seus interesses e propósitos (VAN LEEUWEN, 1997).

Esse perfil dos agentes (burocratas/tecnocratas) mostra que os projetos que têm uma marca ideológica giram em torno de um discurso da competência no serviço público. Nesse percurso, alguns atores sociais são excluídos para que outros tenham maior representatividade social em uma relação de atividade/passividade (VAN LEEUWEN, 1997). E isso é muito comum em órgãos/entes que trabalham, especificamente, com projetos e com programas que se vinculam a correntes ideológicas de ordem política, cultural, social entre

134 outras. A identidade desses órgãos/entes (como a Capes) pauta-se, em parte, na ideologia implícita em suas pastas de trabalho (projetos/programas).

De qualquer modo, a identidade de um subsistema está atrelada a de seu sistema. Pergunta-se: O sistema da pós-graduação nacional possui uma identidade? A resposta a essa pergunta é também uma resposta ao papel da Capes como um dos órgãos vinculados ao sistema da pós-graduação nacional. Um dos pontos-chave é descobrir como esse sistema, ao qual se vincula a Capes, aparece socialmente representado, como é a representação dos seus atores sociais (VAN LEEUWEN, 1997).

Quando se observam os objetivos do PQI, percebe-se que a força enunciativa das palavras mostra uma perspectiva futura, qual seja, a de construção de um sentido, hoje ainda lacunoso, um vazio a ser conceitualmente preenchido:

(...) promover o crescimento acadêmico das instituições de ensino públicas sob os seguintes prismas: o estímulo à elaboração e implementação de estratégias de melhoria do ensino e da pesquisa, desde o nível departamental até o institucional; o apoio a políticas de desenvolvimento das

atividades de ensino e de pesquisa dos docentes recém-qualificados entre outros47.

É em um processo avaliativo, tendo o PQI como estudo de caso e um documento oficial (aqui analisado), que se dá o resgate de vozes. Só assim é que é possível verificar se houve a concretização da força enunciativa da proposta original do PQI. O que se pode adiantar é que há um clamor do público acadêmico para a remodelagem do Programa: Desenhar um programa

(no caso, o PQI) de uma forma mais clara e que não nos traga os problemas que nós enfrentamos ao longo do período (SA).

O sentido representacional (FAIRCLOUGH, 2003), como modo de representar, está vinculado ao discurso. Logo, o desenho de um programa vincula-se ao discurso que o representa em termos dos problemas e dos enfrentamentos a que se submete. A representação e a configuração atuais do PQI mostram a ausência de uma identidade (sentido identificacional), ou seja,

os atores sociais envolvidos não se sentem seguros para tomar decisões que, inevitavelmente, ocorrem. O sentido identificacional está vinculado diretamente ao sentido representacional. A “ausência” de uma formatação desses sentidos leva muitos a pensarem que estão lidando com um modelo experimental de programa: (...) o desenho que a Capes dá ao PQI é um desenho meio

experimental, há uma experimentação do PQI (SA).

Em relação ao PQI, a avaliação sempre foi uma preocupação da Capes:

Assim, essa avaliação (do PQI) é fundamental e deve trazer inúmeros e inestimáveis subsídios, tanto para o aperfeiçoamento do programa em curso quanto para as políticas institucionais de qualificação docente. Espera-se, com isso, que possa ainda nortear processos decisórios da Capes, no que concerne à implantação de futuros programas48.

Por isso, avaliar é uma forma de mensurar quais as possibilidades, por exemplo, de um programa continuar a ser desenvolvido. Além disso, avaliar é uma tentativa de resgatar os sentidos que precisam ser construídos para que o PQI deixe de ser visto como um modelo experimental de programa de qualificação (aquele sem uma forma concreta de representação e sem uma identidade construída) e passe a ser visto como um modelo concreto que se identifica e se representa em si e por si mesmo.

5.2 CULTURA INSTITUCIONAL E COMUNICAÇÃO EM REDE: UMA VISÃO