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A instrumentalização do trabalho proveniente dos estudos de Taylor e relata a busca de condições de trabalho e meios para alcance de objetivos e ganhos proporcionais a escala produtiva das organizações. Silva Filho (1995) expõe que a produtividade que para um gerente de tradição taylorista pode ser definida como quantidade produzida e tempo gasto pra produzir, para um empresário pode ser lucro bruto e investimento realizado, e ainda para um engenheiro preocupado com um maior número de variáveis do processo produtivo define-se como o total produzido e recursos gastos na produção.

Perante isso se destaca o significado de produtividade como o quociente entre a quantidade produzida e a quantidade dos recursos (materiais, instalações, máquinas, ferramentas e serviço do homem, a mão-de-obra) que foram empregados na produção perante a obra Introdución al EstudiodelTrabajo da Organização Internacional do Trabalho – OIT em Genebra do ano de 1986, apresentado por Silva Filho (1995). Consegue-se então iniciar o conhecimento da perspectiva instrumental, onde o utilitarismo do trabalho se torna objetivo principal.

A forma racional de execução de tarefas apresentada pelo taylorismo leva o trabalhador a certos desgastes físicos no objetivo de alcançar altos resultados na produção sem levar em conta todas as necessidades e formação humana, seja nos aspectos psíquicos, físico ou mesmo social, pela ânsia de querer tornar a tarefa do trabalho mais significativa para a produtividade, expressa Rodrigues (1994). Pela própria origem da palavra grega organon, organização significa uma ferramenta ou instrumento para atingirem outros fins; e essa instrumentalidade é evidente nas

práticas das primeiras organizações formais das quais se tem notícia, que construíram grandes pirâmides, impérios, igrejas e armadas, reflete Morgan (1996). No entanto, é com a invenção e a proliferação das máquinas, particularmente durante a Revolução Industrial, onde os conceitos de organização realmente se tornam mecanizados (MORGAN, 1996). Diante do conceito de produtividade onde a quantidade de produção e os recursos necessitam ser otimizadas, em busca de um lucro que os gestores almejam por meio dessas organizações mecanizadas e na perspectiva de Taylor, a instrumentalização da razão tem forte significado para o trabalho.

Guerreiro Ramos reconheceu que na grande maioria das organizações produtivas, a razão instrumental prevalece como lógica subjacente às ações, determinando o padrão de “sucesso” a ser atingido, um sucesso levado pelas “leis” do mercado e egocêntrico por natureza. Por consequência, liberado das premissas ético-valorativas, o ambiente organizacional tornou-se propício aos abusos do poder, à dominação, ao disfarce de intenções pela substituição da verdadeira comunicação humana por padrões informativos, dentre outras. Tudo isso leva os indivíduos a se lançarem numa competição permanente, produtora de ansiedades e de patologias psíquicas, descreve Serva (1997).

Isso reflete o que o sistema cartesiano lógico demonstra atingir, resultados econômicos – financeiros necessários em projeções mais altas possíveis. A busca incessante da rentabilidade fez com que o modelo inicial fizesse com que as pessoas trabalhassem com controles rígidos e sem o conhecimento real das condições físicas e mentais saudáveis, aonde a produção sem paradas e jornadas diárias de trabalho chegavam até a 18 horas. Merino (2010) expôs que desde a Revolução Industrial, no século XVII, onde o sistema do trabalho era de 16 a 18 horas, se desenvolveram métodos de trabalho repetitivo, com poucas folgas para o descanso. Assim, o estudo dos tempos e movimentos se fez realidade para que a eficácia do trabalho ocorresse, concretizando os conhecimentos científicos de Taylor.

Esta realidade persistia nos períodos da revolução industrial e reflete até os dias atuais em sistemas mecanizados industriais. O raciocínio lógico e unilateral das organizações reflete na busca pelo lucro na organização e estruturação do trabalho com padrões, regras e normas rígidas aos trabalhadores – fruto do sistema de produção e mercadológico. Um trabalhador taylorizado suporta tarefas sem investimento material ou afetivo perante a ausência de motivações e desejos, expressa Dejours (1992). A racionalidade instrumental está direcionada mais nessa linha, onde o trabalhador é levado por uma perspectiva newtoniano-cartesiana e demonstrada desde Taylor e Fayol em teorias da Administração Clássica com a fragmentação do trabalho e enriquecimento do trabalho ‘executável’.

O impulso dos estudos pela necessidade de emancipações do ser humano desenvolveu-se por análises críticas em relação ao predomínio exagerado do utilitarismo do trabalho, a racionalidade instrumental em desequilíbrio com a racionalidade substantiva geram constrangimentos humanos e sociais que necessitam ser acompanhados que resultem em mudanças organizacionais, como apresenta Ramos (1989); Serva (1997) e Siqueira Pinto (2003).

Para Dejours (1992), o sofrimento no trabalho inicia quando a relação homem-organização do trabalho está bloqueada, isto significa quando o trabalhado usou o máximo de suas faculdades intelectuais, psicoafetivas, de aprendizagem e de adaptação. E quanto mais a organização do trabalho é rígida, mais a divisão do trabalho é acentuada e menor é o conteúdo significativo do trabalho e possibilidades de mudá-lo, proporcionalmente o sofrimento aumenta.

Com as afirmações de Ramos (1989) e Dejours (1992) abrem-se as oportunidades para conhecer os eventos que estão ocorrendo na realidade das organizações, relacionado à organização, ao trabalho e ao indivíduo nas perspectivas da racionalidade e nas influências para melhores condições no trabalho para que ofereça qualidade de vida. A partir dos trabalhos de Guerreiro Ramos e de Habermas, Serva (1996, p. 340) define a ação racional instrumental como “ação baseada no cálculo, orientada para o alcance de metas técnicas ou de finalidades ligadas a interesses econômicos ou de poder social, através da maximização dos recursos disponíveis”. Apresentam-se os elementos constitutivos da ação racional instrumental:

- Cálculo:- projeção utilitária das consequências dos atos humanos;

- Fins: metas de natureza técnica, econômica ou política (aumento de poder);

- Maximização de recursos: busca da eficácia e da eficácia máximas no tratamento de recursos disponíveis, quer sejam humanos, materiais, financeiros, técnicos, energéticos ou ainda, de tempo;

- Êxito, resultados: o alcance, em si mesmo, de padrões, níveis, estágios, situações, que são considerados como vitoriosos em face de processos competitivos numa sociedade capitalista;

- Desempenho: performance individual elevada na realização de atividades; - Utilidade: considerada na base das interações como valor generalizado;

- Rentabilidade: medida de retorno econômico dos êxitos e resultados alcançados;

- Estratégia interpessoal: entendida como influência planejada sobre outrem, a partir da antecipação das reações prováveis desse outrem a determinados estímulos e ações, visando atingir seus pontos fracos.

Visto os atributos ligados a racionalidade instrumental leva-se a reconhecer o que a instrumentalização no trabalho está mais ligada à resultados e metas empresariais e mercadológicas. Para Búrigo (1997), os corpos são amordaçados e mentes moldadas pelos modelos mercantilizados, os quais não mais sentem e nem pensam como ‘ser humano’ pois não há mais tempo, e as regras não permitem. Mas sim como ‘ser máquina’, onde se deve produzir mais e acompanhar as mudanças com as ágeis transformações mercadológicas, além de cumprir todas as regras governamentais.