Roçamundo Ecologic Park Ecologia, Economia e Emprego (Roçar o Local com o Olhar do Mundo)
6. Objectivos do Projecto 1 Objectivo geral
6.2. Objectivos específi cos
– Sensibilizar, interessar e envolver a comunidade de Angolares na preservação dos recursos naturais e ambientais, em conjugação com a prática de uma economia sustentável;
– Permitir, simultaneamente, a utilização prudente e racional dos recursos naturais e o desenvolvimento local;
– Procurar, através da defesa, repovoamento e preservação da biodiversidade, da recuperação da arquitectura das roças e da promoção dos usos e costumes, a cria- ção do emprego e a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos;
– Garantir o equilíbrio entre o emprego, a justiça social e protecção da biodiversi- dade;
– Assegurar e aumentar o rendimento das famílias em risco de pobreza extrema; – Envolver directamente os actores locais na promoção do desenvolvimento har-
monioso e sustentável;
– Promover a cidadania ambiental;
– Promover e divulgar as potencialidades naturais da zona sul. 7. Estrutura do Parque
O Roçamundo Ecologic Park abrangerá uma área de cerca de 490 hectares envolvendo 20 pequenas e 5 médias empresas através dos contratos-programa. O Parque compreen- derá um conjunto organizado de núcleos com diferentes funções: Complexo Botânico, Zona Balnear, Ateliers da Natureza, Ofi cinas de Formação, Área de Acolhimento e outras estruturas de apoio.
a) Complexo Botânico: Espaço de vegetação natural (com cerca de 360 hectares apro- ximadamente). A área do Roçamundo Ecologic Park apresenta um coberto vegetal bastante relevante em termos de Conservação da Natureza, pesem embora as ameaças que se pretendem, por este projecto, ultrapassar. Esta estrutura ecológica, que torna a ilha de São Tomé um sistema de elevada biodiversidade, exibe neste Parque duas formações principais:
1. A Floresta Secundária “Capoeira” é uma formação fl orestal, originariamente de fl oresta primária, que foi reconvertida para fi ns agrícolas que, tendo sido aban- donada, se encontra em fase de regeneração. Este fenómeno de reconversão natu- ral do território agrícola em capoeiras acentuou-se a partir de 1975, quando São Tomé e Príncipe alcançou a sua independência, e deveu-se ao progressivo aban- dono das áreas marginais das plantações. As plantações que tinham sido abando-
nadas no momento da independência transformaram-se em grandes áreas de fl o- resta secundária densa e alta. Estas áreas apresentam uma composição fl orística caracterizada principalmente por espécies exóticas, cultivadas, e espécies pionei- ras, com crescimento rápido, que se naturalizaram na ilha após da sua introdu- ção. É possível portanto encontrar em pequenas comunidades Bambusa vulgaris (bambú), Cecropia peltata (gofe), Cestrum laevigatum (coedano), Dracaena arbo-
rea (pau sabão), Maesa lanceolata (mutopa). Neste grupo de espécies alóctones
podem-se incluir ainda espécies arbóreas, tais como: Antiaris welwitschii, Arto-
carpus altilis (árvores de fruteira), A. heterophyllus (jaqueira), Ficus exasperata
(fi go lixa), F. mucuso (fi go porco), Funtumia africana (pau-cadeira), Morinda
lucida (gligô), Oxyanthus speciosus (café d’obô), Pentaclethra macrophylla (mu-
andim), Pycnanthus angolensis (pau-caixão) e Treculia africana (izanquenteiro). Esta fl oresta secundária conserva também vestígios de fl oresta natural, possuindo algumas espécies características, nomeadamente Ceiba pentandra, Chlorophora
excelsa e Scytopelatum camerunianum. Actualmente, as “capoeiras” na ilha de São
Tomé apresentam em média 24,2 árvores por ha e 106,5m3 de madeira por ha. A maioria do território ocupado por estas formações encontra-se incluída no interior da área tampão do Parque Natural Obô de São Tomé, onde se insere o Complexo Botânico do Roçamundo Ecologic Park.
2. A Floresta de Sombra, que se encontra fundamentalmente relacionada com as grandes plantações de cacau (Th eobroma cacao), de café (Coff ea spp.) e de ba-
nana (Musa spp.) é composta por espécies introduzidas e por espécies espontâ- neas que foram poupadas da devastação da fl oresta original. Esta formação tem como objectivo fundamental proporcionar sombra às plantas cultivadas. Estudos específi cos mostraram como esta prática de manter uma cobertura arbórea nas plantações ajuda a manter altos níveis de biodiversidade fl orestal nos países pro- dutores de cacau. Entre as espécies presentes na fl oresta de sombra podem-se citar árvores de valor comercial como: Artocarpus comunis (fruta-pão), Carapa
procera (gogô), Cederela odorata (cedrela), Ficus sidifolia (pau-fi go), Milicia ex- celsa (amoreira) e Pentaclethra macrophylla (moandim). A necessidade de regu-
larizar o sombreamento e de seleccionar árvores de sombra com a capacidade de captação de azoto do ar levou também à introdução de eritrinas (Erythrina spp.). A camada herbácea é composta, entre outras, por Acalypha ciliata, Chytranthus
aspera (folhaponto), Commelina difusa (bobó-bodó), Eryguim foetidum (Fiá-Zê-
lo-Sun-Zon-Maia), Panicum spp. e Setaria chevalieri (Uaga-uaga).
Esta área será sujeita a intervenção periódica ao nível da refl orestação, repovoamento das espécies animais, manutenção e ordenamento. Estará vocacionada fundamentalmente para a preservação das espécies. Deverá contemplar placas de identifi cação das espécies, o seu historial, itinerários didácticos, trilhos, postos de observação, circuitos de manuten- ção e áreas de lazer. A vigilância, manutenção e visitas serão feitos pelos antigos caçadores
e cortadores de madeira mediante contratos-programa, após um período de formação para o efeito.
b) Jardim temático e viveiros (100 hectares aproximadamente). Seguindo o mesmo prin- cípio da reconversão de pequenas empresas semi-abandonadas, a área destinada ao jardim temático e viveiros será ocupada pelos ciclos históricos de produção (ciclos da cana-de-açúcar, café e cacau) com as réplicas das ofi cinas de trabalho (museu ao ar livre) ligadas a esses ciclos produtivos. O jardim temático terá uma função semi-in- dustrial através da fabricação de produtos, uma vocação turística e didáctica. Forne- cerá também sementes/plantios e apoio técnico aos pequenos e médios agricultores. Na concepção deste espaço procurar-se-á aliar o tradicional ao moderno, apostando sempre na protecção dos solos, no consumo de pouca energia fóssil e não utilização de adubos químicos de síntese.
c) Jardim formal (30 hectares, aproximadamente). Resulta da reconversão de algumas pequenas empresas abandonadas em áreas de cultivo de espécies fl orais/ornamentais mais representativas do país, com especial destaque para as orquídeas; será organi- zado com criatividade e sentido estético. Também contemplará o cultivo de plantas medicinais, aromáticas, culturas tradicionais, hortas e fl ores, germinação de espécies, selecção de sementes e instalação de viveiros para refl orestação e venda de plantas. Estará aberto a visitantes para observação, identifi cação e estudo das espécies. A sua comercialização será feita no posto de vendas e para mercados externos. Os responsá- veis por este espaço terão formação em jardinagem de plantas ornamentais e também estarão sujeitos a contratos-programa.
d) Centro de recuperação de espécies animais O Centro funcionará como espaço de re- produção de animais em vias de extinção e recuperação de espécies animais selvagens feridos, ou ilegalmente em cativeiro, para que periodicamente possam ser devolvidos ao seu habitat.
e) Zona Balnear. O Parque envolve as praias de Micondó, Angóbó e Santa Cruz dos Angolares. Esta zona será sujeita a uma atenção especial (limpeza, defesa e vigilância) para que seja protegida e aproveitada turisticamente. Na praia de Micondó serão ins- talados: um conjunto de casas ecológicas; um posto de turismo; e o Centro de Mergu- lho e Observação de Cetáceos. Em Angóbó será instalado um Centro de Canoagem; em Santa Cruz dos Angolares um Centro Turístico de Pesca Artesanal.
f) Ateliers da Natureza. Os ateliers são espaços/clubes de sensibilização, informação, educação para o respeito e preservação da natureza, para a preservação da arquitectu- ra das roças e para a promoção dos usos e costumes da região. Os ateliers integrarão: – A Ecoteca: biblioteca e mediateca de temática ambiental.
– O Clube da Reciclagem: funcionará segundo o princípio dos 3 R’s – reduzir, reci- clar e reutilizar. Basear-se-á na recolha selectiva dos resíduos de todo o tipo e na reciclagem de desperdícios para a realização de outros objectos.
para representação nas escolas ou no espaço do Parque;
– Clube do Ambiente e Fotografi a: actividades ligadas à manutenção da nature- za, fotojornalismo do ambiente, acções de sensibilização, promoção de cursos, colóquios e debates destinados a envolverem a comunidade nos problemas am- bientais, preparação de visitas guiadas pelo Parque, realização de jogos pedagó- gicos, produção de sinalização de trilhos, marcos de sinalização, autocolantes de informação, participação/organização de exposições temáticas, passeios de bicicleta, marcação de percursos e roteiros pedestres: Projectos “Olho Vivo” e “Pé Ligeiro”.A partir das actividades dos ateliers serão estruturadas actividades de animação, a produção de divulgação e material didáctico e exposições dos tra- balhos realizados. Para a instalação dos ateliers far-se-á a recuperação de alguns edifícios de traça colonial hoje em estado avançado de degradação.
g) Ofi cinas de Formação. As ofi cinas funcionarão por áreas, de acordo com as acti- vidades do Parque. A formação será ministrada em regime de alternância, sendo a componente prática realizada no próprio Parque. A formação será facultada nas áreas de conservação da natureza, agrofl orestal, fl oricultura, horticultura, turismo, artesa- nato, culinária/doçaria e transformação de produtos. Serão fomentadas a reciclagem, a redução, a reutilização de materiais, formação de técnicos e monitores, guias para acompanhamento de visitantes e elaboração de todo o material necessário ao parque. As ofi cinas têm, assim, como objectivo facultar a todos os elementos as competências profi ssionais necessárias ao desempenho das actividades no Parque.
h) Área de Acolhimento e outras estruturas de apoio. A construção das casas ecológicas será feita através da utilização de métodos sustentáveis e tecnologias naturais e alter- nativas. A casa abarcará as seguintes áreas de serviço: espaço de recepção ao visitante; hospedagem; posto de turismo; snack bar e restaurante. Qualquer das estruturas re- feridas fi cará sob a responsabilidade dos proprietários dos espaços em causa, ou de parceiros locais, com a supervisão dos órgãos de gestão do Parque. Em simultâneo, far-se-á a recuperação de alguns edifícios em ruína:
– Centro de Vinho da Palma de Angóbó: aproveitando a tradição da extracção de vinho de palma nessa região, criar o Centro com o objectivo de assegurar o plan- tio das palmeiras, regular a extracção do vinho da palma, estabelecer regras de utilização, higiene e venda que melhor possam servir à comunidade e aos turistas; – Posto de Vendas: para os produtos produzidos no Parque: agrícolas, frutos, fl ores, plantas diversas (medicinais, aromáticas, culinária, cosmética, sementes, etc.), ar- tesanato, material de divulgação audiovisual (boletim informativo, guia técnico/ mapas guias com defi nição de troços, percursos pedestres, guias de identifi cação de fauna e fl ora, postais, etc.)
– Posto de Observação de Avifauna: espaço privilegiado de observação e estudo das aves através do projecto “Olho Vivo”. As actividades que envolvem o posto de observação serão organizadas pelo atelier da natureza.
– Instalações sanitárias: serão construídos duas instalações sanitárias que servirão todo o Parque de modo a assegurar as condições de higiene e limpeza do mesmo. 8. Resultados Esperados