16 Daqui para a frente usaremos a sigla PISA.
4. Contributos da IGEC para a consecução da qualidade da educação
2.3. Objetivos dos instrumentos
Instrumentos Objetivos
Análise documental
- Conhecer as áreas de intervenção que a escola priorizou para a sua ação;
- Identificar as ações de melhoria que a escola se propõe implementar para cada uma das áreas de intervenção;
- Verificar a implementação de estratégias focadas na regular supervisão do trabalho dos docentes por parte dos coordenadores de departamento das escolas a fim de melhorarem a sua prática diária.
Questionário
- Conhecer as representações e expectativas dos
professores em relação às atividades de
Acompanhamento desenvolvidas pela IGEC.
- Perceber a importância dada pelos professores às atividades desenvolvidas pela IGEC no âmbito dos programas de Acompanhamento. E ntr ev is ta se mi es trut u rada Professores
- Analisar a forma como os professores aplicam as
orientações deixadas pelos inspetores após o
desenrolar de uma atividade de Acompanhamento
Inspetores
- Perceber quais as metodologias utilizadas pelos inspetores no desenvolvimento das atividades do programa de Acompanhamento.
- Perceber de que forma os inspetores se consideram agentes de mudança na melhoria da qualidade da educação.
92 2.4. Tratamento dos dados
A investigação, embora de carácter exploratório, pretendeu ser um contributo para a reflexão sobre as políticas educativas na área da Inspeção na Educação do 1º CEB, pois esta problemática abrange todos os professores, sendo essencial a recolha das suas opiniões para proceder, com base nas respetivas necessidades e expetativas, ao desenvolvimento de uma intervenção inspetiva eficaz e eficiente, promotora da qualidade educativa.
Como anteriormente referido, a auscultação dos professores foi efetuada quer através de questionários, quer de entrevista semiestruturada, considerando-se que a conjugação de ambos os instrumentos de recolha de dados permitia complementar a informação obtida e compreender melhor os discursos e as racionalidades dos respondentes. A auscultação dos inspetores foi efetuada exclusivamente através da entrevista semiestruturada.
Na elaboração destes instrumentos de recolha de dados, teve-se o cuidado de formular questões claras e precisas, sem ambiguidade e segundos sentidos, utilizando um vocabulário adequado e acessível aos respetivos destinatários. Houve também o cuidado de evitar a parcialidade, tentando não influenciar as respostas emitidas pelos inquiridos.
Como metodologia de tratamento dos dados resultantes das entrevistas procederemos à análise de conteúdo. A análise de conteúdo é uma “técnica para fazer inferências por identificação sistemática e objectiva das características específicas de uma mensagem, (…) é um conjunto de técnicas utilizadas para o tratamento dos materiais linguísticos” (Ghiglione e Matalon, 2001, p. 177).
Para Bardin a análise de conteúdo pode ser entendida como
Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens. (2008, p.41)
Segundo Vala “a análise de conteúdo é hoje uma das técnicas mais comuns na investigação empírica realizada pelas diferentes ciências humanas e sociais” (1986, p. 101). A definição de Bardin caracteriza a análise de conteúdo com algumas peculiaridades essenciais. Conforme cita Triviños, “uma delas é o de ser um meio para estudar as comunicações entre os homens, colocando ênfase no conteúdo das mensagens” (1987, p.160). Essa visão privilegia a linguagem escrita e oral, mas não exclui os outros meios de comunicação. O mesmo autor salienta também que a intenção de “usar o método de análise de conteúdo nas mensagens escritas, é porque estas são mais estáveis e constituem um material objetivo ao qual podemos voltar todas as vezes que desejarmos” (p. 160). O autor
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supracitado refere ainda como características peculiares a inferência, que pode partir das informações que fornece o conteúdo da mensagem ou de premissas que se levantam como resultado do estudo dos dados que apresenta a comunicação; e um conjunto de técnicas, relativas à descrição dos procedimentos para se fazer uma análise de conteúdo com clareza, tais como a classificação dos conceitos, a codificação dos mesmos e a categorização.
A análise de conteúdo compreende um método de tratamento e análise de qualquer tipo de comunicação oral ou escrita que vincule significações de um emissor para um recetor. Consiste, pois, na “explicitação e sistematização do conteúdo das mensagens e da expressão deste conteúdo, com indicadores passíveis ou não de quantificação, a partir de um conjunto de técnicas” (Bardin, 2008, p.42).
Uma análise de conteúdo oferece a possibilidade de tratar de forma metódica informações e testemunhos que apresentam um determinado grau de profundidade e de complexidade e permite, quando incide sobre um material rico e pertinente, satisfazer as exigências do rigor metodológico e da profundidade inventiva, que nem sempre são facilmente conciliáveis (Quivy e Campenhoudt, 2003). Segundo estes autores, a análise de conteúdo tem um campo de aplicação muito vasto e os métodos utilizados obrigam o investigador a manter uma grande distância em relação a interpretações espontâneas, particularmente as suas próprias.
O método de análise de conteúdo nesta pesquisa é determinante para a análise das entrevistas e dos questionários posteriormente codificados para tratamento estatístico.
A análise estatística, por sua vez, ao apresentar os mesmos dados sob diversas formas, favorece incontestavelmente a qualidade das interpretações. A estatística descritiva apresentando os dados sob a forma de gráficos e quadros é muito mais do que um simples método de exposição dos resultados. Estas técnicas gráficas e estatísticas dizem respeito à análise percentual dos fenómenos e da sua distribuição, bem como a das relações entre variáveis.
Os dados recolhidos num inquérito por questionário não têm significado em si mesmos. Só são úteis se analisados estatisticamente através de um tratamento quantitativo que permita comparar as respostas globais de diferentes categorias sociais e analisar as correlações entre variáveis (Quivy e Campenhoudt, 1998). Neste sentido, a análise estatística descritiva com análise percentual foi também um método adotado para a análise do inquérito por questionário.
Alguns métodos de análise de conteúdo baseiam-se em pressupostos que, segundo Quivy e Campenhoudt (1998) podem ser, no mínimo, simplistas e cujo registo pertence à análise categorial. Porém, Bardin (2008) valoriza a categorização a partir de um
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processo classificatório em toda e qualquer atividade científica. Segundo o referido autor, a categorização tem como principal objetivo fornecer uma representação simplificada dos dados “brutos” e o seu caráter vantajoso, nomeadamente no que respeita à redução da subjetividade, alicerça-se em certas condições de que o próprio processo se deve revestir, a fim de que não se verifiquem alterações (por excesso ou defeito) no conjunto dos dados: cada resposta não poderá constar em dois grupos simultaneamente (exclusão mútua); cada categoria é feita com base num único princípio de classificação (homogeneidade); cada um dos grupos é adaptado à(s) finalidade(s) do estudo dado que o sistema de categorias deve refletir as intenções da investigação (pertinência); as variáveis e os índices que determinam a entrada de um elemento numa categoria devem ser definidos com precisão para não se correr o risco da subjetividade inerente a qualquer investigador (objetividade e fidelidade); as diversas categorias formadas tornam-se produtivas em índices de inferências e em hipóteses (produtividade).
Segundo Quivy e Campenhoudt (2003), a utilização da análise de conteúdo tem sido cada vez mais frequente, uma vez que proporciona a possibilidade de tratar de forma metódica informações e testemunhos profundos e complexos, por exemplo, documentos ou entrevistas pouco diretivas.
O tratamento dos dados recolhidos foi feito com base nas dimensões, categorias e subcategorias previamente traçadas e na análise dos próprios dados.
2.4.1. Questionários
Os preparativos de construção de um questionário válido pressupõem um conjunto de procedimentos metodológicos e técnicos, não necessariamente faseados mas, de preferência, interativos, que vão desde a formulação do problema até à aplicação do instrumento.
Segundo Pardal “a validação interna - apreciação crítica efetuada por especialistas ou colegas do investigador como garante de um inquérito por questionário mais bem- sucedido - e o pré-teste são operações efetuadas em nome da clareza e adequação do questionário à população alvo” (1995, p. 54).
Um questionário esteticamente bem conseguido constitui uma garantia mínima de aceitação junto do informante e de estímulo a respostas. Paralelamente, é fundamental que um questionário seja apresentado através de uma nota introdutória, explicando-se aos inquiridos o objetivo do mesmo. De igual modo, não devem ser esquecidas as instruções de
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preenchimento. Elas não só facilitam as respostas, como contribuem igualmente para a homogeneidade da compreensão das perguntas.
De acordo com os objetivos da pesquisa e das características dos inquiridos, o inquérito por questionário poderá apresentar diferentes modalidades de perguntas. Segundo Pardal (1995), estas poderão ser perguntas abertas, fechadas ou de escolha múltipla.
As perguntas abertas são perguntas que dão ao inquirido a total liberdade de resposta. Este tipo de pergunta é, essencialmente, utilizada quando se tem pouca ou nenhuma informação sobre o tema a ser estudado ou quando se pretende estudar um assunto em profundidade. As perguntas fechadas são perguntas que impõem a opção por uma das respostas apresentadas, sendo estas tipicamente dicotómicas, dado que o informante tem que responder entre Sim ou Não à questão colocada, ou de escolha múltipla. As perguntas de escolha múltipla são perguntas que permitem ao inquirido escolher uma ou várias respostas do conjunto apresentado.
Tal como referem Quivy e Campenhoudt (1998), a análise estatística impõe-se em casos em que os dados são recolhidos por meio de inquérito por questionário.
Atualmente, a análise faz-se por computador, o que permite, segundo Ghiglione e Matalon, “um tratamento mais rápido, e sem risco de erro” (2001, p. 231), em inquéritos mais complexos e aplicados a um grande número de indivíduos. Os resultados poderão ser apresentados sob a forma de tabelas de frequência (distribuição das diferentes respostas a uma questão) ou sob a forma de tabelas de contingência (frequência das combinações de respostas a duas ou mais questões). Poder-se-á também obter listagens com as sequências das respostas dadas por cada inquirido, ou realizar cálculos diversos, como simples percentagens, médias ou testes estatísticos.
Tendo em conta os objetivos do estudo, estabelecemos algumas dimensões de análise fundamentais para um maior e mais profundo conhecimento do tema:
1 – O inspetor da IGEC
2 – Objetivos e metodologias inspetivas 3 – Impacto da ação inspetiva
Ao definirmos estas dimensões de análise pretendemos perceber até que ponto os professores conhecem as funções, atividades, metodologias e propósitos das ações dos inspetores quando se deslocam a uma escola, assim como as suas repercussões na prática pedagógica dos professores e no próprio sistema de ensino. Para além disso, queremos perceber como se sentem e como se relacionam os professores com os inspetores e que características os inspetores devem ter, na ótica dos professores, para desenvolver o seu trabalho da melhor forma.
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O documento final conta com 16 itens, que puderam ser respondidos sob a forma de escolha múltipla de várias alíneas ou ordenação de informação. O quadro seguinte mostra, de forma sucinta, as dimensões e questões que constaram do questionário aplicados aos professores. O questionário na forma integral poderá ser consultado no anexo 1. Dimensões Questões IDENTIFICAÇÃO Idade Sexo Habilitações académicas Situação profissional Experiência na docência 1 – O INSPETOR DA IGEC
Já teve contacto formal com algum inspetor de educação?
Assinale, com um X, as três características fundamentais num inspetor de educação.
2 – OBJETIVOS E