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Occupational exposure assessment to chemical agents – What is important to consider for the risk assessment process?

Viegas, S.1,2

Resumo

A avaliação da exposição é a etapa mais relevante no processo de avaliação de riscos no caso da exposição ocupacional a agentes químicos.

Na apresentação a realizar serão abordados e discutidos os aspectos da exposição que devem ser considerados para que um processo de avaliação de risco detalhado e correto seja desenvolvido. Serão explanados alguns dos estudos desenvolvidos nesta temática e como a informação obtida foi utilizada no processo de avaliação do risco. Alguns exemplos dos estudos que serão debatidos: estudo da exposição profissional a formaldeído, citotóxicos, partículas e micotoxinas.

Palavras-chave: exposição ocupacional, avaliação da exposição; agentes químicos. Abstract

Exposure assessment is the most important phase of the risk assessment process in chemicals occupational exposure.

In this work it will be presented and discussed the aspects of exposure that should be considered to allow an adequate and detailed risk assessment. Some case-studies will be presented to exemplify what is the role of the data obtained in the exposure assessment in the risk assessment process. Some of the studies that will be present and discussed are: occupational exposure to formaldehyde, antineoplasic agents, particles and mycotoxins.

Keywords: occupational exposure, exposure assessment to chemical agents, risk assessment

1. Teoria

Numa situação de exposição profissional a agentes químicos existem várias acções a desenvolver para entender em detalhe como esta se caracteriza, que risco pode implicar para a saúde e segurança dos trabalhadores expostos e, ainda, para permitir a definição e implementação das medidas mais adequadas que visem eliminar ou minimizar a exposição. Assim, no âmbito da avaliação do risco, importa desenvolver de forma sucessiva as seguintes etapas: 1) identificar o factor de risco (processo de reconhecimento, caracterização e definição das características do agente químico); 2) efectuar a avaliação da dose-resposta (em que se pretende conhecer a relação entre a exposição e as suas repercussões para o organismo, pressupondo a utilização dos referenciais adequados); 3) avaliar a exposição (preferencialmente de modo quantitativo e recorrendo a um método com sensibilidade e especificidade adequadas); 4) caracterizar o risco (utilizando a informação obtida nas etapas anteriores; e, finalmente, 5) gerir o risco com o objectivo principal de prevenir os efeitos adversos para a saúde dos trabalhadores expostos (Raafat e Sadhra, 1999; Herber et al., 2001; Boyle, 2003; Goldstein, 2005; Uva, 2006; Greim e Snyder, 2008; Viegas, 2012).

A identificação do factor de risco é um processo que, em contexto ocupacional, poderá ser desafiante pela presença simultânea de vários agentes químicos, havendo necessidade de identificar o que apresenta maior preocupação em termos de efeito adverso para a saúde dos trabalhadores e, ainda, considerar a hipótese de se verificarem interacções entre os agentes em presença o que poderá significar efeitos para a saúde diferentes e/ou mais críticos (Stewart e Stenzel, 2000; Greim e Snyder, 2008). Da mesma forma, a avaliação da exposição deverá ser desenvolvida de forma criteriosa e detalhada para que todo o processo de avaliação dos riscos seja real e propenso a resolver ou minimizar problemas. Assim, devem ser consideradas e estudadas detalhadamente as seguintes características da exposição: a intensidade da

1 Environment and Health Research Group, Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, ESTeSL, Instituto

Politécnico de Lisboa, Av. D. João II, Lote 4.69.01, 1990-096 Lisboa, Portugal.

2 Centro de Investigação em Saúde Pública, Escola Nacional de Saúde Pública; New University of Lisbon, Lisbon,

exposição, a duração da exposição e, por fim, a frequência com que ocorre essa exposição (Hayes, 2001; IPCS, 2001). Apenas com esta informação detalhada será possível realizar uma relação com os eventuais efeitos para a saúde dos trabalhadores expostos.

No entanto, importa reconhecer, que existe sempre um certo grau de incerteza no processo de avaliação do risco, por envolver normalmente a extrapolação dos dados referentes à exposição de um individuo para o grupo de trabalhadores expostos, não considerando as diferenças na exposição que podem resultar de diferentes modos operatórios (Sadhra e Gardiner, 1999; Sadhra, 2005; Kromhout et al., 2005). Adicionalmente, a susceptibilidade dos indivíduos nunca é considerada e pode explicar o facto de exposições baixas resultarem em efeitos para a saúde para alguns dos trabalhadores expostos (Prista e Uva, 2006).

A avaliação da relação dose-resposta apresenta igualmente alguma incerteza, dado basear-se em dados obtidos essencialmente através de estudos experimentais com a consequente extrapolação para o Homem (Rodricks et al., 1997; Viegas, 2012). Importa ainda considerar que para agentes cancerígenos, dependendo do seu modo de acção, poderá ser difícil, ou impossível, considerar uma dose segura (Nielsen e Ovrebo, 2008).

Considerando o enquadramento anterior, o trabalho que se pretende apresentar prevê descrever todo o processo de avaliação de risco contemplando as especificidades da avaliação da exposição a agentes químicos em contexto ocupacional.

2. Metodologia

Desde 2006 desenvolveram-se vários estudos que visaram conhecer a exposição ocupacional a diferentes agentes químicos. Em baixo, apresenta-se tabela (Tabela 1) onde consta uma descrição breve das estratégias adoptadas para cada.

Tabela 1. Descritivo dos estudos desenvolvidos desde 2006 Agente químico/

Referências Contexto ocupacional Métodos utilizados* Justificação Formaldeído Viegas et al., 2010; Viegas, 2012a Laboratórios de anatomia patológica e indústria de produção de resinas. NIOSH 2541 Equipamento de leitura direta para comparação com o referencial para a Concentração Máxima

Modo de acção do agente químico

Antineoplásicos

Viegas et al., 2014a Serviços de farmácia e de administração de quimioterapia em ambulatório

Wipe sampling para recolha de amostras de superfícies HPLC-DAD para quantificação de três fármacos (CP, 5FU e PTX)* considerados como indicadores da contaminação. A pele é a via de absorção mais provável. Os 3 fármacos seleccionados são os mais usados na terapêutica actual. Partículas Viegas et al., 2014b; Viegas et al., 2015b;Viegas et al., 2016

Cortiça, rações, padarias, picadeiros, produção de surfboards, suiniculturas, aviários, matadouros, gestão de resíduos. Task-based exposure assessment Recolhidos dados gravimétricos (PMC) e número de partículas nas diferentes dimensões (PNC). Pretendeu-se conhecer os postos de trabalho que apresentavam maior risco. Seleccionadas métricas de exposição mais relacionadas com os efeitos para a saúde. Micotoxina Aflatoxina B1 (AFB1) Viegas et al., 2012, 2014, 2015, 2016 Aviários, suiniculturas, gestão de resíduos, matadouros Indicador biológico de exposição específico. Utilizado um grupo de controlo Questionário Considerada a toxicocinética da AFB1. O grupo de controlo permitiu conferir que a exposição ocorreu no contexto de trabalho.

*Em todos os locais de trabalho estudados realizou-se de modo prévio a análise do trabalho, de modo a obter as informações essenciais para a definição de uma estratégia de avaliação da exposição adequada.

3. Evidência

Como se pode constatar foram diversas as abordagens seguidas com o objectivo de avaliar a exposição ocupacional. Estas diferenças deveram-se a diferentes aspectos como as características dos agentes químicos em causa e ao modo como as actividades decorriam e a exposição se verificava.

Importa, no entanto, referir que apesar das diferenças nas abordagens seguidas, em todos os estudos referidos foi possível conhecer as características da exposição mais relevantes e que importam para a avaliação do risco, nomeadamente a intensidade da exposição, a duração da exposição e, por fim, a frequência com que ocorre essa exposição (Hayes, 2001; IPCS, 2001). Os estudos desenvolvidos permitiram identificar exposição a agentes cancerígenos genotóxicos (formaldeído e antineoplásicos) em unidades hospitalares portuguesas, reconhecer a exposição a agentes cancerígenos em contextos ocupacionais onde se desconhecia a sua presença (no caso da aflatoxina B1) e, ainda, permitiu caracterizar em detalhe a matéria particulada presente em diversos contextos ocupacionais e as actividades que implicavam maior exposição e, por isso, onde seria prioritária a aplicação de medidas de eliminação e/ou controlo da exposição.

De salientar ainda que, a maioria dos agentes químicos estudados estão classificados pela International Agency for Research on Cancer como cancerígenos, e mesmo exposições baixas não devem ser consideradas como seguras, devendo implicar uma intervenção no sentido de reduzir a exposição ao máximo possível (Nielsen e Ovrebo, 2008).O conceito ALARA (As Low As Reasonably Achievable) deverá por isso ser seguido na maioria das situações estudadas. 4. Conclusões

Os estudos desenvolvidos permitiram demonstrar que não existe uma estratégia única passível de ser adoptada para o estudo da exposição profissional a diferentes agentes químicos. Vários aspectos devem ser considerados de modo a que a informação resultante permita estimar a exposição profissional e que faculte dados relevantes para o processo de avaliação do risco. 5. Referências

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Contributo para Promoção da Segurança e Saúde dos Trabalhadores

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