Ferreira, N.1 / Corticeiro Neves, M.2
Resumo
Em Portugal, o número de casos de cancro da pele continua a aumentar. Verifica-se que a sensibilização continua a ser dirigida e focada no âmbito do lazer, existindo escassez de informação direccionada para o âmbito profissional.
Este trabalho tem como base a pesquisa dos hábitos e rotinas dos trabalhadores do sector da construção, através da realização de um inquérito destinado a qualquer tipo de categoria profissional que trabalha ou que já trabalhou neste sector, independentemente do tipo de construção, com o objectivo de apurar o impacto que esta actividade pode exercer nos números de casos desta patologia.
O presente estudo, nesta primeira fase, foi efectuado com uma amostra reduzida, podendo a mesma ser considerada, para o efeito, como um caso de estudo, com resultados preliminares. Entre outras conclusões, verifica-se que quase um terço dos trabalhadores não recorre ao uso de protector. Preocupante também, para além deste aspecto, é o facto de não haver uma acção incisiva sobre a problemática, por parte da Saúde Ocupacional, nomeadamente a Medicina no Trabalho.
Após o tratamento dos dados obtidos, foram definidas possíveis medidas preventivas laborais para sensibilizar e implementar no terreno, de forma a promover a redução deste tipo de doenças.
Palavras-chave: Construção Civil; Cancro da Pele; Radiações Ultra-Violetas. Abstract
In Portugal, the number of cases of skin cancer continues to increase. Awareness continues to be directed and focused under the leisure and scarcity of information directed to the professional.
This work has as goal research the habits and routines of workers of the construction industry, by conducting a survey aimed at any kind of Professional category who works or has worked in that sector, regardless of the type of construction, in order to ascertain the impact of this economic activity may exert on the numbers of cases of this pathology.
The present study, in this first phase, was carried out with a sample, and may be considered for this purpose as a case study, with preliminary results.
Among other conclusions, it turns out that almost a third of workers refers to the use of sunscreen. Worrying too, in addition to this aspect, is the fact that there is no incisive action about the problem on the part of occupational health, in particular the Medicine at work.
After the processing of the data obtained, were defined possible preventive measures to sensitize labour and implement on the ground, in order to promote the reduction of this type of disease.
Keywords: Civil Construction; Skin cancer; Ultra Violet Radiation.
1. Introdução
O melanoma maligno é um tumor sólido extremamente agressivo que deriva da malignização dos melanocitos, que são células dendítricas, do sistema de pigmentação da pele, que se localizam na camada base da epiderme e que produzem o bronzeado após a exposição ao sol. “O melanoma é o cancro da pele mais perigoso e um dos tumores malignos mais agressivos da espécie humana. […] O melanoma maligno pode surgir de novo na pele sã de qualquer parte do corpo (70% dos casos), ou sobre sinais pré-existentes, denominados de nevos pigmentados (30% dos casos). Hoje em dia sabe-se que o melanoma maligno está associado na maioria dos casos à exposição solar intermitente, aguda e intempestiva, muitas vezes acompanhada de queimaduras solares” (Silva, 2014). Revela-se mortal em cerca de um quinto dos doentes a
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Núria Ferreira, Engª Civil; Coordenadora de Segurança, Directora de Fiscalização; TSST na AFAPLAN; [email protected]
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quem é diagnosticado. No entanto, o seu tratamento cirúrgico é possível desde que realizado um diagnóstico em tempo oportuno, pelo que se revela extremamente importante perceber qual a sensibilidade dos trabalhadores da Construção Civil a este tipo de melanoma, para que se possa inferir da necessidade de realização de acções de diagnóstico preventivo neste tipo de população exposta a radiações solares e em condições, por vezes, de extrema adversidade. De acordo com alguns estudos (Suárez, 2007), o sector da Construção Civil é um dos mais afectados por este tipo de melanoma. Com base em dados da PORDATA, o número de trabalhadores da Construção Civil, em Portugal, no ano de 2013 (actualizados em 2015) era de 307.907, para um total de 3.480.731, ou seja, cerca de 8,8%, sendo o terceiro sector com maior número de trabalhadores (a seguir ao Comércio e Serviços e Indústrias Transformadoras).
“Em Portugal observa-se o aumento da incidência dos cancros de pele os quais, em mais de 90% dos casos, estão relacionados com um passado de exposição exagerada ao sol. Atualmente, estima-se que em Portugal, a cada ano, a incidência de melanoma seja de oito novos casos por cada 100 mil habitantes, ou seja, cerca de 100 novos casos por ano” (Silva, 2014). Os melanomas malignos podem ser cutâneos ou não cutâneos, sendo os cutâneos os mais frequentes e os não cutâneos mais raros e, normalmente, surgidos em doentes mais velhos, pelo que, no contexto do presente estudo, importa analisar mais o aparecimento dos primeiros, já que a faixa etária dos trabalhadores no sector da Construção Civil não é, em Portugal, muito elevada. Importa referir que a faixa etária onde é mais frequente o aparecimento do melanoma maligno se situa entre os 30 e os 50 anos, com igual distribuição entre os sexos (Matos, s/d).
Está provada uma relação entre a exposição solar (luz UV-B, 280 a 320nm) e o aparecimento do melanoma maligno, colocando-se a possibilidade, ainda não provada, de os UV-A (inferiores a 280nm) também terem algum tipo de efeito na potenciação do aparecimento do melanoma. A probabilidade de aparecimento de melanoma maligno é superior nos adultos que sofreram queimaduras solares na infância e adolescência e/ou que vivem em zonas de maior exposição solar. É predominante em pessoas com fototipos mais baixos, de olhos e cabelos claros, pelo que estes são factores a ter em conta em termos de prevenção.
Este tipo de trabalhadores, em muitas situações, facilita no que diz respeito à utilização de roupa, não usando a adequada, ou, simplesmente, não usando roupa, não apenas pelo factor calor, mas para poder adquirir um pouco de tonalidade mais escura na pele enquanto trabalha, pensando que isso lhe traz benefícios. Porém, está provado que “a utilização de chapéu, mangas compridas, óculos de sol e de chapéu-de-sol também não causa deficiência de vitamina D. Pelo contrário, a evicção solar de forma sistemática está associada à redução da vitamina D, embora dentro dos parâmetros normais” (Jayaratne et al., cit in Silva, s/d).
Nos EUA, o melanoma maligno é a segunda causa de morte por cancro em homens entre os 15 e os 35 anos, dado que leva a uma maior preocupação relativamente à população em estudo, por ser enquadrada nas redondezas do limite superior do intervado de idades referido. “Ano após ano, os casos de cancro na pele têm subido 6 a 7 por cento entre os portugueses [...] O aparecimento do melanoma, e ao contrário dos outros tipos de cancro de pele menos violentos, está associado a situações agudas e não a uma exposição solar crónica e regular. […] Os especialistas alertam para a necessidade dos que trabalham ao sol se protegerem. Agricultores, pescadores e trabalhadores da construção civil” (Carvalho, 2006).
Existem alguns factores de risco que estão identificados como sendo fortes precedentes do melanoma maligno, entre os quais:
• Antecedentes de melanoma maligno; • Tipo de pele (fototipo baixo) e olhos claros;
• Número de queimaduras solares ao longo da vida, sobretudo na infância e adolescência;
• Número e tipo de nevus (sinais) pigmentados, comuns e atípicos; • Extracto socio-económico (queimaduras solares/lazer/solários).
De acordo com Moura (2016), “No momento actual, os melhores resultados para os doentes parecem ser a aposta na prevenção primária, visando a diminuição do número de casos, e na prevenção secundária, para uma detecção o mais precoce possível e um tratamento atempado”, pelo que se reveste de particular importância apostar na prevenção. Assim, o presente estudo visa identificar potenciais situações/comportamentos de risco nos trabalhadores da Construção Civil, de forma a estabelecer procedimentos ou medidas de prevenção simples, mas eficazes, com vista à diminuição da probabilidade de ocorrência deste tipo de tumor nestes trabalhadores.
O Melanoma Maligno Cutâneo de crescimento superficial é o tipo de cancro da pele mais comum, o qual se verifica maioritariamente por volta dos 40 a 50 anos de idade. Destaca-se por aumentar de tamanho com relativa rapidez, ser de cor azul, preta ou rosa, com bordo irregular e pode aparecer em qualquer parte do corpo. No sexo feminino, aparece mais frequentemente nas pernas e, no masculino, no dorso.
2. Materiais e Métodos
Foi elaborado e aplicado um inquérito a pessoas que desempenhem trabalhos no sector da Construção Civil, independentemente do tipo de construção e da categoria profissional, uma vez que importa verificar, fundamentalmente, por ser um factor de risco, qual frequência da exposição solar, entre outros aspectos. Neste contexto, um dos aspectos constantes do questionário é a duração e tipo de exposição solar, tendo sido elaboradas questões com base nos períodos diários de maior ou menor grau de risco na exposição ao Sol.
O questionário foi constituído por duas partes, sendo a primeira parte elaborada para a observação da caracterização sócio-profissional, onde foram efetuadas questões relativas a sexo, idade, nível de escolaridade, categoria profissional actual, tempo de experiência na categoria profissional actual, categoria profissional anterior, tempo de experiência na categoria profissional anterior, estado contratual com a entidade empregadora, situação profissional nos últimos 5 anos, actividade profissional (trabalhador por conta de outrem, trabalhador independente por conta própria com ou sem empregados).
A segunda parte teve como objectivo obter dados para verificação da existência de potenciais factores de risco tendentes ao surgimento do melanoma maligno, de forma a poder-se elaborar ou melhorar medidas de prevenção e/ou protecção. Como base para a construção das questões desta parte, foram ouvidas duas médicas e uma enfermeira, que forneceram um conjunto de pontos a ter em atenção, bem como foi efectuado o recurso a diversa bibliografia, de onde se extraíram os principais factores de risco para o surgimento do melanoma maligno. O presente estudo, nesta primeira fase, foi efectuado com uma amostra reduzida, composta por trabalhadores de três empreitadas, independentemente da empresa a que pertencem, devendo a mesma ser considerada, para o efeito, como um caso de estudo, com resultados preliminares. Foi distribuído online e solicitado o seu preenchimento prévio a um número restrito de pessoas, para averiguação da entendibilidade das questões. Posteriormente, foi difundido por mais trabalhadores, tendo sido obtidos 18 questionários válidos, num total de 109 trabalhadores, o que dá uma margem de erro de 21% para um grau de confiança de 95%. Estes valores levam a que os resultados, nesta fase, sejam meramente indicativos. Numa segunda fase, será alargado a trabalhadores de mais empresas de Construção Civil que laborem em Portugal.
Foram tidos em conta alguns aspectos, nomeadamente a prática de actividade desportiva, a alimentação e o hábito de fumar, em virtude de serem factores que podem influenciar o surgimento ou desenvolvimento do melanoma maligno. Por exemplo, na actividade física, se efectuada ao ar livre e com exposição solar, pode ser um factor potenciador. Quanto à alimentação e ao hábito de fumar, podem influenciar no nível de defesas que o organismo desenvolve, podendo ser também factores potenciadores.
3. Resultados e Discussão
Relativamente à caracterização sócio-profissional, verifica-se que, maioritariamente, os inquiridos são do sexo masculino (61,1%), o que não é, de todo, uma surpresa, uma vez que, na construção, de uma forma geral, a maioria dos trabalhadores é homem. Relativamente à idade, verifica-se que 50% dos inquiridos têm entre menos de 30 anos e 44,5% entre os 30 e os 50 anos de idade. Apenas uma pequena parcela possui mais de 50 anos. Constata-se, também, que 72,2% são fumadores e que, destes, 80% fuma entre cinco e 10 cigarros e os restantes 20% dos fumadores consomem entre 10 e 20 cigarros por dia. O consumo de tabaco é um factor contributivo para a diminuição das defesas do organismo, pelo que a percentagem de fumadores obtida carece de uma especial atenção, em termos de acção preventiva.
No que diz respeito ao nível de escolaridade, 44,4% possuem licenciatura e 16,7% detêm mestrado, ficando os demais níveis distribuídos pelos restantes.
Relativamente à Categoria Profissional, 55,6% referiu ser Técnico Superior de Produção/Qualidade/Ambiente/Segurança, sendo de entre cinco e 10 anos o tempo de permanência com maior percentagem de respostas (33,3%). Importa ainda referir que, em termos de situação profissional anterior, a opção Técnico Superior de Produção/Qualidade/Ambiente/ Segurança foi igualmente a que obteve maior percentagem de
respostas (33,3%), verificando-se que havia, nesta variável, uma percentagem significativa de respondentes para a opção “Outra” (27,8%), o que pode indiciar uma evolução na carreira. O tempo de permanência na situação profissional anterior que obteve maior número de respostas foi o inferior a 5 anos, com 35,5%.
Verifica-se que 50% dos respondentes possuem um vínculo contratual efectivo com a entidade empregadora, seguidos de 38,9% que possem contrato a termo certo e os restantes 11,1% contrato a termo incerto. Constata-se que 55,6% encontrava-se empregado antes da actual situação profissional e 83,3% trabalhava por conta de outrém. Dos respondentes, 77,8% trabalham para empresas privadas, como prestadoras de serviços (50%) e como entidade executante (22,2%).
Metade dos respondentes trabalha menos de oito horas diárias e a outra metade trabalha mais de oito horas diárias.
Entrando propriamente mais nos factores de risco que podem estar associados ao surgimento de melanoma maligno, é possível verificar que 50% dos inquiridos têm pele morena, olhos escuros e cabelos castanhos e 35,5% têm pele clara, olhos escuros e cabelos castanhos. A pele clara é um dos factores de risco para o surgimento do melanoma maligno, pelo que é importante considerar o valor obtido. Quanto ao uso dos solários, constata-se que 25% dos respondentes já fizeram uso deste equipamento, prática que pode também constituir um factor de risco para mais facilmente se adquirir um melanoma maligno.
Outro dado que deve merecer atenção especial e que está inerente às actividades realizadas na Construção Civil é o facto de haver 81,3% que consideram que executam trabalho no exterior, em condições adversas, onde se pode incluir, como outra coisa não seria de conceber, a exposição solar. Este aspecto assume particular importância porque os respondentes indicaram que permanecem no exterior entre uma a quatro horas (56,3%) e entre quatro e oito horas (31,3%), sendo que os mesmos 56,3% executam esse trabalho com uma a quatro horas de exposição solar e 31,3% com menos de uma hora de exposição solar. Neste contexto, há uma percentagem considerável (31,3%) que executa trabalhos com exposição solar no período mais perigoso, que é entre as 12 e as 16 horas. Como forma de protecção/prevenção, 62,5% recorrem ao uso de óculos escuros, 56,3% procuram trabalhar no interior e 50% procuram usar vestuário adequado. Todos os respondentes referem consumir líquidos para hidratação, dos quais 87,5% recorrem a água e 12,5% a bebidas alcoólicas. Relativamente à alimentação, 81,3% referem efectuar uma alimentação saudável e 12,5% com predominância vegetariana, o que, de certa forma, se compreende, tendo em conta as características sociais dos respondentes (detentores de formação superior).
Quanto à prática de actividade física, 81,3% indicam efectuá-la, havendo, destes, 42,9% que o fazem em ginásios, a mesma percentagem ao ar livre com exposição solar e 14,3% ao ar livre sem exposição solar. Relativamente à periodicidade desta prática, 64,2% fazem-no ou todos os dias ou, pelo menos, dia-sim, dia-não. Quanto aos períodos do dia escolhidos para o efeito, o entardecer surge com o maior número de respostas (71,4%), seguido do período da noite com 14,3% e do período do almoço com a mesma percentagem (14,3%). São perceptíveis estas opções, dado o tipo de sector em análise. A floresta surge como local preferido para a prática desportiva, com 57,1% das respostas, sendo preocupante a percentagem dos que praticam desporto em descampado (28,6%), o que poderá constituir um factor de risco para o surgimento de melanoma maligno.
Em termos de preocupação na utilização de protector solar, verifica-se que a maioria o usa (70,6%), mas há quase um terço (29,4%) que não recorre a ele. Preocupantes podem ser consideradas as razões principais apresentadas: não é para os homens (60%) e é oleoso (40%). As respostas podiam ser cumulativas, pelo que se verificam outras razões, mas de menor percentagem. O tipo de razões apresentadas não são entendíveis, se olhadas em conjunto com as habilitações e formação dos inquiridos. Dos que usam protector solar, 46,7% fazem-no sempre, mas somente 13,3% o fazem apenas durante o trabalho, pelo que o não uso em outras situações de exposição solar pode potenciar o surgimento de melanoma maligno. Quanto ao factor de protecção do protector, a maioria (46,7%) usa um protector de elevado factor (entre 30 e 50). É usado no rosto e no corpo por 80% dos respondentes, sendo a aplicação de maior incidência (53,3%) efectuada antes de sair de casa, se bem que alguns o fazem durante o período laboral (40%), mas há outros (6,7%) que o fazem apenas durante a exposição solar. 46,7% têm por hábito renovar as aplicações.
As doenças da pele, nomeadamente o cancro da pele, são do conhecimento da maioria dos respondentes (93,8%), tendo tido acesso à informação através da Comunicação Social (73,3%), Redes Sociais (66,7%) e Internet (53,3%). Só depois surge o Médico de Família
(46,7%), o Médico do Trabalho (40%) e a empresa (20%), valores estes que não deixam de ser preocupantes, pois a prevenção deve ser uma constante em termos de medicina, nomeadamente a Medicina do Trabalho e em termos da própria empresa, que não deve querer ter entre os seus trabalhadores deles que sofram de qualquer tipo de doença.
Relativamente a outros factores de risco no âmbito do estudo, importa referir que 75% dos respondentes raramente apanha “escaldões”. Têm ou já tiveram lesões cutâneas (“sinais”) que não tenham alterado as condições iniciais (62,5%), mas há 31,3% que tiveram lesões que tenham alterado o tamanho, textura ou forma e ainda 6,3% que tiveram lesões que tenham ulcerado e não cicatrizado facilmente, dados que não deixam de aportar alguma preocupação. Quanto à apresentação da pele com maior grau de envelhecimento do que o previsível para a idade, 63,8% indica que não tem a pele nestas condições. Contudo, 87,5% demonstram preocupação com a possibilidade de vir a ter cancro da pele. 18,8% conhecem pessoas que possuem melanoma maligno, mas 50% destes referem que tal conhecimento não alterou o seu comportamento, manifestando-se a mesma percentagem (50%) no que diz respeito a ter sido alvo de consulta de dermatologia, nos últimos cinco anos.
81,3% dos respondentes indicam que, na consulta de Medicina no Trabalho não foram efectuados checkups da pele, dos sinais, ou de ambos, o que, num sector como o da Construção Civil, é um dado preocupante, que denota uma abordagem não preventiva por parte da Medicina no Trabalho. Esta constatação é corroborada pelas respostas à questão seguinte, em que 68,8% referem que o Médico do Trabalho não indica os cuidados a ter com a pele, os cuidados a ter com os sinais, ambas as situações anteriores, ou não transmitem os perigos que representam os raios UV. Apenas 18,8% referem que o Médico do Trabalho indicou os cuidados a ter com a pele ou com os sinais e 12,5% referiram que o Médico do Trabalho indicou os perigos que representam os raios UV.
No que diz respeito em concreto à actuação preventiva por parte da entidade empregadora, 68,8% dos respondentes afirmam que a mesma não informa sobre os riscos de exposição aos raios UV ou sobre os cuidados a ter com a pele ou com os sinais. 37,5% referem que a entidade empregadora não fornece EPI específico para protecção solar, havendo apenas 25% que indicam o fornecimento de capacete com pala e 12,5% o fornecimento de boné ou chapéu. Apenas 6,3% indicam receber protector solar da parte da entidade empregadora.
Verifica-se que, de acordo com a maioria dos respondentes (81,3%), as entidades empregadoras não alteram as rotinas de trabalho de forma a evitar a incidência directa dos raios solares.
É, pois, de todo importante a mudança de comportamentos, hábitos e rotinas dos trabalhadores, mas, acima de tudo, dos empregadores, gestores de topo, profissionais da área da Segurança, Higiene e Saúde e todos os que exercem responsabilidades sobre qualquer elemento da sua equipa, por forma a reduzir e até eliminar (o ideal) o grau de risco da probabilidade do surgimento do melanoma maligno, no fundo, todos estes comportamentos tendentes a aplicar o verdadeiro conceito de “Prevenção”.
Para isso, são sugeridas algumas medidas preventivas, tais como:
• Sensibilização dos empregadores, gestores de topo, profissionais da área da Segurança, Higiene e Saúde no trabalho, para mudança de comportamentos e implementação de