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1.7 Aplica¸c˜ ao de Transversalidade: O Teorema do Mergulho de Whitney

2.1.8 Operadores Compactos x Operadores de Fredholm

Vejamos agora as rela¸c˜oes entreoperadores compactos e operadores de Fredholm.

Proposi¸c˜ao 2.1.84. Seja T ∈ B(X, Y) onde X e Y s˜ao espa¸cos de Banach com T um operador de Fredholm. Se vale qualquer uma das alternativas abaixo

(i) dimX =∞ (ii) dimY =∞ (iii) dimIm(T) =∞

ent˜ao T n˜ao ´e um operador compacto.

Demonstra¸c˜ao: Segue diretamente do corol´ario 2.1.74.

Pela proposi¸c˜ao para que T ∈ B(X, Y) onde X e Y s˜ao espa¸cos de Banach com T um operador de Fredholm seja um operador compacto devemos ter dimX <∞e dimY <∞.

Teorema 2.1.85. Seja K : X → X um operador compacto com X espa¸co de Banach ent˜ao K−I ´e um operador de Fredholm com ´ındice nulo.

Demonstra¸c˜ao: Pela Alternativa de Fredholm 2.1.75 temos que dim ker(K−I) = dim ker(K− I)<∞eIm(K−I) ´e fechada. Iremos mostrar queK−I´e um operador de Fredholm, (e portantoK−I ser´a de Fredholm).

J´a temos que dim ker(K −I) < ∞. Agora, Im(K −I) ´e fechada, pelo lema 2.1.80, temos que dim ker(K −I)0 = dimX0/(Im(K−I)). Agora, dim ker(K −I) < ∞ logo dim ker(K−I) = dim ker(K−I)0, portanto dim ker(K−I) = dimX0/(Im(K−I))<∞.

Da´ı dim ker(K −I) = dim ker(K −I) = dimX0/(Im(K −I)) < ∞, logo K −I

´e operdaor de Fredholm com i(K −I) = 0. Mas i(K −I) = −i(K −I), segue que i(K −I) = 0.

PortantoK−I ´e o operador de Fredholm com ´ındice nulo, o que prova o teorema.

O pr´oximo resultado devido a F. V. Atkinson caracteriza os operdaores de Fredholm.

Teorema 2.1.86. (Atkinson) Seja T ∈ B(X, Y) com X e Y espa¸cos de Banach. As seguintes afirma¸c˜oes s˜ao equivalentes:

(i) T ´e um operador de Fredholm

(ii) Existem um operador S ∈ B(Y, X) e duas proje¸c˜oes de posto finito P1 ∈ B(X) e P2 ∈ B(Y) tais que ST =IX −P1 e T S=IY −P2.

(iii) Existem operadores compactos K1 ∈ B(X) e K2 ∈ B(Y) e S ∈ B(Y, X) tais que ST =IX −K1 e T S =IY −K2.

(iv) Existem operadores compactos K1 ∈ B(X)e K2 ∈ B(Y) e S1, S2 ∈ B(Y, X)tais que S1T =IX −K1 e T S2 =IY −K2.

Demonstra¸c˜ao: (i) ⇒ (ii) Suponha que T seja um operador de Fredholm. Ent˜ao pela proposi¸c˜ao 2.1.59 temos que podemos escreverXeY comoX= ker(T)⊕V eY =Im(T)⊕

W com ker(T), V, W, Im(T) subespa¸cos fechados em queW possui dimens˜ao finita. Sejam PN : X → ker(T) e PW : Y → W proje¸c˜oes cont´ınuas j´a que ker(T), V, W, Im(T) s˜ao subespa¸cos fechados. Note que PN e PW possuem posto finito, pois dim ker(T) < ∞ e dimW <∞.

TomeS1 :=T|V :V →Im(T) = T(V) bije¸c˜ao linear e cont´ınua. Como Im(T) ´e fechado, temos que S1−1 :T(V)→V ´e cont´ınua e linear pelo Teorema da Aplica¸c˜ao Aberta, assim S−1(T(v)) =v ´e cont´ınua. Defina S :=S1−1(IY −PW)∈ B(Y, X).

Assim, para x=n+v ∈X = ker(T)⊕V temos que

ST(x) = ST(n + v) = S(T(v)) = S1−1(IY −PW)(T(v)) = v = (IX −PN)(n +v) = (IX −PN)(x)

Agora, para y=w+T(v)∈Y =W ⊕Im(T) com v ∈V temos que T S(y) = T S1−1(IY −PW)(w+T(v)) = T S1−1(T(v)) =T(v) = (IY −PW)y Ent˜aoST = (IX −PN) e T S= (IY −PW), o que mostra o ´ıtem (ii).

(ii)⇒(iii) Basta lembrar que todo operador de posto finito ´e compacto, e temos (iii).

(iii)⇒(iv) Tome S2 =S1 =S no ´ıtem (iii), e obtemos (iv).

(iv) ⇒ (i) Suponha que existam operadores compactos K1 ∈ B(X) e K2 ∈ B(Y) e S1, S2 ∈ B(X, Y) tais que S1T =IX −K1 eT S2 =IY −K2.

ComoK1´e operador compacto pelo teorema 2.1.85 anterior temos que dim ker(IX−K1)<

∞, como S1T = IX −K1 temos que dim ker(S1T) < ∞. Mas ker(T) ⊆ ker(S1T) logo dim ker(T) < ∞. Agora, K2 ´e compacto ent˜ao IY −K2 ´e um operador de Fredholm, e portanto IY −K2 ´e um operador de Fredholm, segue que dim ker(IY − K2) < ∞.

Como T S2 = IY −K2 segue que S2T = IY −K2 da´ı dim ker(S2T) < ∞, e note que

ker(T)⊆ker(S2T) donde dim ker(T)<∞.

Afirma¸c˜ao: Im(T) ´e fechado em Y

Temos queIY −K2´e um operador de Fredholm, assim existe umZ subespa¸co de dimens˜ao finita deY tal queIm(IY−K2)⊕Z =Y. ComoT S2 =IY−K2 temos queIm(IY −K2) = Im(T S2) ⊆ Im(T) segue que Z + Im(T) = Y. Assim, existe Z1 ⊆ Z (e portanto dimZ1 <∞) tal queY =Z1⊕Im(T). Pelo corol´ario 2.1.56 temos queIm(T) ´e fechada em Y, o que prova a afirma¸c˜ao.

Estamos nas condi¸c˜oes do lema 2.1.80 segue que dim ker(T) = dim(Y /Im(T))0 <∞, e portanto dim(Y /Im(T)) < ∞. Assim dim ker(T) < ∞ e dim(Y /Im(T)) < ∞, T ´e um operador de Fredholm , o que mostra (i) e termina a prova.

Uma pertuba¸c˜ao do operador T pelo operador S ´e T −S. Nosso pr´oximo resultado afirma que a pertuba¸c˜ao de um operador de Fredholm por operador compacto continua a ser um operador de Freholm e n˜ao muda seu ´ındice.

Corol´ario 2.1.87. Seja T ∈ B(X, Y) um operador de Fredholm ent˜ao para cada K ∈ K(X, Y) temos que T +K ´e um operador de Fredholm e i(T +K) = i(T)

Demonstra¸c˜ao: Seja T ∈ B(X, Y) operador de Fredholm e fixe K ∈ K(X, Y) operdaor compacto. Pelo teorema 2.1.86 temos que existem S1, S2 ∈ B(Y, X) e dois operadores compactos K1 ∈ B(X) e K2 ∈ B(Y) tais que S1T = IX −K1 e T S2 = IY −K2. Segue que

S1(T +K) =S1T +S1K = (IX −K1) +S1K =IX −(K1−S1K), e (T +K)S2 =T S2+KS2 = (IY −K2) +KS2 =IY −(K2−KS2)

Agora, (K1−S1K)∈ K(X) e (K2−KS2)∈ K(Y) pois o conjunto dos operadores ´e um subespa¸co e gozam da propriedade de ideal. Observe que T +K est´a nas condi¸c˜oes do

´ıtem (iv) do teorema 2.1.86 segue queT +K ´e um operdor de Fredholm.

Pelo Teorema do ´Indice ´ıtem (ii) temos queS1 ´e operador de Fredholm pois S1(T+K) = IX−(K1−S1K) ´e operador de Fredholm com ´ındice nulo (j´a queK1−S1K ´e compacto) e (T +K) ´e operador de Fredholm, e portanto

i(S1(T +K)) =i(S1) +i(T +K) =i(IX −(K1−S1K)) = 0 seguei(T +K) =−i(S1).

Considerando S1T = IX − K1. Como K1 ´e compacto temos que IX −K1 ´e operador de Fredholm com ´ındice nulo. Mas T e S1 tamb´em s˜ao operadores de Fredholm, pelo

Teorema do ´Indice, temos que

i(S1) +i(T) = i(S1T) = i(IX −K1) = 0 e portanto i(T) =−i(S1)

Assim, i(T +K) = i(T) e temos o desejado.

Denotamos porF red(X, Y) o conjunto dos operadores de Fredholm deX em Y. Quando X = Y escrevemos simplesmente F red(X) em vez de F red(X, X). A fun¸c˜ao ´ındice i : F red(X, Y) → Z ´e definida por i(T) para cada T ∈ F red(X, Y). Nosso pr´oximo resultado mostra que F red(X, Y) ´e um conjunto aberto de B(X, Y) e a fun¸c˜ao ´ındice ´e cont´ınua quando Z est´a munido da topologia discreta.

Teorema 2.1.88. Sejam X e Y espa¸cos de Banach ent˜ao F red(X, Y)´e um subconjunto aberto de B(X, Y) e a fun¸c˜ao ´ındice i:F red(X, Y)→Z ´e cont´ınua.

Demonstra¸c˜ao: (Caso 1) Suponha que X possui dimens˜ao finita.

Se dimens˜ao deY tamb´em finita temos queX eY s˜ao espa¸cos finitos, logoF red(X, Y) = B(X, Y), que ´e aberto em B(X, Y). Suponha agora que dimens˜ao de X ´e finita e a dimens˜ao de Y ´e infinita ent˜ao F red(X, Y) = ∅, que tamb´em ´e aberto. De fato, caso existisseT ∈F red(X, Y) operador de Fredholm com X dimens˜ao finita e Y de dimens˜ao infinita ter´ıamos pela proposi¸c˜ao 2.1.84 que dimens˜ao de Y tamb´em seria finita, o que ´e uma contradi¸c˜ao.

(Caso 2) Suponha queX possua dimens˜ao infinita.

Seja T ∈ F red(X, Y) operador de Fredholm pelo teorema 2.1.86 existem um operador S∈ B(Y, X) e dois operadores compactos K1 ∈ K(X) e K2 ∈ K(Y) tais que

ST =IX −K1 e T S =IY −K2 (*)

Como K1 ´e operador compacto temos que IX −K1 ´e operdaor de Fredholm com ´ındice nulo. Segue queST =IX −K1 ´e operador de Fredholm, como T tamb´em ´e operador de Fredholm, temos pelo Teorema do ´Indice queS tamb´em ´e operdaor de Fredholm, e segue quei(S) +i(T) =i(ST) =i(IX −K1) = 0, logo

i(T) = −i(S) (**)

Como S ´e um operador de Fredholm e X possui dimens˜ao infnita segue que S 6= 0. De fato, caso S ≡ 0 ter´ıamos que ker(S) = X e portanto dim kerS = ∞, o que n˜ao ocorre poisS ´e de Fredholm.

Lembre que Pelo corol´ario 2.1.32 temos que para Z um espa¸co de Banach, e A ∈ B(Z) um operador linear cont´ınuo tal que ||A|| < 1 temos que IZ+A ´e invert´ıvel e portanto

IZ+A ´e um isomorfismo.

Seja C ∈ B(X, Y) tal que ||C|| < ||S||1 . Ent˜ao os operadores SC ∈ B(X) e CS ∈ B(Y) satisfazem||CS||<1 e||SC||<1. Ent˜aoIX+SC ∈ B(X) e IY +CS ∈ B(Y) s˜ao ambos isomorfismos e portanto s˜ao ambos operadores de Fredholm de ´ındice nulo. Pelo corol´ario 2.1.87 temos que IX +SC −K1 e IY +CS−K2 s˜ao ambos operadores de Fredholm de

´ındice nulo. Mais ainda por (*) temos que

S(T +C) = ST +SC = (IX −K1) +SC =IX +SC −K1 e (T +C)S =T S+CS = (IY −K2) +CS =IY +CS−K2

Como S ´e de Fredholm o Teorema do ´Indice garante que (T +C) ´e um operador de Fredholm com ´ındice dado por

i(S) +i(T +C) =i(S(T +C)) =i(IX +SC −K1) = 0 logo i(T +C) =−i(S) segue de (**) quei(T +C) = i(T)

N´os mostramos que dado T ∈ F red(X, Y) existe S ∈ B(X, Y) tal que para todo C ∈ B(X, Y) tal que||C||< ||S||1 temos que (T+C) ´e operador de Fredholm ei(T+C) = i(T).

Isto mostra que F red(X, Y) ´e um conjunto aberto de B(X, Y) e que a fun¸c˜ao ´ındice ´e

cont´ınua. O que termina a prova.