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Origens do processo migratório

1.1 TEMA E PROBLEMA DE PESQUISA

2.1.2 Origens do processo migratório

Rousseau (1712-1778) trata de forma veemente sobre a desigualdade entre os homens. Em certo sentido, acredita-se que essa desigualdade consiste numa força legítima entre os homens. Para Rousseau (1973, p. 263), a força não é legitimidade da desigualdade entre os homens. O filósofo busca responder tal questionamento remontando inicialmente à análise do homem em seu estado natural. Para ele, não é natural qualquer forma de desigualdade entre os homens:

É fácil ver, com efeito, que entre as diferenças que distinguem os homens, inúmeras consideradas como naturais, são unicamente obra do hábito e dos vários gêneros de vida que os homens adotam em sociedade. Assim, um temperamento robusto ou

delicado, a força ou a fraqueza, que dele derivam, resultam mais frequentemente da maneira dura ou afeminada pela qual se foi educado do que da constituição primitiva dos corpos (ROUSSEAU, 1978, p. 263).

Rousseau acredita que “renunciar à liberdade é renunciar à qualidade de homem, aos direitos da humanidade, e até aos próprios deveres” (ROUSSEAU, 1978). Não há recompensa possível para quem a tudo renúncia. Nesse sentido, partindo do princípio moral de que o homem é naturalmente bom, ou seja, a natureza fez o homem feliz e bom. No discurso sobre a origem e a desigualdade entre os homens, Rousseau mostra que as duas características que diferenciam o homem do animal são a liberdade e o aperfeiçoamento. A primeira é que é um ser livre. Ele tem condições e capacidade para querer e não querer, desejar e temer. A segunda qualidade específica do homem é a possibilidade contínua de aperfeiçoar-se, sendo essa, provavelmente, a causa principal da desigualdade entre os homens. Para Rousseau, há dois tipos distintos de desigualdade. Existe a desigualdade natural ou física, estabelecida pela natureza que consiste na diferença das idades, da saúde, das forças do corpo e das qualidades do espírito e da alma. Também observa-se a desigualdade moral ou política, dependente de uma espécie de convenção e que é estabelecida ou, pelo menos, autorizada pelo consentimento dos homens, consistindo em vários privilégios de que gozam alguns em detrimento de outros, como o de serem mais ricos, mais homenageados do que os outros, ou ainda, por fazerem-se obedecer.

Para que se tenha certo equilíbrio na sociedade precisa-se ter um contrato social que rege leis e normas para o bem de todos. Nesse contrato social, o filósofo ajuda a entender que a importância de um pacto de associação, aquele que em que cada um põe sua pessoa e seus bens sob os interesses da vontade geral. Para Rousseau, a vontade geral tende sempre à preservação ao bem-estar de todo e de cada parte, orientando-se sempre para o bem comum. Sendo essa fonte das leis.

Dá-se a entender que se não existir um bom contrato social numa sociedade que equilibra as condições de vida, acaba-se por gerar uma desigualdade. Essa desigualdade, por sua vez, gera uma injustiça para a maioria dos cidadãos, sendo um dos fatores prováveis do processo migratório, motivo no qual os indivíduos buscariam uma oportunidade de recomeçar em um lugar no qual ainda existiria esperança na igualdade. Outras origens estão na corrupção, pobreza, política e questões que envolvem catástrofes ambientais, como pode-se perceber nos casos que seguem.

2.1.2.1 O caso dos haitianos

Aproximadamente perto da primeira metade do século XV, a Europa estava a procura de novas riquezas. Os espanhóis foram os primeiros europeus a chegar a América. Cristóvão Colombo, italiano, e os espanhóis conheceram o Caribe, particularmente a ilha do Haiti no dia 05 de Dezembro 1492. Os espanhóis obcecados pela riqueza em minérios começaram torturar os índios, e os escravizar. Em seu retorno a Espanha, Colombo se deparou com uma ideia de escravidão com a qual ele não concordava. Mas o principal objetivo era a exploração de mão de obra escrava e isso saciava os interesses dos portugueses que mantinham uma relação “amigável” com os africanos visando seus interesses mercantis na região. As regiões que mais forneceram escravos de guerra, segundo a história, foram o Cabo da Guiné, chamado pelos portugueses "Costa dos Escravos", e os reinos do Congo e de Angola. Os africanos com a condição de escravos substituíram os índios, que já eram insuficientes, nos campos de extração de ouro aponta Madiou (1847).

Em 1697, o rei Luís XIV tomou conta da parte ocidental da ilha pelo tratado de Ryswick. Esse tratado dividiu a ilha em duas partes: a parte Oriental (atual República Dominicana) e a parte Ocidental (atual República do Haiti). Segundo Madiou (1847), essa aquisição marcou o começo da ambição colonial francesa. Desde então a história das duas repúblicas foi dividida. Com o nome oficial de “Saint Domingue”, colônia francesa, parte ocidental da ilha, nome dado pelo colonizador (França), a ilha se desenvolveu mais rapidamente graças à plantação de café e de cana de açúcar. Na véspera da Revolução Francesa, aproximadamente 75% do comercio mundial de açúcar saía da colônia francesa.

Em primeiro de janeiro de 1804, foi proclamada oficialmente a independência pelo General Dessalines. O novo povo livre adotou como nome de sua nova nação o mesmo nome dado pelo povo indígena: Haiti. O mesmo quer dizer terra alta e montanhosa (MADIOU, 1847). Os governantes, desde o dia da independência, colocaram o idioma francês como oficial, já que a Ata da Independência foi escrita em francês deixando de lado o idioma construído pelo povo que é o Kreyòl (crioulo). Mas, o presidente Jean Bertrand Aristide, na ocasião do bicentenário da independência do Haiti, também ressaltou a importância que o Kreyòl tem para os haitianos, tornando obrigatório colocá-lo junto ao idioma francês valorizando assim essa língua que foi denominada pelo povo como idioma da libertação. O Haiti e a França mantiveram uma longa distância após a independência. O ex-presidente da França Nicolas Sarkozy foi o primeiro presidente que pisou a terra do Haiti depois da independência por causa do terremoto em janeiro de 2010. O presidente François Hollande,

foi o primeiro presidente em nome da França que teve uma relação diplomática com o Haiti (NOEL, 2017).

Apesar de sempre ter existido um desequilíbrio político no Haiti, a situação começou a piorar durante o governo de Aristide, em 2004, devido a seu impedimento de dirigir o país. Com isso organizações como a Organização das Nações Unidas (ONU) e Organização dos Estados Americanos (OEA) tomaram providência e enviaram soldados latino-americanos, de alguns países europeus e também do oriente para acompanhar e auxiliar na recuperação da estabilidade política e segurança do país. Essa missão foi chamada de MINUSTAH, Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti. O Brasil foi escolhido para comandar as tropas para paz no Haiti e aos demais países que participaram da MINUSTAH. O terremoto em janeiro de 2010 causou grandes devastações por todo o país. A maioria dos haitianos acabou sem rumo e sem esperança, cada dia rezando por uma vida melhor. Já que as suas preces não tiveram respostas eles tentaram fugir da fome, da miséria, do desemprego e do mal-estar político. Enfim muitos morreram no caminho para deixar a terra natal. Até agora, existe uma instabilidade política e econômica que torna o país mais pobre e infeliz do que nunca. A maior parte da elite, gente da burguesia e investidores, não permaneceu no país e deixou de investir seu dinheiro na terra, o que gerou bastante desemprego. A corrupção nesses momentos sempre é a privilegiada, e o resultado é ninguém perceber a situação. Apesar de tudo, sempre o povo manteve uma esperança inigualável nos candidatos à presidência. Em meados dos anos 1990, a crise política causou a instabilidade econômica e o percentual de turismo baixou bastante. Pararam as indústrias, mas o setor do comércio continuou com importações.

Após o terremoto em 2010, quando a situação começou a piorar ainda mais, haitianos começaram sua travessia para a América Latina. Agora, especialmente, a maioria veio rumo ao Brasil em busca de emprego e uma vida melhor. A chegada aqui não foi fácil, foi necessário se adaptar ao novo clima, a um novo idioma e a uma nova cultura. Encontrar emprego também não foi tarefa fácil. O diálogo entre os haitianos e brasileiros não era claro. Para sobreviver, os haitianos aprenderam diferentes idiomas desde sua terra natal, mesmo assim tiveram que fazer ainda bastante esforço para conseguir sobreviver e achar emprego. A questão do idioma foi o dilema maior dessa transição porque o francês e o créole não têm nada a ver com o português. Muitos deles arriscaram tudo para chegar até aqui, porque tiveram que deixar mãe, pai, esposo, esposa, filhos e parentes. Esses ficaram no Haiti torcendo e contando com a ajuda de quem veio ao Brasil na esperança de que a vida aqui seja

melhor do que lá. Quem chegou aqui, veio acreditando no trabalho e nos estudos (NOEL, 2017).

2.1.2.2 O caso dos africanos

No caso de Senegal, esse é um país que alcançou a independência em 1960, e como Haiti eles também foram colonizados pela França até no século XX. Os europeus, por ganância, destruíram muitas tribos, gerando muitos conflitos no continente africano. Mesmo após a independência, o país ainda não construiu uma economia forte, motivo de haver poucos empregos, por isso a melhor alternativa foi migrar para sobreviver em outros continentes.

Trata-se de uma migração laboral, sendo que a Europa foi o destino principal dessa crise. Os senegaleses já viajaram há 15 anos, atrás de uma expectativa de emprego pelo mundo. Segundo Herédia (2015), os estudos mostram fortes índices de crescimento de tais imigrantes nos últimos anos em Passo Fundo, Santa Maria e, sobretudo na Serra Gaúcha. Esse crescimento tem foco nos setores industrial, agrícola e no comércio. O Estado do Rio Grande do Sul foi movimentado na última década por buscas de local para morar e de emprego na região, que já havia sido ocupada pelos italianos, desde 1875. Os afro-migrantes (haitianos, senegaleses e ganeses), também trazem uma diversidade cultural para região além da cultura italiana, alemã e polonesa já presentes na região.

Espeiorin (2014) apresenta uma pesquisa que aponta que a população de Caxias do Sul é cheia de preconceitos. A Serra Gaúcha nunca foi habitada por negros apesar de ter havido escravidão no Brasil. O estudo cita Herédia (2015), quando a pesquisadora afirma que não existe uma multiculturalidade porque os novos imigrantes não são brancos. Em um contexto, segundo a autora, é explicito que a migração italiana entre os séculos XIX e XX é bem diferente da migração dos afro-migrantes atualmente, porque a dimensão de problemas é também diferente. O resultado desse estudo mostra que existe certo preconceito com os estrangeiros na região de Caxias do Sul. Esse preconceito é de fato por ignorância dos anfitriões que não sabem que foi por necessidade que os afro-migrantes percorreram tantos quilômetros atrás de uma vida melhor.

Vichich apud Herédia (2015, p. 7) ainda postula que as migrações estão associadas à “desigualdade social, à inequidade das relações econômicas internacionais, à falta de oportunidades e às condições de menor qualidade de vida, quando não de pobreza, produto de subdesenvolvimento dos países de origem”. Para a autora, o jeito de ver esse fenômeno

migratório é entender que a migração internacional é produto de um desenvolvimento desigual. Muitos deslocamentos populacionais ocorrem em condições de sobrevivência. A população migrante é obrigada a sair de seus países, enfrentando adversidades possíveis na luta por condições melhores de vida. Com o efeito da globalização, após a internacionalização do capital, os países pobres ficaram condicionados às politicas de desenvolvimento dos ricos. Ainda segundo a autora, a divisão geopolítica, no final do século XX, promoveu uma reorganização dos territórios, sendo que os países pobres, não desenvolvidos, não tiveram muitas alternativas. A esses países não desenvolvidos lhes restou, os conflitos internos, guerras civis, catástrofes ambientais e climáticas, que levaram a situações de miséria, pobreza extrema, destruição de deu lar um dos motivos ou ainda alternativas de sobrevivência da migração.

O movimento migratório é um fenômeno que se renova à medida que traz motivos racionais de deslocamento. E as razões historicamente são muitas. Por outro lado, os mecanismos e as estratégias utilizadas por aquelas pessoas que migram são comuns. Por isso, os países receptores dessa imigração, através do tempo, começaram a colocar limites através de leis migratórias para supervisionar meio de acesso. Dessa maneira, as diferenças culturais, como afirma Herédia (2015), ficam visíveis quando os interesses econômicos predominam, o que pode oportunizar um processo de aceitação e integração da relação entre os grupos ou de negação ou de exclusão pelas diferenças que representam no lugar de convivência. O processo migratório internacional, na sua natureza, exige questões culturais, políticas, jurídicas e econômicas a serem respondidas. Dessa maneira, os migrantes dos países não desenvolvidos são mal vistos por serem pobres ou podem sofrer preconceitos por causa da cor de sua pele ou de sua raça. Apesar de que esse processo é um espaço de interculturalidade, existindo ainda o lado de rejeição se o país receptor não simpatiza com a dor como imigrante.

As pessoas migram por diversas razões, por questões culturais, econômicas, socio- religiosas e por crises políticas, entre outras. Esse processo migratório tem seu início desde a antiguidade até meados do século XIV, mas sempre os movimentos eram ordenados e regulamentados pelos países anfitriões. A globalização é um dos movimentos econômicos e políticos que impulsiona a mudança conceitual dos movimentos migratórios em grande parte no mundo. A crise econômica na década de 1980 é um dos momentos direcionados aos fluxos migratórios da América do Sul para o Norte, especificamente nos Estados Unidos e na Europa. Não pode-se deixar de lado a crise de 2008-2009 com novas mudanças de rotas migratórias, quando Brasil e outros países sul-americanos começaram a atrair migrantes. O Brasil começou a receber refugiados do Haiti, da África e do Oriente Médio, assim como da

China e outros países do continente sul-americano em busca de uma vida melhor (HERÉDIA, 2015).

Para entender o porquê da imigração dos povos que vieram para o Brasil especialmente, é importante saber a sua história, sua localização no mundo geográfico, sua cultura em geral e o motivo pelo qual vieram. O Senegal, por exemplo, é situado no continente africano, na África Ocidental, sendo banhado pelo oceano Atlântico e tem fronteira com a Gâmbia, a Mauritânia ao norte, a Guiné e Guiné-Bissau ao sul e Mali a leste. A capital é Dakar, localizada no ponto mais a oeste do país. Senegal é também, o país mais próximo à ilha do Cabo Verde (KALY, 2006).

O Senegal, territorialmente, possui uma área menor que a do Estado de Paraná. Ele alcançou a sua independência em 1960. Como tantos países do continente africano, a disputa entre os europeus era bem grande. Os europeus na sua chegada dissolveram tribos, levando o conflito ao continente africano. Por causa dessas tramas históricas e econômicas, o país não conseguiu absorver grande parte da mão de obra e a solução, conforme Herédia (2015), foi migrar.

O Senegal apresentava-se para os árabes e europeus como uma zona de abundante riqueza e grande possibilidade de exploração de matéria prima e metais preciosos (IBAZEBO, 1998). Segundo Wenczenovicz (2016), no período 1444 e 1510. os portugueses tiveram contato com a tribo Wolf do Senegal para fazer uma densa descrição acerca da realidade sociopolítica e cultural, formando a divisão hierárquica na sociedade entre a nobreza, os camponeses, os escravizados e as diferentes castas de ferreiros, músicos e joalheiros, entre outros. Entre os séculos XVII à XVIII até a metade do século XIX, aconteceram guerras pelo controle das margens do Senegal pelas potências europeias (MAMADOU, 2011).

Os portugueses foram os primeiros a chegar especificamente em Dakar e Gorée no século XV Entretanto a cidade de Saint Louis foi o ponto referencial e comercial até a abolição da escravidão, em 1638, pela França o que marca o início da colônia do Senegal. Em 1677, os franceses, para reforçar a sua posição no ranking dos colonizadores. Tiveram que expulsar os holandeses instalados na ilha de Gorée, um dos grandes portos da escravidão. Os portugueses, no século XV e XVI, tiveram várias estações em diversos lugares constituindo uma colônia na ilha de Gorée, tornando-a uma espécie de armazém de tráfico de escravos. Os britânicos, por sua parte, em breves momentos, também se apoderaram de algumas áreas do Senegal, quando os franceses, em 1840, foram reconhecido pelas demais potências. Em 1895, a região é integrada como parte da África Ocidental Francesa (KOK, 1997).

grandezas políticas africanas não foram obrigados pela força a entrar no tráfico atlântico. Eles possuíam estruturas sociais e econômicas capazes de lutar contra os europeus. Portanto, segundo o autor, o tráfico foi uma negociação comercial, onde os africanos entraram como competidores bem habilidosos impondo valores e mercadorias. Os senegaleses eram autossuficientes na produção de alimentos, tecidos e instrumentos de ferro. Através dessa negociação, pelas leis vigentes naquela época, definiram os contratos de deveres e direitos de tráfico humano principalmente no sahariano. Desse fato, militarmente, o império Djolof chegou a ter 100 mil homens na infantaria e 10 mil na cavalaria para enfrentar os portugueses, holandeses e franceses.

Segundo Lovejoy (2002), a presença dos europeus no tráfico em larga escala transformou definitivamente as instituições sociais e econômicas no Senegal. A região passou a ser orientada para guerra e o comércio dos recursos humanos como mão de obra para o mundo em vez de lutar e acabar com esse fato de uma vez por todas. O tráfico transahariano durou oito séculos, envolvendo seis ou sete milhões de pessoas. Em quatro séculos, o tráfico atlântico, por outro lado, chegou aos vinte milhões (MAMADOU, 2011). O Senegal foi governado, inicialmente, por tribos antigas convertidas ao islamismo, por portugueses e pela França no século XVII. O país conseguiu a sua independência em 1960, após a realização de lutas separatistas que aconteciam desde o século XIX. O Senegal adotou, em 1982, um sistema econômico e político dentro da lógica do “socialismo islâmico”, em união com a Gâmbia. Assim, formou-se a Senegâmbia, que depois foi dissolvida em 1989 por divergências políticas entre os líderes de ambos os países. Isso reforçou a saída de milhares de homens e mulheres para a condição de imigrantes e refugiados segundo Wenczenovicz (2016).

A capital do Senegal é Dacar, a cidade mais populosa do país, com 2,2 milhões de habitantes. As etnias predominantes são os jalofos, os serer, os tukulor, os diolas e as mandingas. A religião mais professada é o islamismo, 87% da população do país. O país encontra-se em uma região próxima do mar, as altitudes locais não são muito elevadas, motivo de grande e extensa planície de savanas com vegetação superficial. Os rios principais que abastecem a região são o Senegal, o Gâmbia e o Casamanse. O clima é o semiárido, principalmente nas porções setentrionais de seu território, aponta Wenczenovicz (2016), que indica uma baixa influência de maritimidade e variações térmicas durante todo ano. O país tem uma estação seca prolongada e chuvas irregulares que são distribuídas ao longo do ano, sendo que as savanas concentram-se mais ao sul do território aonde costuma chover um pouco mais.

industrializado, mesmo que a produção industrial seja aproximadamente 22,7% do PIB, a agricultura 15% e o setor terciário representa 61,9%. Os produtos principais agrícolas são o amendoim, a cana de açúcar, o tabaco, o sorgo e o tomate. Na indústria se destacam o processamento de minerais e a produção de fertilizantes. A pesca tem um papel importante na economia nacional, sendo Senegal um grande exportador nos países europeus. Por outro lado, aponta Wenczenovicz (2016), a exclusão e o subtrabalho estão presentes na conjuntura econômica e política, fazendo com que diversas pessoas do país de desloquem como imigrantes para a América e Europa.

A vida nas cidades apresenta dificuldades de emprego, acesso à saúde e à educação, sendo a escolarização inferior a 35%. Segundo dados da Unesco em 2013, a educação no Senegal é um direito fragilizado enquanto política pública por falta de material didático e carência de professores, o que dificulta e impede parte da população que tem acesso aos níveis básicos do ensino. O pequeno acesso à educação básica limita também a entrada na educação de nível superior, o que impulsiona a exclusão do mercado de trabalho. O idioma francês é considerado o oficial do país, mas é utilizado por uma minoria, enquanto a maioria

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