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6.4 Os Desenvolvimentos de Basileia

No documento Modelo de rating interno. (páginas 64-70)

Basileia II foi um desafio para os Bancos e para as empresas. Os requisitos mínimos de capital definidos pelo protocolo de Basileia II não obrigavam só os bancos a novos modelos internos de medição dos riscos de crédito, mercado e operacional. Impuseram também às empresas a necessidade de repensar a estrutura financeira de modo a aceder a melhores condições de financiamento num mercado financeiro cada vez mais amplo, competitivo e exigente.

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Os desenvolvimentos de Basileia II assinalaram a diferença na gestão entre as Entidades Financeiras, em função do risco assumido:

- Critérios uniformes que permitem a comparação entre Entidades Financeiras sobre aspetos cruciais como os processos de gestão, exposição ao risco e adequação do capital;

- Fomentar a melhoria no tratamento do risco mediante a utilização de modelos quantitativos baseados na experiência histórica da entidade;

- Melhorar o conhecimento do perfil de risco de cada entidade; - Gestão globalizada do risco, integrando-a na gestão diária.

O Novo Acordo de Basileia permite assim que um banco calcule o requisito de capital para risco de crédito seguindo duas abordagens:

a) A padronizada, que usa rating de agências para medir o risco dos ativos;

b) Baseada em rating interno ou Internal Rating Based (IRB), permitindo que o banco utilize estimativas internas de componentes do risco de crédito para calcular o capital inerente a esse risco. Em bom rigor, empresas bem avaliadas tendem a ser preferidas e atendidas por bancos que adotarem modelos internos e as empresas com avaliações inferiores tendem a ser preferidas atendidas por bancos que optarem por modelos padronizados.

A abordagem IRB, por sua vez, apresenta duas variantes: básica e avançada. Utilizam-se componentes – chave, a saber; Probability of Default (PD), Exposure at Default (EAD), Loss

Given Default (LGD) e Maturity (M), para mensuração da perda esperada – Expected Loss (EL) -

e inesperada – Unexpected Loss (UL) para risco de crédito e consequentemente para estimação do requisito mínimo de capital. Sintetizando, podemos identificar os seguintes elementos chave: EXPOSIÇÃO NO INCUMPRIMENTO (EAD): Exposição a uma operação de crédito PROBABILIDADE DE INCUMPRIMENTO (PD): Estimativa da possibilidade de entrada em mora, conforme o nível de rating/scoring;

SEVERIDADE ou LOSS GIVEN DEFAULT (LGD): percentagem estimada do valor irrecuperável (abatido) de um contrato, uma vez entrado em mora;

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PERDA ESPERADA ou EXPECTED LOSS (EL): o produto da PD x LGD dar-nos-á a percentagem de perda estimada do contrato, também designada de Prémio de Risco. Se a este produto multiplicarmos pela Exposição (EAD), obteremos a Perda Esperada em valor absoluto. Este valor é equivalente às provisões que se deveriam efetuar;

Outros componentes chave neste contexto são também: MATURITY (M): tempo de vencimento

PRÉMIO DE RISCO (PR): diferencial que se juntaria à margem de rentabilidade desejada e ao custo do funding do Banco para determinar o preço mínimo que se deveria aplicar ao cliente nesse contrato. Valor expresso em percentagem.

CAPITAL REGULATORIO: recursos próprios requeridos para cobrir o risco de crédito.

DEFAULT: Um contrato/empresa encontra-se em default quando entra em Morosos/Duvidosos.

Conforme já referido, no âmbito do Acordo de Basileia, o comité deixa à escolha dos bancos 3 opções para o cálculo e atribuição de ratings internos:

a)Método Standard:

Neste método os ponderadores variam com o rating atribuído pelas agências de notação reconhecidas pelas autoridades de supervisão. Para efeitos de cálculo de limites mínimos de capital, são atribuídos os seguintes ponderadores de risco, aplicáveis às entidades soberanas, aos bancos e às empresas não financeiras:

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Rating Tabela / BP Soberanos Bancos Empresas não

financeiras AAA a AA 1 0% 20% 20% A+ a A- 2 20% 50% 50% BBB* a BBB- 3 50% 100% 100% BB+ a BB- 4 100% 100% 100% B+ a B- 5 100% 100% 150% Inferior a B- 6 150% 150% 150%

Tabela 2 – Método Standard – limites mínimos de capital. Fonte: elaboração própria b) IRB Básica

Na IRB básica, os bancos estimam a PD e utilizam os padrões sugeridos por Basileia para os demais parâmetros. Trata-se do modelo que a grande maioria das instituições financeiras estão a adotar para construir os seus modelos de rating interno.

c) IRB Avançada.

Na IRB avançada, os bancos são autorizados a utilizar modelos proprietários para todos os elementos - chave.

As Instituições Financeiras que adotarem o método IRB podem assim escolher entre o método standard (ou fundamental) e o avançado. A instituição financeira que empregar o fundamental (IRB Básica), somente pode calcular a PD internamente, as demais componentes são fornecidas pelos órgãos reguladores. O quadro abaixo resume as fontes de informações que geram as diferenças metodológicas entre os modelos IRB;

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Componentes Fundamental ou Standard Avançado

PD Instituição Financeira Instituição Financeira LGD Estimativas padronizadas do órgão regulador Instituição Financeira EAD Estimativas padronizadas do órgão regulador Instituição Financeira M Estimativas padronizadas do órgão regulador Instituição Financeira

Tabela 3 - Modelos IRB. Fonte: elaboração própria

Resumindo, os métodos de cálculo de capital são os seguintes: a)-Standard: Sistema tradicional de Capital Regulatório.

b)-Internos:

IRB Básico – Cálculo da PD.

IRB Avançado – Além da PD, o resto dos parâmetros de Basileia II

Quanto aos ponderadores a aplicar nos diversos tipos de contraparte de crédito, comparando Basileia I com Basileia II, verificam-se os seguintes valores:

Basileia II

Rating Basileia I Padronizada IRB

AAA 100% (8%) 20% (1.6%) 7% (0.56%)

AA 100% (8%) 20% (1.6%) 15% (1.2%)

A 100% (8%) 50% (4%) 20% (1.6%)

BBB 100% (8%) 100% (8%) 75% (6%)

BB 100% (8%) 350% (28%) 425% (34%)

Tabela 4 – Ponderadores para afetação de capital. Fonte: elaboração própria

E, em síntese, quais os benefícios dos modelos de Basileia

a) Melhor conhecimento dos riscos da Instituição Financeira na medida em que procura exigir uma maior ênfase no próprio controlo interno dos bancos, na contabilidade bancária, nos seus

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processos e modelos de administração de riscos. Em suma, verifica-se um aprimoramento da estratégia em gestão de riscos.

b) Melhoria na gestão, dado que permite avaliar melhor a adequação de capital, com possível redução dos níveis de exigência de capital, assim como auxilia as instituições financeiras na gestão das suas carteiras de crédito, preenchendo a lacuna de informações comportamentais de um cliente.

c) Maior rapidez de decisão, mais concretamente na concessão de crédito a empresas que previamente já se encontram classificadas. Empresas bem avaliadas tendem a ser atendidas por bancos que adotarem modelos internos

d) Uniformização de Critérios. A implementação do Acordo Basileia II leva a uma uniformização nos modelos de gestão e de supervisão criando, assim, condições de maior equidade no mercado bancário.

e) Descentralização de poderes de crédito. Com a implementação numa instituição financeira de crédito de modelo de rating interno, a prévia classificação / notação de risco de uma empresa permite desde logo a definição do escalão de decisão, e desta forma agilizar todo o processo creditício por via da descentralização dos poderes de crédito atribuídos.

f) Prestigio. Ainda que não tenha competência legal para estabelecer normas internacionais aplicáveis aos sistemas financeiros, o Comité de Basileia dispõe de prestígio suficiente para influenciar as autoridades supervisoras de vários países a adotarem as suas orientações. Mas esta característica intangível que é o prestigio, também se aplica às instituições financeiras que adotarem modelos internos e possuírem uma visão abrangente de Basileia II. Adotando essas medidas, podem as instituições de crédito podem obter significativos benefícios estratégicos e operacionais. e naturalmente uma elevação do valor de mercado, que poderá ser acompanhada por uma elevação do seu rating

A qualidade da informação é a matriz de todos os modelos, dado que informação inadequada não pode gerar mais do que um modelo inadequado e uma decisão inadequada. Num modelo de

rating, as fontes de informação devem cobrir todo o conhecimento disponível do cliente e da

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-Informação qualitativa, sócio - demográfica e económica - financeira dos clientes (antiguidade como cliente, informação contabilística da empresa, etc.), bem como informação externa de endividamento e incumprimentos – Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal (CRCBP), INFORMADB;

-Informação das condições particulares dos produtos contratados (prazos, montantes, amortizações, etc.);

-Comportamento interno do cliente (domiciliações, incidentes, incumprimentos, produtos contratados, antiguidade, etc.);

-Conhecimento dos fatores mitigadores do risco nos clientes (património dos proprietários ou gestores, garantias recebidas e existência ou não de avalistas).

Como resultado final, toda esta informação básica que constitui a verdadeira matriz para a construção de um modelo de aferição de risco, foi transformada num conjunto de variáveis que constituem o corpo do modelo.

No documento Modelo de rating interno. (páginas 64-70)