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CAPÍTULO QUARTO TECNOTECTURE

4.2 Os diferentes tipos de produtos

Em Pirahy (1984), "O mundo do papel", temos que a celulose é um composto natural existente nos vegetais, de onde é extraída, podendo ser encontrada nas raízes, troncos, folhas, frutos e sementes. Outros componentes encontrados são a lignina e a hemicelulose. O Instituto Nacional de Tecnologia define papel como sendo uma lâmina de fibras celulósicas microscopicamente entrelaçadas e justapostas.

Na produção de papel e celulose o Brasil se sobressai pela enorme variedade de tipos e volume de papéis produzidos, além de estarem distribuídas por vários estados brasileiros.

Uma propriedade muito importante do papel é a sua gramatura, que é a massa em gramas de uma área de um metro quadrado de papel. Dependendo desta, o papel pode receber denominações como de cartão ou papelão. Os papéis com gramatura elevada são denominados cartões.

Normalmente os cartões têm gramatura acima de 150 g/m3. O Papelão já é um papel com gramatura e rigidez elevados, fabricado essencialmente com pasta celulósica de alto rendimento ou com fibras recicladas.

O papelão ondulado consiste de uma ou mais folhas de papel ondulados, coladas entre duas folhas lisas, sendo composto por:

• capa de primeira ou externa (ou kraftliner);

• miolo (pode ser de um papel de baixa qualidade); • capa de segunda ou interna (ou liner).

Os diferentes tipos de papel são fabricados de acordo com formulações específicas, a fim de atenderem às características necessárias para as finalidades a que se destinam, que pode ser:

• impressão; • escrever; • embalagem; • fins sanitários; • cartões e cartolinas; • especiais 4.3 Os processos produtivos

Os processos produtivos de confecção do papel caracterizam-se por aglutinar matérias-primas para formar um novo produto. Para exemplificar, enfoca-se o início do processo, em que são recebidas as matérias-primas fibrosas (celulose branqueada ou não) que, após dissolvidas em meio aquoso, recebem aditivos químicos que irão conceder as diversas características de apresentação e uso dos papéis produzidos.

Após esse tratamento inicial, a matéria-prima é utilizada na máquina formadora do papel, quando são gerados os novos produtos (papéis) e seus resíduos químicos e fibras em suspensão, nos seus efluentes.

Os métodos de fabricação dos diversos tipos de papeis são semelhantes, tendo variação no tipo de matéria-prima, nos tipos de insumos químicos e capacidade produtiva das máquinas. A diversidade dos processos produtivos vai implicar em diferentes operações técnicas elementares, em função dos tipos de produtos e das quantidades a serem produzidas.

De acordo com o CNI-DAMPI-DETEC (1989, p.9) os processos mecânicos caracterizam-se pela liberação mecânica das fibras de celulose da madeira com nenhuma, ou pequena, extração dos componentes secundários das fibras como a hemicelulose, a lignina, os carboidratos e as resinas. O mais simples método de preparação de polpa se utiliza de toras de madeira, preferencialmente madeira macia, ou refilos das industrias madeireiras, para

obter uma pasta fibrosa denominada Pasta Mecânica. Para obtenção de

produtos com melhor qualidade e maior homogeneidade na superfície são adotadas novas etapas no preparo da massa.

Após o primeiro desfibramento mecânico, utilizam-se refinadores, como, por

exemplo, os de disco, que permitem produzir fibras com um grau de

refinamento maior e com melhores características produtivas. Nesse tipo de processamento, o material obtido recebe o nome de Pasta Mecânica Refinada.

Nos casos de Processo Termomecânico, a madeira sob a forma de cavacos, sofre um aquecimento com vapor (± 140° C), provocando na madeira e na lignina, uma transformação de tal ordem que amolece a madeira facilitando o desfibramento através de refinadores a disco.

Os processos de fabricação químicos consistem no cozimento de cavacos de madeira com agentes químicos para efetuar a separação das fibras longas dos demais componentes e em especial da lignina que proporciona a rigidez a madeira. Com materiais desse nível de processamento são obtidos papéis de elevada qualidade. Os métodos de cozimento mais conhecidos são:

a) processos semiquimicos; e b) processos químicos.

Os processos químicos de polpeamento envolvem o cozimento de cavacos de madeira, com produtos químicos sob aitas temperaturas e pressão em vasos selados denominados de digestores. Na atualidade, existem dois tipos de polpa química sendo produzidos:

a) processo sulfito; e b) processo sulfato.

No processo kraft (sulfato), cavacos de madeira são cozidos em digestores sob altas temperaturas e pressões, num licor de Hidróxido de sódio e Suííerc de sódio. A respeito desse processo, nos esclarece Scott (1995, p.9) que nos Estados Unidos da América o processo kraft está longe na liderança, pois representa mais de 80% do total anual da celulose produzida.

No caso do Brasil, o CNl-DAMPl-DETEC (1989, p.9) propicia afirmar que os processos químicos representam mais de 80 % da produção de polpa, sendo que 90 % da capacidade brasileira instalada, empregam o processo sulfato ou kraft.

Para utilização na confecção de numerosos tipos de papeis, utiliza-se a polpa branqueada em diversas graduações de mistura com pasta não branqueada, como matéria-prima fundamental na obtenção de novos produtos. O uso da celulose branqueada cumpre dois papéis ao ser misturada as outras polpas não branqueadas, melhorar a cor final e também as características técnicas dos papéis.

Enfim deve ser salientado o uso mais nobre da celulose branqueada (Scott, 1995, p. 13), que é a confecção de papéis finos onde a alvura, a printabilidade e outras características são as privilegiadas. A cor parda ou marrom predominante na celulose não branqueada é causada pela lignina presente nas fibras após o desfibramento.

Conseqüentemente, o branqueamento é o processo químico efetuado para retirar ou transformar a lignina contida junto as fibras celulósicas, em material

O estágio do branqueamento consiste basicamente de três etapas:

a) mistura: é onde a polpa celulósica é misturada com produtos químicos para o branqueamento;

b) reação: polpa celulósica mais os produtos químicos entram em reação

por tempo determinado, num reator denominado Torre de

Branqueamento. O período da operação é determinado conforme a finalidade do material em processamento; e

c) lavagem: tendo sido efetuadas as operações anteriores dentro das graduações esperadas, a polpa é lavada para remover o excesso de produtos químicos de reação e branqueamento ainda presentes na polpa.

4.4 As operações técnicas elementares