As pessoas com deficiência são antes de tudo seres humanos normais como quaisquer outros, apenas são diferentes em determinados aspectos, sejam eles físico, visual, auditivo, ou mental. São acima de tudo pessoas que lutam por seus direitos, que valorizam o respeito pela dignidade, pela autonomia individual, pela plena e efetiva participação na sociedade e que querem ser por ela reconhecidas, que lutam pela igualdade de oportunidades e de direitos e tentam demonstrar para a sociedade que a deficiência é apenas mais uma característica da condição de ser humano.
Embora recentes, já são diversas as leis que dizem respeito, à inclusão das pessoas com deficiência. Entre elas está o Decreto 3.298/99, em complemento à Lei 8.213, que garante a adequação ambiental e igualdade de oportunidades para que essas pessoas tenham acesso ao trabalho, à educação, transportes, saúde e lazer.
Através da política do governo que abrange os cidadãos com deficiência e garante que as pessoas com deficiência tenham o direito de todo e qualquer ser humano de ser respeitado e inserido nos meios sociais a que pertencem; elas têm os mesmos direitos e deveres que os outros indivíduos em desfrutar da vida decente e normal que a sociedade considera como padrão.
A Constituição Federal Brasileira de 1988 inseriu no artigo 3o, inciso IV, que constituem objetivos fundamentais sobre os direitos da pessoa com deficiência em
“promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”; em seu 5º artigo o mesmo texto constitucional estabeleceu os chamados direitos fundamentais da pessoa com deficiência, objetivando o fundamental, o bem-estar das pessoas idosas, das crianças e adolescentes.
3.7.1 Garantia ao trabalho
Desde a criação da Constituição Federal de 1988, houve diversas conquistas em prol das pessoas com deficiência. Atualmente essas pessoas são amparadas por lei no seu direito de acesso ao trabalho. Graças a essas conquistas, fazer parte do quadro de funcionários de um banco ou de qualquer outra empresa já não é um obstáculo para pessoas deficientes, porém a permanência desses profissionais no local de trabalho ainda exige cuidados. Cabe aos empregadores garantirem bem-estar e acessibilidade aos seus colaboradores, para que eles tenham a oportunidade de exercer suas funções de maneira adequada e demonstrar todo o seu potencial.
Durante muito tempo a população de deficientes foi excluída do convívio da sociedade por se sentir ou se achar diferente dos demais membros do convívio social. Essa exclusão tem reflexos até hoje em diversos setores da sociedade.
Como foi dito anteriormente, as leis foram criadas visando à inclusão dos cidadãos com deficiência, porém muitas delas foram criadas quando se tinha ainda pouco ou nenhum conhecimento sobre esse público e sobre as suas restrições.
A Organização Internacional do Trabalho também determinou que “pessoas com deficiência desfrutem com equidade das oportunidades de acesso, conquistem
e desenvolvam o seu trabalho, o qual, sempre que possível, deve corresponder à sua própria escolha e trazer qualidade de vida sustentável”.
A Constituição Federal de 1988, em seu Art. 37, afirma que: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.”.
A Lei Federal 7.853/89 - Estatuto da pessoa com deficiência em seu Art. 2º, parágrafo único, III-d diz: “Ao Poder Público e seus órgãos cabe assegurar às pessoas com deficiência o pleno exercício de seus direitos, inclusive à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à previdência social, ao amparo à infância e à maternidade.” Por fim, levando até os excluídos da sociedade a garantia de que todos terão direitos aos serviços públicos oferecidos pelos governos.
Através da Lei Federal 8.213, conhecida também como a lei que definiu as cotas, estabeleceu-se que as empresas reservem vagas de emprego para pessoas com deficiência, beneficiando essas pessoas pela Previdência Social.
3.7.2 Direito à Educação
Como todo cidadão brasileiro, a pessoa com deficiência tem os mesmos direitos assegurados pele constituição Federal que ressalta em seu Art. 205:
“A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”
Portanto, deve ser cobrado do Estado que as garantias quanto à educação das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida sejam integrais.
Segundo ainda a Constituição Federal em seu Art. 206 e parágrafo, o ensino será assegurado e ministrado com base nos seguintes princípios:
I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de Instituições públicas e privadas de ensino;
IV – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V – valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas;
VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII – garantia de padrão de qualidade;
VIII – piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal.
“Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.”
Não é, portanto, por falta de leis que as pessoas com deficiências ou com mobilidade reduzida abandonam à escola; estão assegurados pela Constituição Federal os direitos de todos os cidadãos, só é preciso fazer cumprir tais direitos.
3.7.3 Direito ao Transporte
Esse é mais um direito conferido aos cidadãos brasileiros, o direito à mobilidade acessível para trabalhar, estudar e para praticar qualquer atividade. Ao Poder Público cabe prestar um serviço de qualidade com autonomia acessível, principalmente no tocante aos transportes de massa, como os trens e metrôs, cujo direito está assegurado pela norma NBR- 14021/05.
A NBR-14021/05, visa proporcionar a todos os usuários de sistemas de transporte coletivo sobre trilhos urbanos uma condição de acessibilidade autônoma e segura em todos os ambientes, mobiliários e equipamentos de trens urbanos. Visa também a orientar e fiscalizar os novos sistemas de trens no que se refere ao projeto, à construção e implantação. A norma em referência é aplicada nas áreas destinadas ao uso público. Já no caso de sistemas existentes, a norma estabelece os princípios e as condições mínimas necessárias para a adaptação de estações e trens às condições de acessibilidade quando essas condições forem possíveis de serem aplicadas.
Estes são alguns dos direitos tratados neste trabalho, tendo em vista que, perante as leis, os direitos individuais são para todos, independente da condição financeira, social ou quanto à condição de deficiência.