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Os Intervenientes no Processo de Projeto de Edificações

Uma das características que tem se intensificado no processo de projeto nos últimos anos é o aumento do número de intervenientes necessários ao seu desenvolvimento, fruto tanto da maior especialização que acompanha o próprio avanço tecnológico experimentado pela construção civil, bem como pela necessidade de aproximação do projeto das necessidades da fase de produção, via agregação de projetos especializados para determinados subsistemas construtivos (projetos para produção). (Fontenelle, 2002).

Ao longo do processo de projeto, além do empreendedor, vários outros intervenientes – proprietário do terreno, investidores, agentes de publicidade e de comercialização, escritórios de projeto, agentes financeiros, construtores e clientes – são mobilizados e participam com os seus interesses e conhecimentos de forma a desenvolver uma parte das decisões e formulações projetuais.

Melhado et alii (1996b), descrevem em linhas gerais a participação de alguns dos diversos agentes envolvidos, direta ou indiretamente, no processo de projeto de empreendimentos imobiliários:

• Os projetistas de arquitetura22 devem definir o produto a ser construído, através de graus sucessivos de

detalhamento, integrando ao projeto do mesmo todas as informações necessárias à sua perfeita caracterização, incluindo as definições estabelecidas por outros projetistas, em suas respectivas especialidades, dentre as quais as informações geradas pelo grupo de projeto para produção.

• O projetista de estruturas, em conjunto com o consultor de fundações, deve definir as características de todos os elementos estruturais e de fundação do edifício e demais construções, fornecendo ao coordenador e aos demais projetistas todas as informações relativas a essa especialidade.

• Os projetistas de sistemas prediais23 devem definir as características de todos os elementos das instalações

hidráulicas, elétricas e mecânicas, internas e externas ao edifício e às demais construções, fornecendo ao

22 Dentro dessa especialidade podem ser necessárias contratações diferentes para a elaboração: do projeto de arquitetura das

edificações; do projeto de urbanização; do projeto de paisagismo; das especificações de acabamento. (Melhado et alii, 1996b).

23 Os projetos de sistemas prediais, à semelhança dos projetos de arquitetura, poderão ser alvo de contratações diferenciadas, sendo

uma possível subdivisão a seguinte: sistemas hidráulicos; sistemas elétricos; sistemas mecânicos – ar condicionado, ventilação mecânica, ventilação e pressurização de escadas de emergência, elevadores e monta-cargas, escadas rolantes, sistemas de bombeamento. (Melhado et alii, 1996b).

coordenador e aos demais projetistas todas as informações relativas a essas especialidades. Devem ainda viabilizar, junto às concessionárias e órgãos de aprovação, o pleno funcionamento do edifício.

• O grupo de projeto para produção deve subsidiar o trabalho do coordenador e dos vários outros projetistas, com as definições relativas à tecnologia de produção e à racionalização dos serviços de execução, auxiliando na análise de alternativas e na tomada de decisões. É atribuição desse grupo elaborar o conjunto de elementos de projeto que servirá de apoio à obra, para que a produção ocorra de maneira planejada, e suas atividades sejam devidamente acompanhadas e controladas, permitindo verificar a adequação entre as características do projeto e do sistema de produção e a obtenção de um produto (edifício e suas partes) cuja qualidade seja compatível com a especificada.

• Os responsáveis pela execução das instalações hidráulicas e elétricas devem auxiliar na coordenação de projetos, no tocante à análise das soluções para as instalações hidráulicas e elétricas, alimentando a coordenação com informações que permitam a integração desses subsistemas com as demais partes do edifício.

• O pessoal de suprimentos tem o papel de compatibilizar as atividades de projetos e suprimentos envolvendo as relações da empresa com fabricantes e distribuidores de materiais e componentes, com a elaboração conjunta de especificações técnicas.

• O pessoal de produção deve atuar no sentido de integrar a experiência da área de produção à definição das características do produto, trazendo os conhecimentos acumulados e registrados ao longo da execução de outras obras para as diversas etapas do projeto.

• A participação da assistência técnica na elaboração de projetos deve ocorrer através da análise dos problemas detectados em edifícios entregues e suas implicações sobre especificações e detalhes de projeto.

De acordo com Melhado (1998), o processo de projeto em suas diversas fases, envolve a participação de quatro intervenientes principais: o empreendedor, responsável pela geração do produto; os

projetistas, atuando na formalização do produto; o construtor, que viabiliza a execução do produto; e, o usuário, que assume a utilização do produto (Figura 2.3).

Para Melhado, no âmbito dos interesses comuns, o processo de projeto pode assumir o encargo de agregar eficiência e qualidade ao produto e ao processo construtivo. Já no âmbito dos interesses próprios, além dos projetistas – que podem, através do sucesso do edifício construído e entregue, obter realização profissional e pessoal e ampliar seu currículo –, como outros clientes do processo:

Uso Execução Preparação para Execução Elaboração do Projeto Planejamento Entrega da Obra Compra do Terreno Lançamento Início da Obra

PROCESSO DE PROJETO

Tempo EMPREENDEDOR EQUIPE DE

PROJETO CONSTRUTOR USUÁRIO

Uso Execução Preparação para Execução Elaboração do Projeto Planejamento Entrega da Obra Compra do Terreno Lançamento Início da Obra

PROCESSO DE PROJETO

Tempo EMPREENDEDOR EQUIPE DE

PROJETO CONSTRUTOR USUÁRIO

Figura 2.3 – O processo de projeto e os intevenientes principais.

• O empreendedor avalia a qualidade do projeto a partir do alcance de seus objetivos empresariais, que envolvem seu sucesso quanto à penetração do produto no mercado, a formação de uma imagem junto aos compradores, bem como – ou até principalmente – pelo retorno que o projeto pode proporcionar a seus investimentos, ou pelo menos, pela manutenção dos custos previstos para o empreendimento.

• O construtor avalia a qualidade do projeto com base na clareza da apresentação, importante para facilitar o trabalho de planejamento da execução, em que o conteúdo, a precisão e a abrangência das informações podem reduzir a margem de dúvida ou necessidade de correções durante a execução, além de analisar a potencial economia de materiais e de mão-de-obra, capazes de proporcionar redução de desperdícios. • O usuário avalia a qualidade do projeto, como cliente externo, na medida da satisfação de suas intenções

de “consumo”, envolvendo conforto, bem-estar, segurança e funcionalidade, além de desejar, implicitamente, baixos custos de operação e de manutenção.