• Nenhum resultado encontrado

3.4 Materiais com Defeitos Intr´ınsecos Oxidados

3.4.3 Oxida¸ c˜ ao com Defeito de Dupla Vacˆ ancia

Por ´ultimo, analisamos a oxida¸c˜ao nos materiais com DV, onde um oct´ogono e dois pent´ago- nos sim´etricos s˜ao formados quando os ´atomos relaxam, e consideramos tamb´em seis configura¸c˜oes nas quais o ´atomos de oxigˆenio poderia ser absorvido: sobre um dos pent´agonos, Fos DV(5|8|5)-1 O1 (fi- gura 3.21(b)), sobre o oct´ogono, Fos DV(5|8|5)-1 O3 (figura 3.22(b)), sobre uma liga¸c˜ao `a margem do oct´ogono, Fos DV(5|8|5)-1 O5 (figura 3.23(b)), e, tamb´em, internamente `as subcamadas, nas mesmas regi˜oes, Fos DV(5|8|5)-1 O2 (figura 3.22(a)), Fos DV(5|8|5)-1 O4 (figura 3.23(a)) e Fos DV(5|8|5)-1 O6 (figura 3.23(c)). A configura¸c˜ao de menor energia foi a que o ´atomo de oxigˆenio se liga ao fosforeno sobre o oct´ogono, a Fos DV(5|8|5)-1 O3. Mas, as configura¸c˜oes Fos DV(5|8|5)-1 O1, Fos DV(5|8|5)- 1 O4 e Fos DV(5|8|5)-1 O5 possuem as mesmas energias de forma¸c˜ao e de liga¸c˜ao que a configura¸c˜ao Fos DV(5|8|5)-1 O3. Logo, omitiremos esses dados na tabela 3.8.

Para o grafeno, realizamos sete c´alculos diferentes: oxigˆenio sobre um dos pent´agonos, Graf DV(5|8|5) O1 (figuras 3.24(b)); oxigˆenio internamente ao pent´agono, sobre e internamente a regi˜ao do oct´ogono e sobre a regi˜ao entre um pent´agono e o oct´ogono, Graf DV(5|8|5) O2 (figura 3.25(a)), internamente `a regi˜ao de liga¸c˜ao entre o oct´ogono e o restante do material, Graf DV(5|8|5) O6 (figura 3.25(b)), e sobre a mesme

67 regi˜ao, Graf DV(5|8|5) O7 (figura 3.25(c)). Obtivemos que a configura¸c˜ao de menor energia foi o caso em que o oxigˆenio est´a internamente ao pent´agono, a Graf DV(5|8|5) O2.

As figuras 3.21, 3.22, 3.23 mostram as configura¸c˜oes calculadas para o fosforeno com defeito DV(5|8|5)-1 oxidado, enquanto que as figuras 3.24 e 3.25 mostram os c´alculos das configura¸c˜oes poss´ıveis para o grafeno com defeito DV(5|8|5) oxidado.

(a) (b)

Figura 3.21: Oxida¸c˜ao do fosforeno com defeito DV(5|8|5)-1. (a): ´Atomo de oxigˆenio distante do fosforeno com defeito DV(5|8|5)-1. (b): Configura¸c˜ao obtida ap´os o c´alculo com o oxigˆenio sobre um pent´agono (Fos DV(5|8|5)- 1 O1).

(a) (b)

Figura 3.22: Oxida¸c˜ao do fosforeno com defeito DV(5|8|5)-1. (a): Configura¸c˜ao obtida ap´os o c´alculo com o oxigˆenio internamente a um pent´agono (Fos DV(5|8|5)-1 O2). (b): Configura¸c˜ao obtida ap´os o c´alculo com o oxigˆenio sobre o oct´ogono. Esta ´ultima ´e a configura¸c˜ao mais est´avel (Fos DV(5|8|5)-1 O3).

(a) (b)

(c)

Figura 3.23: Oxida¸c˜ao do fosforeno com defeito DV(5|8|5)-1. (a): Configura¸c˜ao obtida ap´os o c´alculo com o oxigˆenio internamente ao oct´ogono (Fos DV(5|8|5)-1 O4). (b): Configura¸c˜ao obtida ap´os o c´alculo com o oxigˆenio sobre uma liga¸c˜ao no canto do oct´ogono (Fos DV(5|8|5)-1 O5). (c): O ´atomo de oxigˆenio se liga internamente numa liga¸c˜ao no canto do oct´ogono (Fos DV(5|8|5)-1 O6).

69

(a) (b)

Figura 3.24:Oxida¸c˜ao do grafeno com defeito DV(5|8|5). (a): ´Atomo de oxigˆenio distante do grafeno com defeito DV(5|8|5). (b): Configura¸c˜ao obtida ap´os o c´alculo com o oxigˆenio sobre o pent´agono (Graf DV(5|8|5) O1).

Tabela 3.8: Configura¸c˜oes calculadas dos materiais com defeito DV(5|8|5) oxidados: energias de forma¸c˜ao, Ef orm

(eV) e f orm(eV), e energia de liga¸c˜ao Elig (eV).

Ef orm f orm Elig

Fosforeno Fos DV(5|8|5)-1 O1 −0, 65 −2, 00 −6, 33 Fos DV(5|8|5)-1 O2 0, 08 −1, 27 −5, 60 Fos DV(5|8|5)-1 O3 −0, 68 −2, 04 −6, 36 Fos DV(5|8|5)-1 O4 −0, 65 −2, 01 −6, 34 Fos DV(5|8|5)-1 O5 −0, 62 −1, 98 −6, 30 Fos DV(5|8|5)-1 O6 −0, 22 −1, 58 −5, 91 Grafeno Graf DV(5|8|5) O1 7, 74 0, 27 −3, 89 Graf DV(5|8|5) O2 3, 64 −3, 84 −7, 99 Graf DV(5|8|5) O6 10, 87 3, 39 −0, 76 Graf DV(5|8|5) O7 8, 46 1, 00 −3, 17

Podemos ver que as configura¸c˜oes Fos DV(5|8|5)-1 O1, Fos DV(5|8|5)-1 O3, Fos DV(5|8|5)-1 O4 e Fos DV(5|8|5)-1 O5 possuem energias de forma¸c˜ao similares, o que indica que elas possuem probabili- dade pr´oximas de ocorrer. Contudo, no caso do grafeno com defeito DV, mais precisamente a configura¸c˜ao Graf DV(5|8|5) 02, a energia de forma¸c˜ao, f orm, para que o material sofra oxida¸c˜ao ´e menor que aqueles

obtidos no caso do fosforeno com defeito DV. No entanto, isso n˜aio significa que o grafeno ir´a oxidar mais facilmente que o fosforeno, uma vez que a energia de forma¸cao do defeito DV no grafeno ´e superior, comparada ao caso do fosforeno (7,47 eV contra 1,36 eV do fosforeno, como podemos ver na tabela 3.1. Portanto, assim como no caso da vacˆancia simples visto na se¸c˜ao 3.4.2, apenas se uma amostra de grafeno for de m´a qualidade, ou seja, se ela apresentar alta densidade de defeito DV, ela oxidar´a facilmente. Mas como a energia de forma¸c˜ao para formar esse defeito ´e alta, ent˜ao sabemos que o grafeno n˜ao oxidar´a facilmente.

(a) (b)

(c)

Figura 3.25: Oxida¸c˜ao do grafeno com defeito DV(5|8|5). (a): Configura¸c˜ao obtida ap´os o c´alculo com o oxigˆenio internamente ao pent´agono, sobre e internamente ao oct´ogono e sobre a liga¸c˜ao que une um pent´agono e o oct´ogono, sendo essa a mais est´avel (Graf DV(5|8|5) O2). (b): Configura¸c˜ao obtida quando o oxigˆenio est´a no canto do pent´agono (Graf DV(5|8|5) O6). (c): Configura¸c˜ao obtida nas mesmas condi¸c˜oes, mas distante do plano do grafeno (Graf DV(5|8|5) O7).

71 O ´atomo de oxigˆenio (bola vermelha) procura o ´atomo mais pr´oximo para se ligar, formando uma configura¸c˜ao pendente ao fosforeno, conforme vemos na figura 3.22(b). Aparentemente, o ´atomo de oxigˆenio n˜ao ´e influenciado pelo defeito. A estrutura de bandas, mostrada na figura 3.26(a), n˜ao sofre diferen¸ca consider´avel em rela¸c˜ao `a estrutura de bandas do pristino, exceto que as trˆe bandas de maior energia da banda de valˆencia se apresentam um pouco mais separadas uma da outra. Quanto ao grafeno com defeito de dupla vacˆancia oxidado, o ´atomo de oxigˆenio se liga, no plano, a dois ´atomos de carbono, cuja distˆancia aumentou de 1,74 ˚A para 2,38 ˚A devido `a incorpora¸c˜ao do contaminante, conforme visto na figura 3.25(a). Podemos ver que o ´atomo de oxigˆenio parece ocupar o s´ıtio que pertenceria ao ´atomo de carbono, e que, segundo [86], outro ´atomo de oxigˆenio poderia ocupar o outro s´ıtio. Na figura 3.26(b) temos a estrutura de bandas em que o m´ınimo da banda de condu¸c˜ao encontra-se 0,09 eV acima do m´aximo da banda de valˆenica, no caminho Γ − K0 da zona de Brillouin. Como vimos na figura 3.5(d), nessa regi˜ao o gap de energia era praticamente nulo.

(a) (b)

Figura 3.26: (a): Estrutura de bandas da configura¸c˜ao mais est´avel do fosforeno com defeito DV(5|8|5)-1 oxidado, Fos DV(5|8|5)-1 O3 (figura 3.22(b)). (b): Estrutura de bandas da configura¸c˜ao mais est´avel do grafeno com defeito DV(5|8|5) oxidado, Graf DV(5|8|5) O2 (figura 3.25(a)).

A tabela 3.9 nos ajuda a entender melhor as estruturas em quest˜ao, mostrando a distˆancia em que o ´atomo de oxigˆenio est´a do plano LO−plano, a distˆancia O − Host no s´ıtio em que o oxigˆenio ´e

absorvido, LO−Host, o ˆangulo formado entre a liga¸c˜ao O − Host e o plano e o ˆangulo formado quando o

oxigˆenio se liga com dois ´atomos de carbono, o que n˜ao ocorre em qualquer situa¸c˜ao, como pode-se ver pelas figuras. Da mesma forma que nos outros casos, os comprimentos das liga¸c˜oes n˜ao mudam de forma consider´avel, mantendo-se numa faixa de 1,50 a 1,65 ˚A.

Tabela 3.9: Caracteriza¸c˜ao geom´etrica dos materiais com DV oxidados: Comprimentos est˜ao em ˚A e os ˆangulos em graus. O sinal negativo indica que o ´atomo est´a localizado internamente `as subcamadas. Na tabela, Host significa s´ıtio hospedeiro, representando s´ıtios de f´osforo ou carbono no caso em que couber.

LHost−plano LO−Host ∠O − Host − plano ∠Host − O − Host

Fosforeno Fos DV(5|8|5)-1 O1 0, 75 1, 50 57, 66 − Fos DV(5|8|5)-1 O2 −3, 24 1, 65 − 131, 1 Fos DV(5|8|5)-1 O3 0, 55 1, 49 58, 2 − Fos DV(5|8|5)-1 O4 −3, 51 1, 50 − 114 Fos DV(5|8|5)-1 O5 1, 22 1, 49 55, 47 − Fos DV(5|8|5)-1 O6 −3, 16 1, 65 − 141, 6 Grafeno Graf DV(5|8|5) O1 1, 85 1, 29 − − Graf DV(5|8|5) O2 0, 00 1, 35 − 123 Graf DV(5|8|5) O6 0, 00 1, 28 − 137, 39 Graf DV(5|8|5) O7 1, 57 1, 45 − 63, 68

Na tabela 3.10 mostramos um resumo dos valores das energias de forma¸c˜ao, Ef orm e f orm,

energia de liga¸c˜ao Elig e momento magn´etico µ para as estruturas mais est´aveis j´a apresentadas. Ef orm

diz respeito ao custo energ´etico para que o material puro apresente defeito e seja oxidado, enquanto que f orm nos informa sobre o quanto de energia o material com defeito precisa para ser oxidado. Nos

casos pristinos, as duas energias de forma¸c˜ao s˜ao iguais porque nenhum ´atomo foi retirado ou movido de nenhum s´ıtio da rede. Podemos ver, inicialmente, que o material pristino tem menor energia de forma¸c˜ao, Ef orm, tanto para o fosforeno quanto para o grafeno. Verificamos que os valores da energia de forma¸c˜ao,

Ef orm, s˜ao sempre negativos para o fosforeno e sempre positivos para o grafeno, o que indica que o

fosforeno pristino, ou com defeitos intr´ınsecos, estar´a mais sujeito `a oxida¸c˜ao que o grafeno, conforme j´a se sabe experimentalmente. Com rela¸c˜ao ao grafeno, verificamos que os valores de f orm sofrem uma

diminui¸c˜ao muito grande quando comparamos os casos com defeitos intr´ınsecos com o caso do grafeno pristino, sobretudo quando observamos o grafeno com vacˆancias simples ou duplas.

Quando comparamos os valores de f orm para o fosforeno, verificamos que a presen¸ca de defeitos

intr´ınsicos diminuem um pouco as energias de forma¸c˜ao. Isso quer dizer que a presen¸ca desses defeitos vai aumentar ainda mais a probabilidade da oxida¸c˜ao desses materiais. Esse dado ´e importante porque sabemos que a energia de forma¸c˜ao de defeitos intr´ınsecos no fosforeno ´e ralativamente pequena, como pode ser visto na tabela 3.1.

73

Tabela 3.10: Estabilidade dos materiais oxidados, com e sem defeito: energias de forma¸c˜ao, Ef orm(eV) e f omr

(eV), energia de liga¸c˜ao Elig (eV) e momento magn´etico (µB).

Ef orm f orm Elig µ

Fosforeno Pendente O −1, 98 −1, 98 −6, 26 0, 0 Fos SW-1 O1 −1, 04 −2, 04 −6, 31 0, 0 Fos SV(5|9) O6 −0, 56 −2, 23 −6, 56 1, 0 Fos DV(5|8|5)-1 O3 −0, 68 −2, 04 −6, 36 0, 0 Grafeno O on-bonding 1, 06 1, 06 −2, 95 0, 0 Graf SW O1 4, 94 −0, 02 −4, 03 0, 0 Graf SV(5|9) O 3, 05 −4, 55 −8, 98 0, 0 Graf DV(5|8|5) O2 3, 64 −3, 84 −7, 99 0, 0

No que diz respeitos aos valores da energia de liga¸c˜ao os nossos resultados corroboram o que j´a foi discutido com rela¸c˜ao `as energias de forma¸c˜ao, ou seja, no caso do fosforeno a presen¸ca de defeitos quase n˜ao altera as energias de liga¸c˜ao. Por outro lado, no caso do grafeno, a energia de liga¸c˜ao do grafeno pristino oxidado (-2,95 eV) diminui em torno de 1,08 eV quando sujeito ao defeito SW oxidado, diminuindo ainda mais quando com defeitos SV ou DV (6,03 eV e 5,04 eV, respectivamente). Isso indica que esses defeitos apresentam energia menor que a do caso pristino oxidado, mostrando que nesses casos o defeito serve como propulsor para oxida¸c˜ao. Podemos ver tamb´em que o ´atomo de oxigˆenio inibe o momento magn´etico do grafeno com defeito SV, por´em mantendo valor consider´avel de magnetiza¸c˜ao para o fosforeno com o mesmo defeito.

Como uma conclus˜ao geral para esse cap´ıtulo, podemos dizer que a oxida¸c˜ao do fosforeno vai ocorrer preponderantemente em s´ıtios afastados do defeito. Os defeitos intr´ınsecos v˜ao colaborar para a oxida¸c˜ao, mas a presen¸ca desses defeitos n˜ao diminui a energia de forma¸c˜ao da absor¸c˜ao do oxigˆenio de forma significativa. Com respeito ao grafeno, s´o teremos uma oxida¸c˜ao consider´avel quando, por alguma raz˜ao a amostra apresentar uma densidade grande de defeitos intr´ınsecos. No entanto, como j´a foi observado anteriormente em amostras de boa qualidade de grafeno, a densidade de defeitos intr´ınsecos ser´a bastante pequena j´a que a energia de forma¸c˜ao desses defeitos ´e grande. Portanto, essa diminui¸c˜ao da energia de forma¸c˜ao n˜ao ter´a impacto significativo na oxida¸c˜ao de grafeno de boa qualidade.

Cap´ıtulo 4

Conclus˜oes

Realizamos c´alculos ab-initio usando a teoria do funcional da densidade (DFT) a fim de, sistema- ticamente, estudarmos a estabilidade, bem como as propriedades estruturais e eletrˆonicas de defeitos no fosforeno e no grafeno na presen¸ca de oxigˆenio. Utilizamos o m´etodo de pseudopotencial para representar o potencial externo devido aos ´ıons da rede juntamente com os el´etrons de caro¸co [77]. Tamb´em fizemos uso do funcional de troca e correla¸c˜ao eletrˆonica dado pela aproxima¸c˜ao de gradiente generalizado (GGA- PBE) [7]. Os c´alculos foram feitos em fosforeno e em grafeno, ambos apresentados na forma pristino ou com defeitos, e ainda sujeitos `a oxida¸c˜ao.

Podemos ver que, pela tabela 3.1, os defeitos Stone-Walles, de vacˆancia simples e de dupla vacˆancia s˜ao mais f´aceis de ocorrer no fosforeno que no grafeno, apesar de o grafeno apresentar uma estrutura mais sim´etrica em rela¸c˜ao ao fosforeno. Al´em disso, vimos que o defeito SV induz magnetiza¸c˜ao em ambos os materiais devido a alta densidade de estados na regi˜ao do defeito, onde, no caso do fosforeno, a causa ´e um ´atomo de f´osforo com dupla coordena¸c˜ao, enquanto que no grafeno, s˜ao trˆes ´atomos de carbono com dupla coordena¸c˜ao. Em todos os casos estudados a magnetiza¸c˜ao foi anulada quando o material foi oxidado, com excess˜ao do fosforeno com defeito SV. No caso do DV, embora dois ´atomos estejam ausentes no material, ele ocorre mais facilmente que o SV, por´em n˜ao gera momento magn´etico em nenhum dos dois materiais.

Em todos os c´alculos que realizamos, calculamos as energias de forma¸c˜ao, Ef orm e f orm. A

primeira diz respeito ao custo energ´etico para que o material pristino sofra o defeito e sofra da oxida¸c˜ao. J´a f orm nos diz qual o custo energ´etico para que um material que apresente defeito seja oxidado. A

Ef orm do fosforeno nos informa que h´a uma rea¸c˜ao exot´ermica quando este sofre o defeito e ´e oxidado,

enquanto que no grafeno a rea¸c˜ao ´e endot´ermica, mostrando que o fosforeno ´e muito mais propenso `a oxida¸c˜ao que o grafeno.

Por outro lado, fizemos c´alculo da energia de forma¸c˜ao f orm, e pudemos ver que em todos os

casos calculados os valores de f ormforam negativos, com exce¸c˜ao do grafeno com defeito SW oxidado (ver

tabela 3.4). Al´em disso, o grafeno com defeitos de SV e DV apresentaram valores bem menores que os do caso do fosforeno e do grafeno pristino oxidado. Mas isso n˜ao significa que o grafeno sofra oxida¸c˜ao mais facilmente, uma vez que a energia de forma¸c˜ao para os defeitos intr´ınsecos ´e muito maior que os do caso

75 do fosforeno. Contudo, isso significa que o grafeno com densidade de defeito alta oxidar´a mais facilmente caso ele tenha sido mal sintetizado. No caso do fosforeno, sua oxida¸c˜ao vai ocorrer, principalmente, em s´ıtios afastados do defeito. Embora os defeitos intr´ınsecos colaborem para a oxida¸c˜ao, a presen¸ca deles n˜ao diminuem a energia de forma¸c˜ao da absor¸c˜ao do oxigˆenio de forma significativa.

Com respeito `as caracter´ısticas geom´etricas, os comprimentos de liga¸c˜ao, LO−Host, entre o ´atomo

de oxigˆenio e s´ıtio hospedeiro, ´atomo de f´osforo ou de carbono, s˜ao, respectivamente, de 1,49 ˚A e 1,46 ˚A. Esses valores n˜ao sofrem altera¸c˜ao significativa quando o material apresenta defeito. Para os materiais com defeito SW-1, por exemplo, pela tabela 3.5, tem em m´edia o valor de 1,53 ˚A, enquanto que a configura¸c˜ao mais est´avel (Fos SW-1 O1) tem comprimento de liga¸cao de 1,50 ˚A. No caso do grafeno com o defeito SW, o valor m´edio ´e de 1,38 ˚A, enquanto que a configura¸c˜ao mais est´avel (Graf SW O1) tem 1,44 ˚A. No caso dos materiais com defeito SV(5|9), pela tabela 3.7, para o fosforeno o valor m´edio ´e de 1,59 ˚A, enquanto que o mais est´avel (Fos SV(5|9) 06) tem LO−Host igual a 1,68 ˚A. Para o grafeno

com SV(5|9), obtivemos o mesmo resultado pra todos os c´alculos citados na se¸c˜ao 3.4.2, que foi de 1,49 ˚

A. Por ´ultimo, no caso do defeito DV(5|8|5) oxidado, o fosforeno teve valor m´edio de 1,55 ˚A, sendo que o mais est´avel (Fos DV(5|8|5)-1 03) apresentou comprimento de 1,49 ˚A. Enquanto que o grafeno com o mesmo defeito oxidado apresentou uma m´edia de 1,34 ˚A no comprimento da liga¸c˜ao, tendo a estrutura mais est´avel (Graf DV(5|8|5) 02) comprimento de liga¸c˜ao de 1,35 ˚A, conforme podemos ver pela tabela 3.9.

Quanto `as propriedades eletrˆonicas dos materiais sujeitos aos defeitos, obtivemos que, quando o fosforeno est´a sujeito aos defeitos de Stone-Wales ou de dupla vacˆancia, a estrutura de bandas prati- camente n˜ao sofre altera¸c˜ao. Por´em, no caso do defeito de vacˆancia simples, surge um estado no meio do gap, pr´oximo `a banda de valˆencia. No grafeno, os defeitos geram algumas altera¸c˜oes na estrutura de bandas. No caso do defeito SW, por exemplo, como podemos ver pela figura 3.15(b), um pequeno gap ´e aberto nos pontos K e K’ da zona de Brillouin. No caso do defeito SV, o n´ıvel de Fermi passa pelos n´ıveis da banda de valˆencia que formamvam os cones nos pontos K e K’ no caso pristino, onde agora h´a um gap. Para o defeito DV no grafeno, surge uma assimetria na estrutura de bandas, tornando-se met´alico no caminho Γ − K0 da zona de Brillouin.

Quando os materiais pristinos sofrem oxida¸c˜ao, o fosforeno n˜ao sofre altera¸c˜ao em sua estrutura de bandas. J´a o grafeno abre um gap de aproximamente 0,19 eV devido `a absor¸c˜ao do oxigˆenio, como podemos ver pela figura 3.8(b). Quanto aos materiais com defeitos oxidados, novamente o fosforeno n˜ao sofre altera¸c˜ao no gap de energia quando sujeito ao defeito de Stone-Wales, por´em o grafeno fecha o gap pr´oximo ao ponto K (no caminho K − Γ), enquanto que, pr´oximo ao ponto K’ o gap passa a ser de aproximadamente 0,1 eV (figura 3.15(b)). A vacˆancia simples (SV), como vimos, gera momento magn´etico nos materiais na regi˜ao do defeito devido `a alta densidade de carga nessa regi˜ao. Por´em, quando o grafeno com esse defeito ´e oxididado, o momento magn´etico deixa de existir. Pela figura 3.20(b), podemos ver que surge um estado abaixo do n´ıvel de Fermi, e o material nessas condi¸c˜oes deixa de ter car´ater met´alico. Quanto ao fosforeno, apenas surge uma banda de spin-down na parte inferior do gap de energia (linha azul acima da linha tracejada verde da figura 3.20(a)). No caso dos materiais com defeito de divacˆancia (DV) oxidados, o fosforeno n˜ao sofre altera¸c˜ao na sua estrutura de bandas. Por´em,

o grafeno com defeito DV oxidado, embora apresente o mesmo gap nos pontos K e K’ (0,23 eV), h´a uma assimetria nos caminhos M − K e Γ − K0, pr´oximo a esses pontos, devido `a incorpora¸c˜ao do oxigˆenio ao sistema, como podemos ver na figura 3.26(b). Sendo assim, podemos ver que a oxida¸c˜ao do fosforeno, com ou sem defeito, praticamente n˜ao altera sua estrutra de bandas, exceto no caso SV. Mas observamos que no caso do grafeno, os cones que gap nulo dos pontos K e K’ (caso pristino) sofrem altera¸c˜oes quando sujeitos aos defeitos e, ou, `a oxida¸c˜ao.

Referˆencias Bibliogr´aficas

[1] LIU, H.; NEAL, A. T.; ZHU, Z.; LUO, Z.; XU, X.; TOM ´ANEK, D.; YE, P. D. Phosphorene: an unexplored 2d semiconductor with a high hole mobility. ACS nano, v. 8, n. 4, p. 4033–4041, 2014. [2] ZILETTI, A.; CARVALHO, A.; CAMPBELL, D.; COKER, D.; NETO, A. C. Oxygen defects in

phosphorene. Physical review letters, v. 114, n. 4, p. 046801, 2015.

[3] NOVOSELOV, K. S.; GEIM, A. K.; MOROZOV, S. V.; JIANG, D.; ZHANG, Y.; DUBONOS, S. V.; GRIGORIEVA, I. V.; FIRSOV, A. A. Electric field effect in atomically thin carbon films. science, v. 306, n. 5696, p. 666–669, 2004.

[4] HU, W.; YANG, J. Defects in phosphorene. The Journal of Physical Chemistry C, v. 119, n. 35, p. 20474–20480, 2015.

[5] BANHART, F.; KOTAKOSKI, J.; KRASHENINNIKOV, A. V. Structural defects in graphene. ACS nano, v. 5, n. 1, p. 26–41, 2010.

[6] HOHENBERG, P.; KOHN, W. Inhomogeneous electron gas. Physical review, v. 136, n. 3B, p. B864, 1964.

[7] PERDEW, J. P.; BURKE, K.; ERNZERHOF, M. Generalized gradient approximation made simple. Physical review letters, v. 77, n. 18, p. 3865, 1996.

[8] Hist´oria dos semicondutores. Dispon´ıvel em: http://sites.ifi.unicamp.br/brum/files/2014/01/FI JAB 1s2012 P1 Ch2 Historia.pdf.

[9] LUKASIAK, L.; JAKUBOWSKI, A. History of semiconductors. Journal of Telecommunications and information technology, p. 3–9, 2010.

[10] NOVOSELOV, K.; JIANG, D.; SCHEDIN, F.; BOOTH, T.; KHOTKEVICH, V.; MOROZOV, S.; GEIM, A. Two-dimensional atomic crystals. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, Washington, v. 102, n. 30, p. 10451–10453, 2005.

[11] BRIDGMAN, P. Two new modifications of phosphorus. Journal of the American Chemical Society, Washington, v. 36, n. 7, p. 1344–1363, 1914.

[12] WITTIG, J.; MATTHIAS, B. Superconducting phosphorus. Science, Washington, v. 160, n. 3831, p. 994–995, 1968.

[13] RAJAGOPALAN, M.; ALOUANI, M.; CHRISTENSEN, N. Calculation of band structure and superconductivity in the simple cubic phase of phosphorus. Journal of low temperature physics, v. 75, n. 1, p. 1–13, 1989.

[14] CHAN, K. T.; MALONE, B. D.; COHEN, M. L. Pressure dependence of superconductivity in simple cubic phosphorus. Physical Review B, v. 88, n. 6, p. 064517, 2013.

[15] KARUZAWA, M.; ISHIZUKA, M.; ENDO, S. The pressure effect on the superconducting transition temperature of black phosphorus. Journal of Physics: Condensed Matter, Bristol, v. 14, n. 44, p. 10759, 2002.

[16] NETO, A. C.; GUINEA, F.; PERES, N. M.; NOVOSELOV, K. S.; GEIM, A. K. The electronic properties of graphene. Reviews of modern physics, v. 81, n. 1, p. 109, 2009.

[17] CARVALHO, A.; WANG, M.; ZHU, X.; RODIN, A. S.; SU, H.; NETO, A. H. C. Phosphorene: from theory to applications. Nature Reviews Materials, v. 1, p. 16061, 2016.

[18] JIANG, J.-W.; PARK, H. S. Negative poisson’s ratio in single-layer black phosphorus. arXiv preprint arXiv:1403.4326, 2014.

[19] TRAN, V.; SOKLASKI, R.; LIANG, Y.; YANG, L. Layer-controlled band gap and anisotropic excitons in few-layer black phosphorus. Physical Review B, v. 89, n. 23, p. 235319, 2014.

[20] CASTELLANOS-GOMEZ, A.; VICARELLI, L.; PRADA, E.; ISLAND, J. O.; NARASIMHA- ACHARYA, K.; BLANTER, S. I.; GROENENDIJK, D. J.; BUSCEMA, M.; STEELE, G. A.; ALVAREZ, J. et al. Isolation and characterization of few-layer black phosphorus. 2D Materials, v. 1, n. 2, p. 025001, 2014.

[21] PERDEW, J. P.; RUZSINSZKY, A.; CSONKA, G. I.; VYDROV, O. A.; SCUSERIA, G. E.; CONS- TANTIN, L. A.; ZHOU, X.; BURKE, K. Restoring the density-gradient expansion for exchange in solids and surfaces. Physical Review Letters, Woodbury, v. 100, n. 13, p. 136406, 2008.

[22] LOW, T.; RODIN, A.; CARVALHO, A.; JIANG, Y.; WANG, H.; XIA, F.; NETO, A. C. Tunable optical properties of multilayer black phosphorus thin films. Physical Review B, v. 90, n. 7, p. 075434, 2014.

[23] LI, L.; YU, Y.; YE, G. J.; GE, Q.; OU, X.; WU, H.; FENG, D.; CHEN, X. H.; ZHANG, Y. Black phosphorus field-effect transistors. Nature nanotechnology, v. 9, n. 5, p. 372–377, 2014.

[24] QIAO, J.; KONG, X.; HU, Z.-X.; YANG, F.; JI, W. High-mobility transport anisotropy and linear dichroism in few-layer black phosphorus. Nature communications, v. 5, 2014.

[25] GILLGREN, N.; WICKRAMARATNE, D.; SHI, Y.; ESPIRITU, T.; YANG, J.; HU, J.; WEI, J.; LIU, X.; MAO, Z.; WATANABE, K. et al. Gate tunable quantum oscillations in air-stable and high mobility few-layer phosphorene heterostructures. 2D Materials, v. 2, n. 1, p. 011001, 2014.

79 [26] FLORES, E.; ARES, J. R.; CASTELLANOS-GOMEZ, A.; BARAWI, M.; FERRER, I. J.; S ´AN- CHEZ, C. Thermoelectric power of bulk black-phosphorus. Applied Physics Letters, Woodbury, v. 106, n. 2, p. 022102, 2015.

[27] FEI, R.; FAGHANINIA, A.; SOKLASKI, R.; YAN, J.-A.; LO, C.; YANG, L. Enhanced thermoe- lectric efficiency via orthogonal electrical and thermal conductances in phosphorene. Nano letters,