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P RINCIPAIS CONTRIBUTOS DO TRABALHO REALIZADO

O recurso à Web 2.0 permitiu a criação de um ambiente de aprendizagem que estabeleceu a ligação entre as vivências quotidianas dos alunos em contexto

extraescolar, consolidando e complementando as competências por eles adquiridas na chamada “escola paralela”, tal como advogado por Melão (2011). Este ambiente de aprendizagem potenciou uma nova prática pedagógica, mais centrada no aluno, baseada em modelos construtivistas e socioconstrutivistas, nos quais o conhecimento é construído de modo ativo, promovendo-se a autonomia, responsabilização e práticas mais reflexivas por parte do aprendente, numa interação social com forte vertente colaborativa.

O trabalho realizado sugere que a utilização de ferramentas da Web 2.0 no ensino e aprendizagem da Língua Inglesa contribui para melhorar as competências comunicativas dos alunos. Verificou-se uma melhoria da compreensão oral e escrita, que se traduziu em progressos no que concerne a capacidade de encontrar e selecionar informação relevante. De igual modo, observou-se uma evolução positiva no âmbito da produção e da interação orais e escritas, tendo-se produzido enunciados mais extensos, onde se registou uma diminuição do número de incorreções. Por conseguinte, o contributo da Web 2.0 para a melhoria da qualidade dos trabalhos produzidos, no âmbito de todas as competências, evidencia progressos na capacidade de comunicar com eficácia. Para tal facto parece ter contribuído a multiplicação das oportunidades de participação dos discentes, sobretudo no que concerne às possibilidades de expressão oral, sendo que o recurso às tecnologias introduziu a possibilidade de uma objetiva autoavaliação e autocorreção da fluência e correção linguísticas, ao mesmo tempo que fortaleceu a confiança no uso da língua, tal como apontado por Costa

et al. (2012) e Lim et al. (2011). A presença de um público mais abrangente

permitiu envolver os alunos em projetos de comunicação mais aliciantes, sendo que a gradual tomada de consciência da visibilidade conferida aos trabalhos, que ultrapassaram largamente os muros da escola, se constitui como uma importante fonte de motivação, concorrendo para um esforço acrescido no que concerne o rigor do produto final.

A adesão dos alunos às atividades propostas veio confirmar “o gigantesco capital afectivo” de que desfrutam as TIC (Carneiro et al., 2010), repercutindo-se numa maior motivação para a execução das tarefas por implicarem a sua utilização, sendo que, como acentuam Silva e Sá (1997), o fator motivacional se revela determinante na capacidade de realização em que estamos empenhados, bem como na aquisição do conhecimento. Deste modo, o ambiente de aprendizagem

potenciou um maior envolvimento e interesse pela disciplina, traduzidos nos elevados níveis de participação registados, nomeadamente no que concerne o do volume de comentários efetuados e o número alunos envolvidos, aspeto indiciador de um desenvolvimento no pensamento crítico.

Pode ainda inferir-se desta intervenção que a estratégia implementada proporcionou uma evolução da autonomia e a capacidade de resolução de problemas dos discentes, com consequentes reflexos na promoção da sua capacidade de aprender a aprender, tal como preconizado por inúmeros autores e entidades. A introdução do vídeo como estratégia de apoio pedagógico constituiu- se como um importante facilitador das aprendizagens, como confirmado por Sousa e Bessa (2008), comprovando o seu potencial no processo de ensino e aprendizagem, demonstrado pelo sucesso das “flipped classrooms”.

O recurso a tecnologias facilitou a criação de ambiente de aprendizagem fortemente colaborativo, que incentivou os alunos a assumir gradualmente as suas limitações e a aprender entre si, a valorizar os conhecimentos dos outros e a tirar partido das aprendizagens de cada um, assistindo-se a um aumento do espírito colaborativo e de partilha, mais evidente enquanto se registaram necessidades de um maior acompanhamento.

O estudo permitiu ainda concluir que o recurso a ferramentas da Web 2.0 foi capaz de criar nos alunos expetativas acrescidas no que concerne os seus desempenhos, tendo-se verificado uma correlação positiva entre a utilização de tecnologias no âmbito das atividades de Inglês e o modo como os discentes percecionaram o seu progresso. Esta perceção constituiu-se como um facilitador de aprendizagem dado que, como referem Silva e Sá (1997), as convicções que os alunos desenvolvem sobre as suas capacidades, “crenças metacognitivas”, determinam o nível de envolvimento e persistência na execução das atividades. As perceções positivas de competência são essenciais na manutenção da motivação para a realização, sendo que a motivação se desenvolve à medida que a aprendizagem possibilita a criação de expetativas de sucesso.

A intervenção sugere igualmente que o recurso a atividades executadas com meios informáticos aumentou o sentimento de eficácia pessoal de alguns alunos, tornando possível que se pudessem destacar de forma positiva no âmbito das aulas de Inglês, facto que contribuiu para melhorar a confiança em si mesmos e a

sua autoestima, e se constituiu como uma forte fonte de motivação para a aprendizagem, com reflexos notórios no seu empenho pela disciplina.

O ambiente de aprendizagem permitiu prolongar o contacto com a disciplina para além da sala de aula de Inglês, ampliando o espaço de aprendizagem, criando-se uma verdadeira comunidade de práticas onde cada membro partilhou um interesse comum, colaborando, interagindo e aprendendo entre si. Desenvolveu- se uma identidade de grupo mais forte, em que o sentimento de proximidade foi facilitado, traduzindo-se num aumento na interação professora-alunos que possibilitou um acompanhamento mais individualizado, indo ao encontro das caraterísticas individuais de cada aluno, e facilitou um conhecimento mais profundo de cada um, no seu todo.

Ao constituir-se como um portefólio digital, o recurso ao blogue, enquanto estratégia educativa, facilitou uma perceção da evolução das aprendizagens de cada aluno, informação facilmente acessível aos encarregados de educação, compreendidos como elementos indispensáveis no apoio à construção do conhecimento, pelo que o ambiente de aprendizagem se assumiu como elo de ligação entre a Escola e a família, tal como sugerido na informação aos Pais e Encarregados de Educação, entregue antes de dar início ao estudo.

O projeto demonstrou, no entanto, que não foi possível envolver e motivar todos os alunos de igual modo, sendo que, até em ambientes de aprendizagem mais ricos, diversificados, interativos, inovadores e desafiantes, os estilos de aprendizagem parecem interferir no grau de envolvimento dos discentes.

Para concluir, pode-se afirmar que, pelo fascínio e a atração lúdica que exerce sobre os alunos, a Web 2.0 se constitui como um espaço privilegiado para potenciar aprendizagens verdadeiramente significativas. Este enquadramento cria oportunidades para a implementação de práticas pedagógicas mais estimulantes e colaborativas, fortemente motivadoras, conducentes a um maior envolvimento e interesse nas atividades. Este ambiente de aprendizagem construtivista incita à aquisição de conhecimentos, nomeadamente de competências comunicativas em Língua Inglesa, mas também de competências chave, especialmente no domínio da meta-aprendizagem, que permitirão aos nossos alunos exercer uma cidadania ativa e crítica, numa sociedade dinâmica, cada vez mais tecnológica, exigente e seletiva. O espírito colaborativo, o pensamento crítico, a autonomia, a capacidade

para comunicar com eficácia, aprender a aprender, bem como para encontrar e selecionar informação relevante, constituem-se como competências essenciais para o exercício de uma cidadania plena, à escala da rede global a que pertencem. Deste modo, o recurso a ferramentas da Web 2.0 permite à Escola assumir-se como fator de mudança da sociedade em que está inserida, dotando os alunos da “sabedoria digital” aludida por Prensky (2011), conducente à criação de uma cultura aprendente.