DOS DIREITOS DO HOMEM
PACTOS INTERNACIONAIS SOBRE OS DIREITOS DO HOMEN
As dificuldades anteriormente citadas, fizeram-se sentir de tal forma no decurso das negociações para a realização do International Bill of Human Rights que os Estados- Membros das Nações Unidas, para realizar o programa previamente fixado, tiveram de abandonar, tanto a ideia originária de um único Covenant contendo normas uniformes, quanto a um sistema de controle indiferenciado.
Em relação ao primeiro aspecto, as Nações Unidas determinaram que se procedesse na Assembleia Geral como havia sido feito a 16 de Novembro de 1966, à adopção de dois pactos diferentes: um pacto relativo aos direitos económicos, sociais e culturais e um pacto relativo aos Direitos Humanos civis e políticas. Um pacto sobre os direitos civis e políticos contendo disposições de ordem substancial redigidas em termos essencialmente preceptivos, levando em consideração que os Direitos Humanos e a liberdade enunciados e tutelados são direitos, e liberdade cuja garantia não implica urna acção da parte dos Estados, mas realiza-se normalmente através de um non facere. Um pacto internacional sobre direitos económicos, sociais e culturais contendo disposições em termos programáticos, na suposta consideração de que o reconhecimento e a tutela daqueles direitos pressupõe uma acção pela remoção de obstáculos de ordem económica e social ao seu exercício, acção que deverá ser desenvolvida não imediatamente, mas em períodos variáveis de tempo, de um Estado para outro Estado, mediante o emprego do máximo de recursos possíveis por parte de cada um.
Em correlação com as diferenças de ordem substancial, estes pactos são caracterizados ou acompanhados por diferentes sistemas de controle. Os pactos prevêem que os Estados contraentes devem, dentro de uma data pré-estabelecida, ou
periodicamente, apresentar relações, respectivamente, sobre medidas que adoptarem na execução dos direitos reconhecidos no pacto, e ainda sobre a progresso realizado no gozo de tais direitos (Art. 40, do Pacto sobre Direitos Civis e Políticos) e sobre medidas tomadas e progressos alcançados na consecução do respeito aos direitos reconhecidos no pacto (Art. 16, n.º 1, do pacto sobre direitos económicos, sociais e culturais). As relações previstas pelo primeiro pacto submetidas a um Comité dos Direitos Humanos composto de dezoito membros designados pelos Estados-Membros dentro de uma lista de cidadãos desses Estados e transmitida por esse Comité ao Conselho Económico e Social; as relações previstas pelo segundo pacto, submetidas directamente ao Conselho Económico e Social e às instituições especializadas, total ou parcialmente na medida em que digam respeito a questões de competência dessas instituições, relativamente aos próprios estatutos, e sejam enviadas pelo Conselho Económico e Social para a Comissão dos Direitos Humanos, para fins de estudo e para a adopção de recomendações de ordem geral ou para informações por parte dessa Comissão.
Somente em relação aos direitos e às liberdades tuteladas pela pacto sobre direitos civis e políticos estão previstos procedimentos de controle de tipo contencioso, que podem ser levados a cabo mediante comunicações por parte do Estado ou por parte de indivíduos contra o Estado, quando da parte de um ou de outros houver a convicção de que foram violadas as disposições do pacto. Tais procedimentos, porém, não entrarão simultaneamente em vigor entre si e em concomitância com os pactos. O procedimento de comunicações estatais terá aplicação entre os Estados participantes dos pactos que tiverem reconhecido uma especial competência em receber essas comunicações para o Comité dos Direitos Humanos, após haver pelo menos umas dez declarações nesse sentido, e poderá
funcionar unicamente em relação aos Estados que fizerem esse reconhecimento. O procedimento de comunicações individuais, por seu lado, agirá apenas em relação aos Estados que participam dos pactos e que tenham também ratificado um protocolo facultativo (o protocolo facultativo relativo ao pacto internacional sobre os Direitos Humanos civis e políticas, que entrará em vigor três meses depois da ratificação ou da adesão de dez Estados). Esse procedimento poderá ser utilizado somente por indivíduos pertencentes à jurisdição de um Estado que participe do protocolo e em relação a comportamentos daquele mesmo Estado.
A dificuldade em encontrar fórmulas aptas a exprimir os ideais humanitárias comuns aos Estados, conciliando as diferenças referentes a tradições jurídicas, sistemas políticos e fé religiosa, é notável. Essas diferenças não existem apenas entre os Estados ocidentais e Estados de democracia popular, entre mundo cristão e mundo islâmico, entre tradições anglo-saxónicas de common law e tradições continentais de direito civil. Frequentemente, há diferenças de considerável importância entre países que têm muito em comum, entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha e entre os países da Europa Ocidental, do mundo árabe e da América Latina.
Não são de menor relevância as diferenças de condição económica e social. A tomada de um compromisso internacional de garantia dos Direitos Humanos e das liberdades individuais, sobretudo dos direitos em matéria de cultura, e dos direitos económicos e sociais e ainda dos direitos de ordem civil e política, é certamente menos onerosa para os países de avançado nível económico e social do que para os países menos evoluídos de recente formação, ou limitados nos seus recursos naturais ou sacudidos por fenómenos de ineficiente valorização dos factores da produção. Uma coisa é empenhar-se
internacionalmente em garantir a cada indivíduo o direito ao estudo para um Estado economicamente avançado, já dotado de urna organização escolar adequada, e outra para um Estado novo e economicamente em baixa, desprovido de tal organização.
BIBLIOGRAFIA
BRAILLARD, Phillipe-Teoria das Relações Internacionais; Edições da Fundação Calouste Gulbenkian
GOODIN and KLINGMANN; A New Handbook of Political Science; Oxford University Press LINZ, Juan; Problems of Democratic Transition and Consolidation; Jonhs Hopkins University
Press
McHENRY, Robert, Editor; The New Encyclopaedia Britannica; Encyclopaedia Britannica, Inc.
MOREIRA, Adriano; Teoria das Relações Internacionais; Almedina
OUTHWAIT, William; Dicionário do Pensamento Social do Século XX; Dinalivro ROUGEMONT, Denis de; Dictionaire International du Federalisme; Bruylant Bruxelles RUPNIK, Jaques; Le Déchirement des Natons; Édition du Seuil
SALCEDO, Juan; Soberania de los Estados e Derechos Humanos en Derecho Internacional Contemporáneo; Editorial Tecnos
STANKIEWICZ, W.; In Defense of Sovereignty; Oxford University Press
TOUCHARS, Jean; História das Ideias Políticas Vol II e V0l III; Publicações Europa América
http:\\europa.eu.int http:\\lcweb.loc.gov