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2. Análise Descritiva das Constituições Estaduais

2.3. Perfil e extensão constitucional

2.3.2. Palavras

A utilização do número de palavras como unidade de medida de um texto constitucional possui as vantagens de não estar sujeito à subjetividade do constituinte na definição de temas e agrupamentos, mesmo que esteja sujeito a sua prolixidade e redação. Além disso fornece instrumentalização objetiva da variável tamanho, já que contam-se as palavras. Esta medida de tamanho é frequentemente utilizada na literatura e tratada tanto como variável dependente como independente, o que faz com que o número de palavras se torne importante medida de extensão. A ideia de medir o tamanho do texto constitucional pela contagem de palavras é captar os conceitos e conteúdo da constituição de forma indireta (HAMMONS, 1999; LUTZ, 1994; TSEBELIS; NARDI, 2014), uma vez que não são avaliados os temas em si, mas somadas as palavras, que consideradas com valor equivalente, são uma proxy da quantidade de matérias dispostas na constituição. Segundo esta abordagem constituições mais extensas possuem mais matérias constitucionalizadas, mais provisões propriamente ditas.

A contagem de palavras apresenta problemas de ordem linguística. Além de quaisquer duas palavras possuírem o mesmo peso independente de extensão ou significado, as constituições devem ser traduzidas para uma mesma língua, uma vez que comparar palavras em línguas distintas não é eficaz. No caso das Constituições Estaduais Brasileiras não há necessidade de adaptação linguística, haja visto que provém do mesmo país, com língua oficial única e diretrizes para redação jurídica. Ademais, Por isso a barreira linguística não deve ser encontrada, nem a equivalência de pesos deve gerar distorções. O tamanho, em palavras, das constituições encontra- se no Gráfico 2.2 ordenado de forma crescente.

Primeiramente podemos notar que o formato do gráfico de palavras se assemelha ao formato do gráfico de artigos. Em média as Constituições Estaduais possuem 32.031 palavras em seus textos, quando comparado com a extensão da CF vemos que esta é consideravelmente maior. Com 44.315 palavras a CF apresenta texto 38,35% mais extenso do que a média de extensão estadual. Apenas o Rio de Janeiro possui Constituição maior, em quantidade de palavras, do que a Federal. Quando o texto é desagregado encontramos três estados com maior texto principal e um estado com ADCT maior, mas são casos isolados20. Os estados que possuem

texto principal mais extenso são Amazonas, Pará e Rio de Janeiro, e o estado que possui ADCT mais extenso é a Paraíba, sendo que o número elevado de palavras no ADCT deste é consequência de seu Art. 5521.

A menor Constituição, em palavras, é a de Roraima, com 15.132 palavras, a maior é a do Rio de Janeiro, com 45.206. Pelo gráfico vemos que assim como em número de artigos, as Constituições possuem número de palavras variado. Das

20O texto principal de 23 das 26 (88,5%) Constituições Estaduais possui menor quantidade de palavras

que o da CF. O ADCT de 25 das 26 (96,2%) Constituições Estaduais apresenta menor extensão que o da CF. A média de palavras no texto principal das Constituições Estaduais é 22% menor que a quantidade de palavras no mesmo trecho da CF. Já no ADCT a média de palavras entre os estados é menor que a metade do ADCT Federal.

21 Este determina a elevação de distritos judiciais da Paraíba à condição de município. É o maior artigo,

ou norma, encontrado nas Constituições Estaduais. Seu caput se desdobra em 66 incisos (até o inciso LXVI), o artigo possui 2.859 palavras divididas em 72 dispositivos. Apenas este artigo é mais extenso do que o ADCT de 9 outros estados.

medidas descritivas22 vemos que esta variabilidade não é acentuada, com um

coeficiente de variação de 21,75%. A mediana se situa entre Rio Grande do Sul e Bahia, ao passo que encontramos 50% dos estados com Constituição entre 25.814 e 35.350 palavras (no gráfico, de SC a MT), sendo esta concentração mais elevada no intervalo inferior à mediana. Deste intervalo, e da comparação com as outras medidas, o Brasil possui maior número de estados com Constituições relativamente menores, mas aquelas que possuem elevado número de palavras são suficientemente grandes para deslocar a média total.

Do Gráfico 2.2 podemos notar que a Constituição de Roraima é consideravelmente menor do que a dos outros estados, seja em tamanho total, em tamanho do corpo principal ou mesmo do ADCT. Esta Constituição corresponde a aproximadamente metade do tamanho da média de extensão entre os estados e possui cerca de 10.000 palavras a menos (62,8% da extensão) que a segunda menor Constituição. Porém, em razão da dispersão da variável, não se caracteriza como valor discrepante no sentido estatístico.

Quando o texto é desagregado, a comparação dos estados em quartis do tamanho do texto principal e do ADCT não apresenta constância, isto é, os estados com maiores e menores corpos principais não são os estados com maiores e menores ADCT. Após análise não foi possível encontrar associação (linear ou monotônica) significativa entre as variáveis. Mas, segundo Tsebelis e Nardi (2014), espera-se efeito marginal decrescente quando utiliza-se número de palavras, isto é, há maior diferença entre 1.000 e 2.000 palavras do que entre 10.000 e 11.000 palavras, mesmo que a variação absoluta seja igual, portanto deve-se utilizar transformação logarítmica no número de palavras para que a análise seja viável. Quando os dados são transformados encontramos que a associação linear entre as variáveis é significante, no entanto, como efeito da transformação, Roraima torna-se outlier e compromete os resultados, se removido, não é mais possível encontrar associação (linear ou monotônica) significativa entre as variáveis. Portanto, mesmo com transformação logarítmica não é possível afirmar que há associação (linear ou monotônica) entre o tamanho do texto principal e o tamanho do ADCT, quando medidos em palavras.