Capítulo X DIREITO DO MAR
2. Patrimônio Comum da Humanidade
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níveis crescentes de desenvolvimento econômico. Os países que reivindicaram 200 milhas como limite de suas jurisdições são os mesmos que na UNCTAD têm formado na linha de frente da luta pela liberalização do comércio internacional e pelo estabelecimento de normas justas com respeito às relações de comércio entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Seria de fato irônico atribuir-lhe a intenção de obstruir ou interferir na liberdade da navegação. (... )
In: MRE, Documentos de Política Externa} voI. V (1971), pp. 34-39.
- Discurso do Chanceler Magalhães Pinto na Abertura do Debate Geral da XXIV Assembléia Geral da ONU, em 18 de setemhro de 1969:
Em outro assunto importante, a atitude das grandes potências parece não atender às aspirações mais legítimas da comunidade internacional. Refiro-me ao problema da utilização dos fundos marinhos e oceânicos. Para os países em desenvolvimento, esses fundos constituem herança ou patrimônio comum da humanidade. Em conseqüência, não podem ser objeto de reivindicações de soberania ou de apropriação privada. Devem ser regulamentados e administrados pelos membros da comunidade internacional, aos quais se deve reconhecer o direito de participar dos benefícios que se obtenham da exploração e utilização dos recursos dessa área. É igualmente indispensável que os fundos marinhos e oceânicos sejam reservados exclusivamente a atividades pacíficas e que se evite seja levada até eles a carreira armamentista, que comprometeria não só os usos civis do leito do mar, mas também as atividades tradicionais do alto-mar, como a navegação e a pesca.( ... )
In: MRE, Documentos de Política Externa, voI. III (1968-1969), pp. 253-254.
REPERTÓRIO DA PRATICA BRASILEIRA DO DIREITO INTERNACIONAL 195 coordenar esforços para que a autoridade internacional que venha administrar os fundos marinhos e oceânicos situados fora das jurisdições nacionais, tenha um caráter que permita benefícios universais na utilização racional desse patrimônio comum da humanidade. Encareceram a importância de que na IH Conferência das Nações Unidas seja registrado efetivo progresso nas negociações, com a ativa contribuição de todos os países, e sem qualquer retrocesso nos avanços alcançados até agora. (... )
In: MRE, Resenha de Política Exterior do Brasil, n~ 28 Uan.-março 1981), pp.119-120.
- Declaração Conjunta Brasil-Peru, assinada em Lima, em 26 de junho de 1981, pelos Presidentes dos dois países:
(... ) Os dois Presidentes, ao comprovarem os frutíferos resultados da estreita coordenação que existe entre o Brasil e o Peru na Terceira Conferência das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, concordam em continuar com este importante trabalho de mútua colaboração e em intensificar seus esforços a fim de que se adote a Convenção que acolha plenamente as justas aspirações dos países em desenvolvimento. Expressam sua séria preocupação pelo resultado da última reunião que, por falta de vontade política, não pôde concluir as negociações e aprovar a Convenção; e manifestam sua esperança de que na próxima reunião desapareçam as causas que concorreram para isto.
Reafirmam que é indispensável manter o delicado equilíbrio na estrutura da futura Autoridade Internacional que administrará os fundos marinhos e oceânicos situados além dos limites da jurisdição nacional, declarados Patrimônio Comum da Humanidade, a fim de que sejam atendidos os interesses legítimos de todos os Estados, em particular salvaguardando eficazmente os interesses e necessidades especiais dos países em desenvolvimento.
Lamentam profundamente que alguns Estados tenham aprovado, ou estejam em vias de fazê-lo, legislações unilaterais para a exploração dos fundos marinhos fora da jurisdição nacional, em violação do princípio do Patrimônio Comum da Humanidade, que forma parte do Direito Internacional. Ao des
conhecerem estas legislações unilaterais, expressam sua esperança de q'ue as mesmas não sejam efetivadas, visto que as atividades nos fundos marinhos devem aguardar a vigência de um regime internacionalmente acordado que só pode ser estabelecido na Convenção sobre o Direito do Mar. (... )
In: MRE, Resenha de Política Exterior do Brasil, n~ 29 (abril-junho 1981), p.45.
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- Discurso do Ministro de Estado das Relações Exteriores, Ramiro Saraiva Guerreiro, por ocasião da abertura da :XXXV Assembléia Geral da ONU, em Nova York, em 24 de setembro de 1980:
(... ) A IX Sessão da 111 Conferência das Nações Unidas sobre Direito do Mar encerrou-se com progressos significativos. (... ) Esperamos que se possa chegar a resultados que permitam a adoção por consenso de uma Carta dos Mares, equilibrada em suas partes, que assegure os interesses dos países costeiros e consubstancie nas áreas internacionais dos fundos marinhos o princípio do patrimônio comum da humanidade.
O Brasil, como a grande maioria das nações, deplora o açodamento dos países que, no curso das negociações, têm promulgado legislações unilaterais sobre a exploração dos recursos dos fundos marinhos além da jurisdição nacional. Tais atos criam pressões indébitas sobre as negociações e violam resoluções desta Organização, assim merecendo a rejeição da comunidade internacional. (... )
In: MRE., Resenha de polaica Exterior do Brasil, n? 26 Uulho-set. 1980), p.95.
- Trecho do Relatório do Ministério das Relações Exteriores relativo ao ano de 1969, sobre o Exame na Comissão Política da Assembléia Geral da ONU (XXIV Sessão, 1969) da Questão do Fundo do Mar:
(... ) Entre os diversos assuntos examinados na Comissão Política sob o item intitulado "Questão do Fundo do Mar", merece menção especial a resolução co
patrocinada pelas Delegações do Brasil e do México que proíbe, até que seja elaborado um regime internacional para o fundo do mar além das jurisdições nacionais, aos "Estados e pessoas jurídicas ou físicas, a exploração e utilização dos recursos da área do leito do mar e fundo dos oceanos e seus subsolos, além dos limites dajurisdição nacional", declarando que não serão reconhecidas quaisquer reivindicações de soberania sobre aquela área ou sobre seus recursos.
O texto brasileiro-mexicano afirma a ilegalidade das atividades de explora
ção das áreas do fundo do mar, que já vêm sendo realizadas por países desenvolvidos, em benefício próprio, o que contraria terminantemente o princípio que vimos defendendo no Comitê dos Fundos Marinhos e Oceânicos, segundo o qual o fundo do mar é herança comum da humanidade, e sua exploração deve beneficiar todos os países igualmente, com especial atenção às necessidades dos países em desenvolvimento, e contraria também o Direito Internacional Público Positivo, de forma indireta, posto que ele não tem dispositivos específicos sobre a matéria. É importante salientar que a moratória na exploração do fundo do mar, imposta pela resolução, não deverá estender-se por muito tempo, uma vez que os trabalhos no Comitê especializado da ONU já revelam sensíveis progressos na elaboração