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CAPÍTULO 4. A IDENTIDADE DOCENTE: AS RELAÇÕES DA FORMAÇÃO COM AS

4.5 O PERFIL GERAL DOS PROFESSORES-ALUNOS ENTREVISTADOS

4.6.4 A imagem profissional de si

4.6.4.3 Pedagogos em exercício

Eu descobri na relação de pedagogo que nós somos vistos como o que dá conta de tudo, né? Então o pedagogo, em qualquer escola que ele chega, todo mundo me procura. Interessante que nem todo mundo procura o professor de química, professor de matemática, o de português, mas todo mundo procura o pedagogo. Então, assim, o pedagogo ele tem uma função muito importante onde ele chega que é, justamente, o de, o de alinhar o que está desalinhado, né? Ele tem essa visão mais ampla. Talvez pela, pelas disciplinas que o curso oferece, né? Que são mais ligadas a questão pedagógica, mas a gente fica mais sensível as, as dificuldades que o professor tem, seja ele de que disciplina for, seja o aluno. Parece-me que a gente enxerga e faz um pouquinho melhor, não que a... nós sejamos superiores, mas nós tempos o jeito do pedagogo de direcionar bem as coisas. (Professora-aluna Acácia)

Eu sou pedagoga e psicopedagoga. Quando a gente vai se identificar eu digo, "Eu sou professora." Então, dentro da professora, que formação na área você tem? "Pedagogia, né? Entre outras e outras e outras." Então, eu vejo assim, que além de você ter o curso é muito importante você incorporar aquele perfil profissional que você tem, sem perder a essência da humildade, do profissionalismo, né? (Professora- aluna Açucena)

Afirma-se a identidade profissional de “ser pedagogo” numa perspectiva ampla de atuação, não somente da habilitação que o curso ofereceu para as séries iniciais. Os docentes se veem como pedagogos e compreendem a complexidade do “ser pedagogo,” vivenciam no seu cotidiano profissional uma nova identidade que se ampliou no que concerne à atuação profissional. Uma grande maioria atua em funções de coordenação pedagógica e direção escolar, e nas próprias falas se evidencia uma afirmação das exigências que se configuram em torno de suas identidades pós-formação em Pedagogia.

Verificamos, assim, uma ação pedagógica múltipla na sociedade, em que o pedagógico perpassa toda a sociedade, extrapolando o âmbito escolar formal, abrangendo esferas mais amplas da educação informal e não formal, criando formas de educação paralela, desfazendo praticamente todos os nós que separavam escola e sociedade. (LIBÂNEO, 2001, p. 5)

As identidades profissionais dos professores-alunos agora também apresentam uma dimensão mais ampla, além de professores habilitados para atuar nas salas de aula dos anos iniciais da Educação Básica, assumem-se “pedagogos”, reconhecendo toda a complexidade que envolve a atuação sobre os processos educativos e a postura reflexiva que a identidade de pedagogo requer.

Conclui-se aqui a análise e interpretação sobre o problema apresentado nessa pesquisa. É fato de que diante de todo o material coletado, inúmeras outras interpretações e estudos poderão futuramente ser apresentados, pois as condições de tempo e da dimensão que um trabalho dessa natureza impõe não permitiu que se pudesse avançar mais.

A seguir tratar-se-á das considerações finais, que evidenciam a síntese dessa análise no intuito de recuperar alguns dos aspectos centrais da pesquisa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O processo de construção da identidade docente enquanto objeto de investigação, é um tema extremamente complexo pela multiplicidade e dinamicidade que envolve esse processo, pelas definições híbridas no contexto da modernidade líquida que o tema tem suscitado, e ainda pela busca de afirmações identitárias que temos vivido como resistência às compreensões “pós-modernas” sobre as identidades. Mas, ao mesmo tempo, trata-se de um tema envolvente e instigante, pois nos31 remete a nossa própria história.

Como já indicado na introdução desta produção, essa investigação teve como objetivo geral, analisar a compreensão dos professores-alunos, sobre o processo de construção de sua identidade docente articulado a trajetória profissional tomando como referência a experiência da formação em Pedagogia no Programa Rede UNEB 2000.

O conceito identidade possibilita variadas análises com uma infinidade de dimensões que compõe a identidade de um sujeito, porém optamos por centrar este estudo sobre a identidade profissional dos indivíduos envolvidos, mesmo considerando que em vários momentos as dimensões de socialização primária e secundária, da identidade social, da identidade pessoal se articulam às leituras que o sujeito elabora sobre sua identidade profissional.

Dentre os instrumentos metodológicos que nos serviram de material para produção e análise dos dados, a Entrevista Compreensiva trouxe uma contribuição importante, pois foi através do contato direto com os sujeitos e suas narrativas que se tornou possível obter a “definição de si”, a “leitura e a voz” dos atores envolvidos no estudo em questão. “Essas auto definições de atores, em um contexto dado, não são estritamente determinadas pelo próprio contexto. Cada um dos atores tem uma história, um passado que também pesa em suas identidades de ator.” (DUBAR, 2005, p.XIX).

Durante as análises das entrevistas foi possível evidenciar dois eixos de identificação dos professores-alunos, apresentados por Dubar (2005) e (re) significados neste estudo.

Um eixo “sincrônico”, que no nosso estudo está ligado ao contexto da formação em Pedagogia no Programa Rede UNEB 2000, em que os atores definem uma situação de formação em serviço, a da significação do processo identitário mediante a formação em nível superior, e se dirigem a elementos de uma coletividade.

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Identificamos um eixo “diacrônico”, ligado a uma trajetória subjetiva e uma interpretação da história pessoal, dos significados particulares a cada indivíduo que também interferem no processo de construção da identidade profissional docente. Esses dois eixos articulam diferentes dimensões da identidade profissional dos sujeitos.

Para desenhar um panorama dos diferentes aspectos estudados, faz-se necessário retomar o interesse da pesquisa em identificar e analisar a compreensão dos professores- alunos, egressos do Programa, sobre o “ser professor” e ainda o “ser pedagogo”, atentando para a multiplicidade de interpretações que derivam da experiência de formação.

Em relação “ser professor” e nos atendo às narrativas colhidas entre os dez professores entrevistados e na análise apresentada no capítulo 4, foi possível identificar três perspectivas de compreensão entre os entrevistados.

1 - Primeiramente de que a profissão docente é essencial para a sociedade. Implícito nesse conceito foi possível identificar nas narrativas dos professores que a essa visão de um profissional essencial está também relacionada aos sentimentos de doação, dedicação, e ainda, aos sentimentos de “paixão” e “amor” pela profissão docente.

Compreendemos que há um reconhecimento da “condição humana” do objeto de trabalho do professor, há também, de forma implícita, nas falas tomadas como objeto de estudo, o sentimento de precariedade do trabalho docente nos anos iniciais da Educação Básica, pois a necessidade de “doação” faz com que o docente tenha que “negar” suas condições plenas de qualidade de vida.

2 - Em seguida houve uma definição do “ser professor” relacionada a uma atividade que concentra a transmissão e construção do conhecimento. Na perspectiva dos professores pesquisados o conhecimento é algo inerente ao trabalho do professor. Isso confirma os estudos históricos sobre a própria pedagogia que apresentam o surgimento formal da profissão docente desde a Grécia da antiguidade.

3 – E por fim os professores apontaram a profissão docente como sendo uma atividade que promove a transformação social dos indivíduos. Eles atribuem ao docente um papel que está acima dos limites da prática, é possível que haja uma participação significativa do trabalho docente sobre a formação de um sujeito, porém para que sua condição social seja melhorada há de se desenvolver um trabalho de cunho estrutural.

É importante colocarmos que o segundo e o terceiro objetivos específicos dessa produção estão integrados nos sentidos apreendidos nos dados da pesquisa de campo, tanto nos questionário quanto nas entrevistas, pois trazem questões que estão intrinsecamente relacionadas.