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PERDA DA PROPRIEDADE IMÓVEL

No documento AULA 10 POSSE E PROPRIEDADE (páginas 27-32)

Dá-se a perda da propriedade imóvel por (art. 1.275 CC):

alienação ⎯ é a transmissão de um direito, de um patrimônio a outro (ex: compra e venda, doação, dação em pagamento, permuta, cessão de direitos, etc.). Necessita de transcrição no Registro Imobiliário.

renúncia ⎯ ato unilateral pelo qual o proprietário declara, expressamente, o seu intuito de abrir mão de seu direito sobre a coisa.

Necessita também de transcrição no Registro de Imóvel (ex: renúncia de herança).

abandono ⎯ o imóvel urbano que o proprietário abandonar, com a intenção de não mais o conservar em seu patrimônio, pode ser ocupado por outra pessoa e esta poderá adquirir-lhe a propriedade por usucapião.

No entanto se o bem não se encontrar na posse de outrem, será arrecadado como bem vago e depois de três anos passar para à

www.pontodosconcursos.com.br 2828 propriedade do Município ou à do Distrito Federal. Se for na zona rural passará para a propriedade da União onde quer que se encontre (art.

1.276 CC).

perecimento ⎯ é a perda do objeto (ex: terras alagadas por inundação, avanço do mar, terremoto, etc.).

confisco ⎯ cultura ilegal de plantas psicotrópicas acarreta o confisco da propriedade (e não expropriação), visto que o artigo 243 da Constituição prevê que nenhuma indenização será cabível ao proprietário.

desapropriação ⎯ procedimento através do qual o Poder Público, por ato unilateral, despoja alguém de um bem, fundado em necessidade pública, utilidade pública ou interesse social, adquirindo-o mediante indenização prévia e justa, pagável em dinheiro ou, se o sujeito passivo concordar, em títulos da dívida pública. Ressalva-se à União o direito de desapropriar imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, quando objetivar a realização de reforma agrária. É modo involuntário de perda do domínio. É um instituto de direito público cujos efeitos pertencem ao direito civil.

A Lei 10.257/01 determina que depois de decorridos 05 (cinco) anos de cobrança de IPTU progressivo, sem que o proprietário tenha cumprido a obrigação de parcelamento, edificação ou utilização, o Município poderá proceder à desapropriação do imóvel, com pagamento em títulos da dívida pública (resgatados no prazo de até 10 anos), em prestações anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e juros legais de 6% ao ano.

Observações:

1 – Os bens dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios são suscetíveis de desapropriação pela União. Os bens dos Municípios podem ser desapropriados pelos Estados.

2 – Poderá haver imissão provisória na posse, ou seja, transferência de posse do imóvel para o expropriante, já no início da demanda, por concessão do Juiz, se o Poder Público declarar urgência e depositar em juízo, em favor do proprietário o quantum estabelecido.

3 – A administração pública tem a obrigação de utilizar o imóvel para atender à finalidade pela qual se deu a desapropriação. Se desviar da destinação declarada dá-se a retrocessão (proporciona ao ex-proprietário perdas e danos, quando o expropriante não lhe oferecer o bem pelo mesmo preço da desapropriação e quando desistir de aplicá-lo a uma finalidade pública). Os bens expropriados, uma vez incorporados ao Poder Público não podem ser objeto de reivindicação; qualquer ação julgada procedente resolve-se em perdas e danos.

usucapião ⎯ já analisado – se por um lado uma pessoa ganha o direito de propriedade pela usucapião, por outro lado alguém também a perde.

acessão ⎯ na modalidade avulsão, também já analisado acima.

Observação – o simples não-uso não determina a perda da propriedade, se ainda não foi usucapido por outrem, ainda que se passem mais de vinte anos.

Requisição (art. 1.228, § 3º, 2ª parte CC) ⎯ permite que a autoridade competente use a propriedade particular até onde o bem público exigir, em caso de perigo iminente (ex: guerra), garantindo ao proprietário direito à indenização posterior, se houver dano.

Posse pro-labore ou posse-trabalho (art. 1.228, §§ 4ºe 5º CC) ⎯ o proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa área, na posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de 05 (cinco) anos, de considerável número de pessoas, e estas houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras ou serviços considerados pelo Juiz de interesse social e econômico relevante. O juiz deve fixar a justa indenização, valendo a sentença como título aquisitivo.

B) DA PROPRIEDADE MÓVEL Formas de aquisição e perda da propriedade

Aquisição da propriedade é a incorporação dos direitos de dono em um titular. Se de um lado uma pessoa adquire a propriedade de uma coisa móvel, por outro lado outra a perde, concomitantemente. Assim a aquisição e a perda são analisadas em um só momento. São modos aquisitivos e extintivos (vamos analisar os dois temas de uma só vez, pois eles coincidem):

1. Originário a) Ocupação b) Usucapião 2. Derivado

a) Especificação b) Confusão c) Comistão d) Adjunção e) Tradição

f) Sucessão hereditária A) Ocupação

É o assenhoramento de coisa móvel (inclui os semoventes – animais) sem dono, por ainda não ter sido apropriada (res nullius – coisa de ninguém) ou por ter sido abandonada (res derelictae), não sendo essa apropriação proibida pela lei. Não se confunde a coisa sem dono ou abandonada com a coisa perdida. Esta

www.pontodosconcursos.com.br 3030 deve ser restituída ao dono ou entregue às autoridades. A ocupação apresenta-se de três formas:

Ocupação propriamente dita ⎯ tem por objeto seres vivos e coisas inanimadas (ex: caça, pesca, obedecendo a regulamentos administrativos e leis especiais).

Descoberta (coisas perdidas – res perdita – arts. 1.233 a 1.237 CC) ⎯ achado de coisa móvel perdida pelo dono. Não se torna proprietário.

Deve restituí-la a seu dono. Não o conhecendo deverá entregá-la às autoridades competentes. O único direito que assiste ao descobridor é o de receber uma recompensa chamada achádego, acrescida da indenização com a conservação e transporte da coisa. Tal recompensa não poderá ser inferior a 5% do valor da coisa. No entanto o proprietário ao invés de pagar a importância pode optar em abandonar a coisa, hipótese em que o descobridor poderá adquirir a propriedade da coisa. O Código Penal considera crime a apropriação de coisa achada e não entregue ao dono ou à autoridade competente no prazo de 15 dias.

Tesouro (coisa achada – arts. 1.264 a 1.266 CC) ⎯ é o depósito antigo de moedas ou coisas preciosas, enterrado ou oculto, de cujo dono não haja memória. Regras:

- proprietário acha em seu imóvel ⎯ pertence ao proprietário, exclusivamente.

- pessoa achou em terreno alheio e intencionalmente o procurava sem a permissão do proprietário ⎯ pertence ao dono do terreno.

- pessoa acha casualmente em terreno alheio ⎯ divide-se em partes iguais, entre o dono do prédio e a pessoa que o achou.

B) Usucapião

É modo também de aquisição originária de bens móveis. O fundamento é o mesmo que inspira ao dos bens imóveis. A diferença está no prazo. Pode o possuidor, para efeito de usucapião, unir a sua posse à do seu antecessor, desde que ambas sejam contínuas e pacíficas.

1 – Extraordinária (art. 1.261 CC)

a) posse ininterrupta (contínua) e sem oposição (pacífica).

b) sem justo título e sem boa-fé.

c) prazo – 05 (cinco) anos.

2 – Ordinária (art. 1.260 CC)

a) posse ininterrupta (contínua) e sem oposição (pacífica).

b) com justo título, boa-fé e animus domini.

c) prazo – 03 (três) anos.

C) Especificação (arts. 1.269 a 1.271 CC)

É a transformação da coisa móvel em espécie nova, em virtude do trabalho ou da indústria do especificador, desde que não seja possível reduzi-la à sua forma primitiva. Exemplo clássico: lapidação de uma pedra preciosa;

transforma-se uma coisa em outra coisa. Outros exemplos: escultura em relação a um bloco de pedra; pintura em relação à tela, etc. Se toda a matéria-prima for de outrem, a coisa nova pertencerá ao especificador se ele estiver de boa-fé; se estiver de má-fé, perderá a coisa nova em favor do dono do material.

D) Confusão, Comistão e Adjunção (arts. 1.272 a 1.274 CC)

Ocorrem quando coisas pertencentes a pessoas diversas se mesclam de tal forma que é impossível separá-las.

Confusão ⎯ mistura entre coisas líquidas (não confundir com confusão de dívidas, quando credor e devedor são a mesma pessoa ⎯ direito pessoal e não real). Exemplo: misturar suco de laranja com vodca (só façam isso depois de passarem no concurso), água e vinho; álcool e gasolina, etc.

Comistão ⎯ mistura de coisas sólidas ou secas. Exemplo: areia, cal e cimento, formando uma só massa.

Adjunção ⎯ justaposição de uma coisa sobre outra. Exemplo: tinta em relação à parede.

Se a mistura for involuntária e impossível de separá-las, ocorre o condomínio necessário (ou forçado). Entretanto, se uma das coisas puder ser considerada principal em relação às outras, o domínio da espécie nova será atribuído ao dono da coisa principal, tendo este, contudo, a obrigação de indenizar os outros.

E) Tradição

Tradição (traditio rei) consiste na entrega da coisa móvel ao adquirente, com a intenção de lhe transferir o domínio. Como vimos, um contrato de compra e venda, por si só, não é apto para transferir o domínio de coisas móveis (o contrato somente cria a obrigação). Desta forma somente com a tradição é que a declaração de vontade se torna efetiva, transformando a obrigação em direito real. A tradição pode ser classificada em:

Real ⎯ entrega efetiva e material da coisa.

Simbólica ⎯ traduzida por ato representativo que traduz a alienação.

Exemplo: entrega de chaves do carro.

Ficta ⎯ quando ocorre o constituto possessório (já vimos o conceito deste instituto). Exemplo: uma pessoa vende uma coisa (telefone), perdendo sua propriedade, mas continua possuindo essa coisa em virtude de um contrato de locação ou comodato; não é necessário entregar aquilo de que ele já tinha a posse.

Fala-se, ainda em:

www.pontodosconcursos.com.br 3232 - traditio longa manu – quando a coisa é posta à disposição do

adquirente, por ser impossível a entrega manual (ex: máquinas de grande porte, porção de terras, etc.).

- traditio brevi manu – quando o adquirente já era o possuidor da coisa (ex: locatário que compra o bem).

F) Sucessão Hereditária ⎯ veremos mais adiante em aula referente ao Direito das Sucessões.

Perde-se a propriedade, além das hipóteses acima, também pelo:

Perecimento ⎯ se a coisa móvel perecer (ex: incêndio; anel que caiu no mar, etc.).

Abandono ⎯ se seu dono a abandonar (res derelictae).

No documento AULA 10 POSSE E PROPRIEDADE (páginas 27-32)

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