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São sujeitos deste estudo os alunos egressos da modalidade de aprendizagem industrial dos cursos do SENAI das áreas mais demandadas de Mecânica de Manutenção de Máquinas, Mecânica de Automóveis e Eletricidade Industrial e de Manutenção, cujo universo é composto de cerca de 180 ex-alunos com faixa etária entre 14 e 17 anos, cuja amostra

23 Formulário: É o nome geralmente usado para designar uma coleção de questões que são perguntadas e anotadas por um entrevistador numa

situação face a face com outra pessoa. Já a palavra questionário se refere a um meio de obter respostas a questões por uma fórmula que o próprio informante preenche. Obviamente as duas formas tem muito em comum, particularmente o fato de que em ambos os casos as perguntas são as mesmas para todos os informantes (Ver GOOD e HATT 1973: p. 172).

pesquisada no período dos anos 2000 a 2003 foi de 10% a partir de escolhas aleatórias, correspondente a 18 egressos, ou seja 6 (seis) ex-alunos de cada área dos cursos selecionados. Para obtenção de dados foram utilizados como instrumentos o formulário24 para entrevista com perguntas fechadas e semi-abertas, a partir de quatro eixos: dados de identificação; situação sócio-econômica e cultural; situação profissional; visão dos egressos sobre sua trajetória escolar como alunos do curso; expectativas e anseios para sua profissão e para sua vida (anexo). A seguir foi identificado e analisado o perfil dos sujeitos por meio de amostra seletiva e aleatória, compreendendo os seguintes tópicos: gênero, faixa etária, estado civil, naturalidade, ocupação atual e nível de escolaridade, distribuídos na composição das tabelas a seguir:

Perfil dos Sujeitos e Amostra Tabela 2 – Gênero

GÊNERO V. ABS %

Masculino 15 83

Feminino 03 17

TOTAL 18 100

Fonte: Pesquisa Direta

Constata-se no perfil dos sujeitos e da amostra, no tocante a questão de gênero que 83% dos egressos são do sexo masculino, enquanto apenas 17% são do sexo feminino, deduzindo-se assim que ainda existe pouca motivação das mulheres em cursar profissões que ainda são predominantemente ocupadas por homens, por questões de demanda do próprio mercado e empresas, ou por acharem as mulheres que essas atividades são exclusivas dos gênero masculino. Podemos reforçar esse aspecto pelos depoimentos de ex-alunas conforme seus relatos.

(...) O que acho mais difícil é o mercado de trabalho. Contra o SENAI não tenho nada. Existe ainda um preconceito muito grande em relação a mulher nessa profissão. Isso me desestimulou na profissão. Inclusive já deixei muitos currículos

nas empresas, mas só chamam homens (...).

(...) É uma questão de surpresa. Na minha sala era só eu e a minha irmã (gêmea) de mulher. Ela passou na Petrobrás e foi para Macaé (...)..

Este fato é reforçado por Pochmann (2007) em entrevista ao Jornal O Liberal em 05 de março de 2007 sob o Título “Desemprego é maior entre os jovens” quando ressalta que[...] Na população jovem, o desemprego cresceu mais entre as mulheres. A taxa nacional de desemprego passou de 14,1% para 25% (aumentando 77,4%), enquanto a taxa nacional de desemprego masculino alterou-se de 9,7% para 15,3% (aumento de 57,8%).

No estudo, Pochmann afirma que o fato de o país ter, em 2005, um desempregado a cada cinco jovens (sendo de uma a cada cinco jovens do sexo feminino) resultou tanto da baixa capacidade do país gerar postos de trabalho para o total da população que ingressa no mercado de trabalho como manter o jovem empregado por um longo tempo. Para muitos jovens, a condição de atividade vem sendo marcada por situações de desemprego recorrente, sem possibilidade de construir uma trajetória ocupacional segura de ascensão social, conforme se observava no passado não tão distante.

Outra observação que de certa forma agrava a opção para contratação de jovens do sexo feminino, está no divulgado também em matéria do Jornal O Liberal do dia 27 de fevereiro de 2007 sob o Título “Sobram vagas no mercado de trabalho”, cujo destaque informa que:

[...] No Pará a baixa qualificação fez 2006 fechar com 4.930 vagas não preenchidas pelo SINE – Sistema Nacional de Emprego, que, segundo o Diretor de Programas de Emprego, da Secretaria Estadual de Trabalho e Promoção Social (SETEPS) informa “muitas empresas não assumem suas restrições e preconceitos e não fazem exigências sobre o perfil do funcionário, mas na hora de contratar acabam recusando com mais freqüência candidatos do sexo feminino e com baixa escolaridade ou pouca qualificação [...] (O Liberal fev. 2007 : p. 9).

Ainda na mesma matéria jornalística citada anteriormente há outra colocação feita em material divulgado pelo DIEESE:

qualificação. Segundo aquele órgão, os recursos para a educação profissional em todas as instancias, municipal, estadual e federal, ainda é pequeno frente ao número de pessoas que precisam se qualificar. Por outro lado, cabe também ao setor empresarial – que na maioria das vezes fica só cobrando mão-de-obra mais qualificada – participar desta situação, fomentando educação para seus empregados [...] (O Liberal, idem ibidem).

Retornando à matéria jornalística, já citada anteriormente, o economista Marcio Pochmann, professor da UNICAMP, analisando o período de 1995 a 2005, com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), informa que:

[...] Os jovens de 15 a 24 anos estão enfrentando cada vez mais dificuldades para entrar no mercado de trabalho e sofrem mais com o desemprego do que os demais grupos de trabalhadores. Dez anos depois a situação do jovem se agravou no país, a despeito dos esforços e dos programas de iniciação profissional e há um estrangulamento na entrada do jovem no mercado de trabalho [...] (Pochmann 2007. Jornal O Liberal fev. 2007 : p. 7).

No nosso trabalho, ressalta-se que a pesquisa foi realizada em 2006 com dados de 2000 a 2003, estando os alunos na faixa etária entre 14 a 18 anos na ocasião do curso de Aprendizagem Industrial, cuja duração é de 1,5 a 2 anos. Como egressos esses jovens encontram-se na faixa que varia entre 19 a 24 anos.

Tabela 3 – Faixa Etária

IDADE (ANOS) V. ABS %

19 02 10 20 03 17 21 03 17 22 03 17 23 04 22 24 03 17 TOTAL 18 100

Fonte: Pesquisa Direta

Quanto ao estado civil e a naturalidade, as tabelas 4 e 5 mostram que, com exceção de apenas um ex-aluno, todos os demais são solteiros, de naturalidade paraense.

Tabela 4 – Estado Civil

SITUAÇÃO V. ABS %

Casado 01 5

Solteiro 17 95

TOTAL 18 100

Fonte: Pesquisa Direta

Tabela 5 – Naturalidade

V. ABS %

PARAENSE

18 100

TOTAL 18 100

Fonte: Pesquisa Direta

As ocupações atuais reveladas foram bastante diversificadas, destacadamente: Mecânico, Estagiário, Autônomo, Professor de Ensino Médio e Estudante, quer dizer que, embora os egressos tenham obtido uma profissão, nem todos estavam exercendo essa atividade.

Tabela 6 – Ocupação Atual

TIPO V. ABS %

Estudante 08 44

Mecânico 04 22

Estagiário 03 16

Autônomo 01 6

Professor Ensino Médio 01 6

Não tem 01 6

TOTAL 18 100

Fonte: Pesquisa Direta

Os egressos , conforme a tabela 7, apresentaram elevado nível de escolaridade: 50% possuem nível superior e os outros 50% concluíram o ensino médio, o que revela, uma grande motivação esse contingente para obter graduação superior (independentemente de já terem uma habilitação profissional), mesmo considerando que, na época do curso profissional, o SENAI exija como pré-requisito apenas o ensino fundamental completo..

aumento da escolaridade25 de 14,4% dos jovens de 1995 a 2005, chegando a 46,8%. Segundo a matéria, a alta é observada principalmente entre os homens, entre os quais o índice de escolaridade passou de 38,9% para 46,4% e, entre as mulheres, de 42,8% para 47,6%. Para ele (idem):

[...] Isso mostra que o jovem buscou elevar a escolaridade combinando com o trabalho, indicando que o Brasil tem jovens que trabalham e estudam, ao contrário da tendência dos países desenvolvidos, que postergam o ingresso dos jovens no mercado de trabalho [...] (Pochmann 2007. Jornal O Liberal fev. 2007 : p. 10)

O estudo ainda revela que entre as camadas de baixa renda, como a necessidade do trabalho é ainda maior, também há mais jovens em atividade. E que nas famílias com até meio salário mínimo por pessoa, a cada 100 jovens, 74 estão ativos no mercado, embora 20 estejam desempregados.

Uma outra constatação daquele estudo é que, sem dinheiro para custear despesas com educação, muitos jovens que não trabalham também não estudam. E ainda, que a geração de primeiro emprego, política incentivada nos últimos anos pelo Governo Federal e induzida pela fiscalização de órgãos como o Ministério Público sobre os programas de aprendizagem representou 10,6% do total de vagas abertas no país durante o período de 1995 a 2005. Isso significa dizer que, a cada 100 novos postos de trabalho gerados, somente um ficou para os jovens, situação agravada, segundo Pochmann (Idem) no caso dos postos de trabalhos informais, onde menos de 3% do total de vagas abertas nos últimos 10 anos foram ocupadas por jovens.

Tabela 7 – Nível de Escolaridade

CLASSIFICAÇÃO V. ABS %

Ensino Médio Completo 09 50

Superior 09 50

TOTAL 18 100

Fonte: Pesquisa Direta

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