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3.2.3 | PERFORMING ARTS & DRAMA

No documento Presenças (páginas 91-96)

A primeira academia de ensino da atuação para teatro foi a London Academy of Music and Dramatic Art (lamda), que resultou da fusão de diferentes escolas, em 1861. Apesar da institucionaliza- ção da aprendizagem nesta academia ter ocorrido ainda no século XIX, o Reino Unido apenas iria testemunhar o aparecimento do primeiro departamento de Drama no contexto do ensino superior em 1947, na Universidade de Bristol (shepherd; wallis 2004: 7). Como referem Shepherd e Wallis, os objetivos desse curso, con- tudo, não incluiam a formação de profissionais para o teatro mas antes o estudo do teatro enquanto assunto, não apenas literário, mas também artístico, arquitetural e social. Segundo os referidos autores, este departamento considerou três pontos de referência para a definição do seu caráter: os eua, onde o primeiro departa- mento de drama havia surgido logo em 1914, no Carnegie Institute of Technology, atestando a emergência dos estudos teatrais no país; os departamentos de humanidades dentro da própria univer- sidade, com quais teria que negociar a tensão entre teoria e prática; e, as concepções educacionais anteriores à segunda grande guerra, que enfatizavam o desenvolvimento global da pessoa (shepherd; wallis 2004: 8-12). Nesta medida, a fundação do primeiro departa-

mento de drama no Reino Unido apresenta já os traços de algumas da tensões que persistem ainda hoje no ensino superior das artes cénicas, nomeadamente aquelas entre estudo crítico e capacitação técnica, entre desenvolvimento integral e especialização, entre implicação racional e relação intuitiva. É significativo, contudo, salientar que em 2004, a lamda se juntou a outras instituições de ensino vocacional e profissionalizante para formar o Conservatoire for Dance and Drama, que oferece hoje cursos reconhecidos como graduações, assim como cursos de pós-graduação.

O Performing Arts Department, sediado na School of Film, Television & Performing Arts, foi lançado na Leeds Metropolitan University em Setembro de 2006 e desenvolveu os seus cursos ao longo dos anos seguintes. Existem atualmente cinco cursos dire- tamente relacionados com as artes cénicas, dois na área da dança e dois na área do teatro performativo: BA (Hons-Level 6 Top-Up) Contemporary Performance Practices, lançado em setembro de 2006, e o mais recente BA (Hons) Art, Event, Performance, lan- çado em setembro de 2008; em 2007 foi lançado o curso de pós- graduação MA Performance Works. O ensino das artes cénicas aqui está focado nas práticas artísticas do nosso tempo, oferecendo aos alunos a oportunidade de desenvolver e mostrar o seu trabalho no Reino Unido e internacionalmente. O ensino é essencialmente prático e vocacionado para a inserção profissional, sendo da res- ponsabilidade de artistas e académicos implicados ativa e regular- mente em trabalhos fora da academia.

De acordo com o sítio do Drama Department, a Universidade de Exeter foi uma das primeiras a oferecer um curso de Drama no

31.03 Jogo Objetos

Desenvolvimento do Jogo Objetos 07.04

Aquecimento

Exercício de Escrita: autobiográfico Desenvolvimento do Exercício de Escrita

09.04 Aquecimento

Direção de Atuação: persona

14.04 Pesquisa de Campo Biblioteca

Desenvolvimento da Pesquisa de Campo

16.04 Pesquisa de Campo Museu

Exercício de Composição Cénica: síntese pesquisa

21.04 Direção de Atuação: persona

Exercício de Escrita: estímulo teórico 23.04

Jogo com Lanternas Listas de Material Cénico

Exercício de Composição Cénica: síntese listas

28.04 Direção de Encenação: tarefa do espetáculo

Exercício de Composição Cénica: síntese pesquisa teórica

05.05 Direção de Encenação: começo do espetáculo

Desenvolvimento do Jogo com Lanternas

06.05 Listas de Material Cénico

12.05

Direção de Encenação: linha temporal do espetáculo Divisão de Tarefas

Ensaio Parte I

13.05 Exercício de Encenação: perguntas ao material

14.05 Direção de Encenação: sobre o que é o espetáculo

Ensaio Partes I e II

15.05 Ensaio Parte III

19.05 Ensaio Corrido com Notas

06.10

Respiração Básica

Treino Intensivo: Yoga, Taiji, Kalarippayattu Exercício com Imagem

07.10 Treino Intensivo 08.10 Treino Intensivo Exercício de Redução Improvisação Estruturada 16.10 Seminário Psicofísico

Treino: Yoga, Taiji, Kalarippayattu Improvisação Estruturada

28.10 Discussão Oficina Butoh

Treino 04.11 Treino Colagem Textos Ensaio Butoh 05.11 Seminário Kathakali Treino Auto-dirigido Exercício de Escrita 10.11 Treino Ensaio Hamletmachine Ensaio Fewer Emergencies

11.11 Treino

Ensaio Hamletmachine

13.11 Treino

Ensaio Fewer Emergencies

14.11 Treino Ensaio Hamletmachine 19.11 Treino Exercício Ressoadores Ensaio Butoh

Ensaio Fewer Emergencies

Reino Unido, possuindo já em 1927 um curso anual, em horário pós-laboral, o qual não atribuía, contudo, título de graduação. Será apenas em 1968 que abre o primeiro curso de graduação, então ministrado pelo Departamento de Inglês, conquistando o Drama Department a sua autonomia apenas em 1989. Atualmente, o programa procura desenvolver competências práticas juntamente com uma implicação crítica e imaginativa com os contextos socio- culturais do teatro, dando particular atenção às práticas artísticas contemporâneas. O curso está organizado de forma a que os módulos nucleares obrigatórios sejam complementados por dis- ciplinas opcionais, com vista a permitir que os alunos estruturem as suas experiências em função dos interesses pessoais. O departa- mento possui seis estúdios equipados com iluminação e som, dois estúdios de som, um estúdio de video e multimedia, além de dez outras salas para aulas teóricas, assim como oficinas de construção de cenários, figurinos e adereços.

3.3 | INFERÊNCIAS

O que se verifica do estudo dos elementos de estrutura do dt e do cac são duas concepções distintas de desenho curricular, tanto no que concerne às disciplinas oferecidas e possibilidade de opção dos alunos, bem como no que refere ao perfil de saída. O estudo dos elementos dinâmicos dos curriculos mostra também distintas rea- lidades, tanto entre quanto dentro das escolas: ambas apresentam uma diversidade de visões da atividade do ator e de projetos peda- gógicos. Como problema comum temos a dificuldade em articular teoria e prática nas disciplinas de Interpretação, uma cisão entre pensadores reflexivos e fazedores competentes, que se constata em

particular tanto na definição dos meios e critérios, quanto nos dis- cursos sobre a avaliação. A situação é algo distinta nas disciplinas estudadas no Reino Unido, onde estes problemas estão melhor resolvidos.

A noção de presença surge ora explicitamente nos programas, ora implicitamente nos discursos dos docentes sobre o trabalho do ator, dizendo respeito em geral a certas qualidades do desempe- nho cénico. É interessante neste momento apenas destacar que a noção de presença aparece também operando no modo como os docentes se referem à qualidade da participação dos discentes nas aulas, afirmando-se como um termo para referir o empenhamen- to, a atenção e a disponibilidade.

No documento Presenças (páginas 91-96)