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Perspectivas e possibilidades das TDIC na escola

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2. Educação Básica e TDIC, perspectivas e possibilidades

2.3 TDIC na escola: questões imbricadas

2.3.1 Perspectivas e possibilidades das TDIC na escola

A partir das reflexões trazidas aqui, pretende-se, nesta seção, verificar algumas possibilidades para o uso das TDIC de forma a considerar o uso dos recursos para além das ferramentas, ou seja, na possibilidade de compreensão como linguagem. Para tanto, discorre-se sobre termos que têm sido frequentemente utilizados na relação das áreas de comunicação e educação, sendo “mídia e educação” que trata da inserção dos diferentes meios na escola e trabalha numa perspectiva mais analítica e de observação e o da “educomunicação” que busca utilizar a linguagem dos meios como possibilidade de trabalho com os educandos, pautando-se na confecção de produtos comunicacionais.

Os estudos de mídia e educação têm se detido, em maior grau, em fazer reflexões sobre as grandes mídias e outros artefatos midiáticos no cotidiano escolar. Sendo assim, buscam fazer pesquisas e observações daquilo que ocorre no exterior da escola.

São objetos de estudos dessa área os anúncios no jornal, na televisão, no outdoor, na rádio, dentre outros. Esses estudos, muitas vezes com grande profundidade de reflexão, buscam analisar a comunicação a qual a população tem sido exposta e, de certa forma, tem consumido.

Essa vertente da entrada da comunicação na área educacional se dá em maior grau pelos estudos da Escola Alemã ou Escola de Frankfurt18, cujos principais

nomes são Adorno e Horkheimer (1947), que participaram da criação do conceito de indústria cultural.

18 Escola de Frankfurt é o termo criado para definir um período em que a maioria dos teóricos se opunha à

comunicação de massa defendendo que sua prática era tamanha que poderia influenciar as pessoas a fazerem o que a comunicação desejasse.

Para a escola alemã, há uma tendência de ver a comunicação em massa como uma possibilidade de dominar. A ideologia predominante é a da dominação pela comunicação de massa para apropriação da ideologia capitalista.

Um dos grandes pontos questionáveis dessa teoria é o entendimento das massas (população) como algo amorfo, sem reação, como se qualquer elemento comunicacional gerasse uma resposta quase que espontânea, algo criticado posteriormente na teoria que ficou conhecida como leitura crítica dos meios.

Outra perspectiva, que se alinha mais a esta pesquisa, é a educomunicação que vem se fortalecendo com um olhar multidisciplinar, a partir de diferentes linguagens e perspectivas. Sua ação iniciou-se, primeiramente, no terceiro setor, em iniciativas de educação informal.

A Educomunicação é entendida como um referencial teórico que sustenta a inter-relação comunicação/educação como campo de diálogo, espaço para o conhecimento crítico e criativo, para a cidadania e solidariedade (SOARES, 2011, p. 13).

Várias são as pesquisas, atualmente, que se identificam com a educomunicação no que tange à educação dialógica, a busca pelo protagonismo de crianças e jovens que produzem comunicação, com práticas voltadas para a cidadania e formação integral dos sujeitos.

Transformar alunos em sujeitos do conhecimento implica (de fato) descentrar as vozes, colocando-as numa rota de muitas mãos que respeite as realidades da vida e cultural dos educandos. É preciso (de fato) fazer o aluno assumir a sua voz como instância de valor a ser confrontada a outras vozes, incluindo-se a do professor. Desse modo, a sala de aula passaria ser entendida como lugar carregado de história e habitado por muitos atores que circulariam do palco à plateia à medida que estivessem exercitando o discurso (CITELLI, 2000, p. 98). Trata-se de uma vertente que se compromete com a busca pela autonomia, coletividade, que visa o convívio, o respeito, o entendimento da ética, da cidadania.

Em diálogo com a teoria das mediações e os estudos de recepção, a educomunicação se propõe a estimular o conhecimento da linguagem audiovisual, de forma a desenvolver a leitura crítica dos meios audiovisuais.

O campo da Educomunicação nasceu, entre outras influências, da corrente intitulada “leitura crítica dos meios”, hoje atualizada em

“leitura crítica da mídia”, que defende como papel da escola o auxílio para que os educandos possam conhecer a linguagem e a gramática audiovisual, com o objetivo de formar sujeitos críticos diante das mensagens midiáticas. Outro apoio nessa proposição vem da teoria das mediações que compreende o receptor como um sujeito ativo, que negocia sentidos nas suas experiências pedagógicas e culturais (MOGADOURO, 2011, p. 20).

Refere-se a trabalhar a partir de um ecossistema comunicativo que visa buscar a boa relação entre os sujeitos e a expressão de grupos por meio das ferramentas da comunicação.

À totalidade desses circuitos de retroalimentação envolvendo desde o plano da produção material, passando pelas estratégias de composição e circulação das mensagens, chegando aos jogos coenunciativos, podemos chamar de ecossistema comunicativo – conceito utilizado, em sentido próximo, por autores como Mário Kaplún, Jesús Martin-Barbero, Pierre Lévy, Adilson Citelli e Ismar de Oliveira Soares (CITELLI, 2011, p. 62)

Assim, pode-se estudar a relação que se estabelece entre os estudos de recepção e as mudanças sociais trazidas com a tecnologia que modificaram e modificam a relação que as pessoas estabelecem com os produtos digitais. Muitos artigos têm sido publicados nessa área e trazem experiências internacionais, uma vez que o Brasil ainda não tem experiências expressivas nessa perspectiva, sendo esta pesquisa umas das contribuições para a área.

Se a educação é a área de entender o presente e dar o sentido histórico do momento atual em que vivemos, é também nela que devem se configurar as ações que poderão ditar o futuro. Se a educação tem cumprido esse papel não se pode afirmar, mas ressalta-se que quando isso não ocorre, ela passa a receber informações que vem de diversas áreas da sociedade e, por isso mesmo, se permite estar entregue ao mercado e às tendências sem reflexão.

Ressalta-se assim a necessidade de uma educação que se fundamente pela inovação e pela pesquisa, não com fins de se apropriar das ferramentas de última geração encontradas atualmente, mas como concepção. Uma educação que não sufoque a criatividade das crianças com suas inúmeras possibilidades de entender e dizer o mundo e que não castre a inventividade natural do ser humano para encaixotá-lo aos saberes impostos em uma diretriz, matriz ou grade curricular, seccionando os saberes e dicotomizando a relação pedagógica em certo e errado.

Algumas perspectivas têm se apresentado como possibilidade de pensar o presente e futuro das possibilidades tecnológicas e comunicativas no âmbito escolar. Assuntos como big data permitirão à educação cada vez mais criar conexões e produzir memória e história por meio de informações registradas. A robótica, já presente em grande parte das escolas, desafia a possibilidade de uma sociedade mais cidadã com o auxílio desses recursos. Igualmente desafiadora, a inteligência artificial que contribui para que as máquinas e os dispositivos tomem decisões forma mais autônoma, exige de seus criadores um compromisso ético.

Outro recurso ainda bem recente são as impressoras 3d. Não se sabe ainda seu real potencial, mas elas têm ganho relevado destaque em diversos campos da sociedade e na educação. Elas podem auxiliar na prototipação das ideias, produtos e soluções para problemas reais da sociedade e da escola.

Com todas essas possibilidades e inovações cabe refletir como a educação tem se preparado para se adequar ao presente e, em especial, preparar o futuro. As metodologias presentes no ensino tradicional não conseguirão receber os alunos inventivos sem perdê-los, assim como não bastará o uso das tecnologias de forma indiscriminada.

Haverá uma necessidade cada vez maior de uma discussão coletiva sobre em que sociedade e planeta se deseja viver: se povoados por predadores naturais ou em equilíbrio com a natureza, se com empregos sub-humanos ou que respeitem a capacidade humana, se socialmente respeitando as diferenças ou intolerantes, se com grupos e comunidades que se expressam ou que preferem falar a voz do outro, se um país sem a necessidade de leis porque sabe conviver ou com leis cada vez mais detalhadas, se um país em que a fome e a extrema pobreza é tolerada e convive com a mesa farta ou que exige condições mínimas e dignas de vida a todos.

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