CAMINHOS TRILHADOS PARA A PRODUÇÃO DOS DADOS DA PESQUISA
PERSPECTIVAS NO PROCESSO DE TORNAR-SE PROFES SOR
As professoras, ao repensarem sua formação inicial, con- siderando as contribuições recebidas e as lacunas para saber ensinar, têm ciência de que os saberes docentes produzidos nesta formação são insuficientes para aprender a ensinar com segurança e competência e desenvolver um trabalho educati- vo de qualidade.
Para enfrentarem com êxito as dificuldades formativas e da realidade escolar mesmo diante da desvalorização social e salarial, tendem a acreditar que essa situação não será perma- nente e que, com o tempo e com os investimentos na forma- ção profissional aprenderão a ensinar melhor, a serem melho-
res professoras. E, assim, diante da construção identitária de ser professora, no processo de desenvolvimento profissional. Apresentam perspectivas e projetos de vida que contemplam a continuidade de investimentos na carreira docente.
No âmbito desta pesquisa, mesmo diante da percepção das lacunas formativas para a fase inicial da docência, as professo- ras iniciantes decidiram trilhar o caminho docente, como opção profissional, mostrando certo encantamento e compromisso. Nas suas narrativas afirmaram gostar do que fazem e, por esse motivo, procuraram e continuam a investir na for- mação para crescerem, para ensinarem melhor e ascenderem profissionalmente.
“As perspectivas são as melhores possíveis preten- do continuar sendo professora e, aprender sempre para melhorar meu ensino, e quem sabe dar aula nesta IES. Tenho o sonho de dar aula no ensino su- perior, sou apaixonada. Vou continuar investindo na minha profissão porque quero ter uma quali- dade de vida melhor.” (PI1).
“Eu quero continuar nesta profissão porque gosto de ensinar e principalmente na educação infantil. Desde quando estava no estágio, sempre foi a mi- nha paixão, a educação infantil.” (PI2).
“Minha perspectiva é sempre continuar a minha formação, investindo nos meus estudos acerca da educação. Quero continuar em sala de aula com crianças na faixa etária de seis e sete, pois eu gosto de trabalhar envolvendo o lúdico.” (PI4).
”Como eu gosto de trabalhar ensinando e de ver o aluno aprender, vou continuar nessa área. E hoje o professor não deve ser só aquele que ensina só o que está no livro, ou somente a sua matéria.” (PI5).
Diante das afirmativas acima, podemos constatar que as professoras demonstraram ter adquirido afinidade com a profissão e vêm consolidando a identidade docente, eviden-
ciando o interesse em se comprometerem com os estudos e a formação na área da docência. As professoras PI2, PI 3 e PI 4 demonstraram interesse por continuar atuando no ensino infantil e séries iniciais do ensino fundamental.
As demais professoras pretendiam continuar na docên- cia, atuando com crianças nos anos da educação escolar para as quais tiveram a habilitação no curso de Pedagogia; a pro- fessora PI1 relatou acreditar na melhoria da sua qualidade de vida e no exercício da atividade profissional com o objetivo de tornar-se professora do ensino superior e da IES em que con- cluiu a graduação.
De acordo com as DCNP (2008), o professor formado no curso de Pedagogia será habilitado “para atuar na Educação infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos curso de Ensino Médio, na modalidade Normal, em cursos de edu- cação profissional na área de apoio escolar [...]”, e em outras áreas educativas que exigem conhecimentos pedagógicos.
As professoras iniciantes acreditam que no âmbito da profissão docente a formação e a aprendizagem da docência devem ser permanentes, e demonstram interesse em avançar profissionalmente na carreira docente em busca de realização pessoal e profissional, o que, para tanto apresentam perspec- tivas de investimentos formativos para tornarem-se melhores profissionais da docência.
A professora PI1, por sua vez, tem a perspectiva de conti- nuar investindo na sua formação profissional, buscando tornar- -se professora com crescentes qualificativos; pretende fazer um curso de mestrado na área da educação especial, área em que faz sua especialização e, pretende iniciar este investimento fazen- do curso de línguas por ser uma das exigências para a seleção.
“E pretendo depois fazer um curso de inglês, por- que eu sei que no mestrado tem que saber uma língua estrangeira. Então, pretendo fazer mes- trado, quero na área de educação especial. Esses investimentos eu não posso deixar de lado, tenho que dar continuidade, por realizações pessoais e porque quero dar continuidade na minha forma- ção, porque esse é o meu sonho de tornar-me uma
boa professora.” (PI1).
“Penso em continuar investindo na minha forma- ção. E pretendo quando passar em um concurso fazer especialização, mestrado e até um douto- rando, e nem que seja velhinha, mas procurando sempre conhecimentos para ser pesquisadora, pois o bom educador deve ser aquele que sempre está em busca de novos conhecimentos.” (PI5).
“Formei-me para ser professora, pois me identifico com esta área. E assim, espero continuar inves- tindo na minha carreira profissional, estudando e quem sabe um mestrado futuramente, pois quero ser uma profissional cada vez melhor, não quero ser uma Pedagoga sem perspectivas na vida.” (PI6).
A área de interesses na formação da professora PI4 também é a educação especial, conforme sua fala: “E pre- tendo terminar minha especialização em Educação Especial, para ter uma visão mais ampla de cada criança, da diversi- dade em si. Vou estudar muito mais para no futuro fazer um mestrado “. Nesse sentido, a professora ressalta ainda, que o professor tem que ser um pesquisador para adquirir no- vos conhecimentos na prática e sobre a prática e, portanto, acredita que a formação contínua do professor pesquisador efetiva-se “estudando a todo instante, sobre várias temáticas, que são fundamentais para que possa crescer como professora”. A professora PI5 mostra interesse em tornar-se uma professora pesquisadora prosseguindo a sua formação aca- dêmica, fazendo especialização que ainda não teve opor- tunidade de cursar e objetiva também, fazer curso de mes- trado e doutorado; visa ainda estabelecer um vínculo empregatício de estabilidade profissional, para ter maior segurança no emprego; pretende fazer concurso público na área da educação, haja vista que as professoras mantêm vín- culos por meio de contratos anuais com a rede municipal de ensino, e que nem sempre tais contratos são renovados. Na perspectiva de se formar o professor pesqui-
sador, o PPP (2008, p. 16) contempla no perfil do egres- so do curso de Pedagogia, a competência de saber fazer no exercício da profissão, “realizar pesquisas que propor- cionem conhecimentos, entre outros, [...]; sobre proces- sos de ensinar e de aprender, em diferentes meios am- biental-ecológicos; sobre propostas curriculares; e sobre organização do trabalho educativo e práticas pedagógicas.”
Para Cunha (2010), o professor aprende a ensinar por meio das vivências, de experiências de ensino na prática pedagógica mobilizando os conhecimentos adquiridos tanto na vida pes- soal quanto profissional. Tal afirmativa encontra ressonância na fala das demais professoras, bem como, no recorte da professo- ra PI7 “Pretendo continuar estudando para aprender a ensinar. E retornar aos estudos na área da educação. Pretendo sempre está atualizada para crescer na profissão que escolhi para minha vida”. De acordo com Mizukami (2010), o fazer docente é mediado por diversas teorias e metodologias tendo como foco um ensino reflexivo, e os professores ao analisarem e fazerem inferências acerca de situações concretas dos de- safios em sala de aula, estabelecem sua própria dinâmi- ca de trabalho, com base em seus princípios pedagógicos.
A professora PI 3 afirmou que mesmo cursando uma especia- lização em EJAI, pretende cursar uma especialização em educação infantil para atuar como docente, nesta etapa de ensino escolar.
“Pretendo continuar estudando, tomando a gradu- ação como base para buscar novos conhecimentos na minha formação continuada. Sempre buscan- do leituras, participar de seminários, de encontros, de cursos na área da educação e de formação de professores, e do que vier à acontecer para estar melhorando a minha prática.” (PI2).
“Penso que a formação inicial não é suficiente, pois no decorrer da profissão encontramos muitas dificuldades para desenvolver eficazmente a práti- ca. E para mim que trabalho na educação infantil, embora acredite que minha formação inicial te- nha enfocado bastante esse campo, sinto que fazer
uma especialização na educação infantil é essen- cial para desenvolver com mais competência meu trabalho. E, sempre estudar, pesquisar e procurar cursos de capacitação também é necessário para minha prática em sala de aula.” (PI3).
No âmbito desta pesquisa, é importante afirmar que a maioria das professoras objetiva as melhores condições de trabalho, do saber fazer profissional e, principalmente retor- no financeiro, oportunidade de acesso à obtenção de vínculo empregatício para garantir estabilidade na profissão e, mais qualificação no processo de desenvolvimento profissional. A Figura 7 sintetiza as perspectivas das professoras iniciantes em termos de ações concretas, com vistas à evo- lução no processo de desenvolvimento profissional docente.
Figura 7. Perspectivas formativas das professoras iniciantes
RESULTADOS DA PESQUISA: POSSIBILIDADES DE OFE-