• Nenhum resultado encontrado

CAPITULO V: ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.4 PESCA E DESENVOLVIMENTO LOCAL

O desenvolvimento econômico a partir da pesca está intimamente associado ao desenvolvimento da região, e isso não acontece somente pelo aumento da captura do pescado, mas sim por um conjunto de fatores econômicos (ALBUQUERQUE, 1961).

Sob o prisma econômico, o desenvolvimento pode ser entendido como aumento do fluxo real da renda por incremento na quantidade de bens e serviços a disposição de determinadas coletividades (FURTADO, 1961 apud VASCONCELLOS, 2013 p. 15).

Essas definições acima, ajuda-nos a refletir sobre a quantidade de bens e serviço disponíveis no Distritos de Icoaraci e assim como no Distrito de Vilankulo, que estes estão ligados diretamente a pesca artesanal, e também ao aumento do fluxo de renda dos intervenientes, tornando assim um dos fatores determinantes para uma avalição detalhada dos benefícios.

A indústria transformadora, as associações e colônias de pescadores, as comunidades pesqueiras, os centros turísticos, as finanças locais ou instituições macrofinanceiras, as lojas de venda de apetrechos de pesca e também de forma indireta a população local, são alguns elementos secundários que compõem atividade (Esquema 5).

Esquema 5: Relação da Pesca Artesanal com o Desenvolvimento Local nos Distrito de Icoaraci e

Vilankulo.

Fonte: Autora, 2016.

Estes elementos secundários, articulados com a pesca artesanal contribui para o desenvolvimento local, a partir da quantidade de bens e serviços disponíveis nestes distritos.

Ora vejamos, indústria transformadoras, assim como algumas empresas de pesca industrial, compram o produto que vem da pesca artesanal, a partir do atravessador. Segundo Sena (2005 p. 141) uma parte da matéria-prima, no caso de peixe também chega às empresas em caminhões isotérmicos ou frigoríficos, sendo normalmente trazidos por atravessadores.

A SUDAM (1993), no programa de desenvolvimento que inclui a pesca como uma atividade extrativa, traça um dos objetivos específicos que são: elevar a produção e oferta geral do pescado para o consumo regional e exportação seletiva; aumentar a oferta de alimentos na Amazônia; gerar emprego e renda em alta escala para a população amazônica.

Além desses objetivos específicos do programa de desenvolvimento para a região amazônica, tinha como diretrizes estimular o associativismo e os sistemas integrados de produção. Como por exemplo, de criação de cooperativas de produção e consumo que possam beneficiar as comunidades locais.

Em analogia aos sistemas integrados de produção, que auxilia a pesca artesanal nestas regiões em estudo, podemos considerar os centros turísticos, as lojas de venda de apetrechos de pesca, para além de gerar emprego as populações locais, também geram

Pesca Artesanal Industria Transfor madora População Local Lojas de Venda de Apetrecho de Pesca Finanças ao Nivel Local Centros Turisticos Comuni dade de Pescado res Associação e Colonia dos Pescadores

renda para os cofres do Estado, a partir do pagamento de licenças á finanças locais, para o exercício das atividades.

As associações e colônias de pescadores articulam junto com as comunidades pesqueiras e a população local, de modo a estimular os laços de ligação, a partir do associativismo de modo dinamizar esses grupos com objetivo de aumentar e fiscalizar a produção com vista a responder os desafios do mercado e melhorar as condições de vida.

A melhoria das condições de vida é considerada por Vasconcellos, como um elemento chave que não pode ser descartado no contexto de desenvolvimento. Todavia, para que isso aconteça todos elementos acima mencionados devem fazer a sua parte com todo rigor.

O rigor deve ser maior em comunidades pesqueiras, que devem ter como missão fiscalizar a atividades para que juntos procurarem proteger os seus territórios; trabalhem no manejo e preservação do ecossistema de modo a evitar a extinção de espécies, devido à pesca predatória e que também lutem por políticas públicas mais abrangentes.

Se essas ações forem bem articuladas principalmente no manejo e preservação do ecossistema, cumprindo o período do defeso e evitando a pesca predatória, certamente o volume da captura irá aumentar, e consequentemente haverá um aumento do consumo e comercialização do pescado. Mas para que isso se efetive, é necessário que os pescadores tenham meios, apetrechos e condições para conservação do pescado. Para tal, deve haver incentivos por parte das instituições financeiras locais, no que se refere a concessão de créditos para o setor de pesca.

Albuquerque (1964 p. 10) exemplifica que se não há crédito para a pesca, esta não atingirá as proporções desejadas, e se não existir um sistema de frio funcionando não haverá segurança no armazenamento da produção, e se os processos de secagem e salga são deficientes, não poderemos esperar haja aumento do consumo e da comercialização do pescado em proporção satisfatória, que possam contribuir para o desenvolvimento de uma região, que tem a pesca como um potencial recurso.

Desta forma, podemos concluir com a definição do desenvolvimento local: O desenvolvimento local é um processo de integração entre o individual e o coletivo; o urbano e o rural, de modo que a partir desta relação possam surgir iniciativas que

culminem na construção de uma nova realidade que beneficia a todos (SILVA C. B., 2012).

A partir desta definição, e olhando para os intervenientes nesta atividade, verifica-se que todos se beneficiam porque tem o mesmo foco que é geração de bens e serviço. Nesta ordem de ideia, esses intervenientes têm relações de trabalho com o pescador artesanal meramente profissional, com um objetivo comum.

a) Relações Entre os Pescadores Artesanais e os Comerciantes no Distrito de Icoaraci

A pesca artesanal desempenha um papel importante no desenvolvimento do distrito de Icoaraci. Pois, existe no distrito alguns sinais de crescimento, como por exemplo há muitas lojas de venda de apetrechos de pesca, e as instalação dessas deveu- se à grande procura por materiais para a reforma das embarcações, bem como a procura por instrumentos que os pescadores artesanais utilizam na sua atividade.

O desenvolvimento que poderá ser verificado a partir da pesca artesanal, está ligado a outros empreendimentos, como o exemplo as lojas de apetrechos de pesca e as redes de restaurantes que se implantaram no distrito e que contribuem através de pagamento de impostos ao município.

A Casa Beira Mar e JR Pesca, são lojas localizadas no Distrito de Icoaraci que se dedicam somente a comercialização de apetrechos de pesca, com foco na pesca artesanal. Estas duas lojas têm menos que 5 trabalhadores, e comercializam o material para a pesca artesanal como espinhel e material para malhadeira.

Dentre os materiais, os mais comercializados são materiais para malhadeira: o náilon, agulhas para costurar de malhadeira e chumbo. Do material para espinhal está o

rabo de tatu, anzóis de diversos tamanhos, âncoras, boias de isopor e etc.

Comercializam também cabos de polheitilen39, material para calafecto40 e também recarregam baterias que os PA utilizam para ver televisão e escutar rádio nas suas residências, assim como para a iluminação.

39 Polheitilen: material para fabricar espinhel.

Além disso, vendem também a farinha para as populações ribeirinhas, e peças de barco a motor, assim como carretilhas, elise, buchas de madeira para motor, algodão, ação em pó, cré, material para pintura das embarcações, assim como o Matapi e tarrafa.

A procura por apetrechos de pesca acontece mais na safra, e os principais compradores são: o pecador artesanal e o pescador amador. Algumas lojas entregam o material aos pescadores mediante o pagamento parcelado, muitas vezes essas lojas fazem desconto especial para clientes antigos.

No âmbito das parcerias existentes o proprietário da lojareconhece que a colônia apoia muito pouco o pescador, apenas o Banco da Amazônia é que apoia os PA do distrito de Icoaraci com situação regular, para se beneficiar de créditos destinados para a compra de apetrechos de pesca.

Para além da conversa formal com os proprietários de lojas de apetrechos de pesca, foi possível ter uma conversa informal com gerentes de restaurantes que compram o produto dos pescadores artesanais, esses confirmaram que tem sido um prazer trabalhar com esses pescadores, pois são fornecedores fixos, o que lhes facilita o trabalho.

Os comerciantes locais, dizem que o distrito desenvolveu muito nos últimos anos, e a abundância do pescado neste distrito tem levado muitos turistas a ter como destino Icoaraci para experimentar a gastronomia local, e que sem a pesca artesanal os seus negócios estariam estagnados.

b) Relações Entre os Pescador Artesanais e os Comerciantes no Distrito de Vilankulo

A relação entre os pescadores artesanais e comerciantes locais do Distrito de Vilankulo é aberta. Pois, existe uma ligação ou dependência mútua entre eles, onde os proprietários da loja de venda de apetrechos de pesca têm como cliente maioritariamente o PA de Vilankulo (Esquema 6).

Esquema 6: Relação entre os Pescadores Artesanais e Comerciantes Locais no Distrito de Vilankulo-

Inhambane-Moçambique.

Fonte: Pesquisa do Campo, 2016.

A partir da representação do esquema 5, pode-se interpretar a existência de interdependência entre o PA de Vilankulo e o proprietário de loja de venda de apetrechos, visto que o pescador necessita de apetrechos de qualidade, e com esses apetrechos os sujeitos conseguem executar a sua atividade sem limitações.

Com as condições climáticas favoráveis e havendo a abundância dos cardumes no local de pesca, o pescador consegue uma boa produção, o que abastece a população e comércio local. Os proprietários dos restaurantes e de instancias turísticas ganham porque garantem aos seus clientes um alimento fresco, saudável e de qualidade.

Resumindo, este ciclo se fecha com a seguinte reflexão: os proprietários de restaurantes receberão um produto de qualidade que é servido à sua freguesia, onde garante a sua renda mensal. Por conseguinte, o proprietário consegue arcar com as despesas, nomeadamente o pagamento do salário dos funcionários e os impostos que serão canalizados ao governo, o que contribuirá para o desenvolvimento local.

Ao nível do distrito de Vilankulo foram identificadas 03(três) lojas de venda de apetrechos de pesca, apesar da população ter indicado outros locais de venda, porém, estes são feitos de uma forma informal. Foi possível notar-se que no mercado informal há muitas bancas de venda de material elétrico que também vendem apetrechos de pesca.

Em termo de apetrechos de pesca, quem mais compra é o pescador artesanais individual e local. Os proprietários das lojas de venda de apetrechos se beneficiam porque tem a sua clientela fiel, que garante sua renda mensal, mas segundo eles é difícil estimar a quantidades por unidades dos produtos comercializados, porque o movimento varia muito de época para época.

PROPRIETÁRIO DE LOJA DE VENDA DE APETRECHO PESCADOR ARTESANAL PROPRIETÁRIO DE RESTAURANTES E DE INSTANCIAS TURISTICAS

Esses empreendimentos foram surgindo à medida que as necessidades foram aumentando, e tem como o seu público alvo o PA de Vilankulo. Estes têm a facilidade de empréstimos e pagamentos de forma parcelada para o caso do cliente que comprar o material em quantidade.

Neste tipo de atividade há uma quantidade significativa de pessoas envolvidas, principalmente jovens empreendedores, o que é bom no sentido de criação de iniciativas que visa na redução da pobreza absoluta e estimula o desenvolvimento local.

Foi possível observar ao nível do Distrito de Vilankulo, alguns benefícios sociais que servem como indicadores do desenvolvimento local. Isto é bem notório nas comunidades dos pescadores, onde foram construídas as vias de acesso para facilitar o escoamento do produto oriundos da pesca artesanal.

Para além de estradas já asfaltadas no ano de 2015, o município tem projeto de eletrificação das estradas e construção de mercados de peixe de primeira venda, o que é bom de ponto de vista de desenvolvimento local.

5.5 AÇÕES QUE BENEFICIAM O PESCADOR ARTESANAL, E QUE