SUMÁRIO 1 Introdução
1- Segurança estrutural
4.2. Componentes da fachada
4.2.6. Placa cimentícia
No Brasil, geralmente no sistema light steel framing é empregado no fechamento externo a placa cimentícia sem amianto devido as suas propriedades como tenacidade, ductilidade, capacidade de flexão e resistência à trinca (MARTINS et al., 2019).
A placa cimentícia também conhecida como placa de fibrocimento é bastante usada como material de revestimento em muitas partes do mundo, pois oferece muitas vantagens como revestimento externo. A indústria brasileira de fibrocimento é responsável por um bilhão de dólares do setor de construção civil, mercado superior ao pré-fabricado, argamassas e indústria de argamassas colantes. Atinge cerca de 420 milhões de metros quadrados por ano, representando 46,7% em produtos de fibrocimento (MARTINS et al., 2019).
A placa de fibrocimento é imune a danos causados pela água, e pode ser usado como revestimento externo (KHALIQ; MOGHIS, 2017). Além disso, por ter também melhores propriedades de resistência a quebra e abrasão, torna o revestimento externo favorável para minimizar a quebra e reduzir o custo de manutenção. A placa também tem baixo encolhimento e é flexível até certo ponto, portanto, pode facilmente suportar variações de temperatura (KHALIQ; MOGHIS, 2017).
Para garantir o conceito de industrialização da construção, já que a própria modulação estrutural é dimensionada para uma melhor otimização da utilização de chapas ou placas, as placas são dimensionadas com largura de 1,20m, múltiplo da modulação de 400mm ou 600mm como ocorre com as placas de gesso acartonado e placas cimentícias (CRASTO, 2005).
Em sua disposição, as placas cimentícias podem ser posicionadas tanto na vertical como na horizontal. Caso sejam necessárias junções horizontais entre placas, estas devem ser defasadas em relação às placas adjacentes (HOFMANN, 2015), conforme Figura 28.
Figura 28 - Paginação com placas defasadas
Fonte: Hofmann (2015).
Segundo a norma NBR 15498 (ABNT, 2016) as placas de fibrocimento são classificadas em dois tipos: classe A e classe B, mas é importante ressaltar que independentemente da classe é imprescindível seguir as instruções do fabricante o seu armazenamento, manuseio e instalação.
As placas da classe A, são voltadas para utilização em áreas com exposição as intempéries, como sol, chuva, calor e umidade. As placas são classificadas em quatro categorias, de acordo com a sua resistência a tração na flexão (Tabela 4).
Já as placas da classe B são indicadas para áreas não sujeitas as ações do sol, chuva, calor e umidade, tanto interna como externa. Nesta classe as placas são classificadas em cinco categorias de acordo com a sua resistência a tração na flexão (Tabela 4). Nos dois casos é importante que o fornecedor especifique a classe e categoria que atribua o produto.
Tabela 4 - Requisitos de resistência à tração na flexão
Categoria Placas de classe A (MPa) Placas de classe B (MPa)
1 - 4 2 4 7 3 7 10 4 13 16 5 18 22 Fonte: ABNT (2016).
Importante ressaltar que na norma são especificadas algumas tolerâncias que devem ser cumpridas para garantir o bom desempenho das placas em sua utilização, como:
Tolerância no comprimento e largura: +/- 2mm/m
Tolerância na espessura: +/-10% (em uma mesma placa, as variações de espessura não podem ultrapassar 10%, com base na maior medida)
Tolerância da linearidade das bordas: 3mm/m (comprimento ou largura)
Tolerância de esquadro é de 4mm/m. Espessura nominal de até 30 mm.
Os componentes de fibrocimento sem amianto apresentam maior tenacidade, ductilidade, capacidade de flexão e resistência a rachaduras. O problema é que o fibrocimento sofre alterações dimensionais quando exposto à umidade, e além disso a capacidade de absorção de água pode variar devido a sua forma de
fabricação, o que pode afetar o desempenho e as propriedades físicas e mecânicas delas.
A permeabilidade das placas cimentícias não deve ser elevada, podendo apresentar sinais de umidade nas superfícies internas, porém não sendo permitido aparecimento de gotas de água sob elas, assim como determina a norma NBR 15498 (ABNT, 2016). E em relação a absorção de água, deve ser menor ou igual a 25%, segundo a mesma norma e também a diretriz SINAT 003.
Além disso em relação ao tipo de reforço para resistir à flexão, as placas também se diferenciam, ´para permitir um manuseio sem ruptura existem as placas que possuem fibras sintéticas dispersas na matriz cimentícia e outras placas que possuem malhas de fibra de vidro incorporada à sua superfície (MEDEIROS et al., 2014).
Uma das grandes dificuldades das placas cimentícias encontradas no país, é em relação a variabilidade nos materiais. Como a sua capacidade de dilatação térmica pode variar muito de fornecedor para fornecedor, é importante que as placas sejam devidamente tratadas para não gerar um grande foco de aparição de manifestações patológicas.
Nesse sentido Medeiros et al. (2014) coloca que, para prevenir fissuras nos encontros entre as placas cimentícia, é necessário o tratamento com telas especiais, em geral de fibra de vidro, aplicadas com argamassa para suportar as tensões impostas pela dilatação e contração térmica e hidroscópica, ambas de caráter cíclico. Assim com a Diretriz SINAT 003 prevê a resistência da placa à ação de calor e choque térmico em trechos de paredes, não permitindo a ocorrência de falhas em relação ao tratamento de juntas.
4.2.7. Telas
As telas são de uso fundamental no sistema de light steel framing para evitar o surgimento de fissuras na superfície da fachada. Existem dois tipos de telas, uma que fica inserida na argamassa, utilizada na camada de regularização (rendering) (Figura 29) para distribuição de tensões, e outra tela para o tratamento das juntas Figura 30 (CARDOSO, 2016).
Segundo o manual da Brasilit (2018b), para o caso da tela posicionada em toda região argamassada, é importante que não ultrapasse o tempo de 15 minutos
após a aplicação da 1ª demão e que respeite a sobreposição de 15 cm entre faixas de telas.
Figura 29 - Tela de fibra de vidro inserida na argamassa.
Fonte: Acervo da autora.
Figura 30 - Tratamento de juntas com tela de vidro
Fonte: Brasilit (2018b).
4.2.8. Basecoat
Com função de preservar as placas contra umidade e a movimentação hidroscópica e ainda assegurar uma maior planicidade na superfície da fachada é colocada uma camada de argamassa de regularização no painel. Conhecida
internacionalmente como basecoat, essa argamassa especial é reforçada com uma tela de fibra de vidro no intuito de evitar a fissuração principalmente nas juntas entre painéis e em torno de esquadrias (MEDEIROS et al., 2014).
Devido a sua evolução o basecoat tem demonstrado melhores resultados quanto as movimentações e variações dimensionais dos elementos dos painéis, com desenvolvimento de técnicas construtivas e argamassas mais flexíveis (SANTIAGO, 2008).
O procedimento pode ser empregado da seguinte forma, após a montagem do painel, colocação das placas de OSB, membrana hidrófuga, placa cimentícia, feito o correto tratamento das juntas e colocação das telas, o basecoat é assentado conforme Figura 31.
Figura 31 – Aplicação da camada de Basecoat, após a colocação da placa cimentícia e tela de fibra de vidro.
Fonte: Acervo da autora.
Para que não haja perda brusca de umidade durante a aplicação da argamassa é necessário tomar alguns cuidados como aplicação em faces sem exposição direta da luz do sol, vento ou quando a superfície estiver com temperatura muito elevada (temperaturas entre 10°C e 40°C).
O basecoat não é acabamento final da fachada, sendo necessária a aplicação de pintura ou textura, ele pode ficar exposto à ação das intempéries por no máximo 60 dias. As condições climáticas são determinantes ao processo de secagem
e cura do sistema, podendo variar conforme o local de aplicação. A superfície onde serão aplicados os materiais não deve estar úmido, por isso evitar a aplicação em dias chuvosos (BRASILIT, 2018b).
4.2.9. Juntas
Para o acabamento final da fachada, deve-se ter um cuidado especial no tipo de junta a ser utilizada na fachada, é necessário levar em consideração antes da escolha de junta, a variação dimensional da placa cimentícia devido à temperatura e umidade tanto do material que irá revestir, quanto do ambiente que será exposto (SANTIAGO; FREITAS; CRASTO, 2012).
No mercado brasileiro já existem vários fornecedores de placas cimentícias, e muitas das suas características mudam de uma marca para a outra, como por exemplo a sua variação dimensional. Por isso os autores (SANTIAGO; FREITAS; CRASTO, 2012), colocam que a melhor solução para a placa com maior variação dimensional, seria a de junta aparente, com aplicação de perfis, que destacam visualmente as juntas. Neste caso as bordas das placas devem ser planas conforme Figura 32
Figura 32 - Encontro de duas placas com junta aparente
Fonte: Crasto (2005).
No caso da junta invisível, devido a essa diversidade de marcas e fornecedores de placas cimentícias, normalmente a utilização de uma placa cimentícia de uma marca obriga a utilização do tratamento de juntas daquele mesmo fornecedor, com as suas devidas determinações de telas, massas e rejuntamento. Além disso, nesse caso as bordas das placas devem ser rebaixadas para proporcionar um bom nivelamento da junta, como pode ser observado na Figura 33.
O espaçamento das juntas pode variar também de fornecedor para fornecedor, mas geralmente elas apresentam 3 mm entre placas (SANTIAGO; FREITAS; CRASTO, 2012). Mas além disso para que a fachada obtenha um bom desempenho e diminua as chances de aparição de patologias futuras é importante a previsão de outras juntas, como as juntas de dessolidarização, quando houver a junção da placa com outros materiais e ainda juntas estruturais para aliviar tensões provocadas pela movimentação da estrutura principal.
Figura 33 - Encontro de duas placas com junta invisível
Fonte: Crasto (2005).
4.2.10. Contraventamento
Para a estabilização das estruturas em LSF, o método mais frequentemente utilizado é o contraventamento em “x” (Figura 34), que consiste em utilizar fitas4 em aço galvanizado fixadas na face do painel, na qual a largura,
espessura e localização são determinados pelo projetista estrutural (SANTIAGO; FREITAS; CRASTO, 2012). Para a ancoragem do contraventamento na estrutura, é importante que se faça com uma placa de Gusset, (Figura 35), conforme especificado pelo projeto.
4 Fita de aço galvanizado empregada na diagonal como elemento de contraventamento de
painéis de parede, de piso e de cobertura. Em combinação com os bloqueadores, é também utilizada na horizontal para diminuir os comprimentos efetivos de flambagem global por torção e de flambagem global em relação ao eixo y do montante, e para o travamento lateral das vigas de piso ou cobertura (RODRIGUES; CALDAS, 2016).
Figura 34 - Painel com contraventamento em "x"
Fonte: Santiago, Freitas e Crasto (2012).
Figura 35 - Detalhe do sistema de contraventamento vertical
Fonte: Rodrigues e Caldas (2016).
Quando o projeto arquitetônico exige muitas aberturas no painel da fachada, o uso do contraventamento em “x” não é o mais apropriado, então, uma alternativa é o contraventamento em “k”, como pode ser observado na Figura 36 (SANTIAGO; FREITAS; CRASTO, 2012).
Figura 36 - Painel de contraventamento em "k"
Fonte: Rodrigues e Caldas (2016).
Devido a algumas dificuldades no contraventamento em “k” como, a necessidade de montantes adjacentes mais robustos em painéis a sotavento e significativas excentricidades que podem ser geradas nos painéis, o contraventamento em “k” é usado somente quando o contraventamento em “x” não é possível (SANTIAGO; FREITAS; CRASTO, 2012).
5. MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM FACHADAS EM CHAPAS DELGADAS