CAPÍTULO 1 O PLANEJAMENTO EDUCACIONAL NO CONTEXTO
1.5 Planejamento: o Plano Plurianual e o Programa Educacional do governo Dilma
No ano de 2010, candidatou-se ao cargo de presidente da República do Brasil, para o período de 2011 a 2014, a Ministra-Chefe da Casa Civil, do governo Lula da Silva (2007- 2010), Dilma Vana Roussef47, do Partido dos Trabalhadores (PT), com a intenção de continuar o projeto de governo dos dois mandatos anteriores de Lula da Silva, tendo em vista pertencerem ao mesmo partido político. Como candidato a vice-presidente, foi o Deputado Federal e Presidente da Câmara dos Deputados, à época, Michel Miguel Elias Temer Lulia, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), atual Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
A coligação “Para o Brasil Seguir Mudando” foi composta pela coalizão entre os partidos políticos: Partido dos Trabalhadores (PT), Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Partido Comunista do Brasil (PC do B), Partido da República (PR), Partido Democrático Trabalhista (PDT), Partido Social Cristão (PSC), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Trabalhista Cristão (PTC) e Partido Trabalhista Nacional (PTN).
O programa de governo foi expresso no documento intitulado “Os 13 compromissos programáticos de Dilma Rousseff para debate na sociedade brasileira”. O documento fazia uma avaliação do governo Lula da Silva, ressaltando que o governo contou com o apoio recebido da coligação de partidos no Congresso Nacional e da participação dos trabalhadores e seus sindicatos, do empresariado e suas entidades, bem como de ampla parcela da sociedade civil, afirmando que o governo Lula da Silva refletiu a força da democracia brasileira (PROGRAMA DE GOVERNO - PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO, 2010).
47 Dilma Vana Rousseff nasceu em Belo Horizonte (MG). Aos 16 anos iniciou a vida política, integrando organizações de combate ao regime civil militar. Foi ministra de Minas e Energia, 2003 a 2005. A partir de 2005 foi Chefe da Casa Civil, em 31 de outubro de 2010 venceu o segundo turno das eleições presidenciais e aos 63 anos de idade foi eleita a primeira mulher Presidenta da República Federativa do Brasil. Reelegendo-se em 2014. Em 12 de maio de 2016, dois anos antes do término de seu segundo mandato, foi afastada da função de chefe de Estado em decorrência da aprovação de denúncia de crime de responsabilidade n. 1/2015, parecer n. 475/2016. Em 31 de agosto de 2016 a Resolução n. 35 do Senado Federal julgou procedente a denúncia de crime de responsabilidade e lhe impôs a sanção de perda do cargo de Presidenta da República (BRASIL, 2017). Disponível em: http://www.biblioteca.presidencia.gov.br/presidencia/ex-presidentes/dilma-rousseff/biografia. Acesso em: 24 nov. 2017.
No documento, as políticas sociais do governo Lula da Silva são elementos estruturantes de uma nova política econômica que elegeu a ascensão social e a geração de emprego como suas prioridades. O documento reconhece que a inclusão social representou nas políticas educacionais outro elemento importante. O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB) também é destacado, assim como a criação do piso salarial nacional, os programas de qualificação dos docentes, o Programa Universidade para Todos (PROUNI) que beneficiou, no período, 704 (setecentos e quatro) mil estudantes, a construção de 214 escolas profissionais (PROGRAMA DE GOVERNO - PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO, 2010).
O documento também assinala que a expansão econômica coincidiu com o aprofundamento da democracia. Houve a retomada do planejamento, processo essencial com vistas ao crescimento, bem como importantes iniciativas para preservação e expansão dos direitos humanos. Nesses governos, de acordo com o documento, a participação social deixou as marcas da sociedade nas políticas públicas afirmando que os governos Lula da Silva refletiram a força da democracia brasileira (PROGRAMA DE GOVERNO - PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO, 2010).
No programa de governo “Para o Brasil Seguir Mudando” a proposta apresentada fora constituída de 13 compromissos programáticos apresentados no Quadro 5 a seguir
Quadro 5 - Programa de Governo coligação para o Brasil Seguir Mudando
13 compromissos programáticos de Dilma Rousseff para debate na sociedade brasileira
1-Expandir e fortalecer a democracia política, econômica e socialmente.
7- Garantir educação para a igualdade social, a cidadania e o desenvolvimento.
2-Crescer mais, com expansão do emprego e da renda, com equilíbrio macroeconômico, sem vulnerabilidade externa e desigualdades regionais.
8- Transformar o Brasil em potência científica e tecnológica.
3-Dar seguimento a um projeto nacional de desenvolvimento que assegure grande e sustentável transformação produtiva do Brasil.
9-Universalizar a saúde e garantir a qualidade do atendimento do SUS.
4-Defender o meio ambiente e garantir um desenvolvimento sustentável.
10-Prover as cidades de habitação, saneamento, transporte e vida digna e segura para os brasileiros.
5-Erradicar a pobreza absoluta e prosseguir reduzindo as desigualdades. Promover a igualdade, com garantia de futuro para os setores discriminados na sociedade.
11- Valorizar a cultura nacional, dialogar com outras culturas, democratizar os bens culturais e favorecer a democratização da comunicação. 6-O Governo Dilma será de todos os brasileiros e
brasileiras e dará atenção especial aos trabalhadores.
12-Garantir a segurança dos cidadãos e combater o crime organizado.
13-Defender a soberania nacional. Por uma presença ativa e altiva do Brasil no mundo.
Fonte: Fundação Perseu Abramo.
Disponível em: http://csbh.fpabramo.org.br/sites/default/files/programadegovernoDilma.pdf. Acesso em: 25 jun. 2017. Quadro elaborado para este trabalho.
Destaca-se no quadro o compromisso número 7 (sete) que expressa como o governo trataria a educação, sinalizando a continuidade da articulação para a política social enquanto direito, comprometendo-se com “uma ampla mobilização, envolvendo poderes públicos e sociedade civil” (PROGRAMA DE GOVERNO- PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO, 2010).
Com a proposta apresentada e com a intenção de dar continuidade às políticas do governo Lula da Silva (2003-2010), foi eleita no segundo turno48, para o vigésimo nono governo republicano, para presidenta da República Dilma Vana Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, com 55.752.52949 (cinquenta e cinco milhões, setecentos e cinquenta e dois mil e quinhentos e vinte e nove) de votos, sendo essa a primeira mulher eleita para tão importante cargo no Brasil.
Ao ser empossada, a presidenta destacou que “[...] no plano social, a inclusão só será plenamente alcançada com a universalização e a qualificação dos serviços essenciais. Um passo decisivo e irrevogável para consolidar e ampliar as grandes conquistas obtidas pela nossa população” (ROUSSEFF, 2011), sinalizando a continuidade das intenções do governo anterior.
A Lei n.12.593 de 18 de janeiro de 2012 instituiu o PPA “Plano Mais Brasil: mais desenvolvimento, mais igualdade, mais participação” para o período de 2012 a 2015, no governo Dilma Vana Rousseff (BRASIL, 2012).
Rocha (2016, p. 25) comenta que, tecnicamente, o PPA 2012-2015 “mantém a preocupação com a redução das desigualdades e é inequívoco quanto ao papel do Estado na promoção de políticas sociais”. Observa-se que o plano procurou manter os objetivos de governo presentes nos dois últimos PPAs.
A organização para a atuação governamental foi realizada por meio de Programas Temáticos e de Gestão50. O plano manteve o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em sua segunda etapa, bem como o PDE, acrescentando novos programas, o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, com o IDEB e o PAR (em seu segundo ciclo e com alterações em sua estrutura).
48 Dilma Vana Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, disputou o segundo turno das eleições presidenciais do ano de 2010 com o candidato José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que obteve 43.711.388 de votos.
49 Dados do Tribunal Superior Eleitoral – Eleições 2010. Disponível em: http://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes- anteriores/eleicoes-2010/candidaturas-e-resultados/resultado-da-eleicao-2010. Acesso em: 20 ago. 2017.
50 A Lei que institui o Plano em seu Art. 5º define: “I- Programa Temático: que expressa e orienta a ação governamental para a entrega de bens e serviços a sociedade. II- Programa de Gestão, Manutenção e Serviço ao Estado: que expressa e orienta as ações destinadas ao apoio à gestão e à manutenção da atuação governamental” (BRASIL, 2012).
Com relação à área educacional, o PPA 2012-2015 apresentou um diagnóstico do país demonstrando as conquistas e os desafios que ainda persistem na educação básica: o analfabetismo, o abandono escolar na faixa etária de 15 a 17 anos (ensino médio), a falta de creches para crianças de 0 a 3 anos (mais de 80% sem vaga). Na educação superior os números apresentados também constituíram dados desafiadores: apenas de 14,4% a 26,7% do total de pessoas na faixa etária de 18 a 24 anos frequentam o ensino superior (taxa líquida) e o número de mestres e doutores de 26 a cada 100 mil pessoas (BRASIL, 2011).
Para enfrentar esses desafios, consta no PPA as 20 (vinte) metas do Projeto de Lei do PNE 2014-2024, que à época estava em debate com a sociedade. As metas abrangem a expansão das matrículas e frequência em todos os níveis e modalidades de ensino; a melhoria da qualidade da educação básica com a continuação do PDE, Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação e o PAR; o estímulo à formação e valorização dos profissionais do magistério; estímulo à educação em tempo integral; alfabetização; elevação do investimento público em educação; profissionalização e democratização da gestão escolar e a inclusão de segmentos específicos (BRASIL, 2011).
O PPA 2012-2015 destacou como ponto intermediário para o alcance das metas do PNE a visão sistêmica na manutenção dos compromissos com a política educacional a partir de três Programas Temáticos: Educação Básica, Educação Profissional e Tecnológica, Educação Superior - Graduação, Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão (BRASIL, 2011).
Para a segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no PPA 2012 - 2015 foram incluídas, como compromisso do governo Dilma Rousseff, a construção e a cobertura de quadras escolares e a construção de unidades de educação infantil. No entanto, o destaque da política educacional foi o ensino profissional, com a meta de 8 (oito) milhões de matrículas no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (PRONATEC), o aumento do número de escolas da rede federal e tecnológica e o compromisso do número de campi da Rede Federal de Educação Superior e o de Universidades Federais.
O governo Dilma Rousseff promoveu a continuidade da discussão e a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE), instituído por meio da Lei n. 13.005 de 25 de junho de 2014 (BRASIL, 2014) para o período de 10 (dez) anos. Com base nesse PNE, os estados elaboraram seus Planos Estaduais de Educação e os municípios os Planos Municipais de Educação, para o período de dez anos.
O governo Dilma Rousseff (2011-2014) manteve o PDE e seus programas que deram sustentação à continuidade da política educacional, que tentou reverter o processo de aprofundamento das desigualdades (SAVIANI, 2014).
Os governos do período de 2003 a 2010 priorizaram em seus Planos plurianuais a educação como fator de inclusão e justiça social, “instaurando, em certa medida, seu papel protagonista na definição das políticas educativas em âmbito nacional, o qual havia se esmaecido pelas reformas ocorridas na década passada”, utilizando os termos de Oliveira (2009, p. 206). Os governos Lula da Silva e Dilma Rousseff, ao mesmo tempo que permitiram acesso aos mais necessitados, responderam, contraditoriamente, a demandas dos setores privados empresariais, como os casos do Programa Universidade para Todos (ProUni) e do Fies (OLIVEIRA, 2015).
O planejamento educacional, enquanto instrumento político de intervenção nas questões específicas da educação, compôs, apesar da contradição aqui destacada, o programa educacional desses governos com ênfase na da gestão democrática, reorganizando e incentivando a existência de espaços de decisões coletivas locais, como os Conselhos de Educação.
No Capítulo 2, a seguir, busca-se contextualizar o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, que instituiu o Plano de Ações Articuladas (PAR), no contexto das relações federativas.