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POLÍTICA FISCAL

No documento , HISTORIA GERAL (páginas 166-177)

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LAVOURA BRASILEIRA foi, em todos os tempos, a mula de almo-creve, conduzindo às costas os fardos onerosos das despesas de custeio, de expansão e as suntuárias. Calógeras faz o contraste entre a soma de riquezas produzidas pelo indivíduo e as contribuições dêle exigidas pela administração pública, embora muitas vêzes as iniciativas e realizações surgissem e triunfassem aqui à revelia do govêrno, e até apesar dêle ou contra êle. O que mais doía à colônia, era a finalidade das somas resultantes da escorcha fiscal:

"ouro e diamantes do Brasil custearam o fausto das embJixadas a Roma, o embelezamento de Lisboa, as saturnais de D. João V, o erguimento de palácios como Mafra". Mas, muito antes do quinto do ouro, que levantou as Minas Gerais, sofria o Brasil uma outra escorcha, recaindo diretamente sôbre a agricultura, em pro-porções que chegavam até 50% do valor da produção. Era, positi-vamente, o confisco. "Além da dízima no caso da exportação -diz Varnhagen - o açúcar, o tabaco, o algodão, a aguardente, gados e outros gêneros, achavam-se onerados quando consumidos no país.

O Estado arrecadava a quarta parte da produção do país". Arreca-dava mais. E arrecadou mais ainda, pois no comêço do século XIX Portugal estava viciado a gastar muito, a dessedentar-se no Pactolo brasileiro, que desaguava na sua côrte, ao passo que, encerrada a fase da mineração, se voltou a ter uma única renda - a agrária.

O primeiro ônus a pesar sôbre a nossa agricultura foi o dízimo real, cobrado mais ou menos em nome de Deus, por causa da denominação e do que esta fazia lembrar. A seguir, os impostos alfandegários, recaindo sôbre a totalidade das mercadorias entradas, muitas das quais sofriam ainda taxas adicionais. O mais notável é que se taxavam os próprios objetos aqui produzidos e consumidos.

~lém. dessa tributação geral, havia a regional e os derrames oca-s1onats. Como exemplo da primeira, citemos o caso das Minas Gerais, que, além dos impostos que incidem sôbre tôda a colônia,

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S pagavam 4$800 por escravo entrado, e mais um taxa de valor móvel sôbre cada pacote de fazenda, vinho e outros artigos. E' 0 qu~

info~ma Rese~de S~lv~ em A Fronteira do Su~, ~ o que se vê nas crônicas de Samt-H1la1re, que nos refere os registros do rio Paraíba de Matias Barbosa, e outros. Há em Minas uma cidade chamad~

Conta~em, no~e recebido do .impôsto cuj~ ponto de arrecadação era ah. Em Sao Paulo há a cidade de Registro, onde se registrava o ouro e recebia o respectivo impôsto. Havia ainda o impôsto de exportação, que recaía também sôbre a venda dos bens de raiz e sôbre os escravos. Certos gêneros constituíam monopólios da coroa.

Como exemplo de derramas ocasionais, encontramos caso suges-tivo nas Memórias Históricas, e Políticas da Província da Bahia, ao tempo de D. Marcos de Noronha, Conde dos Arcos, no ano de 1756. Perante o Senado da Câmara, o juiz-de-fora comunicou a todos os maiorais presentes que o vice-rei lhe passara uma cana assinada pela própria real mão de Sua Majestade, a qual carta comunicava "em como no dia I.0 de novembro do ano próximo passado, havia a onipotência divina, avisado ao reino de Portugal, com um tão funesto terremoto, que em 5 minutos de tempo arruinou os palácios, os templos, os tribunais, e as alfândegas, com as merca-dorias que nelas se achavam para pagar direitos e maior parte dos edifícios de Lisboa, esperando de seus fiéis vassalos desta cidade, e da sua comarca, que não só tomaram uma grande parte em tão justificado sentimento, e nos louvores que deviam dar à divina misericórdia, por haver suspendido o castigo, com que pudera total-mente ter aniquilado o mesmo reino, mas que pela natural corres-pondência, que tôdas as partes do corpo político têtn sempre com a sua cabeça, e pelos interêsses que se seguirão a todos de ser prontamente reedificada a capital do reino, e seus domínios, o haviam de servir em tão precisa ocasião, com tudo que lhe fôsse possível, deixando ao arbítrio do nosso amor, e zêlo do real serviço, e do bem comum a eleição dos meios, que se achassem mais propor-cionados para se conseguir um tão importante, como glorioso fim, e que por virtude desta carta fôra chamada a nobreza desta cidade, ao mesmo Senado, ao som de sino corrido, para se elegerem oito pessoas para estudarem os melhores meios de atender a Sua Majestade".

Vinha de outros tempos essa "natural correspondência", em nome da qual a colônia tomava sôbre seus ombros os ônus da metrópole. Sua Majestade faz uma promessa e é atendido pela Providência, devendo, em pagamento, construir Mafra. A colônia fornecerá os recursos. Sua Majestade perde a Angola, de que se apossam os holandeses. Salvador Correia de Sá e Benevides esten-derá a sacola no Rio de Janeiro, amealhará somas e mobilizará tropas brasileiras, que, sozinhas, restituem a Sua Majestade a colônia africana. O terremoto arrasa a própria córte. Ressurge a idéia,

156 - TERCEIRA PARTE: 1, FATORES POLITICO-ECONOMICOS A I A lançada por Martim Afonso de Sousa, de mudar-se para o Brasil o Portugal, com a régia famíHa, os nobres, o mais aproveitável, porventura existente - idéia, que também o Padre Vieira eloqüen-temente advogara, bem como D. Luís da Cunha, segundo o qual

"não pode el-rei manter Portugal sem o Brasil, enquanto que para

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manter o Brasil não carece de Portugal: melhor é pois residir onde está a fôrça e abundância, do que onde é a necessidade e a falta de segurança ... " Com a reticência também (D. Luís da Cunha era grande diplomata português). Destruída Lisboa, pensou na mudança o próprio Marquês de Pombal, que, mais tarde, quando os espanhóis invadem o reino, manda encostar embarcações no Terreiro do Paço, para uma possível transmigração ao Brasil. Mas, qavia solução mais simplista: o Brasil mandaria o com que recons-truir, o com que erguer os incríveis pombalinos da Baixa, as tais edificações discutíveis, a que se refere Calógeras, e que lá estão até hoje, gemendo e chorando sob nossos passos. Então, a Comissão, que o Senado da Câmara elegeu, encontrou o meio: só a capitania baiana pagaria, durante trinta anos, cem mil cruzados por ano,

"ficando-lhes sumo pesar de não poderem converter o sangue das próprias veias em abundantes cabedais, para todos oferecerem nesta ocasião espontâneamente a S. M., em sinal de fidelidade, amor e zêlo de seus vassalos" - tirada positivamente degradante. Em atenção "às grandes misérias e calamidades, em que se achava a capitania, e perdas conhecidas, que havia experimentado nos anos pretéritos, e experimentou também na ocasião presente, corh os muitos efeitos e cabedais, que perdeu na cidade de Lisboa"; e como os três milhões de cruzados só podiam ser pagos na proporção de cem mil por ano, se tributaram, mais, os seguintes artigos: Carne de vaca, azeite doce, peixe, aguardente e escravos, na proporção de 875:000$000 para a cidade e seu têrmo; 325:000$000 para a cidade de Sergipe e respectiva capitania. Cumpre considerar que, pouco antes, a capitania baiana fôra onerada com 2. 200:000 cruzados de impostos, pagáveis em vinte anos, como brinde de casamento de Sua Majestade e a sereníssima rainha católica. De 9 de setembro de 1785 em diante, a farinha, o arroz, o milho e o feijão baianos contribuíram com 381 :563$370 de impostos, a 20 réis por alqueire.

Ainda na questão fiscal, vamos encontrar mais uma demons-tração do como o Portugal considerava o Brasil simples colônia de exploração, da qual sairiam os maiores proventos possíveis, sem t~abalho de espécie alguma. O govêrno português não arrecadava diretamente os impostos, por meio de exatores oficiais: arrendava-os por meio de arrematação em hasta pública, a quem mais dava, e que adquiria o direito de explorá-los durante três anos. Os funcio-nári?s incumbidos de receber os lances e escolher entre os licitantes, pra~1cavam as maiores prevaricações. Assim, os impostos, já anti-p~ticos pe.Io fato de corresponderem a permanente sangria ao orga-.. msmo nac10nal, em benefício de metrópole absolutamente parasitária,

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ainda o eram por estarem certos os contribuintes de concorrer, com êles, para o enriquecimento de funcionários menos honestos e de intermediários entre o povo pagante e o govêrno beneficiado.

Não se fazem referências à tributação sôbre o ouro, por inte-ressar menos à agricultura, objeto do presente trabalho. Ai, também se encontravam dislates de tôdas as proporções. De resto, era mesm~

sôbre a agricultura que caíam mais uniformemente os tributos.

Além dos permanentes, os disfarçados, para isso ou para aquilo, como já vimos no caso da reconstrução de Lisboa, para o donativo à rainha, por ocasião de seu casamento, etc. A coisa repetia-se cada vez que, por exemplo, a Holanda cobrava mais incisivamente alguma divida, ou quando os mouros estavam com as prisões muito cheias de lusos, e desejosos de receber o respectivo resgate. Sendo reduzido o custeio da colônia, entre a receita e a despesa havia sempre grandes saldos, de que se apropriava a metrópole, além dos tributos, que já percebera. Apesar disso, em 1800 Portugal devia 90 milhões de cruzados. Segundo Pereira da Silva, não havia ramo da admi-nistração "em que a voz pública não deparasse malversações e desba-rato, e não acusasse, sem disfarce, os agentes de tamanhas prevari-cações". Ainda segundo o mesmo autor, na sua História da Fundação do Império do Brasil, os membros da nobreza e os parentes dos ministros acumulavam, colecionavam empregos e, mesmo assim,

"estavam as repartições públicas atulhadas de servidores em número tão crescido, que uns aos outros se atrapalhavam no serviço, que não se fazia ou se fazia mal, porque ninguém trabalhava e nem mostrava zêlo pela administração do Estado. Faltava para algum apatrocinado um emprêgo, com a comenda, remunerada por uma pensão, se pagavam as suas aspirações, pretextando para isso serviços próprios, ou de seus ascendentes, ainda que pinguemente estivessem já indenizados". A agricultura brasileira e, por algum tempo, as minas brasileiras forneceriam o numerário preciso.

Segundo Simonsen, os monarcas portuguêses recebiam 50% do vinho, l

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do trigo e prestações várias em outros gêneros. t.sse mesmo historiador da economia nacional teve o cuidado de rebuscar os valores, em reais ou em réis, correspondentes ao cruzado, reinado por reinado. Constando em cruzados os impostos referidos neste capitulo, aqui daremos tais valores, apenas quanto aos reinados durante os quais o Brasil foi colônia portuguêsa. De 1495 a 1521 (D. Manuel 1): '!,90 e 400 reais. De 1521 a 1557 (D. João III):

400 reais. De 1557 a 1578 (D. Sebastião), de 1578 a 1580 (D.

Henrique), em 1580 (os governadores), de 1580 a 158'!, (D. Antônio), de 1580 a 1598 (Filipe 1): 500 réis. De 1598 a 1621 (Filipe II), de 1621 a 1640 (Filipe III) e de 1640 a 1656 (D. João IV), 400, 750 e 875 reais. De 1656 a 1667 (D. Afonso VI), 875 e mil reais.

De 1667 a 1706 (D. Pedro II), a moeda valia 4.000 reais. De 1706 a 1750 (D. João V), 4.800 reais. Cruzado novo, 480 reais, e escudo, 1. 600 reais. De 1750 a 1777 (D. José 1), escudo, 1. 600 reais, cruzado

158 - TERCEIRA PARTE: I. FATÔRES POLÍTICO-ECONÔMICOS novo, 480 reais. De 1777 a 1799 (D. Maria 1), escudo, l . 600 reais, cruzado novo, 480 reais. De 1799 a 1826 (D. João VI), como no reinado anterior.

Ninguém podia explorar marinhas de sal, nem engenhos de água ou de bois, sem licença dos donatários das capitanias, sem

· lhes pagar fôro. tsses donatários tinham direito de percentagem sôbre as passagens fluviais.

Embora o açúcar brasileiro houvesse dado a Portugal a liderança dêsse produto, foi sôbre êle lançado um impôsto de 20%, em proteção ao da Madeira, ameaçado de baixas. O Padre Estêvão Pereira conta ainda a complicação dos partidos de terceiro e partidos de quatro: "Das terras que estão ao longo do mar ou de rios nave-,gáveis se paga a fazenda de renda em cada um ano a terceira parte

do açúcar, que se faz da cana do tal partido, que pertence ao lavrador verbi g. deu a cana do dito partido 600 arrôbas de açúcar, destas são 300 do engenho onde se fêz, as outras 300 (que é a metade) pertencem ao lavrador. Destas tem a fazenda cem arrôbas que é a têrça parte. A êstes chamam partidos de terceira. Há outros partidos de quatro, de que se paga só a quarta parte do açúcar pertencente ao lavrador, e são os daquelas terras que ficam afastadas de portos de mar, ou rios. Das quais per rezão da serventia mais trabalhosa, em se levar a cana a carregadouro, se abate a renda.

Tôdas estas terras dos partidos podem hoje valer em seu comum,

e justo preço, quarenta mil cruzados bem pagos em 3 ou 4 anos.

"O real engenho de Ceregipe (bem conhecido por êste "home) assim no material como no formal, é um dos melhores e mais célebres, que tem o Brasil: em rezão do sítio em qua está, no meio de infinitos canaviais com extremada serventia, a êles por vários rios navegáveis. Pela formosa levada de água perene com que mói, pelo bom fornecimento que ainda hoje tem (com as coisas andarem atrasadas) e é o melhor que em outro algum engenho da Bahia, em tudo: e ultimamente em rezão da muita cana de quase tôda a grande Patatiba Avecupe, o Ceregipe, que lhe está obrigada."

Todos os lavradores eram obrigados a entregar sua cana a êsse célebre engenho.

Também a pecuária sempre foi grande contribuinte. Em 1835-1836, ela contribuiu com 132:710$748, num orçamento de receita aproximado de 300 contos (província de São Paulo), sendo que só o novo impôsto de renda dos animais em Sorocaba rendeu 22:074$216.

Cada muar procedente do sul rendia, em 1820, 3$500 de impôsto, dos quais 1$000 cabiam à província do Rio Grande. "Mesmo após a Independência, diz Simonsen, houve vários anos em que a maior renda da Capitania de São Paulo provinha dos registros do Rio Negro, Guarapuava e Sorocaba. Para se aferir da repercussão política de tal comércio, basta citar que uma das causas apontadas para a Revolução dos Farrapos, em 1835, fôra a dêsses direitos de entrada do gado rio-grandense nas outras províncias, julgados

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sivos, como de fato o eram, pelos criadores de gado." No excelente estudo sôbr: a Guerra dos Farrapos'. expõe Castilhos Goycocheia que, das 90 razoes, constantes do manifesto de Bento Gonçalves, mais da têrça parte é de natureza econômica, notadamente estas: só num ano o govêrno central onerou a Província com a soma de 800 contos de réis, exigindo subseqüentemente outras somas quase iguais: o govêrno imperial deu por satisfeita a avultada dívida de São Paulo ao tesouro da Província sulina, "não obstante haver já concedido àquela Província os direitos dos nossos animais introduzidos para a mesma Província". Outro motivo: "Sôbre Povo algum da Terra carregou mais duro e mais pesado o tempestuoso aboletamento:

transformou-se o Rio Grande numa estalagem do Império!" E esta, de caráter eminentemente fiscal: "A carne, o couro, o sebo, a graxa, além de pagarem, nas Alfândegas do país, o duplo do dízimo de que se propuseram aliviar-nos, exibiam mais 15% em qualquer dos portos do Império. Legisladores nos puseram desde êsse momento na linha dos Povos estrangeiros, desnacionalizaram a nossa Província e de fato a separaram da Comunhão Brasileira. Pagávamos todavia $080 réis do dízimo dos couros e mais ... 20% sôbre o preço corrente, nós que já íamos vencidos na venda dêstes gêneros, pela concorrência dos nossos vizinhos, nos mercados gerais." Ainda outro motivo de ordem fiscal para a Guerra dos Farrapos: "tirou-nos o dízimo do gado muar e cavalar e substituiu pelos direitos de introdução às outras Províncias. Nós o pagávamos oneroso em Santa Vitória, escandaloso em Rio Negro, insuportável em Sorocaba, pontos pre-ciosos do trânsito dos nossos tropeiros aos mercados de São Paulo, de Minas e da Côrte". O último argumento do manifesto de Bento Gonçalve~ é ainda de natureza fiscal: "Tal era a outra que

estabe-leceu o impôsto de 10$000 sôbre légua quadrada de campo, e criou os direitos sôbre os chapeados, as esporas e estribos dos nossos cava-leiros, além de muitas outras imposições igualmente injustas e impo..

líticas, mas necessárias para a sustentação dos novos Pretorianos que deveriam pôr as algemas em nossos pulsos." Realmente, só com muita dificuldade conseguiria o fisco ser mais minucioso. Desceu até às esporas ...

Havia também impostos em benefício de pessoas. O Coronel Cristóvão Pereira, por haver aberto a estrada para o sul, percebia 1$250 sôbre cada cabeça dos gados e cavalgaduras procedentes de lá.

Costumavam ser 30$000 por ano. A Fazenda Real percebia rendas provenientes dos seguintes impostos permanentes: quintos, entradas, passagens de rios, dízimos, ofícios de justiça, donativos, arrematações privilegiadas de contratos, confiscas fiscais. Nos fins do século XVIII, a província da Bahia tinha o dôbro da população da de São Paulo, ao passo que sua renda de impostos era cinco vêzes superior. Motivo evidente: a agricultura, boi de coice jungido eternamente ao cabe-çalho do pesadíssimo carro fiscal, era muito mais desenvolvida do que aqui.

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O erário real percebia impostos sôbre a importação de escravos, sôbre as entradas de mercadorias pelas alfândegas, dos monopólios do fumo e do sal, sôbre o trânsito de mercadorias nacionais dent10 do território do país. Simonsen calcula em 500 mil libras esterlinas, excluído o rendimento do ouro e dos diamantes, tôda a receita fiscal da colônia, em 1770. E cita expressivo trecho de Raynal: "Uma colônia tão interessante tem sido útil a Portugal de diversos modos.

O aumento de suas rendas públicas pelo Brasil tem muito preocupado seus administradores. A obrigação de pagar os transportes dos metais, reservada aos navios de guerra; o comércio exclusivo dos diamantes;

a venda de um grande número de monopólios; as taxas das alfân-degas; tais são as fontes que o fisco organizou na Europa. Na América, exigem-se os quintos do ouro e dos diamantes, alcança l. 076. 650 libras; contribuição para a reedificação de Lisboa e escolas públicas, 385. 000 libras. Postos de justiça, 153. 000 libras.

10% do que entra, 10% do que sai, 4.124.000 libras. Direitos de circulação de mercadorias no interior, l. 124. 000 libras. Monopólio do sal, sabão, mercúrio, aguardente, cartas de jogar, 710. 320 libras.

Total: 18. 073. 970 libras turnezas", que Simonsen diz corresponderem a {. 700. 000. Incontestàvelmente,. o Brasil foi o melhor negócio que já houve no mundo. De acôrdo com o português Sebastião Ferreira Soares, do Brasil se extraíram impostos especiais na importância de 27. 000. 000 de libras para custeio da criação do patriarcado de Lisboa, presentes à cúria romana e conseqüente obtenção do tJtulo

"Fidelíssimo", usado pelos monarcas lusos. Só em dinheiro contado, 115. 509. l 32 cruzados. Em ouro, 6. 417 arrôbas e pico. Em prata, 324 arrôbas. Em cobre, 15.697 arrôbas. Em diamantes, 2.308 quilates." Isso, no século XVIII. No início do seguinte havia mais êstes impostos, "além do dízimo tradicional de todos os produtos agrícolas, pescarias e gado", segundo Simonsen: ·

1.0: o subsídio real, produzido por impostos recaindo sôbre

~tividades agropastoris; 2.0: o subsídio literário, produzido por impostos da mesma natureza; 3.0 : o impôsto em benefício do Banco do Brasil, recaindo sôbre atividades comerciais e sôbre o fumo·

4.0: a taxa suntuária; 5.0: a taxa sôbre engenhos de açúcar ; destilarias; 6.0: a décima sôbre os aluguéis; 7.0 : a sisa, impôsto também urbano; 8.0: a meia sisa, impôsto sôbre o negro ladino.

9.º: os novos direitos. Havia também taxas municipais, mencio-nando Oliveira Lima a de 320 réis cobrada na comarca de Paracatu por cabeça de gado exportada, e a de 80 réis, que na vila de Caeté se_ cobrava por carga de algodão saído. Ainda segundo Oliveira Lima, em 1812 o algodão pagava 600 réis por arrôba; o açúcar branco, no Recife, 60 réis, e o mascavo 30 réis. Todos os produtos embarcados no Rio pagavam a taxa de 2%, Pernambuco cobrava de 6 a 10% sôbre o valor das mercadorias exportadas. Henderson refere que nos últimos tempos da presença de D. João VI no

POLITicA FISCAL -' 161 Brasil, a alfândega do Rio de Janeiro rendia de 500 a 600 mil libras esterlinas por ano.

Tavares Bastos vê no excesso de tributação um dos impedimentos da pr~speridade amazônica. Não eram poucos ali os impostos, no Império. No Pará: a borracha pagava 8% para desembarcar em Belém e 5% para embarcar-se para o estrangeiro, já tendo pago no distrito produtor 3%; com 7% do impôsto geral de exportação, 23%, A que procedia do Alto Amazonas pagava ainda à província de procedência 15% pela exportação, 3% ao distrito produtor e mais os 7% do impôsto geral. O cacau pagava 5% de impôsto de saída, 3%

ao 'distrito produlor e mais os 7% do impôsto geral. O fumo pagava 15% à província, 3% ao distrito e os 7% do impôsto geral.

No norte, sob o domínio holandês, mas antes da chegada do grande Nassau, as dificuldades financeiras da Companhia das fndias Ocidentais forçaram pesados impostos: 10% sôbre o açúcar, 20%

sôbre os transportes, pesados gravames aos produtos agrícolas desti-nados à exportação, sôbre a carne de vaca, etc. Além disso, não se pagavam aos agricultores os víveres e as farinhas por êles fornecidos às tropas. Diz Hermann Watjen em O Domínio Colonial Holandls no Brasil, que "já não se suportava mais ver como aquela pobre gente, com os olhos rasos de lágrimas, implorava o pagamento daquilo a que tinha direito e era obrigada a retirar-se de mãos abanando". Em 1637, havia do Nordeste nove grupos diferentes de impostos: dízimo da lavoura e criação de gado, rendendo 11. 000 florins em Pernambuco, 13.000 em Itamaracá e Goiana, 26.000 na Paraíba e 825 no Rio Grande do Norte; impôsto sôbre engenhos de açúcar, rendendo 12. 000 florins em Pernambuco; a sisa sôbre o vinho, ârveja e aguardente, rendendo 24 .400 florins no distrito do Recife, l . 500 em Itamaracá, 2. 050 na Paraíba e 80 no Rio Grande do Norte; o impôsto da matança, rendendo l. 500 florins no distrito do Recife e 1. 870 no de Frederícia; o impôsto de balança, rendendo 11 . 400 florins em Recife e l . 500 em Frederícia; o de peagem, rendendo 3. 965 florins na ciromscrição de Recife e Antônio Vaz, e 7. 600 no rio Paraíba; o de barcagem, rendendo 2. 940 florins em Recife e 400 entre o continente e Itamaracá; os direitos de pesca, rendendo um total de 655 florins. O mesmo Wãtjen dá a seguinte lista dos rendimentos do dízimo do açúcar:

ANOS NO PERNAMBUCO EM ITAMARACÁ NA PARAfBA

1638. 148.000 19.000 54.000

1639 ..... 128.000 20.000 31.000

1640 .....

- -

-1641 .

..

. 154.000 26.000 51.000 1642 ..... 128.000 27.500 55.500

1643 ..... 113.500 21.000 42.500

1644 ..... 105.000 21.800 39.000

1645 ... 74.000 21.400 34.000

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