2 ORGANIZAÇÕES, A TOMADA DE DECISÃO E O PROCESSO
2.3 Tomada de Decisão
2.3.7 Porque estudar o Estilo de Tomada de Decisões
Em virtude da sociedade atual apresentar acréscimos constantes à sua complexidade, diversos processos organizacionais precisam ser revistos seguidamente. Dentre esses, o processo de tomada de decisão vem se transformando rapidamente, impulsionado pela velocidade do avanço da tecnologia de informação e de comunicações. Diante deste novo cenário, as organizações acabam sendo pressionadas a aumentar a qualidade de suas decisões à medida que estas devem ser tomadas mais rapidamente.
Destaca-se que a falta de planejamento pode levar o gestor a tomar decisões erradas, agindo única e exclusivamente pela compulsão sem analisar os fatores de risco, tais como: análise do objetivo estabelecido e avaliação dos procedimentos possíveis para alcançar o mesmo, desconsiderando os resultados de decisões anteriores. Segundo Bazerman (2004), os decisores deveriam ser capazes de definir com perfeição o problema em situação de escolha, a fim de chegar ao melhor resultado possível em um processo decisório.
A ausência de tomada de decisão pode ocorrer não pelo desconhecimento do que se deseja, mas sim porque na maioria das vezes o processo decisório não foi desenvolvido. Diversos autores (CERTO, 2005; MAXIMIANO, 2008 e ROBBINS, 2005) evidenciam que o processo de tomada de decisão é uma atividade passível de erros, podendo resultar em decisões ruins. Bazerman (2004) minimiza o problema e afirma que os seres humanos não são “maus” tomadores de decisão, mas reconhece que ficam aquém do comportamento objetivamente racional e o fazem de modos específicos e sistemáticos.
Ainda assim, estas decisões podem danificar não apenas uma organização, mas também um negócio, uma carreira, às vezes de maneira irreparável. Buscando entender sobre de onde vêm as decisões ruins, Hammond, Keeney & Raiffa (2004) identificaram que em muitos casos elas refletem o modo como foram tomadas. Assim, os gestores são desafiados a equilibrar objetivos conflitantes e tomar decisões com múltiplos critérios. Dessa forma, o tema decisão tem atraído a atenção de muitos pensadores, porque
tudo o que se faz, consciente ou inconscientemente, é resultado de alguma decisão (SAATY, 2008).
Normalmente, as organizações costumavam passar por alterações de forma esporádica, motivadas por necessidades reais e urgentes. Atualmente a mudança organizacional tornou-se uma das principais atividades para empresas e instituições em todo o mundo e assim, hoje elas tendem a provocar este tipo de transformação incessantemente. Organizações mudam para adaptarem-se à competitividade, cumprimento de novas leis ou regulamentações, introduzir novas tecnologias ou atender a variações nas preferências de consumidores ou de parceiros.
Considerando o contexto atual de incertezas e rápidas mudanças, a sobrevivência das organizações está diretamente ligada ao desenvolvimento e utilização de instrumentos de gestão que possibilitem uma maior capacidade de adaptação e até mesmo de antecipação a essas mudanças, mantendo-se no presente e proporcionando transformações para garantir-se no futuro. Uma organização pode estar bem estruturada no ambiente no qual está inserida, mas pode apresentar deficiências quanto à criatividade e flexibilidade, comprometendo sua habilidade em atingir seus objetivos enquanto transforma- se para o futuro.
O processo de gestão é um fenômeno complexo e multifacetado centrado no ambiente de negócios no qual a organização está inserida e no indivíduo: o gestor. Estas áreas envolvidas neste processo, quando consideradas conjuntamente, colocam no centro da discussão organizacional questões estratégicas uma vez que estudos e pesquisas nesta área (GALLEN, 2006 e MCCARTHY, 2003) indicam que a natureza da estratégia de uma organização leva em conta o ambiente onde esta opera, bem como as características, a personalidade do próprio gestor e suas escolhas, como destacado por Balta, Woods e Dickson (2010).
O sucesso de uma gestão organizacional está diretamente ligado à existência de pessoas que não sejam apenas dotadas de poder, muitas vezes lhes conferido pelos cargos ou funções que desempenham, para fazer mudanças e aperfeiçoamentos em processos, mas também tenham competências necessárias para inseri-las no contexto organizacional. Assim, o desenvolvimento de pessoas e a obtenção do melhor delas poderão converter-
se na principal vantagem competitiva que uma organização pode apresentar. De acordo com Gallén (2006), as características pessoais do tomador de decisões influenciam diretamente o diagnóstico, as escolhas e a direção estratégica da organização.
Considerando o ponto de vista prático, o sucesso do gestor, de suas escolhas e decisões estratégicas, pode refletir no desenvolvimento tecnológico, uma vez que o desenvolvimento e a introdução de inovações tecnológicas nas organizações endereçam novos produtos e serviços constituindo-os em novas soluções para as necessidades. Segundo Bressan, Toledo e De Souza (2010, p. 2),
[...] estas escolhas e decisões estratégicas podem alavancar a ampliação das fronteiras dos negócios (como nos casos recentes do TWITTER e do Google) e a criação de novos negócios (como a Amazon na área de serviços) o que pode ser um gerador de novos empregos e possibilitar a reocupação de trabalhadores demitidos em função da crise econômica.
No mundo organizacional, bem como no meio social, o homem vive constantemente tomando decisões e, de acordo com Freitas e Kladis (1995, p.6) “é impossível pensar a organização sem considerar a ocorrência constante do processo decisório”. Na atualidade, o papel dos gestores tornou-se relevante e primordial, repousando em suas mãos o futuro das organizações, uma vez que suas tomadas de decisão e o impacto destas afetam a vida das pessoas. No ambiente acadêmico esse processo ganha extrema relevância devido aos diversos elementos que atuam sobre o indivíduo que o realiza, seja por interesse próprio ou em favor da organização da qual faz parte.
Acredita-se nesta tese que o ser humano, o gestor, é levado a tomar qualquer tipo de decisão, aplicando métodos quantitativos para tomá-las da forma mais racional possível, aliados à sua percepção dos fatores ou condições que proporcionam as soluções dos problemas, onde este cenário configura-se como fruto do desenvolvimento da sociedade. As organizações não podem ser tratadas como um mundo perfeito, uma vez que dentro delas, não há o domínio completo de toda a informação por seus gestores. Algumas decisões não solucionarão o problema ou não chegarão ao resultado desejado, assim, estes gestores vivem num misto de risco e incertezas na tomada de decisões, em situações que os levam a analisar todos os níveis possíveis de
alternativas. Para que os riscos sejam minimizados é necessário ter conhecimento do ambiente no qual a organização está inserida.