2. O BRASIL E O MOVIMENTO DO OPEN ACCESS
2.14 PORTAL SCIELO SCIENTIFIC ELECTRONIC LIBRARY ONLINE
Segundo BINOTT0 (2007) a perspectiva de publicar em meio eletrônico o periódico científico e a preocupação com o acesso a essa publicação deu origem a uma série de iniciativas em todo o mundo. No Brasil, foi criado o Portal SciELO, como resultado de um projeto de pesquisa da FAPESP, com a parceira da BIREME juntamente com a OPAS e a OMS. Foi também definida a metodologia para publicar, assegurar a preservação e beneficiar o acesso livre ao texto na íntegra dos periódicos e depois estendido para outros países da América Latina, como Chile (http://www.scielo.cl/), México (http://scielomx.bvs.br/scielo.php), Cuba (http://scielo.sld.cu/scielo.php) e Venezuela (http://www.scielo.org.ve/scielo.php).
O SciELO65 teve origem a partir de um projeto-piloto, abrangendo dez periódicos brasileiros de diversas áreas do conhecimento, e foi sendo desenvolvido com sucesso entre Março de 1997 e Maio 1998, utilizando uma metodologia apropriada para publicação eletrônica na Internet. A partir de Junho de 1998, esse projeto SciELO vem operando regularmente incluindo novos títulos de periódicos e expandindo sua metodologia para diferentes países. Em 2002, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico passou a apoiar o SciELO.
O SciELO, de acordo com o seu site, foi criado para atender às necessidades de comunicação científica nos países em crescimento e especialmente na América Latina e Caribe, possibilitando uma resposta eficaz na garantia da visibilidade e do acesso coletivo à literatura científica, colaborando inequivocamente para a superação da chamada “ciência perdida” SciELO. Neste contexto, podemos mencionar que o SciELO utiliza também métodos para medir o uso e o impacto dos periódicos científicos.
O projeto do portal SciELO, uma das iniciativas pioneiras do que depois se chamou de movimento pelo acesso aberto, nasceu por iniciativa do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme) e da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), em associação com editores de revistas científicas. O projeto buscava explorar as novas formas de
comunicação eletrônica e melhorar a visibilidade da produção científica brasileira, tornando disponível online o conteúdo integral de revistas científicas de excelência (PACKER, 1998), com publicações originais revistas por pares e publicação periódica. Ele abriga hoje (maio de 2008) 555 periódicos, dos quais 346 são estrangeiros. Estão no SciELO muitas das melhores publicações brasileiras Ao contrário de outras experiências nacionais, nas quais as publicações de acesso aberto ficaram (injustamente) associadas à má qualidade e à ausência de um processo de revisão por pares, no Brasil, o SciELO tornou-se marca de boa qualidade e rigor editorial. Um levantamento que realizamos em abril de 2007 mostrou que, entre as publicações brasileiras avaliadas como "Internacional A" pelo sistema Qualis da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), 58% delas estavam no SciELO” (ORTELLADO, 2008).
A Scielo é o resultado da colaboração entre a FAPESP e da BIREME, instituições nacionais e internacionais ligadas à comunicação científica e editores científicos. O modelo SciELO compreende três componentes de acordo com a figura 9. Modelo Scielo Metdologia Scielo Aplicação da Metodologia Scielo Desenvolvimento De Alianças Modelo Scielo I. Metdologia Scielo II. Aplicação da Metodologia Scielo II.Desenvolvimento De Alianças Modelo Scielo
Figura 9: Componentes do modelo (Scielo)
FONTE: http://www.scielo.org/php/level.php?lang=pt&component=56&item=1 A metodologia do modelo SciELO possibilita a:
● publicação eletrônica de edições completas de periódicos eletrônicos; ● organização de bases de dados bibliográficas e de textos completos; ● recuperação de textos, por seus conteúdos;
● preservação de arquivos eletrônicos;
● produção de indicadores estatísticos de uso e impacto da literatura científica.
A metodologia do modelo SciELO ainda de acordo com o seu site, abrange critérios de avaliação de revistas com base nos modelos internacionais de comunicação científica e, por sua vez, os textos integrais são melhorados com links de hipertextos com bases de dados nacionais e internacionais.
A aplicação da metodologia SciELO é utilizada na operação de websites de coleções de revistas eletrônicas, o que facilita a operação de sites nacionais e temáticos. Ao mesmo tempo, a metodologia SciELO permite o desenvolvimento de alianças entre:
● autores; ● editores;
● instituições cientificam tecnológicas; ● agências de fomento;
● universidades; ● bibliotecas;
● centros de Informação Cientifica e Tecnológica.
Com objetivo de difundir, aperfeiçoar e modernizar o modelo SciELO e o sucesso da rede SciELO de periódicos científicos da América Latina e Caribe colaborará para que a informação científica produzida localmente possa estar disponível, e cooperar para a ampliação do uso da informação científica e técnica no processo de tomada de decisão em diversos níveis.
O pioneirismo da iniciativa SciELO ganha relevo ao disponibilizar, em meio eletrônico, revistas científicas brasileiras, facilitando o registro e a disseminação da produção científica brasileira, e ao incorporar a produção científica nacional à produção científica internacional, possibilitando uma maior visibilidade às pesquisas brasileiras (KURAMOTO, 2008).
O fato de que a experiência do SciELO não pode facilmente ser transposta para o cenário internacional não é apenas um problema daqueles países centrais nos quais o sistema de comunicação científica não é público. Trata-se também de um problema cada vez maior para o Brasil e outros países periféricos à medida que a sua produção científica (em especial nas ciências naturais) melhora de qualidade e busca a exposição nos periódicos indexados (principalmente pelo Institute for Scientific Information, ISI) ou bem avaliados pela agência financiadora brasileira (Capes). O ISI hoje (maio de 2008) indexa apenas 23 periódicos brasileiros (apenas 2 de ciências sociais), enquanto a Capes considera de excelência internacional62 periódicos. Esses periódicos correspondem a um percentual muito pequeno do total (ORTELLADO, 2008).
A (SciELO)66, segundo Sabadini; Sampaio e Koller (2009, p. 82), é uma das iniciativas mais vantajosas nesse contexto do OA. Desde 2002, conta com o apoio do CNPq. O incentivo da visibilidade das revistas, através da publicação em formato
eletrônico, convênios com bases de dados internacionais, rigorosos critérios de seleção e permanência no portal, e através da publicação de relatórios de utilização e impacto representam o conceito de qualidade das revistas SciELO. Os resultados favoráveis alcançados no Brasil chamaram a atenção da comunidade científica internacional, e hoje tem portais em diversos países da América Latina, na Espanha e Portugal, que empregam a mesma metodologia e formam uma rede: a Rede SciELO.
Ainda de acordo com Sabadini; Sampaio e Koller (2009, p.82) a SciELO é uma iniciativa precursora e introduziu a América Latina no Movimento de Acesso Aberto. É incontestável que o trabalho realizado, no âmbito do projeto SciELO, ao longo dos anos, para a inclusão das revistas científicas brasileiras no universo das publicações eletrônicas, tenha atingido muitos progressos. Ao acessar a uma revista da coleção, asseguramos uma serie de elementos somente realizáveis no ambiente virtual: a publicação de cada artigo imediatamente após sua aprovação, serviços de pesquisa automática por similaridade dentro da própria coleção e em buscadores da Internet, links com bases de dados bibliográficas e de currículos de pesquisadores.
Sabadini; Sampaio e Koller (2009, p.82) assegura que outro recurso fundamental é a compatibilidade com o protocolo OAI-PMH, que possibilita o intercambio de metadados com diferentes instituições e bases de dados de forma automática. Ainda segundo as autoras anteriormente citadas uma critica inicial era o fato da colecão SciELO ser produzida, na sua maior parte, com revistas da área de ciências da saúde, o que deixava as outras áreas com pouca representatividade. O trabalho ponderado com a gestão do portal, ao longo dos anos, alcançou uma igualdade entre as publicações de todas as áreas. Os progressos mais recentes estão na área de gestão editorial com a inserção do Sistema Submission na Metodologia SciELO. Dessa maneira, o processo de criação da revista e da submissão a indexação em bases dados poderá ser efectuado por meio da internet.