5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
5.2 PREVISÕES POSSÍVEIS E PLAUSÍVEIS
deles podem ser destacados: qualidade e logística para uso (que muito tem a ver com a facilidade de usar), pois estão entre os itens apontados pelos usuários como mais importantes na TV móvel. A operadora desempenha, então, um importante papel na oferta dos itens que poderiam levar o usuário a adotar seus serviços. Cabe a ela, por exemplo, prover uma boa cobertura 3G, uma vez que a rede GSM 2,5 G não é adequada às altas massas de dados requeridos por serviços de vídeo. Sobre a facilidade para se obter o aplicativo necessário e instalá-lo, as operadoras poderiam facilitar isto de algum modo, como solicitando aos fabricantes de aparelhos que já tragam o aplicativo instalado de fábrica nos modelos compatíveis, como já acontece em alguns países.
A pequena quantidade de terminais compatíveis com o serviço ao que parece é uma limitação mais difícil de resolver. Apenas celulares mais modernos e equipados a multimídia suportam o serviço. Como no Brasil a maioria dos assinantes possui terminais simples e baratos, pode levar muito tempo até que grande parte da população tenha um celular compatível, que permita o uso de TV. Um dos grandes fatores para o sucesso do serviço de mensagens de texto, por exemplo, é que qualquer celular, por mais simples que seja, o suporte. Para compensar este problema, a operadora poderia pensar em estratégias de marketing diferenciadas. Um exemplo seria uma campanha que associasse o serviço de TV móvel ao modelo compatível mais barato do portfólio da operadora.
A operadora deve, ainda, atuar como fomentadora de evoluções nesta área, para que sejam desenvolvidos sistemas de acordo com seus interesses. Por exemplo: ela poderia fomentar não só mais celulares com suporte aos formatos multimídia utilizados atualmente, mas também o desenvolvimento de aplicativos e plataformas que viabilizem o serviço em um maior número de celulares. De fato, os fornecedores de plataforma foram vistos como o segundo ator mais importante para o item compatibilidade. Em outras palavras, a operadora deve buscar, realmente, uma posição de líder da rede de valor, gerenciando bem suas parcerias, incentivando e guiando de certa maneira o investimento em pesquisa e desenvolvimento dos outros atores envolvidos.
Com relação ao conteúdo, a operadora deve buscar as parcerias corretas com provedores de conteúdo, agregadores de conteúdo e provedores de portal. Destaca-se a maior importância de disponibilização de canais populares, já existentes na TV convencional, do que de canais novos ou mesmo adaptados, segundo os resultados da pesquisa de campo com os usuários.
5.2.3 Ótica dos fornecedores das operadoras
A pesquisa identificou um grande espaço para fornecedores de tecnologia. Não cabe à operadora o desenvolvimento de conteúdo adequado, plataformas que permitam vídeo sob demanda, interatividade ou oferta de soluções customizadas. Parece existir uma forte demanda das operadoras por melhores soluções para a TV móvel e uma lacuna de boas ofertas no mercado.
Outro aspecto que pode ser ressaltado aqui é quanto ao papel de cada ator da rede de valor. Como foi visto alguns autores dividem a rede ou cadeia de valor em duas partes:
conteúdo e infra-estrutura, onde, para cada elo haveria fornecedores mais indicados. A pesquisa sobre os atores necessários demonstrou, no entanto, algumas funções cruzadas.
Provedores e agregadores de conteúdo, os atores que aparecem no maior número de questões, atrás apenas das operadoras, devem se envolver, por exemplo, no aplicativo para o serviço, interatividade e em sistema para vídeo sob demanda.
5.2.4 Ótica das mudanças culturais e de comportamento dos consumidores
Um dos assuntos mais discutidos no setor quando se fala em TV móvel é qual o tipo de conteúdo mais adequado para este serviço. As opções, em geral, são conteúdo convencional, adaptado ou totalmente novo (canais criados especialmente parra a TV móvel).
Outro tipo que deve ser citado é vídeo sob demanda, que é mais bem ofertado na TV via rede de dados.
Os resultados da pesquisa não possibilitaram afirmar com segurança qual o melhor tipo de conteúdo para a TV móvel. Na pesquisa com as operadoras estes quatro tipos de conteúdo contaram com índices de importância muito similares. Na pesquisa com os usuários, qualquer tipo de conteúdo foi selecionado como fator mais importante do serviço por menos de 50% dos respondentes, o que indica que antes do tipo de conteúdo a operadora deve se preocupar com outros temas. Sobre a TV móvel via rede de dados, vídeo sob demanda (com conteúdo interessante) é ligeiramente mais desejado pelo usuário do que canais
convencionais, porém sem diferenciação estatística. Já conteúdo novo e adaptado contou com um baixo índice de importância entre os usuários, podendo ser considerado o menos desejado.
Pode-se presumir, então, uma preferência do consumidor brasileiro pelo conteúdo convencional ao conteúdo novo e adaptado, mas seria importante pesquisas mais profundas sobre o assunto para comprovar esta hipótese.
Outro item a ser destacado é a interatividade. Entre as operadoras, este item obteve um bom índice de importância para adicionar percepção de utilidade à TV móvel, ainda que não estivesse entre os maiores percentuais da questão. Interatividade obteve também o escore mais alto nas questões sobre a participação da operadora na TV por broadcast. No entanto, a interatividade obteve um índice de importância muito baixo entre os usuários, sendo selecionado como aspecto importante da TV móvel apenas por 32% dos entrevistados, aproximadamente. Estes resultados apontam para uma diferença entre o que as operadoras esperam lucrar com a interatividade na TV móvel e o que atrai realmente o interesse do usuário.
Ressalta-se que, como foi relatado no início desta dissertação, um dos aspectos mais difíceis de prever dentro deste assunto é quais são as preferências do usuário, uma vez que a TV móvel é uma novidade tecnológica que implica em mudanças de comportamento dos usuários e novos hábitos de consumo. Como poucos se utilizam do serviço hoje, a maioria dos usuários entrevistados respondeu mais com base no que imaginam de si quando deparados com o serviço do que em uma realidade concreta.