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PRINCIPIOS DA APRENDIZAGEM Centrar a Aprendizagem

No documento Fundamentos de Farmacologia (páginas 67-70)

0 utente deve ter oportunidade de se centrar sobre o contend° ou tarefa a ser aprendida. 0 ambiente que o rodeia

If II

deve ser propicio a aprendizagem, deve ser sossegado, bem iluminado e ter o equipamento necessario para complementar a sessao.

Para que o individuo domine a informagao recebida, esta tern de ser repetida varias vezes. Muitas vezes os enfermeiros sentem a responsabilidade de ensinar, ao utente ou aos fami- liares, tudo sobre a doenga ou sobre os procedimentos necessarios, sobrecarregando-os corn informagao. E impor- tante que o enfermeiro se questione em relagao a informagao que fornece, cingindo-se ao essencial. Ern segundo lugar, deve considerar o que o utente quer realmente saber. 0 melhor é ter como ponto de partida as davidas que o individuo apresenta. Caso contrario, pode explicar coisas que o in- dividuo nao esta interessado em saber, levando-o a perder o interesse e concentragao. Iniciando pelas suas necessida- des, da-se ao individuo algum controlo sobre a aprendiza- gem, aumentando a sua participagao no processo de apren- dizagem. A participagao activa neste processo favorece a aprendizagem.

Estilos de Aprendizagem

Os estilos de aprendizagem variam de individuo para individuo. Alguns conseguem compreender rapidamente as orientagees logo apOs a primeira leitura, enquanto outros tern necessidade de ver, cheirar, ouvir, tocar e pensar, para dominar o assunto. Para ser eficaz, o enfermeiro deve uti- lizar as tOcnicas de ensino adaptadas a cada individuo, de acordo com o seu estilo de aprendizagem. Por conseguinte, devem estar disponiveis os materiais necessarios para a realizagao de acgOes de educagao. 0 enfermeiro pode orien- tar a sessao corn panfletos, videos, quadros ilustrados, mo- delos, diapositivos, filmes, cassetes de audio, fotografias, quadros, transparencias, ou corn informagao fornecida por computador. Estes materiais podem ser essenciais ao pro- cesso de aprendizagem.

Promocdo da Aprendizagem

Actualmente, na maioria dos servicos clinicos, os materiais para educagao do utente sao desenvolvidos pela equipa e posteriormente revistos por urn comae. Devem ser formu- lados objectivos especificos para as sessees de educagao. Estes objectivos devem referir o intuito das actividades e os resultados esperados. Os objectivos podem ser desenvol- vidos ern conjungao corn o enunciado dos diagnOsticos de enfermagem (por exemplo, Alteragao da Nutrigao: Inferior as necessidades do organismo), ou podem ser desenvolvidos para situagOes comuns que requerem prestagao de cuidados (por exemplo, Cuidar de urn utente a fazer quimioterapia). Independentemente do formato utilizado, ester programas tem conteados estabelecidos, fornecidos em esbogos ou resumos, e sao organizados de forma a que o enfermeiro possa iniciar o ensino e registar o grau de compreensao, podendo outro enfermeiro, noutro turno e noutro dia dar continuidade ao programa. Verificando o que foi ensinado, o novo enfermeiro sabe onde iniciar a sua sessao. No inicio de uma nova sessao, é importante rever as matOrias previa- mente abordadas, para verificar a informagao que ficou retida nas anteriores. Esta forma de organizagao permite uniformi- zar o conteado, que mais do que um enfermeiro esteja apto para ensinar o mesmo utente, que os conteddos sejam abor-

dados por etapas que fagam sentido e de acordo corn a evolugao do utente e, simplifica o registo. Esta informagao estd disponfvel para revisao antes da alta e pode apoiar a necessidade de cuidados domiciliarios quando o utente conseguiu atingir urn desempenho que the permita autocuidar-se.

Quando sao ensinadas competencias psicomotoras, as de- monstragees sao particularmente fiteis para assegurar urn born desempenho. Ajudam o individuo a praticar e ser corrigido varias vezes, o que the permite obter uma realizagao imediata em alguns esquemas, dando-]he tempo para praticar os mais dificeis, o que permite o crescimento da destreza manual e o domino da sequéncia de cada procedimento. Se adequado, o equipamento pode ser deixado corn o individuo para este praticar antes da prOxima sessao. Por vezes a util utilizar urn video para o utente rever sozinho, na altura que mais the convier. Na reuniao seguinte, a gravagao pode ser revista em conjunto, para analisar os pontos mais importantes e clarifi- car ddvidas ou esclarecer alguma confusao que possa ter surgido. Esta tacnica reforga o que foi dito, permite ainda a revisao do que foi aprendido e fornece ao individuo a repe- tick que pode ser necessaria para completar a aprendizagem.

Motivacão para a Aprendizagem

Antes de dar inicio a um piano de ensino, a enfermeira deve-se certificar de que o utente tem capacidade para se centrar e concentrar nas tarefas e nos conteddos a ser ensinados. Para que o utente seja capaz de se centrar na aprendizagem é necessario que as suas necessidades basicas tenham sido satisfeitas (p. ex., alimentacao, oxigenacao, alivio da dor). A enfermeira deve conhecer as crengas do utente relativamente a sadde quando o tenta motivar para aprender. Dado que as tecnicas de educagao para a sadde i mplicam a integragao das crengas, atitudes, valores, opi- niOes e necessidades do utente, 6 necessario desenvolver urn piano de educagao individual ou adoptar urn piano pa- dronizado as crengas e necessidades da pessoa em causa.

0 ensino nao deve ser ministrado de urn modo formal. Alguns dos ensinamentos mais eficazes podem ser efectuados enquanto estdo a ser prestados os cuidados ao utente. Este pode ser posto perante um esquema, urn trata- mento ou factos que tem que ser comprendidos gradual- mente. 0 enfermeiro que explica o procedimento e informa o utente da raid° da sua execugao reforga a sua necessidade e motiva o individuo a aprender. Se o utente compreende os beneficios pessoais de realizar determinada tarefa, a vonta- de de a realizar é reforgada. Quando o utente pratica, utili- zando o novo procedimento, o enfermeiro pode reforcar os beneficios e o dominio da tOcnica.

Disponibilidade para a Aprendizagem

A percepgao do utente sobre a sadde e sobre o seu estado de sande, pode nao corresponder a do enfermeiro; entao os valores de sadde sac, diferentes para cada individuo. 0 utente pode nä° estar inteirado das suas necessidades de sadde e pode nao compreender os beneficios de urn estilo de vida mais sauddvel. Individuos que, frequentemente, abusam do dlcool, fumadores, os que comem alimentos ricos em acidos gordos e que tern urn estilo de vida sedentario, podem nao considerar as consequencias destas praticas em relagao a saiide.

Nem todos estdo interessados no conceito de vida saudavel. 0 enfermeiro deve respeitar a individualidade do utente, fa- milia ou grupo e deve aceitar que nem todos estdo motivados para um nivel mais elevado de bem-estar.

O enfermeiro pode influenciar positivamente o processo de aprendizagem sendo entusiasta em relagdo ao que esta a ensinar. A resposta da pessoa a nova informagdo sera vari- aye' e depende de varies factores, por exemplo, a necessi- dade de saber, experiencias de vida, autoconceito, o impac- to da doenga no estilo de vida, experiencias anteriores com novos materiais de aprendizagem e disponibilidade para aprender. Num estudo realizado por Kaluger e Kaluger (1984) comprovou-se que a disponibilidade ou capacidade para empreender uma aprendizagem, depende de urn treino preparatOrio motivador relevante e da maturagao fisiolOgi- ca. Por outras palavras, o individuo esta motivado para aprender? Tem vontade para efectuar alteragOes no seu corn- portamento habitual? A sua situacdo de doenga ou de bem- estar, no qual a aprendizagem é benefica, e apropriada? E, necessazio ter ern atengdo a adaptagdo psicossocial do utente

a

doenga e a sua capacidade para se centrar na aprendiza- gem. Durante as fases de negagdo, raiva ou negociagdo dos processos de luto, normalmente, o utente nem esta prepara- do nem deseja aceitar as limitagOes determinadas pelo pro- cesso de doenga. Nas fases de resolugdo e de aceitacdo do processo de luto, a pessoa caminha para a aceitagdo da res- ponsabilidade e do desejo de aprender os aspectos necessa- dos a melhoria e estabelecimento de urn nivel de sadde Optimo.

Nas actividades de ensino corn criangas, devem ser con- sideradas as capacidades psicossociais, cognitivas e a lin- guagem. 0 desenvolvimento cognitive e motor e a utilizacdo de linguagem de acordo corn cada individuo, assim como a compreensdo devem ser avaliadas. A idade influencia defini- tivamente o tipo e quantidade de actividades de autocuidado que a crianca esta apta a aprender e executar. Consultar um texto sobre teoria do desenvolvimento, para informacao mais detalhada.

A educagdo do adulto 6 habitualmente orientada para a aprendizagem do que 6 necessario para manter o estilo de vida. Em geral, os adultos devem compreender o porque da necessidade de aprender algo, antes de dispenderem esforgo a aprender. Aquando do planeamento das necessidades educacionais do utente, o enfermeiro deve avaliar o que ele ja sabe e qual a informagdo necessaria. E imperativo que se tome o conteddo importante para o individuo e que as cren- gas individuais de satide sejam incorporadas no piano glo- bal.

0 idoso necessita de mais avaliagOes antes da imple- mentagdo do piano de ensino. Avaliar a visa°, audigdo, me- mOria recente e retr6gada. Se se pretende.Kisinar o desem- penho de uma tarefa, deve ser tambern avaliadra capacida- de motora para os movimentos fines e outros. Urn idoso tern, habitualmente, preocupacties ern relagao aos encargos financeiros dos tratamentos propostos, para avaliar se estdo de acordo corn os rendimentos que tern disponiveis. Os in- dividuos avaliam os beneficios das intervengOes medicas planeadas e o impacto global destas na sua qualidade de vida. Qualquer destas situagOes pode afectar a capacidade de concentragdo para apreender a nova informacdo, infiuen- ciando as respostas e o resultado global. Os adultos mais velhos ja tern a experiencia de sentimentos de perda e po-

dem estar a enfrentar situacties dificeis como o isolamento social, perdas fisicas (funcionais) e problemas financeiros. Como os idosos sofrem mais frequentemente de problemas de sadde crOnicos, os novos diagnesticos, a exacerbagdo da doenga, ou uma nova crise, podem ser Mica ou emocional- mente insuportaveis. E importante que o momento para realizar o ensino seja o correcto.

Quando se ensina urn idoso 6 prudente diminuir a ca- dencia e a duragdo de cada sessdo, para prevenir o cansago. 0 idoso pode apreender a materia, mas o raciocinio e a execugdo &do muito mais lentos do que em individuos jo- y

ens, devido a limitagdo da memeria recente. 0 enfermeiro deve desenvolver, corn o individuo, formas de relembrar o que foi ensinado. Quanto mais envolvido esta o idoso nas acgOes de formagdo, melhor lembrara as novas ideias, rela- cionando-as corn experiencias passadas, sendo o resultado final muito melhor. Muitos individuos ficam embaragados quando nao conseguem realizar uma tarefa. Perguntar-Ihes se compreenderam 6 porque ndo irdo revelar a sua dificuldade. Deve fornecer-se a informacdo a pouco e pou- co, permitindo a pratica e revisao, as vezes necessarias, ate que seja alcangado o sucesso. Fazer intervalos adequados, e reprogramar as sessOes corn o intuito de atingir as necessi dades de aprendizagem.

Quando o educando fica ansioso, dever-se-d diminuir a apresentagdo de nova informagdo, repetir ou programar a sessdo para outro horario e elogiar os aspectos positivos da sessdo antes de a terminar. 0 medo e a ansiedade diminuem a capacidade de concentragdo na tarefa a ser realizada ou no conteddo que esta a ser apesentado; 6 importante criar urn ambiente que predisponha a aprendizagem. Ter em conta a iluminagdo, falar olhando directamente para o individuo com uma voz clara, mas nao num torn elevado. Seja calmo, tenha sensibilidade e diplomacia no caso de se desenvolverem frus- tragOes e tente instigar confianga em relagdo as capacidades do utente, para ultrapassar qualquer problema.

Divisdo dos Contetidos

A divisdo da materia a apresentar numa sessdo, deve ser sempre considerada, para pessoas de todas as idades. As pessoas tern tendencia para lembrar-se melhor do que foi e inicialmente aprendido. Corn base neste principio, as ses- sOes pequenas e curtas sdo melhores do que longas sessOe que sobrecarregam o individuo. Os professores mais novos tem tendencia a dar toda a materia, eleminando-a da lista como materia dada, mas fomecer informagdo nal° 6 sinOnimo de informagdo apreendida.

Deve ser avaliado o estilo de aprendizagem da pessoa para, verificar se gosta de ler e analisar, ou se prefere outros metodos de estudo, como por exemplo audiovisuais. Nesta altura, a divisdo da materia pode ser adaptada aos tipos de materiais disponiveis, para o processo de ensino.

Repeticao para Favorecer a Aprendizagem E do conhecimento comum que a repetigdo favorece a apredizagem. Fazer um piano que inclua mdltiplas sessOes praticas, reforga este principio. Devido a curta duragdo da hospitalizagdo, a possibilidade de realizagdo de mtiltipias sessees praticas pode ser limitada; 6 importante referir na nom de alta os aspectos relevantes das necessidades educa-

cionais do paciente que foram ensinadas e aprendidas e aqueles que ainda requerem apoio dos servigos de cuida- dos de sadde primarios.

No documento Fundamentos de Farmacologia (páginas 67-70)