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PARTE II DA PROBLEMÁTICA À METODOLOGIA

1. PROBLEMÁTICA

As Demências Avançadas devem ser encaradas como doenças terminais, cujo objetivo prioritário não deverá ser o prolongamento da vida a qualquer preço, mas antes a obtenção de qualidade de vida, de dignidade e de conforto, eliminando intervenções agressivas como a reanimação cardiopulmonar, cuidados intensivos, entubação nasogástrica e antibioterapia (Fernandes, 2008).

Nesta fase da doença deve-se ter sempre presente que a falta de alimentação não é a causa da degradação, mas sim consequência desta. Forçar a alimentação através da colocação de sondas nasogástricas, por exemplo, está longe de trazer conforto ao doente e de fazer regredir a situação de deterioração. A alimentação por sonda nunca deverá ser vista como substituta da alimentação oral, mesmo quando esta, se torna uma tarefa demorada, que exige muita paciência (Neto, 2010).

Através da pesquisa efetuada e mencionada na parte teórica, foi evidente que os estudos feitos nesta área demostram que a alimentação enteral na Demência Avançada, não promove o bem-estar para o doente, nem traz outros benefícios como a prevenção da aspiração, a diminuição da mortalidade, a diminuição das infeções respiratórias ou a cicatrização de úlceras de pressão.

Os cuidados à boca, o correto posicionamento do doente durante a refeição, o uso de espessantes, gelatinas ou outros alimentos a gosto do doente e preparados com a textura adequada, são essenciais para a facilitação do processo de deglutição do doente com Demência Avançada. O horário das refeições e a quantidade oferecida deve ser gerido a gosto, os alimentos devem ser fornecidos pacientemente à boca do doente, de preferência por um familiar: esta pode ser a chave do sucesso. Nos casos sobretudo súbitos de recusa alimentar ou incapacidade de deglutição pode ser ponderada a necessidade de despiste de causas reversíveis para a ocorrência destes episódios.

Quando a alimentação pela boca não é possível as medidas a tomar (ou não tomar) devem sempre ser escolhidas no desejo de conforto para o doente e não para aligeirar a carga de trabalho de uma equipa nem para responder à pressão da família (Neto, 2010). Apesar dos estudos evidenciarem a inutilidade da alimentação enteral nas Demências Avançadas,

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esta prática continua a ser uma intervenção frequente, e é provável que com o aumento do envelhecimento e consequente aumento da população com demência, esta prática se torne cada vez mais comum. Desta forma, torna-se urgente a formação dos profissionais de saúde na área dos Cuidados Paliativos, não descurando a área das patologias não- oncológicas.

Muitos Enfermeiros cuidam diariamente de doentes com Demência Avançada, onde muitas vezes não há consenso no que toca à alimentação dos mesmos, nomeadamente na decisão de iniciar ou de suspender a alimentação por sonda.

Na Demência Avançada, os doentes além da dependência física, acarretam ainda a vulnerabilidade de não possuírem competência psíquica para nesta fase da doença decidirem se querem ou não que lhes seja colocada uma sonda, caso não tenham expressado previamente, enquanto capazes de forma consciente e autónoma as suas vontades.

Atendendo às incapacidades decorrentes da fase avançada da demência e das comorbilidades que muitas vezes também apresentam, muitos doentes estão dependentes para todas as atividades de vida diárias, necessitando de cuidados domiciliários devido à incapacidade de se deslocarem às Unidades de Cuidados de Saúde Primários.

Neste sentido, e atendendo a que não foram encontrados estudos portugueses sobre esta problemática, tornou-se pertinente compreendermos qual a perceção dos enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários no acompanhamento da pessoa com Demência Avançada relativamente ao autocuidado alimentar em contexto domiciliário, o que entendem por

Cuidados Paliativos e por Demências Avançadas, quais as suas

dificuldades/necessidades, em que se fundamentam na tomada de decisão de colocar ou não sonda e ainda os aspetos potenciadores ou inibidores para a promoção da alimentação oral na pessoa com demência.

Procuramos deste modo ampliar conhecimentos nesta problemática e incrementar a possibilidade crítica nesta área tão pertinente e atual, com objetivo de garantir cuidados cada vez mais humanizados, nomeadamente no âmbito das Demências Avançadas.

Assim emergiu o interesse pelo tema “O autocuidado alimentar na pessoa com Demência Avançada: intervenções dos enfermeiros no domicílio”.

Neste sentido apresentamos a questão de investigação segundo um enunciado interrogativo escrito no presente, direcionado à população a estudar. Sendo este estudo pautado por uma abordagem qualitativa interessa a formulação de uma questão de

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investigação «mais geral». Para Fortin (2009, p.41) na investigação qualitativa “as questões de investigação são exploratórias e interessam-se pelo vivido, sendo o objetivo descobrir, explorar, descrever e compreender os fenómenos. A questão de investigação é geral e vai-se precisando à medida que a investigação progride”.

Assim, para o presente trabalho foi definida a seguinte questão de investigação:

-Quais as estratégias de cuidados mobilizados pelos enfermeiros dos Cuidados

de Saúde Primários no domicílio relativamente ao autocuidado alimentar à pessoa com Demência Avançada?

Para conseguir dar resposta à questão de investigação foi traçado o seguinte objetivo geral:

- Conhecer as estratégias de cuidados mobilizados pelos enfermeiros de

Cuidados de Saúde Primários no domicílio no autocuidado alimentar à pessoa com Demência Avançada.

Após a definição da questão de investigações e do objetivo geral emergiram ainda as seguintes questões orientadoras:

- Qual o conceito de Demência Avançada na perspetiva dos enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários?;

- Qual o conceito de Cuidados Paliativos na perspetiva dos enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários?;

- Qual a perceção dos enfermeiros dos enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários acerca da necessidade de cuidados domiciliários à pessoa com Demência Avançada e com alterações na deglutição?;

- Qual a perceção dos enfermeiros dos enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários acerca da necessidade de Cuidados Paliativos na pessoa com Demência Avançada no domicílio?

- Quais os aspetos potenciadores ou inibidores para a promoção da alimentação oral na pessoa com demência avançada no domicílio?;

- Quais os problemas éticos experienciados pelos enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários no cuidar da pessoa com Demência Avançada no autocuidado alimentar no domicílio?

- Quais as estratégias de cuidados adotados pelos enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários à pessoa com Demência Avançada no autocuidado alimentar no domicílio?

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Posteriormente foram ainda delineados os objetivos específicos para este estudo que se apresentam do seguinte modo:

- Identificar o conceito de Demência Avançada na perspetiva dos enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários;

- Identificar o conceito de Cuidados Paliativos na perspetiva dos enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários;

- Identificar a perceção dos enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários acerca da necessidade de cuidados domiciliários à pessoa com Demência Avançada e com alterações na deglutição;

- Identificar a perceção dos enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários acerca da necessidade de Cuidados Paliativos na pessoa com Demência Avançada no domicílio; - Identificar os aspetos potenciadores ou inibidores para a promoção da alimentação oral na pessoa com Demência Avançada no domicílio;

- Analisar os problemas éticos experienciados pelos enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários no cuidar da pessoa com Demência Avançada no autocuidado alimentar no domicílio;

- Identificar as estratégias de cuidados adotados pelos enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários à pessoa com Demência Avançada no autocuidado alimentar no domicílio;

Assim, e na procura de respostas aos objetivos traçados, passamos então à abordagem da metodologia utilizada.

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