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O processo judicial contra Sócrates ocorreu na cidade de Atenas no ano de 399 a.C., com a peculiaridade de que, diferentemente de uma acusação privada, feita pela parte lesada ou por seu representante, Sócrates foi constrangido a responder a uma acusação pública que era prerrogativa de qualquer cidadão honesto. Todavia, com base no conjunto das acusações contra Sócrates, conforme são relatadas por Platão e Xenofonte, pode-se identificar três momentos sucessivos de acusações, que se escalonarão por trinta anos. Os ataques presentes na comédia As Nuvens de Aristófanes (Nuv., 423), contados por Platão expressamente entre os “primeiros acusadores” de Sócrates (Def. Sóc., 18b). Na comédia em apreço Aristófanes oferece uma caricatura de Sócrates, a qual o associa a alguns aspectos importantes da vida intelectual de sua época (à sofística e à filosofia da natureza), e é altamente provável que tenha contribuído significativamente para o clima de desconfiança e hostilidade que finalmente levou à sua condenação e morte. O ato oficial de acusação deposto por Meleto, Ânito e Lícon, que adiante será examinado. E as acusações de caráter político expressas pelo orador e sofista Polícrates depois de 394 a.C. Este teria escrito um relato hostil contra Sócrates num panfleto hoje perdido chamado Κατηγορία Σωκράτους ou Acusação de Sócrates (TAYLOR, 2010: 35). Isto posto, aos setenta anos de idade Sócrates foi levado a julgamento por supostamente corromper a juventude e não acreditar nos deuses da cidade de Atenas13 (Def. Sóc., 24b-c):

Nada mais preciso dizer para defender-me, diante de vós, das mentiras de meus primeiros acusadores. Tentarei em seguida, defender-me de Meleto, esse honrado e prestante cidadão, como se proclama, e dos acusadores recentes. Novamente, já que se trata de outros acusadores, tomemos também o texto de sua acusação. Reza ele mais

13 Em sua obra Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates (conhecida também como “Memorabilia”),

Xenofonte defende Sócrates da acusação de não venerar os deuses cultuados por Atenas nos seguintes termos (Mem., I. I. 1-3): “A que testemunha, afinal, recorreram para provar que ele não honrava os deuses

do Estado; se fazia sacrifícios freqüentes às abertas, ora em sua casa, ora nos altares públicos; se praceiramente recorria à arte divinatória? Corria a voz, ateada pelo próprio Sócrates, de que o inspirava um demônio: eis, sem dúvida, por que o criminaram de introduzir extravagâncias demoníacas. No entanto, não introduzia ele mais novidades do que todos aqueles que crêem na adivinhação e interrogam o vôo das aves, as vozes, os signos e as entranhas das vítimas: não supõem nas aves nem naqueles com que se encontram o conhecimento do que buscam, mas acreditam que por seu intermédio lho revelam os deuses; Sócrates também pensava o mesmo.”

ou menos assim: “Sócrates é réu de corromper a juventude e de não crer nos deuses em que o povo crê e sim em outras divindades novas.”

O principal acusador de Sócrates foi Meleto, seguido por Ânito e Lícon. Segundo a afirmação de Sócrates, Meleto tomou as dores dos poetas; Ânito, as dores dos artesãos e dos políticos; e Lícon, a dos oradores (Def. Sóc., 24a). Nominalmente, o principal acusador foi Meleto, de quem pouco se sabe; o acusador secundário era o igualmente ignoto Lícon. Ânito, por sua vez, era um prestigiado cidadão de Atenas, que, entre 403 e 397 a.C. foi estratego, uma função de elevada responsabilidade na cidade (MARTENS, 2013: 116).

C. C. W. Taylor sustenta que o primeiro item da peça acusatória contra Sócrates fundamenta-se na suposta influência política do filósofo sobre aqueles de seus discípulos que haviam se tornado famosos por condutas antiatenienses ou antidemocráticas. Em virtude da má fama de Alcibíades, Crítias, Cármides e outros discípulos conhecidos de Sócrates, como Fedro e Erixímaco (ambos implicados, juntamente com outros do círculo socrático em um célebre escândalo religioso em 415 a.C.), seria muito plausível que a acusaçãodeMeleto, Ânito e Lícon mencionasse os crimes deles para difamar Sócrates, imputando-lhe a corrupção da juventude. No ano de 403 a.C. foi aprovada uma lei proibindo que pessoas fossem acusadas de crimes cometidos anteriormente, mas isto não impedia a menção de eventos passados a fim de exemplificar o caráter do réu. Dessarte, é praticamente certo que a acusação de corromper a juventude possuía no caso de Sócrates uma dimensão política. No entanto, isso não permitiria concluir que as acusações especificamente religiosas não fossem também plausíveis ou que a suposta corrupção da juventude não tivesse em si mesma um aspecto religioso (TAYLOR, 2010: 23-24).

Por volta de 432 a.C. foi sancionada na Assembleia popular (ἐκκλησία), sob a proposta do adivinho profissional Diópeites a lei que condena a impiedade (ἀσέβεια), de acordo com a qual constitui crime grave divulgar doutrinas puramente físicas sobre a natureza dos astros “divinos” e negar a existência dos deuses. À vista disso, duvidar do sobrenatural e ensinar a astronomia eram crimes passíveis de perseguição penal. O filósofo Anaxágoras e o sofista Protágoras foram conhecidas vítimas dessa lei. Nos tempos inquietos após a Guerra do Peloponeso, a filosofia da natureza de Anaxágoras e a retórica dos sofistas pareceram a muitos atenienses corromper as convicções fundamentais que sustentavam a comunidade política, e uma vez que os processos de ἀσέβεια eram levados muito a sério, tanto Anaxágoras quanto Protágoras só puderam ser

salvos mediante a fuga. De fato, a atividade filosófica de Sócrates oferecia motivos para a associação do seu pensamento com o movimento sofista de sua época. Ele também havia se aproximado do partido oligarca pró-espartanos. Seus acusadores, por conseguinte, possivelmente ligaram ambas as coisas entre si e consideraram a atividade “ímpia” de Sócrates como responsável pela decadência de Atenas e pela vitória da oligarquia pró-espartanos. A despeito disso, ele permaneceu fiel às suas convicções filosóficas, e não se deixou desviar em virtude de um erro judicial (MARTENS, 2013: 119-122).

Com efeito, as acusações relativas a crimes religiosos ou capitais eram da competência do “arconte basileu”, um alto magistrado que, na condição de βασιλεύς, assumiu na Atenas democrática as funções da antiga realeza. A audiência principal acontecia diante de um tribunal de justiça (δικαστήριον) composto de 501 jurados, os quais eram definidos por sorteio com base numa lista de 6 mil voluntários, todos cidadãos atenienses escolhidos pela Assembleia popular (Ibid., 2013: 117). Na primeira votação dos jurados Sócrates foi considerado culpado pela estreita maioria, faltando-lhe somente 30 votos para ser absolvido (Def. Sóc., 36a); na votação decisiva sobre a pena de morte proposta pelos acusadores, Sócrates mais uma vez é condenado pela maioria dos jurados, provocados provavelmente por sua contraproposta que estipulava uma pena de apenas de 30 minas de prata (Ibid., 38b). Aliás, a execução de Sócrates só ocorreu um bom tempo depois de sua condenação, pois era preciso esperar pelo retorno do navio, enviado todo ano à ilha de Delos, para agradecer a Apolo sua ajuda a Teseu na salvação dos reféns atenienses para fora do labirinto do Minotauro. E, durante a missão festiva, não era lícito que a cidade de Atenas fosse conspurcada por qualquer execução.

Antes de passar à análise do discurso judicial de Sócrates, convém lembrar as dúvidas levantadas por muitos estudiosos dos diálogos platônicos quanto à fidedignidade da defesa de Sócrates tal como apresentada por Platão no opúsculo homônimo. Como é sabido, paira sobre esse diálogo a suspeita de que, antes que restringir-se a reproduzir o discurso proferido pelo Sócrates histórico, ele encerraria também, e talvez fundamentalmente, formulações e argumentos de autoria do próprio Platão. De acordo com o exame de Ekkehard Martens, surgiram três posicionamentos distintos que procuraram oferecer uma resposta satisfatória para o problema em consideração. Num extremo haveria a hipótese de que todos os diálogos platônicos são o produto da invenção de Platão, de tal modo que o Sócrates histórico seria insignificante. No outro extremo,

haveria a hipótese de que o Sócrates de Platão seria sem qualquer restrição o Sócrates histórico. Finalmente, entre os dois extremos, haveria a hipótese que sustenta tanto a existência de diálogos socráticos quanto a existência de diálogos platônicos. Desse modo, conforme esta última hipótese, os diálogos de Platão estariam divididos em dois grupos distintos: os diálogos da fase inicial, e os diálogos da fase intermediária e tardia (MARTENS, 2013: 27-28).

R. M. Hare subscreve esta última hipótese e asseguraque o primeiro grupo reuniria os diálogos propriamente socráticos. Estes teriam sido escritos nos anos que se seguiram à morte de Sócrates e apresentariam amiúde um caráter aporético, ou seja, sua conclusão seria um enigma (ἀπορία). São eles: Defesa de Sócrates, Críton, Eutífron, A República (Livro I), Laques, Lísis, Cármides, Teages, Hípias Menor, Hípias Maior, Íon, e

Alcebíades Maior. No diálogo Defesa de Sócrates, que nos interessa mais de perto,

Sócrates apresenta enigmas, em especial sobre virtudes e boas qualidades particulares, e sobre as relações destas entre si e com o conhecimento, e os enigmas nunca são resolvidos14. O segundo grupo pertenceria aos diálogos mais longos de Platão, os quais se caracterizariam pela exposição de doutrinas positivas e substantivas sobre a moralidade, a educação, a retórica, a política etc. Seriam eles: Protágoras, Mênon,

Górgias, O Banquete, Fédon, os restantes livros de A República, Crátilo, Leis, Parmênides, O Sofista, O Político, Teeteto, Filebo, Fedro e Timeu (HARE, 2000: 35-36).

E, com o intuito de solucionar a tensão que opõe o Sócrates questionador e ignorante dos diálogos da fase inicial, ao Sócrates sábio e metafísico dos diálogos da fase madura de Platão, Gregory Vlastos reforça a distinção entre um Sócrates anterior, que seria histórico, e um Sócrates posterior, que seria o produto da imaginação de Platão. Para Vlastos, o filósofo Sócrates da primeira fase seria moral e ironista, enquanto que o filósofo Sócrates da fase posterior, seria dogmático e proponente de doutrinas metafísicas, a exemplo da doutrina dos dois mundos. Em sua obra Socrates: Ironist and Moral

Philosopher ele procura analisar os diálogos de Platão a partir da visão crítica de

Aristóteles, o qual atribui ao filósofo Sócrates uma posição toda própria, autônoma. Sendo assim, o Sócrates ironista e moralista dos diálogos platônicos da fase inicial seria positivamente histórico, enquanto que nos diálogos da fase intermediária e tardia, ele seria

14 Um dos enigmas expostos por Sócrates diz respeito ao destino da alma humana depois da morte. Ele

afirma que morrer é uma de duas coisas: ou a morte é igual a nada, e não sente nenhuma sensação de coisa alguma, como um sono em que o adormecido nada vê nem sonha; ou trata-se de uma mudança, uma emigração da alma para o Hades. Em face deste enigma Sócrates declara que independente do destino de sua alma depois da morte, é certo que para o homem bom não há nenhum mal (Def. Sóc., 40c-41a; 41c).

apenas o porta-voz das doutrinas metafísicas de Platão (VLASTOS, 1991: 47-49). E, haja vista a hipótese segundo a qual é possível atribuir ao Sócrates dos diálogos da fase inicial de Platão certas posições autônomas, levemos a cabo a análise do diálogo Defesa de

Sócrates a fim de compreendermos as concepções de Sócrates especificamente sobre a

arte retórica.

Em sua introdução ao diálogo Defesa de Sócrates W. R. M. Lamb15 aventa a elevada probabilidade de que o conteúdo essencial do discurso de Sócrates tenha sido pronunciado por este, embora não fosse originalmente tão sofisticado quanto o registro elaborado por Platão. Para corroborar o seu ponto de vista, Lamb propõe os seguintes argumentos, os quais serão suficientes como preparação para o assunto que fundamentalmente nos interessa: 1) o procedimento socrático na Defesa de Sócrates corresponde à maneira usual de Sócrates se expressar, conforme se depreende dos diversos relatos de Platão e de Xenofonte; 2) não existe nada de inconsistente no discurso de Sócrates com o que se conhece do seu pensamento, sobretudo em relação à doutrina de Platão; 3) finalmente, o registro da defesa de Sócrates refletiria o propósito de apresentá-lo sob uma luz verdadeira e favorável para a posteridade, e isto dificilmente poderia ser obtido através da publicação de uma ficção, aliás, muitos atenienses lembravam-se do que ocorrera com Sócrates no tempo da publicação do diálogo, o qual possivelmente não estava muito distante do julgamento do filósofo.

Em consonância com os argumentos acima, Ekkehard Martens sustenta que Platão teria escrito o diálogo Defesa de Sócrates para que seu mestre não caísse no esquecimento. A defesa filosófica de Sócrates não exclui que ele também quisesse defender objetivamente Sócrates das acusações apresentadas. Dessarte, Platão buscaria oferecer provas de que Sócrates não tinha nada a ver nem com a nova filosofia da natureza nem com a prática docente sofística. Além disso, ele queria demonstrar que Sócrates não havia sido partidário dos oligarcas, mas tentara estabelecer sobre uma nova base toda a política cotidiana, inclusive a democracia. Desse modo, a crítica de Sócrates à democracia no Livro VIII de A República não deveria ser atribuída ao Sócrates histórico, e sim entendida como uma concepção exclusiva de Platão. No entanto, se o Sócrates histórico de fato se defendeu da maneira peculiar apresentada por Platão, isto não poderia ser

15 PLATO. The Apology, pp. 64-65.

verificado, mas certamente este teria reproduzido o conteúdo essencial do discurso daquele (MARTENS, 2013: 122-123).

Outrossim, conforme frisa George A. Kennedy, a Defesa de Sócrates não corresponde exatamente àquilo que Sócrates pronunciou, e os críticos têm variado grandemente quanto a seu parecer sobre o grau de invenção que se deve atribuir a Platão. Mesmo assim, são consideráveis os indícios para sustentar a hipótese de que o Sócrates histórico não pronunciaria um discurso em sua defesa nos moldes da técnica retórica empregada pelos oradores do seu tempo. Kennedy menciona o registro de Xenofonte em sua Apologia de Sócrates segundo o qual em virtude da influência do deus (δαιμόνιον) Sócrates teria se dirigido para o tribunal ateniense sem preocupar-se minimamente com a preparação de sua defesa, afirmação que se harmoniza perfeitamente com a de Platão. Kennedy também enfatiza que Xenofonte percebe que Sócrates poderia ter defendido a si mesmo de tal modo a persuadir efetivamente os juízes, mas por convicções morais não o teria feito. Aliás, um grande número de defesas publicadas a respeito de Sócrates depois de sua morte, bem como as tentativas de Platão no Menexeno e no Fedro, revelam que Sócrates poderia construir um bom discurso retórico se de fato o desejasse (KENNEDY, 1963: 149-150).

Nickolas Pappas salienta que os tribunais de Atenas não tinham juízes para instruir o processo e nenhum advogado profissional que representasse clientes. Primeiramente, aquele que trazia a acusação falava perante o júri identificando a lei que o réu havia supostamente transgredido e apresentando testemunhas para sustentar o seu caso. O réu, por sua vez, respondia com seu próprio discurso e suas testemunhas. E ambos os lados falava com restrições de tempo. Depois disso, o júri votava seu veredicto e, quando o réu era considerado culpado, votava uma segunda vez para determinar a sentença. Isto posto, tanto no tribunal como na Assembleia, a habilidade de falar persuasivamente poderia significar a diferença entre a vitória e a derrota, ou entre a vida e a morte. Daí a importância de especialistas em retórica. Em Atenas, os filhos das pessoas abastadas e poderosas estudavam a técnica retórica com os sofistas a fim de tornarem-se oradores persuasivos. E o que estes faziam, de um certo modo, não era verdadeiro nem honesto, mas mesmo assim funcionava (PAPPAS, 2017: 26-27).

Diógenes Laércio destaca na atitude de Sócrates em face do seu julgamento o desprezo à técnica retórica com vistas à persuasão da audiência, noção que será capital para a análise subsequente de seu discurso judicial. Conforme Laércio, Lísias teria

redigido uma excelente defesa para o julgamento de Sócrates, nos moldes da técnica retórica praticada pelos oradores mais hábeis. Lísias seguia aqui a prática corrente naquele contexto, em que, desprovidos de advogados, os acusados recorriam, para se defenderem, aos logógrafos (λογογράφος), isto é, indivíduos pagos para redigir a defesa que teria de ser pronunciada diante do tribunal. No caso presente, depois de ler toda a defesa elaborada por Lísias, Sócrates teria declinado ponderando que, a despeito da beleza do discurso, este não seria adequado a seu caso. Para Laércio, a composição de Lísias era evidentemente mais judicial do que filosófica e, por essa razão, Sócrates a teria rejeitado. A composição em apreço, que provavelmente obedecia com esmero os princípios usualmente empregados pelos oradores com o intuito de obter a persuasão do auditório, seria incongruente com o modo de vida do filósofo. Escreve Laércio sobre este assunto (Vid. doutr. fil. il., II. 5. 40):

A declaração jurada, que ainda se conserva, tinha o seguinte teor de conformidade com Favorinos em sua obra Metrôon: “Esta acusação e declaração é jurada por Mêletos, filho de Mêletos de Pitos, contra Sócrates, filho de Sofroniscos de Alopece: Sócrates é culpado de recusar-se a reconhececer os deuses reconhecidos pelo Estado, e de introduzir divindades novas, e é também culpado de corromper a juventude. Pena pedida: a morte.” Depois de ter lido toda a sua defesa escrita por Lísias, o filósofo declarou: “Um belo discurso, Lísias, mas não é adequado ao meu caso.” Com efeito, a composição de Lísias era evidentemente mais forense que filosófica. Lísias retrucou: “Se se trata de um belo discurso, como pode faltar-lhe adequação ao teu caso?” Sócrates replicou: “Ora, belos mantos e calçados não me seriam também inadequados?”.

Além das fontes até aqui apresentadas, existe outro indício que corrobora a hipótese em consideração: um fragmento de papiro anônimo, preservado na cidade de Colônia, que contém parte de um diálogo entre Sócrates e uma pessoa sem nome, na cela de Sócrates após sua condenação, onde se pergunta ao filósofo a razão pela qual ele teria rejeitado todos os artifícios retóricos no seu discurso de defesa (TAYLOR, 2010: 36).