CAPÍTULO 2 ASPECTOS METODOLÓGICOS
2.6 Procedimentos para a coleta de dados
Na pesquisa documental:
Em março de 2013 e dezembro de 2014, realizamos uma pesquisa na internet em busca de documentos oficiais implantados pelo governo brasileiro para o fomento da língua portuguesa para estrangeiros tanto no Brasil quanto no exterior. Em novembro de 2014, entramos em contato por e-mail com o MEC, em busca de informações atualizadas sobre a possibilidade de algumas ações iminentes para a área de PLE. Em junho de 2013 e dezembro de 2014, consultamos a coordenação do curso de PLE do instituto de estudos linguísticos e o setor de RI, a fim de catalogar os documentos existentes para a promoção do ensino de PLE na instituição pesquisada.
Na pesquisa de campo:
Inicialmente, ressaltamos o porquê de nossa escolha em coletar dados em um curso de PLE oferecido por um instituto de estudos linguísticos de uma instituição federal de Minas Gerais. O motivo foi que este curso, além de atuante há mais de dez anos, recebe regularmente estudantes estrangeiros participantes de programas de mobilidade internacional, nos cursos de graduação, e de programas de pós-graduação, da instituição. Conforme mencionamos no item da Introdução, após consulta a alguns centros de idiomas particulares, percebemos que cursos de PLE não são oferecidos na maioria deles.
Assim, os procedimentos da coleta de dados, em um curso de PLE de uma universidade federal, foram desenvolvidos na seguinte ordem, nos dois semestres (2º sem./2013 e 1º sem./2014):
a) encontramos, em janeiro de 2014 (2º sem./2013) e em junho de 2014 (1º sem./2014), com o coordenador72 do curso de PLE para fornecer explicações sobre nossa pesquisa e para solicitar sua autorização para nossa coleta de dados. Após a autorização do coordenador, pedimos sua assinatura no Documento de Solicitação de Autorização de Coletas de Dados, exigido pelo Comitê de Ética (CEP). Neste encontro, consultamos também se o coordenador
72 Em razão da mudança de coordenador do curso de PLE de um semestre para outro, realizamos duas entrevistas, sendo uma com a coordenadora do 2º/2013 e outra com a coordenadora do 1º/2014.
poderia participar de nossa entrevista semi-estruturada. Tendo obtido seu consentimento, pedimos sua assinatura no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), também exigido pelo Comitê de Ética (CEP), e aplicamos a entrevista semi-estruturada, em março de 2014 (2º sem./2013) e em novembro de 2014 (1º sem./2014);
b) encontramos, em janeiro de 2014 (2º sem./2013), com o professor do curso de PLE, do nível BI - Turma A, que também lecionou no BI - Turma C durante o 1º sem./2014, e, em maio de 2014 (1º sem./2014), com os professores do B1 - Turma C e Turma D, para esclarecimentos sobre os objetivos de nossa pesquisa e para solicitar suas autorizações para que pudéssemos aplicar os questionários abertos aos estudantes e, também, avaliar suas produções. Nesse encontro, indagamos se os professores poderiam também participar da entrevista semi-estruturada. Tendo obtido o consentimento para entrevistá-los, pedimos suas assinaturas no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), exigido pelo Comitê de Ética (CEP), e aplicamos as entrevistas semi-estruturadas aos professores, em março de 2014 (2º sem./2013) e em junho e agosto de 2014 (1º sem./2014);
c) encontramos com os estudantes do curso de PLE, sendo, em janeiro de 2014 (2º sem./2013), com quatro do nível B1 - Turma A e com um do B1 - Turma B, e, em junho de 2014 (1º sem./2014), com dois do B1 - Turma C, com oito do B1 - Turma D e com onze do B1 - Turma E, para informá-los sobre os objetivos de nossa pesquisa e consultá-los sobre quem estaria disposto a dela participar. Tendo obtido o consentimento dos estudantes para responderem o questionário aberto, pedimos que lessem e, posteriormente, assinassem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), exigido pelo Comitê de Ética (CEP)73, o qual foi lido por todos em língua portuguesa, sem a necessidade de apresentar-lhes as versões do documento em outros idiomas;
d) aplicamos, em janeiro de 2014 (2º sem./2013), os questionários abertos aos estudantes do curso de PLE do B1 - Turma A e B1 - Tuma B, e, em junho de 2014 (1º sem./2014), aos estudantes do B1 - Turma C, do B1 - Tuma D e do B1 - Turma E. A coleta desses questionários ocorreu, propositalmente, meses após o início das aulas porque pretendíamos,
73 Caso algum estudante estrangeiro não compreendesse o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) em língua portuguesa, disponibilizamos a tradução do referido documento também em língua inglesa. Caso o estudante não compreendesse também o termo em língua inglesa, pediríamos o apoio ao instituto de estudos linguísticos da instituição pesquisada, para que alguém, que conhecesse a língua materna do estudante estrangeiro, pudesse traduzir o TCLE, o que não aconteceu.
como já mencionamos, que os estudantes já tivessem tido um contato prévio com a língua portuguesa;
e) coletamos as avaliações, ao final de cada semestre, isto é, em fevereiro de 2014 (2º sem./2013) e em agosto de 2014 (1º sem./2014), das produções dos estudantes que se dispuseram a participar da pesquisa. Estas produções referem-se às atividades avaliativas de final de curso aplicadas pelo professor regente da turma;
f) escolhemos os estudantes para a entrevista semi-estruturada, com base no seguinte critério: desempenho dos estudantes na produção avaliativa de final de curso. Desse modo, selecionamos dois estudantes, sendo um que apresentou o melhor desempenho e um que obteve o pior desempenho. Consultamos os estudantes escolhidos para saber se estariam dispostos a participar da entrevista semi-estruturada e, tendo o consentimento de ambos, pedimos que eles lessem e, posteriormente, assinassem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) exigido pelo Comitê de Ética (CEP). Aplicamos a entrevista semi- estruturada aos estudantes estrangeiros do 2º sem./2013, em fevereiro de 2014, e do 1º sem./2014, em agosto de 2014.
Observação: Os instrumentos de pesquisa aplicados aos estudantes, isto é, o questionário aberto e a entrevista semi-estruturada, estavam disponíveis somente em língua portuguesa. No entanto, se o estudante apresentasse alguma dúvida na compreensão das perguntas, o pesquisador tentaria esclarecê-las, utilizando a língua portuguesa, em primeiro lugar, e, em segundo lugar, a língua inglesa74, caso o estudante falasse o inglês e não tivesse compreendido nossa tentativa de explicação em língua portuguesa. No que tange às respostas a serem dadas pelo estudante estrangeiro, tanto no questionário aberto quanto na entrevista semi-estruturada, solicitamos que o estudante utilizasse a língua portuguesa e/ou a língua inglesa. Caso o estudante estrangeiro não conseguisse se expressar nem em língua portuguesa e nem em língua inglesa, ele poderia responder o questionário aberto e a entrevista semi- estruturada em sua língua materna (espanhol, francês, italiano, japonês, russo, etc). E para a tradução das respostas desses estudantes, poderíamos contar com o apoio de profissionais do instituto de estudos linguísticos da instituição pesquisada, que fossem proficientes no idioma dos estrangeiros. Salientamos que a maioria dos estudantes responderam tanto o questionário
74 Nossa escolha pela língua inglesa se deu em virtude de ser o idioma de intermediação mais utilizado no mundo atualmente.
aberto quanto a entrevista semi-estruturada em língua portuguesa, no entanto, houve algumas respostas em língua inglesa e em língua espanhola produzidas por falantes nativos destes idiomas.