CAPÍTULO 2 PERCURSO TEÓRICO-METODOLÓGICO
2.4 Procedimentos de Coleta e Análise de Dados
O grande desafio foi organizar o tempo de forma a explorar livremente os dados e seguir os instintos e a curiosidade, depois a convivência com um grande volume de dados à disposição também por meio de tecnologia. Por fim dar um tratamento adequado e de bom senso aos dados coletados para que se transformem em informações realmente importantes.
Para ter acesso a todos os dados que foram coletados, reuni meu arquivo pessoal quando estava à frente da secretaria de educação no período de 2005 até maio de 2008, e os dados oficiais disponíveis no site oficial do INEP/MEC.
Utilizei a análise documental do modelo de gestão educacional da secretaria de educação, procurando identificar as práticas da gestão de sua rede, como também procurei compreender as mudanças que esse modelo trazia para a secretaria. A análise documental constitui uma técnica importante na pesquisa qualitativa, seja complementando informações obtidas por outras técnicas, seja desvelando aspectos novos de um tema ou problema (LUDKE; ANDRÉ, 1986).
No Departamento de Organização Escolar e no INEP/MEC recolhi os dados relativos ao Censo Escolar, o quantitativo de escolas da rede, número de turmas por escolas, de alunos por turma. Aliás, tudo que se relacionava à vida do aluno.
Realizei entrevistas semi-estruturadas “porque esta, ao mesmo tempo em que valoriza a presença do investigador, oferece todas as perspectivas possíveis para que o informante alcance a liberdade e a espontaneidade necessárias, enriquecendo a investigação” (TRIVIÑOS, 1987, p. 146) com os sujeitos da pesquisa.
Esse instrumento foi fundamental na pesquisa, ajudou a obter informações de como as novas práticas de gestão vêm tentando contribuir para a melhora da educação pública. Escolhi a entrevista e a análise documental por acreditar serem elas os procedimentos mais adequados para minha investigação e para meu objeto de pesquisa, pois através da análise documental pude compreender a formatação do modelo de gestão e suas implicações nos indicadores educacionais e suas estratégias para se obter resultados positivos.
A pesquisa documental foi constituída pelo exame meticuloso dos materiais que são colhidos no campo e na internet, mas que não receberam um tratamento analítico com a finalidade de uma interpretação nova ou complementar.
As entrevistas possibilitaram compreender o porquê das decisões tomadas para o suposto fortalecimento do modelo de gestão na educação pública. Apoiados nas entrevistas semi-estruturadas buscamos, de acordo com Cruz Neto (1994, p. 57),
obter informes contidos na fala dos atores sociais. Ela não significa despretensiosa e neutra, uma vez que se insere como meio de coletar dos fatos relatados pelos atores, enquanto sujeitos-objetos
da pesquisa que vivenciam uma determinada realidade que está sendo focalizada.
O que tornou a entrevista um instrumento privilegiado de coleta de dados foi a possibilidade de captar opiniões dos sujeitos entrevistados através de suas falas sobre a importância do modelo de gestão apresentado pelo Instituto Ayrton Senna, e a prática da pesquisadora nos procedimentos da secretaria e das escolas de sua jurisdição, havendo um processo de interação como pesquisadora com os sujeitos pesquisados.
Ao terminar as entrevistas, fiz imediatamente as transcrições das mesmas com o objetivo de ter o material necessário para a análise. De posse dos dados coletados, parti para a análise e para a interpretação dos dados apoiados em Bardin (1977) e Vala (1999).
Utilizei a Análise de Conteúdo subsidiada no que diz Bardin (1977, p. 38) ao considerá-la “como um conjunto de técnicas de análises de comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição de conteúdo das mensagens”. A descrição das práticas de gestão educacional permitiu-me interpretar através das inferências às suas contribuições para o desenvolvimento da gestão educacional.
Para analisar os dados, passei pelas seguintes etapas (BARDIN, 1977): 1) Pré-análise – essa fase de organização propriamente dita. Realizei a leitura flutuante, lendo todas as respostas dos(as) entrevistados(as). Foi neste momento onde estabeleci o contato direto com as entrevistas e o modelo de gestão educacional do Instituto Ayrton Senna. Esse material segundo Vala (1999), o corpus de minha análise: as entrevistas que realizei com o prefeito, secretários(as) municipais e técnicos pedagógicos da SME e do Instituto Ayrton Senna para a identificação das práticas e concepções que utilizaram na gestão educacional. A partir dessa organização pude perceber a significância desse corpus constituído para minha análise em busca dos achados da pesquisa.
2) Exploração do Material – nessa etapa procedi com a codificação do material analisado, através das categorias temáticas que emergiram dos dados coletados.
Utilizei a análise temática aqui concebida como uma forma de atingir os significados manifestos e latentes, buscando descobrir os “núcleos do sentido” que
compõem a comunicação e cuja presença, ou frequência de aparição podem ter significados para o objetivo analítico escolhido (BARDIN, 1977, p. 105).
Neste trabalho, os dados empíricos foram agrupados em subtemas por categorias temáticas as quais Vala (1999, p. 111) conceitua como sendo um “termo-chave que indica a significação central do conceito que se quer apreender”, sendo elas:
Gestão educacional
Melhora nos instrumentos/ferramentas gerenciais.
3) Tratamento dos resultados obtidos e interpretação – nessa etapa, segundo Bardin (1977, p. 102), “os resultados brutos são tratados de maneira a serem significativos (falantes) e válidos”. Essa etapa permitiu a elaboração de quadros que entre a dinâmica de descrição e interpretação, mediadas pela inferência, se estabeleceram articulações entre os dados coletados e o referencial teórico utilizado na pesquisa.
Por fim, foi realizado um conjunto de procedimentos de forma sistemática, baseado no raciocínio lógico e nas teorias que tiveram como finalidade maior encontrar soluções para os problemas propostos mediante uso de métodos científicos.
CAPÍTULO 3 IMPLICAÇÕES DA PARCERIA ENTRE O INSTITUTO AYRTON