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Para esta etapa da pesquisa foram elaborados os documentos para cumprimento de trâmites e protocolos institucionais para a autorização da realização da pesquisa. Realizamos a solicitação de autorização de estudo à instituição locus da pesquisa, direcionados à Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGESP) da UFRN e à Comissão Permanente de Apoio ao Estudante com Necessidades Educacionais Especiais (CAENE) da UFRN, além dos Termos de Confidencialidade e a Declaração de pesquisa não iniciada, direcionados ao Comitê de Ética em Pesquisa da UFRN. Após aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFRN6, de fato iniciamos nossas buscas

em nosso contexto de pesquisa.

Após mergulharmos nas fontes teóricas e documentais, partimos para a etapa do processo de coleta de dados em nosso contexto empírico, na busca por informações para a elucidar do questionamento que almejávamos responder, a saber: Quais as relações entre as políticas educacionais e as ações de formação continuada dos docentes do Ensino Superior na UFRN, no tocante à dimensão pedagógica e a interface com a inclusão de estudantes com deficiência?

Neste caso, fizemos o estudo das políticas institucionais que versam sobre a inclusão de estudantes com deficiência na UFRN, assim como das políticas de formação continuada dos docentes da UFRN, visando conhecer as políticas institucionais da universidade, estabelecendo um elo descritivo entre as políticas nacionais sobre a mesma temática.

Seguimos com o levantamento de dados solicitando informações quantitativas à CAENE/UFRN a respeito dos estudantes com deficiência ingressantes no Ensino Superior nos últimos anos e os cursos nos quais estavam matriculados. Também tivemos acesso ao instrumento utilizado pelo próprio setor para avaliações semestrais dos estudantes acompanhados pela CAENE, nos quais os estudantes descreviam alguns de seus avanços ou dificuldades enfrentadas ao longo do semestre. Desta etapa de levantamento pudemos

6 Este estudo foi submetido em 08/11/2017 e aprovado em 29/11/18 (CAAE

n°79717717.1.0000.5292) pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL/UFRN), em consonância com a Resolução CNS Nº 466, de 12 de dezembro de 2012, por se tratar de uma pesquisa com seres humanos.

reconhecer territorialmente, enquanto pesquisadora, o quadro dos estudantes com deficiência que estavam na UFRN e diferenciar as experiências vivenciadas como pedagoga institucional daquele setor, dos olhares agora atentos como pesquisadora, compilando dados da empiria.

À parte disto, buscamos conhecer o funcionamento das ações formativas dos professores, para além do que estava apresentado na política da Universidade. Solicitamos dados informativos a diferentes setores, tais como a Prograd (Pró-reitora de Graduação) e a Diretoria de Desenvolvimento de Pessoas (DDP), sobre os dados quantitativos de participação dos docentes nas ações de formação continuada oferecidas por estes setores. Além disso, solicitamos dados sobre as duas últimas avaliações do Levantamento de Necessidade de Capacitação (LNC) realizado anualmente pela DDP dirigido a todos os servidores da Universidade, em busca de respostas sobre as áreas de interesse de formação ou para identificar possíveis lacunas formativas dos docentes da UFRN, possivelmente manifestadas em tal instrumento institucional.

A fim de gerar uma maior aproximação e diálogo com a temática e ações de formação continuada realizadas na UFRN, especificamente pelo Programa de Atualização Pedagógica (PAP), atualmente coordenado pela PROGRAD em parceria com outros setores da UFRN, durante o primeiro ano desta pesquisa, ano de 2017, participamos das reuniões mensais ocorridas para planejamento e avaliação das ações do PAP.

Todos estes dados levantados e registros a partir de observações, nos possibilitaram conhecer como se configurava a estrutura da formação continuada do docente universitário na UFRN e a relação com as políticas inclusivas relativas aos estudantes com deficiência, respondendo assim ao primeiro objetivo específico do nosso estudo.

A fim de dar prosseguimento ao estudo, seguimos como mais uma técnica de coleta de dados, a entrevista semiestruturada, por acreditarmos que esta, de acordo com Triviños (1987, p.138), “[...] é um dos instrumentos mais decisivos para estudar os processos e produtos nos quais está interessado o investigador qualitativo”. E que nos permite diante do mosaico social expresso no contexto empírico perceber nuances, cores, encaixes e desencaixes revelados no ato de ouvir, perguntar e dialogar, com leveza e ao mesmo com cientificidade. Apesar de valorizar esse grande mosaico subjetivo das

entrevistas, Bourdieu (2001; 2003; 2004) manteve os olhos na possibilidade da ciência como portadora do universal, da razão objetiva como método de descoberta.

Diante do nosso vívido campo empírico e da densidade da temática discutida nesta pesquisa buscamos contar com diálogos que se entrelaçam e se complementam, avaliamos que enriqueceríamos o estudo realizando entrevistas com três diferentes grupos, são eles: estudantes com deficiência, docentes e gestores da UFRN. Deste modo, poderíamos buscar em suas falas diferentes perspectivas sobre o processo de inclusão de estudantes com deficiência no Ensino Superior e seus atravessamentos nos processos de permanência implicadas na formação docente, cumprindo assim, com o segundo objetivo específico.

Para ser escolhidos como participantes da pesquisa e contribuir com as entrevistas foram elencados alguns critérios a cada grupo:

- Critérios utilizados para participação de docentes: ser docente efetivo da UFRN e ter participado de uma ou mais ações7 de formação continuada sobre a

temática da inclusão de estudantes com deficiência nos anos de 2016 e 2017; - Critérios utilizados para participação de discentes: ser discente da UFRN, apresentar condição de deficiência, ter matrícula ativa e ser acompanhado pela CAENE no semestre 2017.2;

- Critérios utilizados para participação de gestores: compor a equipe gestora da UFRN, principalmente dos setores que elaboram as políticas institucionais e os que trabalham com a oferta de formação continuada aos docentes da instituição. Como critérios de exclusão destacamos aqueles que não se enquadravam no perfil descrito para os critérios de inclusão ou aqueles que optassem por não participar da pesquisa, seja por falta de retorno ou por apresentação de negativas aos convites. Após a definição dos critérios de inclusão e exclusão dos participantes desta pesquisa foi possível iniciarmos a busca dos perfis dos discentes, docentes e gestores que poderiam tornar-se participantes da pesquisa.

Por meio do Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas da UFRN - SIGAA, obtivemos informações de dados fundamentais para identificar

os discentes com deficiência com matrículas ativas e que eram acompanhados pela CAENE no semestre 2017.2. A partir da busca inicial surgiram no “Relatório de alunos com Necessidades Especiais” (emitido em 09/11/2017) pelo SIGAA, o total de 178 estudantes. No entanto, ao filtrarmos este quantitativo para o grupo de estudantes especificamente com deficiência8, com matrículas ativas e em

atendimento pela CAENE, foram identificados 51 estudantes. Diante de tamanha população elencamos, de modo aleatório, 2 (dois) estudantes de cada condição de deficiência.

Para a identificação dos possíveis docentes participantes da pesquisa, foi realizado um levantamento junto aos arquivos físicos da CAENE, isto é, das listas de presença de oficinas, palestras, cursos ou minicursos ministrados aos docentes da UFRN durante os anos de 2016 e 2017. Nesta busca foram coletadas as seguintes informações: nome, e-mail, contato telefônico, curso e centro acadêmico.9 Em seguida, verificamos no Sistema a confirmação de

pertencimento ao quadro efetivo da universidade de cada um dos docentes, eliminando àqueles que não compunham o quadro como servidores efetivos.

Para a identificação dos gestores que poderiam compor a pesquisa, foi realizado um estudo do panorama organizacional da UFRN, a partir do Plano de Gestão 2015/2019, e a estrutura organizacional apresentada no Sistema de Gestão de Recursos Humanos (SIGRH), os quais definem as funções de cada pró-reitoria e suas coordenações na Universidade. Assim sendo, pudemos direcionar o nosso olhar para àqueles servidores que se aproximavam dos critérios de inclusão para este grupo.

Após a identificação das pessoas correspondentes a cada critério de escolha, foi estabelecido o contato com os discentes (18), docentes (158) e gestores (6) através de uma carta-convite enviada por e-mail, a qual esclarecia as intenções da pesquisa e propunha a realização de uma entrevista sobre a relação entre as políticas de inclusão da pessoa com deficiência na UFRN e os entrelaçamentos na formação do professor universitário.

8 Para efeito desse estudo é considerado estudantes com deficiência àqueles com: deficiência

visual - cegos ou com baixa visão; auditiva (surdo, implantado ou usuário de aparelho auditivo); deficiência intelectual; deficiência física e deficiência múltipla, conforme Resolução nº 193 de 21 de setembro de 2010 - CONSEPE.

9 Buscamos estes dados diretamente na CAENE, pois em outros setores que também são

responsáveis pela formação continuada teríamos maior dificuldade para encontrar os nomes e dados que necessitávamos para entrar em contato.

Do total de cartas-convite enviadas recebemos sinalização positiva para realização da entrevista da parte de 9 discentes, 10 docentes e 5 gestores, totalizando assim, 24 participantes da pesquisa.

Com a mesma atenção que tivemos com a escolha dos participantes, o material para a entrevista foi elaborado para que se buscasse um diálogo fluido rumo aos objetivos a serem alcançados no estudo. Estávamos atentas à elaboração e realização das entrevistas, considerando a relevância deste instrumento, imensamente discutido no âmbito da sociologia e detalhadamente descrito na obra A miséria do mundo, de Bourdieu (2003), a qual nos chama atenção para a capacidade empática do entrevistador, a “necessidade imperiosa de evitar toda e qualquer ‘violência simbólica’ derivada da dessimetria entre entrevistador e entrevistado” (BOURDIEU, 2003, p. 695).

Destarte, os instrumentos da entrevista foram elaborados pelas pesquisadoras e, posteriormente analisados por parte dos membros do grupo de pesquisa. Em seguida, foram aplicados como “instrumentos testes” com três pessoas externas ao contexto da pesquisa, a fim de buscarmos a maior clareza na linguagem utilizada e validade instrumental.

A última fase de validação dos instrumentos foi feita por pessoas que se enquadravam no perfil dos participantes de nosso estudo, no entanto, não fariam parte do grupo de análise. Obviamente, em todas estas três fases de validação dos instrumentos, informávamos aos voluntários que se tratava de um “instrumento / entrevista teste” e que gostaríamos de receber as contribuições para o aperfeiçoamento dos mesmos, e, deste modo, considerá-los válidos socialmente.

Ao final da etapa de elaboração e validação das entrevistas, obtivemos três instrumentos10 semelhantes, porém com direcionamentos distintos a cada

grupo a ser entrevistado, a saber: estudantes com deficiência, docentes e gestores.

Com base na técnica da entrevista semiestruturada, organizamos a primeira parte da entrevista com perguntas que permitissem a caracterização quantitativa dos participantes, de acordo com gênero, condição de deficiência, perfil estudantil, formação acadêmica, docência ou gestão.

Em seguida, estabelecemos um conjunto de questões (roteiro de entrevista semiestruturada) sobre o tema do estudo. As entrevistas continham dois eixos, o primeiro foi denominado: “Sobre a inclusão de pessoas com deficiência na universidade” e o segundo eixo foi denominado: “sobre docência e formação”. Ambos continham questões que buscavam conhecer as perspectivas dos participantes sobre o processo de inclusão de estudantes com deficiência no Ensino Superior e suas relações com o processo de permanência implicadas na formação docente. Desejávamos conhecer as impressões de cada participante, que naquela amostra representavam três distintos grupos, basilares no processo educacional inclusivo no Ensino Superior. Estávamos atentas a suas vivências, impressões e contribuições a serem expressas a cada entrevista.

Neste caso, durante todas as entrevistas buscamos incentivar, que o que o participante falasse livremente sobre assuntos e/ou experiências que iam surgindo como desdobramentos do tema apontado nas questões. Ampliando as possibilidades de diálogos e de respostas de acordo com cada experiência vivenciada.

Os encontros foram agendados por e-mail ou por telefone, conforme a disponibilidade temporal e espacial dos participantes, ocorrendo nas dependências da UFRN, como por exemplo, nas salas trabalho dos docentes e gestores, em seus respectivos departamentos, e setores de aulas dos estudantes.

Neste processo de pesquisa, cumprimos os protocolos éticos de apresentação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e do Termo de autorização para gravação de voz. Isto inclui a acessibilidade oferecida aos participantes com deficiência visual, com disponibilização de cópias de cada documento e entrevistas em Braille ou em letra ampliada. Quanto à realização da entrevista com estudantes surdos, contamos com a presença de uma intérprete de LIBRAS como mediadora da língua.

Cada entrevista durou aproximadamente entre 30 e 50 minutos gravadas em um celular com aplicativo livre para gravação de voz, denominado “Gravador de voz avançado”. Fizemos uso, também, de caneta e caderno de registros, mantendo o olhar de pesquisadora atento a cada movimento corporal dos entrevistados, a cada pausa, suspiro intenso e a cada sorriso nos lábios.

conhecimento, no incessante processo de estudo e, consequentemente, de nossa autoformação, indo além do olhar do pesquisadoras, já que fizemos corpo da pesquisa, descobrindo junto aos participantes, respostas às nossas inquietações.

É válido ressaltar que utilizamos um diário reflexivo, como técnica registro de dados de pesquisa, utilizado tanto para sistematizar e organizar as informações e impressões obtidas durante a etapa de levantamento de dados, quanto durante as entrevistas.

Assim, fomos construindo o nosso mosaico multicolorido, diverso e difícil a ser moldado e lapidado durante uma nova fase metodológica, a análise. Para isso, as 24 entrevistas, postas em uma média de 1.125 horas de áudio, foram transcritas em 220 páginas, e 26 documentos institucionais analisados. Trilhamos um trabalho manual, sem horizontes, que a cada reescrita e releitura, era possível perceber novas cores, formas e nuances em cada peça que comporia o nosso mosaico social e analítico a respeito do nosso objeto de estudo.

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