Quando o tamanho do público-alvo da pesquisa é relativamente grande, pensando no total de alunos do Ensino Médio da escola Cooperada Nova geração- COEB- (81), podemos buscar em uma amostragem a representatividade necessária. Desse modo, conseguimos 30 informantes para a consecução do trabalho. Destes, utilizamos 10 (dez) produções escritas divididas em três gêneros diferentes: resumo (R), dissertação123 escolar (D) e, por fim, a resenha (RC), totalizando, assim, trinta (30) textos analisados. É imprescindível dizer que a escolha foi aleatória. O único critério adotado foi o de o aluno ter as duas versões dos gêneros produzidos em sala de aula. Entretanto, ao iniciarmos as análises, vimos que os problemas encontrados na 1° produção eram recorrentes e os resultados obtidos também. Assim, apresentaremos, na íntegra, os resultados de apenas 5 (cinco) produções de cada gênero. As demais produções aparecerão sob a forma de anexos e os resultados em forma de uma tabela resumitiva dos resultados. Acresce dizer que a instituição- COEB- Cooperativa de Ensino de Birigui tem 81 (oitenta e um) alunos. Por isso, pensamos ter quantidade satisfatória de sua representatividade, 30 estudantes.
Assim, coletamos os textos no 1° semestre de 2006, a partir de uma proposta de produção de gêneros escritos cuja temática, de natureza argumentativa, a partir da SD produzida pelo professor-pesquisador, foi a problemática da adoção do sistema de cotas para a entrada de universitários nas instituições públicas. Para a produção do resumo escolar, pedimos uma síntese do texto Truculência na Internet124. No caso específico da resenha crítica, pedimo-la, após a aplicação da SD125, em relação ao filme Encontrando Forrester, do ator e Sean Connery e do diretor Gus Van Sant. O motivo da escolha deve-se à temática desenvolvida neste texto fílmico. Jamal Wallace, rapaz negro e pobre do subúrbio americano,
123
Estamos compreendendo a dissertação e a dissertação-argumentativa como equivalentes. Assim, no contexto deste trabalho, não distinguiremos as duas, como o fez Othon Garcia.
124
O texto Truculência na Internet consta na SD sobre resumo escolar/acadêmico. Foi publicado na seção “Ciência em Dia”, no jornal Folha de S. Paulo, em 21 de setembro de 2003.
125
Trata-se da SD sobre resenha de Anna Rachel Machado (org) publicada pela editora Parábola, como consta na bibliografia desta tese.
gosta de ler e escrever. Devido às circunstâncias nada favoráveis, esconde de seus amigos sua habilidade até encontrar Willian Forrester, personagem interpretado por Connery. A partir de então, há uma intensa interação, inclusive a partir de bilhetes deixados pelo protagonista nos escritos de Wallace.
Metodologicamente, os estudantes da COEB da 2ª série do Ensino Médio do ano 2006 foram escolhidos como público alvo de nossa análise, no que diz respeito à dissertação, por dois motivos: o primeiro, pelo fato de os estudantes, no ensino médio, serem submetidos a um ensino de língua materna sob uma óptica sócio-interacionista e não mais como forma de comunicação ou como forma de pensamento como a que eram expostos quando estavam no Ensino Fundamental. O segundo motivo deve-se ao fato de estes estudantes nunca terem estudado a produção textual a partir de SDs e a correção/reescrita a partir da metodologia aplicada: SDs mais listas de constatações. Com relação ao resumo de artigo opinativo e à resenha crítica, escolheu-se a 3ª série de 2006, pelos mesmos motivos supracitados126. Vale salientar que selecionamos para a pesquisa uma instituição de ensino particular por motivos óbvios, mas que merecem justificativas. Primeiro: não temos o intuito de averiguar qualificações dialógicas ou não entre escolas públicas e privadas, já que trabalhos interativos com a linguagem independem da instituição. De outro lado, não raro, é sabido, vários órgãos de imprensa enfatizam a deficiência lingüística não só de estudantes de escolas públicas, senão também de escolas privadas.
Assim, não cremos estar, dadas as atuais circunstâncias da educação brasileira, com uma fatia privilegiada do corpo discente do país. CASTRO (2002, p.20), ao tratar da dificuldade de leitura dos educandos, assim se pronunciou: “Nossa incapacidade de decifrar um texto escrito não se deve à pobreza, mas a um erro sistêmico. Estamos ensinando errado”. Para o autor, que é um economista especializado em Educação, tanto a “escola de ricos” quanto “a de pobres” não está ensinando seus alunos a ler um texto escrito e a tirar dele as conclusões e reflexões requeridas. Em artigo relativamente recente, publicado no jornal Folha de S. Paulo, Góis (2002) mostra que os alunos mais ricos do Brasil têm desempenho inferior aos estudantes das classes mais altas de outros países. Desse modo, constituímos nosso corpus127do seguinte modo:
126
A 1ª e a 2ª versões do resumo escolar/acadêmicos foram coletados nos meses de janeiro e fevereiro de 2006, respectivamente. As resenhas, a partir do filme “Encontrando Forrester” foram coletadas nos meses de março/ abril de 2006. A primeira versão foi coletada em 20/3/2006. A segunda versão em 25/4/2006.
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A fim de facilitar o entendimento, dividimos os gêneros pelas suas inicias e as redações pela numeração de 01 a 10. Assim, D corresponde aos textos escritos antes e depois da aplicação da Seqüência Didática sobre a Dissertação escolar. R diz respeito aos resumos produzidos antes e depois da Seqüência Didática Resumo de artigos opinativos; por fim, RC refere-se às resenhas críticas produzidas.
Resumo de texto opinativo
a partir do texto
“Truculência na Internet”.
Dissertação: “Devem ser criadas cotas para alunos negros no ensino superior?”
Resenha crítica: produção a partir do filme “Encontrando Forrester”. R-01 D-01 RC-01 R-02 D-02 RC-02 R-03 D-03 RC-03 R-04 D-04 RC-04 R-05 D-05 RC-05 R-06 D-06 RC-06 R-07 D-07 RC-07 R-08 D-08 RC-08 R-09 D-09 RC-09 R-10 D-10 RC-10
Quadro 2: Uma síntese do corpus
Nos capítulos de análise, o percurso metodológico será o seguinte: Primeiramente, apresentação de um quadro contendo o percurso desde a apresentação da situação de comunicação até a produção final. Em seguida, apresentamos o nome de cada módulo trabalhado, dia de aplicação e os respectivos objetivos. Posteriormente, mostramos “os bastidores” da construção das Listas de Controle dos gêneros em análise, tomando sempre como fundamento a construção do modelo teórico de Bronckart para análise de textos. Por fim, neste movimento que decorre do saber dos especialistas e chega à sala de aula, apresentamos os itens principais de análise que aparecerão na terceira coluna das redações: são os saberes transpostos para a sala de aula nas SDs. Após a reescrita de cada texto, em virtude da necessidade de mais espaço para explicação de avanços obtidos pelos estudantes, tecemos considerações interpretativo-analíticas dos resultados. Para tal, seguimos a ordem pela qual os textos foram analisados. Primeiramente, os comentários referem-se à Lista de Constatações/ Controle do gênero e, em seguida, considerações referentes ao contexto de produção, à planificação e, por fim, a respeito dos mecanismos de textualização.
Resumo Dissertação Resenha Crítica
Dia da coleta do corpus 1ª versão: 10/02/2006 2ª versão: 20/03/2006 1ª versão: 26/01/2006 2ª versão: 21/02/2006 1ª versão: 20/03/2006 2ª versão: 25/04/2006 3ª versão: 10/05/2006128 Forma de intervenção em Professor- Aluno (P- A); Professor- Aluno (P- A);
Professor- Aluno (P-A); Autocorreção dos
17-A SD foi produzida, em primeiro lugar, por ser muito freqüente a utilização deste gênero na esfera escolar. Em segundo lugar, em virtude de termos adotados outras práticas pedagógicas em outras turmas e não obtermos resultados satisfatórios.
sala de aula/ Siglas Utilizadas Autocorreção dos estudantes (A-A); Um estudante corrige de outro estudante. (A1- A2) Autocorreção dos estudantes (A-A); Um estudante corrige de outro estudante. (A1- A2) estudantes (A-A); Um estudante corrige de outro estudante. (A1- A2) Salas utilizadas como corpus 3ª Série do Ensino Médio 2ª Série do Ensino Médio 3ª Série do Ensino Médio Destinatários das produções escritas O professor- pesquisador e os próprios estudantes nos momentos de intervenção; posteriormente ao jornal escolar da insituição.
Jornal escolar que circula entre os cooperados da instituição; Próprio professor- pesquisador e os estudantes nos momentos de reescrita Jornal-mural da instituição; Jornal escolar que circula bimestralmente; Próprio professor- pesquisador e os estudantes nos
momentos de reescrita
Quadro 3: Quadro explicativo dos movimentos em sala de aula