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“O importante é não parar de questionar” Albert Einstein

De acordo com Munhall (1994:188-189) e Kahn (2000:85-86) devido à investigação fenomenológica se basear em assumpções filosóficas e epistemológicas em que não se assume a existência dos factos e da realidade como objectiva mas de acordo com uma interpretação do investigador e depois do leitor, o desafio é produzir um texto que reflicta o diálogo ocorrido entre os participantes e o investigador diminuindo o mais possível os vieses e relatando o fenómeno como este se apresenta na interacção entre os actores (investigador e participante). Sendo assim, os esforços desenvolvem-se ao longo de todo o estudo e incluem várias formas que descrevemos consoante o que os autores recomendam e o que cumprimos.

Munhall (1994:188) considera que é essencial que o investigador aceite as suas limitações e que tenha a consciência de que procura compreender o significado ao estudar as experiências em contexto e voltando sempre que necessário à pergunta de investigação. Simultaneamente, é necessário rigor e mérito, orientação para a prática e para mais investigação. Encontramos as propostas desta autora no seu livro de 1994 (p. 189-193) e em MacKey (2007:562-563) começando pela Concordância Fenomenológica, ou seja, quando as pessoas concordam ao lerem ou ouvirem a apresentação do estudo e que começa com a concordância dos próprios participantes em que para isso o investigador volta a eles para que verifiquem se houve captação e interpretação do que a experiência significou para si. No nosso caso levámos as interpretações iniciais que fizemos do discurso o que constituiu uma oportunidade de clarificação e de validação de que estávamos a respeitar o que queriam dizer. Neste aspecto pudemos clarificar alguns aspectos com nove das participantes

que concordaram com a nossa interpretação. Duas participantes, porém, dispensaram esta etapa sublinhando que confiavam no nosso trabalho e que podíamos prosseguir com o seu contributo.

As outras propostas da autora supra referida são:

* Ressonância: a interpretação do significado da experiência é familiar, parece correcta e liga-se às experiências anteriores. Tal é possível relativamente aos participantes como descrevemos acima mas também aos leitores se bem que a própria autora reconheça que nem tudo se reflicta em todas as pessoas da mesma maneira mas alguma coisa, de algum modo, o deve fazer.

* Razoabilidade: todas as actividades do estudo, incluindo a interpretação do significado da experiência parecem razoáveis podendo guiar-se por perguntas como “A interpretação parece razoável?”, “Existe uma explicação possível do significado da experiência?”, “Os modos de obtenção dos dados foram razoáveis?” Neste sentido e atendendo ao recomendado tentámos expor as razões das nossas opções, dando resposta à pergunta “Porquê?” em todas as parte do estudo.

* Representatividade: os resultados representam as várias dimensões da experiência, evidenciadas pelas várias fontes de dados. Consideramos que neste estudo há material suficiente para investigar o fenómeno a partir das várias participantes.

* Reconhecibilidade: possibilita mais consciência de uma experiência, o que tal como a ressonância produz eco no leitor que reconhece certos aspectos e que se liga ao próximo critério.

* Expansão da consciência: trata-se de uma resposta ao estudo que leva o leitor a compreender algo da experiência que ainda não tinha considerado. Implica conseguir questionar as crenças do investigador, exigindo que tenha o cuidado de não escolher o que vai ao encontro do que espera. Isto mostrou-se evidente quando nos apercebemos que tínhamos ideias enviesadas sobre o fenómeno em estudo as quais foram mudando com a evolução da investigação.

* Facilidade da leitura: a redacção deve ser concreta, de fácil leitura, interessante e compreensível. Assim, a investigação deve ser escrita como uma conversa que suscite o

interesse, utilizando metáforas e analogias para expor uma experiência humana. Tentámos cumprir esta proposta recorrendo a metáforas, analogias, exposição das palavras proferidas pelas participantes e escrevendo do modo mais compreensível possível, reconhecendo, porém, que este critério não é particularmente fácil por ser bastante subjectivo e exigir competências de escrita que tentámos aperfeiçoar tanto quanto pudemos.

* Relevância: a investigação deve ser capaz de nos trazer para mais próximo da nossa humanidade, aumentar a nossa consciência, proporcionar compreensão, interpretação e possível significado além de guiar profissional e pessoalmente. Implica estudar um fenómeno relevante para o investigador, o que foi o nosso caso, de modo a absorver mais a atenção que é também relevante para a ciência humana e para os seres humanos. Pela delicadeza dos temas e a forma como os abordamos, apresentamos e interpretamos, consideramos que respeitámos este critério.

* Revelações: implica ir além da superfície da experiência e do fenómeno para alcançar um nível mais profundo de compreensão. Na nossa opinião este estudo trouxe revelações pois, subjacente e oculto à ausência do AM existem crenças e influências que podem parecer óbvias mas outras que, pelo menos para nós, constituíram por um lado, novidade e, por outro, fazem sentido.

* Responsabilidade: as considerações éticas estão evidentes, incluindo o processo de consentimento, a sensibilidade do conteúdo das conversas e a autenticidade da apresentação dos significados. Procurámos ser sempre fiéis às participantes cumprindo o que expusemos no subcapítulo das considerações éticas.

A autora apresenta ainda dois critérios, riqueza e resposta. Quanto à riqueza enquanto descrição cuidadosa, sensível e apaixonada da experiência humana, pensamos que são os leitores quem principalmente a podem determinar. Relativamente à resposta, a mesma tem a ver como as pessoas, participantes ou pares, reagem à importância do estudo. No nosso caso, deparámo-nos com o interesse advindo das participantes que procuraram mais informação, de colegas que solicitam a divulgação do trabalho, de uma organização de fomento e de aconselhamento em AM que mostrou interesse em divulgá-lo junto dos profissionais de saúde e da RTP-Açores que nos contactou para que, logo que seja possível, partilhemos este estudo através de este meio de comunicação social.