• Nenhum resultado encontrado

Produto interno

No documento ´Algebra Linear (páginas 165-174)

Espa¸ cos vetoriais com produto 5

interno

Na Sec¸˜ao 2.4, vimos que o espac¸o vetorialV3, dos vetores tridimensionais, est´a dotado de uma operac¸˜ao, `a ´epoca denominada produto escalar, que permite dar um tratamento geom´etrico, por meio do conceito de ˆangulo, a algumas relac¸ ˜oes entre vetores.

Neste cap´ıtulo, apresentaremos, de modo axiom´atico, o conceito de pro-duto interno em um espac¸o vetorial, que generaliza o de propro-duto escalar de V3, e exploraremos v´arias de suas propriedades.

(2) hλu,vi=λhu,vi, para todosu,v∈VeλR;

(3) hu,vi= hv,ui, para todosu,v ∈V;

(4) para todou∈ V,u6=0V, valehu,ui>0.

Ou seja, um produto interno em um espac¸o vetorialV ´e um modo de se atribuir a um par de vetores(u,v)deVum n ´umero real, denotadohu,vi. Exige-se que essa atribuic¸˜ao satisfac¸a as condic¸ ˜oes (1)–(4). Veremos que essas quatro condic¸˜ao s˜ao suficientes para que a presenc¸a de um produto interno em um espac¸o vetorial permita que muitos dos resultados vistos no Cap´ıtulo 2 possam ser generalizados para o contexto de espac¸os vetoriais abstratos.

Como j´a mencionamos, no in´ıcio da sec¸˜ao, o produto escalar em V3

´e um produto interno. Isso segue do fato que as condic¸ ˜oes (1)–(4) est˜ao todas satisfeitas emV3 tomando-sehu,#»vi = u · v, como verificamos na Proposic¸˜ao 2.4.2.

Vejamos outros exemplos.

Exemplo5.1.1. A func¸˜ao definida por

(a1,a2, . . . ,an),(b1,b2, . . . ,bn)= a1b1+a2b2+· · ·+anbn

´e um produto interno no espac¸o vetorial Rn. Que as condic¸ ˜oes (1)–(3) na definic¸˜ao de produto interno est˜ao satisfeitas segue imediatamente da definic¸˜ao das operac¸ ˜oes de soma e multiplicac¸˜ao por escalar em Rn. A condic¸˜ao (4) ´e consequˆencia do fato de uma soma de quadrados de n ´umeros reais ser sempre um n ´umero positivo se pelo menos um de seu termos for n˜ao nulo. Essa operac¸˜ao ser´a doravante denominadaproduto interno usual

deRn. ♦

Exemplo5.1.2. Al´em do produto interno usual, existem outros produtos in-ternos emR2. Por exemplo,

(a,b),(c,d)=2ac+bd

tamb´em define um produto interno emR2, como o leitor pode facilmente verificar. (Veja o Exerc´ıcio 53 da Lista 1 - ´Algebra Linear II (2020) para ainda

mais um exemplo de produto interno emR2.) ♦

Exemplo5.1.3. Considere o espac¸o vetorialPn(R), dos polin ˆomios de grau menor ou igual an, e a func¸˜ao definida por

hf,gi=

Z 1

0 f(t)g(t)dt, (5.1)

para todos f,g ∈ Pn(R). Mostre que essa func¸˜ao ´e um produto interno no espac¸o vetorialPn(R).

Solu¸c˜ao. Vale iniciar notando que, de fato, essa func¸˜ao est´a bem definida, uma vez que para todos f,g∈ Pn(R), o produto f g´e uma func¸˜ao cont´ınua em[0, 1]e, portanto, integr´avel nesse intervalo.

As condic¸ ˜oes (1) e (2) s˜ao propriedades da integrac¸˜ao:

hf+g,hi=

Z 1

0 f(t) +g(t)h(t)dt=

Z 1

0 f(t)h(t) +g(t)h(t)dt

=

Z 1

0 f(t)h(t)dt+

Z 1

0 g(t)h(t)dt= hf,hi+hg,hi, quaisquer que sejam f,g,h∈ Pn(R), e

hλf,gi=

Z 1

0 λf(t)g(t)dt=λ Z 1

0 f(t)g(t)dt=λhf,gi,

para todosλRe f,g∈ Pn(R). A condic¸˜ao (3) ´e ´obvia. Resta (4); vejamos.

Comecemos por lembrar que o vetor nulo de Pn(R) ´e o polin ˆomio nulo.

Assim, se f ∈ Pn(R)e f 6=0Pn(R), existet0∈[0, 1]tal que1 f(t0)6=0, o que implica que f(t0)2 > 0. Como f ´e uma func¸˜ao cont´ınua no intervalo[0, 1], existemc,d∈ Rcom 0≤ c< d≤1 tais que f(t)2 >0, para todot ∈ (c,d), enquanto f(t)2≥0 para todot∈[0,c]∪[d, 1]. Portanto,

hf,fi=

Z 1

0 f(t)2dt=

Z c

0 f(t)2dt+

Z d

c f(t)2dt+

Z 1

d f(t)2dt>0, j´a queRd

c f(t)2dt>0 e os outros dois termos na soma acima n˜ao s˜ao

nega-tivos. ♦

O argumento utilizado acima tamb´em prova que (5.1) define um pro-duto interno no espac¸o P(R) de todos os polin ˆomios, sem limitac¸˜ao no grau. Ainda, n˜ao h´a nada de especial na escolha dos extremos de integra-c¸˜ao: para quaisquera,b∈Rcoma<b,

hf,gi=

Z b

a f(t)g(t)dt (5.2) define um produto interno emPn(R)e emP(R).

Mais geralmente, a express˜ao (5.2) define um produto interno no espac¸o vetorialC([a,b])de todas as func¸ ˜oes reais cont´ınuas definidas no intervalo [a,b]. (Mas n˜ao ´e um produto interno no espac¸o vetorialC(R). Por quˆe?)

H´a outro produto interno comumente utilizado emPn(R), que ´e uma vers˜ao discreta do produto interno definido no exemplo anterior.:

1Um polin ˆomio n˜ao nulo de grau no m´aximontem no m´aximonra´ızes. Como o inter-valo[0, 1]´e infinito, algum elemento nesse intervalo certamente n˜ao ´e raiz do polin ˆomio.

Exemplo 5.1.4. Seja n um inteiro positivo. Fixe mn ´umeros reais distintos a1,a2, . . . ,am, comm>n. Dados f,g∈ Pn(R), defina

hf,gi= f(a1)g(a1) + f(a2)g(a2) +· · ·+ f(am)g(am).

Fica a cargo do leitor verificar que as condic¸ ˜oes (1)–(3) est˜ao satisfeitas (para elas, a hip ´otesem>nn˜ao ´e necess´aria). Para a condic¸˜ao (4), suponha que f ∈ Pn(R)seja tal quehf,fi=0. Ent˜ao,

f(a1)2+ f(a2)2+· · ·+ f(am)2 =hf,fi=0.

Logo, f(a1) = f(a2) = · · · = f(am) = 0. Como f tem grau menor ou igual an, se n˜ao for nulo, f ter´a no m´aximonra´ızes distintas. Como osai s˜ao distintos entre si em > n, segue que f tem que ser o polin ˆomio nulo.2 Assim, se f n˜ao for o polin ˆomio nulo, pelo menos um dos termos f(ai)2 ´e estritamente positivo e, portanto,hf,fi>0. ♦ As propriedades listadas a seguir s˜ao consequˆencias imediatas da defi-nic¸˜ao.

Proposi¸c˜ao 5.1.5. Seja V um espa¸co vetorial munido de um produto interno.

Ent˜ao,

(i) hu,v1+v2i= hu,v1i+hu,v2i, para todos u,v1,v2∈V;

(ii) hu,λvi=λhu,vi, para todosλRe u∈V;

(iii) hu, 0Vi=0, para todo u∈V;

(iv) para todo u∈V,hu,ui=0se, e somente se, u=0V.

Demonstra¸c˜ao. A propriedade (i) segue das condic¸ ˜oes (1) e (3) na definic¸˜ao de produto interno, e a (ii), das condic¸ ˜oes (2) e (3). Provemos (iii). De (i), que acabamos de demonstrar, sabemos que

hu, 0Vi= hu, 0V+0Vi= hu, 0Vi+hu, 0Vi.

Assim a = hu, 0Vi ´e um n ´umero real que satisfaza = 2a. Logo, a = 0.

Finalmente, para (iv), j´a sabemos, da condic¸˜ao (4), que se u 6= 0V, ent˜ao hu,ui 6= 0. Reciprocamente, se u = 0V, ent˜ao hu,ui = h0V, 0Vi = 0, por (iii).

2A t´ıtulo de ilustrac¸˜ao do argumento, considere o polin ˆomio p(t) = t23t+2 P2(R). Se tomarmos apenas dois pontos, por exemplo, a1 = 1 e a2 = 2, teremos hp,pi=p(1)2+p(2)2=0, ao passo quepn˜ao ´e o polin ˆomio nulo.

Norma e distˆancia. Continuando com a analogia que estabelecemos en-tre o produto escalar e o produto interno, definiremos norma e distˆancia, em um espac¸o vetorial abstrato, em termos de um produto interno.

Defini¸c˜ao. SejaVum espac¸o vetorial munido do produto internoh,i. Dado u∈V, definimos anormadeupor

kuk= q

hu,ui. Dadosu,v∈ V, definimos adistˆanciaentreuevpor

dist(u,v) =ku−vk.

(Observe que, em vista da condic¸˜ao (4), a norma de um vetor est´a sempre definida. Al´em disso, a func¸˜ao dist satisfaz as condic¸ ˜oes esperadas de uma func¸˜ao distˆancia.3)

Exemplo 5.1.6. No espac¸o vetorial Rn munido do produto interno usual (cf. Exemplo 5.1.1), dados u = (a1,a2, . . . ,an),v = (b1,b2, . . . ,bn) ∈ Rn, temos

kuk= q

a21+a22+· · ·+a2n e

dist(u,v) = q

(a1−b1)2+ (a2−b2)2+· · ·+ (an−bn)2.

A norma e distˆancia assim definidas em Rn costumam ser denominadas

euclidianas. ♦

Observa¸c˜ao. N˜ao ´e demais enfatizar que norma e distˆancia s˜ao conceitos relativos ao produto interno. Assim, por exemplo, se tomarmos emR2 os seguintes dois produtos internos

(a,b),(c,d)

1 =ac+bd e

(a,b),(c,d)

2 =2ac+bd, teremos definidas emR2 duas normas (e, portanto, duas distˆancias). Por exemplo,

k(1, 1)k1 = q

(1, 1),(1, 1)

1=√ 2,

3Dado um conjuntoX, chama-se distˆancia ou m´etrica emXuma func¸˜aodque associa a pares de elementos deXum n ´umero real satisfazendo

(i) d(x,y)0, para todosx,yX;

(ii) para todosx,yX,d(x,y) =0 se, e somente se,x=y;

(iii) d(x,y) =dist(y,x), para todosx,yX;

(iv) d(x,z)dist(x,y) +dist(y,z), para todosx,y,zX.

Essa ´ultima condic¸˜ao, no caso da func¸˜ao distˆancia definida em termos da norma, em um espac¸o vetorial munido de um produto interno, ´e consequˆencia do Corol´ario 5.1.12, que veremos adiante.

ao passo que

k(1, 1)k2 = q

(1, 1),(1, 1)

2=√ 3,

diferentes, portanto. ♦

Algumas propriedades imediatas da norma est˜ao enunciadas na pr ´oxi-ma proposic¸˜ao.

Proposi¸c˜ao 5.1.7. Seja V um espa¸co vetorial munido de um produto interno, e sejam u∈V eλR. Valem:

(i) se u6=0V, ent˜aokuk>0;

(ii) kuk=0se, e somente se, u=0V; (iii) kλuk= |λ| kuk.

Demonstra¸c˜ao. Da condic¸˜ao (4) na definic¸˜ao de produto interno, segue que se u 6= 0V, ent˜ao hu,ui > 0 e, portanto, kuk = phu,ui > 0, provando (i). A equivalˆencia em (ii) segue da Proposic¸˜ao 5.1.5 (iv). Para (iii), temos kλuk = phλu,λui = pλ2hu,ui = √

λ2p

hu,ui = |λ| kuk, em que a segunda igualdade segue da condic¸˜ao (2) na definic¸˜ao de produto interno e da Proposic¸˜ao 5.1.5 (ii).

Exemplo5.1.8. Considere o produto interno definido por hf,gi=

Z π

0 f(t)g(t)dt

no espac¸o vetorialC([0,π])e os vetoresu,v∈ C([0,π])dados por u(t) =cos(t), v(t) =sen(t).

Encontrekukehu,vi. Solu¸c˜ao.Por definic¸˜ao,

kuk2 =hu,ui=

Z π

0 cos2(t)dt= 1 2

Z π

0 1+cos(2t)dt

= 1 2

t+sen(2t) 2

π

0

= π 2. Portanto,kuk= pπ2. Similarmente,

hu,vi=

Z π

0 cos(t)sen(t)dt= 1 2

Z π

0 sen(2t)dt= 1 2

cos(2t) 2

π

0

,

que ´e 0. Ou seja,hu,vi=0. ♦

Quando estudamos o espac¸o vetorialV3 dos vetores tridimensionais, vimos que dois vetores eram ortogonais exatamente quando o produto es-calar entre eles era igual a 0. Isso motiva nossa pr ´oxima definic¸˜ao.

Defini¸c˜ao. Diremos que dois vetoresu evde um espac¸o vetorial munido do produto internoh,is˜aoortogonaissehu,vi= 0, e, neste caso, usamos a notac¸˜aou⊥v.

Vimos que emC([0,π]), usando o produto interno definido no Exem-plo 5.1.8, temos cos(t)⊥sen(t).

Observa¸c˜ao. Assim como norma e distˆancia, ortogonalidade tamb´em ´e um conceito relativo ao produto interno. Assim, dois vetores de um espac¸o ve-torial podem ser ortogonais com relac¸˜ao a um produto interno e deixarem de ser com relac¸˜ao a outro.

Por exemplo, considere os seguintes dois produtos internos definidos emP(R):

hp,qi1=

Z 1

0 p(t)q(t)dt e hp,qi2 =

Z 1

1p(t)q(t)dt.

Se tomarmos os vetores f(t) = t eg(t) = t2 deP(R), ent˜ao f eg n˜ao s˜ao ortogonais com relac¸˜ao ah,i1, pois

hf,gi1=

Z 1

0 t3dt= t

4

4

1

0

= 1 4 6=0;

mas, como

hf,gi2=

Z 1

1t3dt= t

4

4

1

1

=0,

f egs˜ao ortogonais com relac¸˜ao ah,i2. ♦ O conceito de ortogonalidade entre vetores em um espac¸o vetorial mu-nido de um produto interno permite que obtenhamos, no contexto abstrato, vers ˜oes de alguns resultados v´alidos conhecidos da geometria euclidiana, como por exemplo, a seguinte forma do teorema de Pit´agoras.

Proposi¸c˜ao 5.1.9. Seja V um espa¸co vetorial munido de um produto interno e sejam u,v∈V vetores ortogonais. Ent˜ao,

ku+vk2 =kuk2+kvk2.

Demonstra¸c˜ao. Pela definic¸˜ao de norma de um vetor emV, temos ku+vk2 =hu+v,u+vi

=hu,u+vi+hv,u+vi

=hu,ui+hu,vi+hv,ui+hv,vi

=kuk2+2hu,vi+kvk2. O resultado segue da hip ´otesehu,vi=0.

H´a outros resultados que eram v´alidos emV3 e que tˆem vers ˜oes an´a-logas no contexto geral. Por exemplo, sabemos que se #»u e #»v s˜ao vetores n˜ao nulos de V3, ent˜ao #»u · v = kuk kvkcos(θ), em que θ denota a me-dida do ˆangulo entre #»u e #»v. Portanto,|u ·v| = kuk kvk |cos(θ)|. Como

|cos(θ)| ≤ 1, segue|u ·v| ≤ kuk kvk. Esse fato continua valendo para espac¸os vetoriais arbitr´arios.

Teorema 5.1.10. Seja V um espa¸co vetorial munido de um produto interno. Ent˜ao, para todos u,v∈ V, vale

|hu,vi| ≤ kuk kvk. (5.3) Al´em disso, em(5.3), vale a igualdade se, e somente se,{u,v}´e LD.

A desigualdade (5.3) ´e conhecida comodesigualdade de Cauchy-Schwarz. Demonstra¸c˜ao. Se v = 0V, ent˜ao hu,vi = 0 e kvk = 0. Portanto, neste caso, a desigualdade vale trivialmente (ela ´e, na realidade, uma igualdade).

Suponha, ent˜ao, quev6=0Ve considere o vetor w= hu,vi

kvk2v.

Ent˜ao,u−wews˜ao ortogonais, pois

hu−w,wi= hu,wi − hw,wi

=

*

u,hu,vi kvk2v

+

hu,vi kvk2 v

2

= hu,vi

kvk2 hu,vi − hu,vi kvk2

!2

kvk2

=0.

Comou= (u−w) +w, segue, da Proposic¸˜ao 5.1.9, que kuk2=ku−wk2+kwk2≥ kwk2, e, portanto,

kwk ≤ kuk. (5.4) Mas,

kwk=

hu,vi kvk2v

= |hu,vi|

kvk2 kvk= |hu,vi|

kvk , o que, em vista de (5.4), fornece (5.3).

Para verificarmos a ´ultima afirmac¸˜ao no enunciado, comecemos por lembrar que j´a vimos que se v = 0V, ent˜ao vale a igualdade. Se v 6= 0V, mas{u,v}´e LD, ent˜aou= λv, para algumλRe, neste caso,

|hu,vi|=|hλv,vi|=|λ| kvk2 =kλvk kvk= kuk kvk.

Reciprocamente, suponha que|hu,vi|= kuk kvk. Mostremos que{u,v}´e LD. Considere o sistema linear homogˆeneo

"

kuk2 hu,vi hu,vi kvk2

# x y

= 0

0

, (5.5)

nas inc ´ognitasxey. Como det

"

kuk2 hu,vi hu,vi kvk2

#

=kuk2kvk2− hu,vi2 =0,

segue do Teorema 1.3.8 que (5.5) ´e indeterminado e, portanto, tem uma soluc¸˜ao n˜ao trivial(α,β), isto ´e, uma em queαeβn˜ao s˜ao simultaneamente nulos. Agora,

kαu+βvk2 =hαu+βv,αu+βvi

=α kuk2α+hu,viβ

+β hu,viα+kvk2β)

=α0+β0 (pois(α,β)´e soluc¸˜ao de (5.5))

=0,

o que implicaαu+βv = 0V; ou seja, o vetor nulo pode ser expresso como uma combinac¸˜ao linear deuevem que nem todos os coeficientes s˜ao nulos.

Logo,{u,v}´e LD.

Na demonstrac¸˜ao da desigualdade de Cauchy-Schwarz que vimos a-cima, foi introduzimos um vetor auxiliar, w = hu,vi

kvk2v, que ter´a um papel relevante nas pr ´oximas sec¸ ˜oes. Esse vetor ser´a denominado projec¸˜ao orto-gonal deusobrev(seguindo, portanto, a nomenclatura utilizada no estudo da projec¸˜ao ortogonal no espac¸oV3).

Exemplo 5.1.11. Escreva, no contexto do Exemplo 5.1.8, como fica a desi-gualdade de Cauchy-Schwarz.

Solu¸c˜ao.Segundo o Teorema 5.1.10, considerando o produto interno no es-pac¸o vetorialC([0,π])definido no Exemplo 5.1.8, vale

Z π

0 f(t)g(t)dt

Z π

0 f(t)2dt

12 Z π

0 g(t)2dt 12

,

quaiquer que sejam f,g∈ C([0,π]). ♦

Uma consequˆencia da desigualdade de Cauchy-Schwarz ´e o seguinte resultado.

Corol´ario 5.1.12. Seja V um espa¸co vetorial munido de um produto interno.

Ent˜ao,

ku+vk ≤ kuk+kvk, (5.6)

para todos u,v∈ V.

Chama-se (5.6) dedesigualdade triangular (pois ela evoca o fato de que a soma dos comprimentos de dois lados de um triˆangulo sempre excede o comprimento do terceiro).

Demonstra¸c˜ao. Dadosu,v∈V, temos ku+vk2 =hu+v,u+vi

=kuk2+2hu,vi+kvk2

≤ kuk2+2kuk kvk+kvk2 (pelo Teorema 5.1.10)

= kuk+kvk2, o que implica a desigualdade desejada.

Esse corol´ario tem a seguinte consequˆencia. Se dist denota a func¸˜ao distˆancia definida em termos da norma de um espac¸o vetorialV munido de um produto interno, conforme a definic¸˜ao na p´agina 161, ent˜ao

dist(u,w)≤dist(u,v) +dist(v,w),

para todosu,v,w ∈ V. Isso, pois, escrevendou−w = (u−v) + (v−w), obtemos

dist(u,w) =ku−wk

=k(u−v) + (v−w)k

≤ ku−vk+kv−wk

=dist(u,v) +dist(v,w). Exerc´ıcios. Lista 1 - ´Algebra Linear II (2020): Exs. 52–56.

No documento ´Algebra Linear (páginas 165-174)