SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO
CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO SOBRE O OBJETO DA INVESTIGAÇÃO.
5.6 UNIVERSO E AMOSTRA ATORES, AUTORES E REALIDADES A SE DESVELAR.
5.8.2 Produto Interno Bruto (PIB) Medida de Riqueza.
De modo sintético podemos conceituar o Produto Interno Bruto como o somatório de todos os bens e serviços produzidos por um dado município, estado ou país num determinado espaço de tempo. Considerado como um dos principais indicadores da economia permite uma comparação ou estratificação entre diversas realidades distintas, sob a ótica da produção.
No Brasil o responsável pela medida do PIB é o Instituto Brasileiro de Geografia e estatística – IBGE – que apresenta de modo objetivo a medida de desenvolvimento econômico de cada município. A partir destes dados pode-se inferir se um dado município possui maior ou menor desenvolvimento econômico que outro. Ressalte-se que esta medida refere-se exclusivamente aos aspectos econômicos. Como estamos tratando de educação para o trabalho, pode-se inferir que exista uma relação entre o nível de escolarização e o aumento de salários ou ainda a atratividade de novos empreendimentos econômicos para uma dada região, o que influenciaria no seu PIB.
5.9 ESCOLHA DE INDICADORES. ELEMENTOS DE EVIDÊNCIA DA REALIDADE.
Esta provavelmente foi uma das etapas mais complexas de todo o trabalho de pesquisa, pois foi preciso ter clareza sobre que elementos efetivamente poderiam e precisariam ser “coletados”, como poderia ser feita a coleta de informações, quais os respondentes mais adequados e quais as que responderiam de modo mais efetivamente aos objetivos da pesquisa, sempre visando o aspecto da confiabilidade e fidedignidade.
Devido à complexidade e multirreferencialidade do tema abordado e considerando-se o caráter descritivo da investigação, optou-se pela combinação / correlação entre elementos quantitativos e qualitativos, tangíveis e intangíveis, diretos e indiretos.
Valarelli, citado por Minayo (2008) aponta como recomendação que, no caso de avaliação de projetos sociais e educacionais, sejam trabalhados sempre com um sistema de indicadores, levando em conta os seguintes elementos:
a) Concepções, interesses e enfoques das organizações e atores/autores envolvidos; b) O contexto onde se desenvolverá a pesquisa;
c) A forma de organização da proposta avaliativa e, d) Os recursos disponíveis.
Muitos têm sido os esforços para aprimorar o desenvolvimento de indicadores no âmbito da abordagem qualitativa, devido às dificuldades inerentes a este tipo de pesquisa. A tentativa de inserção de elementos subjetivos, ao processo de pesquisa tendo em vista as teorizações que mostram a importância do envolvimento dos diferentes atores/autores sociais na produção do processo e dos resultados, aliado ao próprio desenvolvimento desse conceito científico, cuja finalidade primeira é aumentar a validade dos parâmetros de análise.
Assim, tem-se pelo menos duas linhas de abordagem nessa forma de construção de indicadores. Uma é proveniente da lógica quantitativa, - que foi a utilizada nesta pesquisa - e outra é especificamente marcada pela fundamentação hermenêutica.
Construção de indicadores qualitativos por estratégias quantitativas busca a mensuração de valores, opiniões, relações e vivências intersubjetivas e mostra-se como bastante antiga no
campo das Ciências Sociais. Desde 1920, diversas escalas têm sido criadas. Assis et al. (2005) citam as seguintes:
A de distância social, de Bogardus, que solicita ao entrevistado para estabelecer uma hierarquia de intimidade e convivência social que ele estaria disposto a ceder para pessoas de outras nacionalidades, raças ou etnias.
A de Thurstone, que se baseia em questionários do tipo "concordo" ou "discordo" de certas afirmações cujos resultados serão submetidos a especialistas no tema estudado e que definirão as tendências comportamentais, das mais radicais e neutras às mais conservadoras.
A de Lickert, que estabelece o mesmo procedimento da escala de Thurstone, mas substitui o grupo de especialistas por um grupo social com as mesmas características.
Os escalogramas de Guttman, que seguem a mesma lógica da escala de Bogardus e estudam as concordâncias entre as respostas, criando-se um perfil de comportamento em relação à tolerância e aceitação de outros grupos étnicos.
E a proposta sociométrica de Moreno, capaz de estabelecer um sociograma, isto é, uma representação diagramática dos sentimentos de atração ou repulsa entre pessoas de determinado grupo.
A maioria dessas escalas foi produzida entre os anos 1920 e 1930, e todos os seus organizadores atribuíam valores numéricos ou ordenação percentual às respostas sobre atitudes e comportamentos frente a situações reais ou hipotéticas. Tais dispositivos seguiam os mesmos modelos de análise qualitativa, evidenciando a lógica do pensamento estatístico em que residem preocupações epistemológicas e metodológicas, visando à validação dos resultados, via a construção de amostras reunidas de maneira sistemática, buscando a validação dos procedimentos de coleta de dados e de resultados, através da criação de codificadores para medir regularidades. Assim utiliza-se da análise de frequência como critério de objetividade e de cientificidade para a construção de dispositivos para medir validade, fidedignidade e produtividade da análise.
Para escolha dos indicadores qualitativos utilizados, foi importante assumir-se sua natureza hermenêutica, onde a origem da produção de indicadores deve ser feita a partir da realidade empírica e concreta. Para isto, o conhecimento, vivencia e pertencimento a RFEPCT por mais de vinte anos foi extremamente importante. Os indicadores como afirma Minayo (2008) não
devem ser colocados como um produto a ser provado pela realidade e, sim, a partir da realidade social para a construção do sistema de indicadores. Fez-se necessário, portanto, compreender que os atores/autores sociais, ao se comunicarem sobre qualquer assunto, o interpretam e julgam a partir do seu repositório de referências e suas experiências. Assim tratamos os dados referentes aos gestores dos diversos campi, em duas grandes categorias:
a) Quantitativo total de campi. Neste caso não foram considerados tempo e funcionamento, ramos de atividade ou qualquer outra categorização.
b) Campi com mais de dez anos. Esta estratificação deveu-se ao fato de que com dez anos de funcionamento o campus já deve apresentar um grau de amadurecimento maior, tendo inclusive já formado pelo menos duas turmas e o processo de inserção na comunidade – onde se insere – mas consolidado. São percepções, de atores que vivem e convivem mais de perto com a comunidade e podem a partir de suas experiências concretas traçarem um cenário mais fidedigno da realidade.
Ressalte-se que esta divisão, teve como finalidade a estruturação de uma amostragem dos campi a serem investigados. Mesmo considerando que as unidades da RFEPCT apresentam diferenças devido as particularidades em função do tempo de funcionamento e assimetrias regionais, este aspecto não foi considerado quando das análises dos questionários de pesquisa devido ao tempo para a conclusão da tese ora apresentada.
Ao contrário dos indicadores quantitativos, não se encontram listagens de indicadores qualitativos, pois, diferentemente das escalas de mensuração, estes precisam ser construídos pelo próprio pesquisador, apresentando, portanto um caráter de exclusividade. No caso do presente estudo foram elaboradas questões, que ao serem respondidas pelos gestores dos diversos campi da RFEPCT, permitiram o delineamento das percepções a respeito do processo de expansão, a interação com a comunidade, dentre outros elementos.
Um ponto a se destacar quanto aos indicadores qualitativos é sua validação, que no caso específico desta pesquisa foi interna. Por se tratar de uma abordagem subjetiva, construída a partir da compreensão e da experiência do pesquisador, uma das questões críticas que se coloca frequentemente é o grau de confiabilidade e validade dos indicadores qualitativos. Para alguns autores, não cabe falar em confiabilidade, pois as percepções e as relações sociais, objetos desse tipo de trabalho, são dinâmicas e impossíveis de serem repetidas em sua
integralidade, além de serem frutos de caminhos interpretativos, possuindo, portanto um caráter eminentemente (inter) subjetivo.
Minayo (2008), afirma que o maior consenso hoje existente entre os estudiosos sobre a confiabilidade e a validade dos dados qualitativos é o que se forma por meio da intersubjetividade, pelo julgamento dos pares e pelo reconhecimento dos participantes sobre o sentido e a veracidade da análise. Por isso, como lembra Minayo, é preciso investir na objetivação, por meio de estratégias múltiplas. Entre estas, pode-se destacar:
(a) O cuidado permanente e compartilhado de discussão e troca entre os pares sobre a pertinência de determinados instrumentos de coleta de dados ou informações e procedimentos;
(b) O rigor teórico-metodológico em relação à definição do objeto, dos instrumentos conceituais e de campo e da análise do material recolhido.
(c) A triangulação como esforço de comunicação entre pessoas, conceitos, abordagens e elaboração de resultados. A triangulação, assim pensada e praticada, oferece mais confiabilidade aos dados e às análises.
Especificamente em relação à confiabilidade externa, segundo o qual diferentes pesquisadores deveriam encontrar os mesmos resultados se estiverem investigando o mesmo tema, é necessário ter-se sempre em conta que as investigações qualitativas não se buscam homogeneidades, mas, sim, diferenciações e especificidades, não se aplicando a elas o critério quantitativo de comparabilidade, cuja raiz epistemológica é a observação das regularidades nos fenômenos sociais, típica do método positivista.
Em outras palavras, a validade externa pretendida no bojo da opção por uma perspectiva qualitativa é a que se refere à possibilidade de geração de conhecimentos que contribuam para o aprofundamento conceitual ou analítico, por meio da elaboração de tipificações ou de lógicas internas ao objeto de pesquisa. Assim a validade dos estudos de e descrição e possível avaliação qualitativa é concebida não como um dispositivo que espelha a realidade, e sim como uma "produção reflexiva", em que o observador é parte e parcela do contexto e da cultura que busca entender e representar.
Considerando a natureza do objeto a ser estudo, as múltiplas faces da realidade, não se pode fazer um estudo apenas baseado em indicadores qualitativos. Assim durante o trabalho de
doutoramento trabalhou-se também com indicadores quantitativos, pois a apreensão da realidade em muitas áreas pode dar-se de modo objetivo, pragmático, onde se confere uma importância a quantificação numérica das variáveis e/ou elementos relacionados à realidade que se investigou. Tomando-se licença as chamadas ciências duras, alguns aspectos da pesquisa seguiram ou perseguiram a máxima do físico Kelvin, aqui parafraseada: se você medir aquilo de que está falando e o expressar em números, você conhece alguma coisa sobre o assunto; mas, quando você não o pode exprimir em números, seu conhecimento é pobre e insatisfatório; pode ser o início do conhecimento, mas dificilmente seu espírito terá progredido até o estágio da Ciência, qualquer que seja o assunto. Esta frase, já de domínio público, norteou a linha de pensamento na construção e aplicação de alguns instrumentos de pesquisa, pois apesar de buscar uma apreensão da subjetividade da realidade, utilizou-se algumas variáveis e indicadores quantitativos objetivando enriquecer a compreensão da realidade, que se mostra, como já foi dito, multirreferencial e complexa. Assim assumiram- se os dados das pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) devido sua credibilidade e seriedade na composição dos dados econômicos e sociais.
5.10 FERRAMENTAS, INSTRUMENTOS E PROCEDIMENTOS. ESCOLHAS