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O produto de Malcev I DV m

Proposição 3.5. Sejam S e T semigrupos finitos e π : T ։ S um I-morfismo

sobrejectivo. Então, para cada J-classe J regular de S, existe uma e uma só J-classe K regular de T tal que Kπ ⊆ J, tendo-se Kπ = J.

Demonstração. Seja J uma J-classe regular de S. Então, pela Proposição 1.16,

existe uma J-classe K regular de T tal que Kπ = J. Atendendo às Proposi-

ções 3.3 e 1.32, se existisse umaJ-classe regular K′ deT tal que Kπ ⊆ J, então teríamos necessariamenteK = K′.

Proposição 3.6. SejamS e T semigrupos finitos, J uma J-classe regular de S e

π : T ։ S um I-morfismo sobrejectivo. Seja K a única J-classe regular de T tal

queKπ ⊆ J. Então K é um subsemigrupo de T se e só se J é um subsemigrupo

deS.

Demonstração. A Proposição 3.5 diz-nos queKπ = J. Logo, se K for um subse-

migrupo deT então J é um subsemigrupo de S.

Para provarmos o recíproco, suponhamos que J é subsemigrupo de S. Sejam s, t ∈ K e mostremos que st ∈ K. Ora, sπ, tπ ∈ Kπ = J e, sendo assim, obtemos (st)π = sπtπ ∈ J. Logo sπJ(st)π e, como s é regular, pela Proposição 3.3 vem s ≤Jst. Mas st ≤Js. Logo sJst e, portanto, st ∈ K.

3.2 O produto de Malcev

I DVm

Dada uma S-variedade V, vamos provar que I DV é a classe dos semigruposm

finitosS cujas D-classes regulares são subsemigrupos de S e estão em V.

Proposição 3.7. Sejam S e T semigrupos finitos e π : T ։ S um I-morfismo

sobrejectivo. SeS ∈ DS, então cada J-classe K regular de T é um subsemigrupo

deT isomorfo a Kπ.

Demonstração. É consequência das Proposição 3.5 e 3.6 e do facto dos I-morfismos serem injectivos no conjunto dos elementos regulares.

Demonstração. Temos DV⊆ Im DV, como foi mencionado na Secção 1.7.

A inclusão I DV ⊆ DV resulta do facto de Imm DV ser gerada pela classe dos

semigrupos finitos T para os quais existe um I-morfismo sobrejectivo de T para

algum semigrupoS de DV e da aplicação da Proposição 3.7.

Observemos que embora tenhamos provado que I DV = DV, dado S ∈ DV,m

de um modo geral não se tem I S ≃ S. Por exemplo, todo o grupo finito nãom

trivial está em DS e, no entanto, I G e G não são isomorfos, como vimos nam

Proposição 2.7.

3.3 O produto de Malcev

I Wm

, com

W

⊆ LG

SejamA um alfabeto infinito numerável e W uma S-variedade. Seja

ΣW = {u ∈ A+| a identidade de semigrupo u2 = u é satisfeita por W}. Observamos que podemos ter ΣW = ∅, por exemplo se tomarmos W = G. Denotamos porΣW = 0 o conjunto de identidades {u = 0 | u ∈ ΣW}.

Proposição 3.9. Para qualquer S-variedade W, temos Nil∩ [[ΣW = 0]] ⊆ Im W.

Além disso, I W satisfaz as pseudoidentidades um 2 = u satisfeitas por W, com

u ∈ cB+, ondeB é um alfabeto finito.

Demonstração. Observe-se que, por Nil=Sn∈NNiln, tem-se Nil∩ [[ΣW = 0]] = [

n∈N

Niln∩ [[ΣW = 0]].

No parágrafo que se segue, dever-se-á ter em conta a Proposição 1.26 e a obser- vação em destaque que se lhe segue.

Dadon ∈ N, seja Wn= Niln∩ [[ΣW = 0]]. Provemos que Wn ⊆ Im W. SeB é um alfabeto finito então FNiln(B) é finito, pois Niln é localmente finita; como Wn ⊆ Niln, tem-se queFWn(B) é imagem homomorfa de FNiln(B) e, con- sequentemente, também é finito. LogoFWn(B) ∈ Wn, para todo o alfabeto finito

3.3. O produto de Malcev I W, com W ⊆ LGm

B, atendendo à segunda parte da observação em destaque mencionada. Como cada

semigrupoS de Wn é imagem homomorfa deFWn(B), para qualquer alfabeto B finito tal que|B| ≥ |S|, basta, então, provar que FWn(B) ∈ Im W, para todo o alfabeto finitoB ⊆ A de cardinal maior do que n.

SejaB ⊆ A tal que |B| > n. Vejamos primeiro que

Niln∩ [[ΣW = 0]] = Niln∩ [[ΣBW = 0]],

ondeΣB

W = 0 denota o conjunto {u = 0 | u ∈ ΣW∩ B+}. É claro que Niln∩ [[ΣW = 0]] ⊆ Niln∩ [[ΣBW = 0]].

Reciprocamente, seja S ∈ Niln∩ [[ΣBW = 0]]. Sejam u ∈ ΣW e ϕ : A+ → S um morfismo. Se|u| ≥ n então, como S ∈ Niln, temos uϕ = 0. Suponhamos

agora que|u| < n. Seja c(u) = {a1, . . . , am}, com ai ∈ A, i ∈ {1, . . . , m}, letras distintas entre si. Como|B| > n, existem b1, . . . , bm ∈ B, letras distintas entre si. Deste modo, como B ⊆ A, existem morfismos α : A+ → A+ eβ : A+ → A+ tais que aiα = bi e biβ = ai, para todo o i ∈ {1, . . . , m}. Ora, se u ∈ ΣW então a identidade u2 = u é satisfeita por W. Logo a identidade u2α = uα também é satisfeita por W. Como uα ∈ B+, vem uα ∈ Σ

W ∩ B+. Logo, por

S ∈ [[ΣB

W = 0]], obtemos (uα)βϕ = 0, pelo que uϕ = 0. Portanto S ∈ [[ΣW = 0]]. Logo Niln∩ [[ΣB

W = 0]] ⊆ Niln∩ [[ΣW = 0]].

Sendo assim, o semigrupoFWn(B) é, a menos de isomorfismo, o conjunto

N =u ∈ B+| |u| < n e nenhum factor de u pertence a ΣW

∪ {0},

com a multiplicação definida por: para todos osu, v ∈ N \ {0},

u · v = (

uv seuv ∈ N \ {0} 0 caso contrário

u · 0 = 0 · u = 0 · 0 = 0

Para cadau ∈ N \{0}, temos u /∈ ΣW; logo a identidadeu2 = u não é satisfeita por W, pelo que existem um semigrupoSu em W e um morfismoϕu : B+ → Su tal queu2ϕ

u 6= uϕu.

morfismo ϕ : B+ → S definido por xϕ = (xϕ

u)u∈N\{0}, para cada x ∈ B+. Consideremos o morfismo canónico σ : B+

։ N (notemos que se Wn não for trivial, entãoA ∩ ΣW = ∅, pelo que bσ = b, para todo o b ∈ B). Seja τ = σ−1ϕ.

B+ ϕ B B B B B B B B σ }}}}{{{{ {{{{ N ⊖τ //S

Vejamos queτ é um I-morfismo relacional. Sejam e ∈ E(S) e s ∈ eτ−1. Existe

u ∈ B+ tal que uσ = s e uϕ = e. Então u2ϕ = uϕ, pelo que u /∈ N \ {0}, donde s = uσ = 0. Assim eτ−1 ⊆ {0}. Logo τ é um I-morfismo relacional e, consequentemente, pela definição de produto de Malcev, obtemosN ∈ Im W.

Portanto Wn ⊆ Im W.

Por fim, dado um alfabeto finitoB, provemos que Im W satisfaz as pseudoi-

dentidades u2 = u satisfeitas por W, com u ∈ cB+. Relembramos que cB+ é o completado topológico para a métricad definida na Secção 1.5.

Sejau ∈ cB+ tal queu2 = u é satisfeita por W. Dado um semigrupo T para o qual existe S ∈ W e um I-morfismo π : T ։ S sobrejectivo, tomemos um morfismoϕ : cB+ → T contínuo. Por S e T serem semigrupos finitos, o morfismo

ϕπ é contínuo. Logo, como S ∈ W, temos u2ϕπ = uϕπ, pelo que uϕπ ∈ E(S). Uma vez queπ é um I-morfismo, concluímos que u2ϕ = uϕ e, portanto, T satisfaz a pseudoidentidadeu2 = u.

Em [49], usando métodos profinitos e propriedades de certos morfismos relacio- nais, Pin e Weil caracterizam o produto de Malcev de duas quaisquer S-variedades de semigrupos [semigrupos ordenados] e apresentam também a descrição de um conjunto de pseudoidentidades que o definem.

A partir de agora vamos considerar S-variedades de semigrupos localmente gru- pos.

Proposição 3.10. Tem-se I LG = LG.m

Demonstração. Como referimos na Secção 1.7, a inclusão LG⊆ Im LG verifica-

3.3. O produto de Malcev I W, com W ⊆ LGm

I-morfismoπ : T ։ S sobrejectivo. Sendo K o ideal minimal de T , sabemos que K é uma J -classe regular de T e que Kπ é o ideal minimal de S e, por isso, uma J -classe regular de S. Uma vez que, pela Proposição 1.19, E(S) ⊆ Kπ, obtemos E(T ) ⊆ K, pela Proposição 3.5. Logo, atendendo novamente à Proposição 1.19,

concluímos queT ∈ LG.

Então I LG ⊆ LG e, portanto, Imm LG = LG.

Tal como observámos no final da secção anterior, embora I LG = LG, nãom

se verifica I S ≃ S, para todo o S ∈ LG. O caso de um grupo finito não trivialm

serve também para exemplificar este facto.

Teorema 3.11. Para qualquer S-variedade W tal que W⊆ LG, temos

I W = W ∨ (Nil ∩ [[Σm W = 0]]).

Demonstração. Seja W uma S-variedade tal que W ⊆ LG.

Seja T um semigrupo finito para o qual existe um I-morfismo π : T ։ S sobrejectivo, ondeS ∈ W. Pela Proposição 3.10, também T ∈ LG. Seja K o

ideal minimal deT e consideremos o morfismo canónico α : T ։ T/K. Então

T /K ∈ Nil e como, pela Proposição 3.4, π é injectivo em K, a aplicação de T em S × (T /K), que a cada t ∈ T faz corresponder (tπ, tα), é um morfismo injectivo.

Porπ ser um I-morfismo, é claro que se S satisfaz uma identidade u2 = u sobre

A, então T também a satisfaz. Logo T /K ∈ Nil ∩ [[ΣW = 0]]. PortantoT ∈ W ∨ (Nil ∩ [[ΣW = 0]]).

Podemos concluir, então, que I W ⊆ W ∨ (Nil ∩ [[Σm W = 0]]). A outra inclusão obtém-se do facto de W ⊆ Im W e da Proposição 3.9.

Se W for uma S-variedade contida em LG, então W ⊆ DW. Logo, das Pro-

posiões 3.8 e 3.10 deduzimos que I W ⊆ LG ∩ DW. Esta inclusão diz-nos quem

os semigrupos de I W pertencem a LG e que os seus ideais minimais pertencemm

a W.

Teorema 3.12. SejamS um semigrupo finito e W uma S-variedade de semigrupos

unipotentes não trivial. As afirmações seguintes são equivalentes: (a) S ∈ Im W;

(b) S ∈ W ∨ Nil ∩ [[ΣW = 0]]



; (c) S é tal que:

(i) S tem um único idempotente;

(ii) O ideal minimal deS pertence a W;

(iii) S satisfaz as identidades u2 = u sobre A satisfeitas por W.

(d) O ideal minimalI de S pertence a W e S/I pertence a Nil ∩ [[ΣW = 0]]. Demonstração. Pelo Teorema 3.11, temos(a) equivalente a (b).

É uma questão de rotina verificar que a classe dos semigrupos finitos que satis- fazem(c) é uma S-variedade; chamemos-lhe V.

É claro que tanto os semigrupos de W como os semigrupos de Nil∩ [[ΣW = 0]] satisfazem(i), (ii) e (iii), logo W ∨ Nil ∩ [[ΣW = 0]]



⊆ V. Assim, (b) implica (c).

Suponhamos agora queS satisfaz (c) e provemos que S satisfaz as condições de (d).

Seja I o ideal minimal de S. Por (ii), I ∈ W e, por (i), S/I é nilpotente.

O facto de S verificar (iii) implica que S/I também verifica (iii). Então S/I

satisfaz as identidades u = 0, com u ∈ ΣW, ou seja S/I ∈ [[ΣW = 0]]. Logo

S/I ∈ Nil ∩ [[ΣW = 0]].

Por fim, suponhamos(d) e provemos (b). Então I tem um único idempotente,

digamos e, e, consequentemente é um grupo com identidade e. Deste modo, a

aplicaçãoS → I ×(S/I), que a cada s ∈ S faz corresponder (se, [s]∼I), é injectiva, pelo queS ∈ W ∨ Nil ∩ [[ΣW = 0]]



.

No caso em que W é uma S-variedade de grupos,ΣWé o conjunto das palavras

u ∈ A+ tais que a identidade u = 1 é satisfeita por W. É claro que uma S- variedade W de grupos satisfaz uma identidade da formau = 1, com u ∈ A+, se e só se W satisfaz uma identidade da formaxk = 1, onde x ∈ A e k ∈ N.

Seja Π um conjunto não vazio de números naturais primos. Dizemos que um

grupo G finito é um Π-grupo se os factores primos da ordem de cada elemento

3.3. O produto de Malcev I W, com W ⊆ LGm

primos da ordem de G pertencerem a Π. A classe dos Π-grupos forma uma S-

variedade e é denotada por GΠ. SeΠ é o conjunto de todos os números naturais primos então G= GΠ. Sep for um número primo, Gpdenota G{p}.

Podemos agora tirar conclusões, algumas delas já conhecidas [26, 27, 28].

Corolário 3.13. Se W for uma S-variedade de semigrupos localmente grupos que

contenha Gcom∩ Gp, para algum número primop, então Im W = W ∨ Nil.

Demonstração. Recordamos que Gcom é a S-variedade dos grupos finitos comu- tativos.

Se W for uma for S-variedade de semigrupos localmente grupos que contenha

Gcom∩ Gp, para algum número primop, então os grupos cíclicos de ordem pn, com n ∈ N, pertencem a W. Por isso, W não satisfaz nenhuma identidade da

formau = 1, com u ∈ A+. Logo, o conjuntoΣ

W é vazio e, consequentemente, vem[[ΣW = 0]] = S. Portanto, pelo Teorema 3.11, temos Im W = W ∨ Nil.

Seja Gnil a S-variedade dos grupos nilpotentes finitos e seja Gsol a S-variedade dos grupos finitos solúveis. Como não vamos desenvolver mais teoria sobre estas classes particulares de grupos, optamos por não definir estes grupos, mas indica- mos [54] como bibliografia específica. Visto que Gcom ⊆ Gnil ⊆ Gsol, o

Corolário 3.13 também se aplica a Gnil e a Gsol.

Se Π é um conjunto não vazio de números naturais primos, então Gp ⊆ GΠ, para algum número primo p, pelo que o Corolário 3.13 é ainda válido para GΠ. Destacamos a seguir o caso de GΠ= G.

Corolário 3.14. Temos I G = G ∨ Nil = IE.m

Demonstração. A primeira igualdade resulta, como já dissemos, do Corolário 3.13. Claramente, G∨ Nil ⊆ IE, onde IE, recorde-se, é a S-variedade dos semigrupos

finitos unipotentes.

SejaS ∈ IE. Então S é um semigrupo unipotente, pelo que o seu ideal minimal

é um grupo. LogoS verifica a condição (c) do Teorema 3.12 aplicado a W = G,

donde concluímos queS pertence a Im G.

Consideremos a S-variedade CS dos semigrupos simples. Pelo Corolário 3.13, temos também I CS = CS ∨ Nil.m

Proposição 3.15. Seja W uma S-variedade contida em CS. Então Im W é gerada

pela classe dos semigrupos finitosT para os quais existe um I-morfismo de T para

o seu ideal minimalK, tendo-se K ∈ W.

Demonstração. Seja T ∈ Im W. Tomemos π : T ։ S um I-morfismo sobre-

jectivo, onde T é um semigrupo finito e S ∈ W. Sendo K o ideal minimal de T , então Kπ é o ideal minimal de S. Logo Kπ = S, uma vez que W ⊆ CS.

Pela injectividade deπ nos regulares, concluímos que K ≃ S. Portanto K ∈ W e

existe um I-morfismo sobrejectivo deT para K.

O recíproco é imediato atendendo à definição de produto de Malcev. Quando W= CS, a última proposição admite o seguinte corolário.

Corolário 3.16. A S-variedade I CS é gerada pela classe dos semigrupos finitosm

4 A expansão de Malcev

determinada por

I

Este capítulo é dedicado particularmente à expansão de Malcev determinada pela variedadeI. As definições, as notações e os resultados da Secção 1.9 serão neces-

sários aqui.

Iniciamos este capítulo com uma secção preliminar onde enunciamos conceitos e resultados sobre combinatória nas palavras fundamentais para a Secção 4.2 e, mais tarde, para as Secções 5.2 e 5.3.

Um algoritmo para calcular a expansão de Malcev de um semigrupo finito de- terminada porI será apresentado na Secção 4.2. Dado um semigrupo A-gerado (S, ϕ) finito, com A finito, construimos um autómato finito, completo, determi-

nista e acessível AI(S) sobre A cujo semigrupo de transição S AI(S) admite

I m S como imagem homomorfa. De um modo geral, S AI(S)é “maior” do que

I m S. O Teorema 4.26 estabelece uma condição necessária e suficiente para que I m S e S AI(S)sejam isomorfos.

Na Secção 4.3, dado um semigrupoA-gerado (S, ϕ) e uma linguagem L de A+, definimos duas congruênciasθϕ(L) e ρϕ(L) sobre A+ que determinam expansões de semigruposA-gerados que se comportam, em certos aspectos, como a expansão

de Malcev determinada por I. Em particular, quando L = E(S)ϕ−1, estas con- gruências contêm a congruência associada à definição deI m S, tendo-se a sequên-

cia de morfismos de semigruposA-gerados I m S ։ A+

ϕ(L) ։ A+/θϕ(L). Na Secção 4.4, como corolário do Teorema 4.48, mostramos que, seS for um semi-

grupo finito localmente grupo ou um semigrupo finito para o qual os idempotentes formam um subsemigrupo, as expansões encontradas na Secção 4.3 coincidem com

deI m S pode ser simplificada quando S é um semigrupo finito localmente grupo

ou um semigrupo finito para o qual os idempotentes formam um ideal.

4.1 Preliminares

Os conceitos e resultados sobre combinatória nas palavras que enunciamos de se- guida são cruciais na Secção 4.2 e nas Secções 5.2 e 5.3 do capítulo seguinte.

SejamA um alfabeto finito, S um semigrupo finito e ϕ : A+

։ S um morfismo

sobrejectivo.

Seja k um número natural. Dizemos que uma palavra w ∈ A+ é k-potência para ϕ se w = w1w2. . . wk, com wi ∈ A+ e w1ϕ = w2ϕ = · · · = wkϕ. A

w1, w2, · · · , wkdamos o nome de componentes dew (relativamente à factorização

w = w1w2. . . wk). Se adicionarmos a condição|w1| = |w2| = · · · = |wk|, dizemos quew é uma k-potência uniforme para ϕ .

O morfismoϕ diz-se uniformemente repetitivo se, para cada k ∈ N, existe ℓ ∈ N

tal que cada palavraw ∈ A+, com|w| = ℓ, contém um factor k-potência uniforme paraϕ .

Teorema 4.1 (Teorema 4.2.2 de [39]). Sejam A um alfabeto finito e S um semi-

grupo finito. Então todo o morfismo sobrejectivo ϕ : A+

։ S é uniformemente

repetitivo.

Corolário 4.2 (Exercício 4.2.2 de [39]). Sejaϕ : A+

։ S um morfismo sobrejec-

tivo, ondeA é um alfabeto finito e S um semigrupo finito. Então, para cada k ∈ N,

toda a palavra suficientemente comprida contém um factor k-potência uniforme

paraϕ cujas componentes têm o mesmo idempotente de S como imagem por ϕ.

Demonstração. Sejan ∈ N tal que sn∈ E(S), para todo o s ∈ S.

Sejak ∈ N. Pelo Teorema 4.1, existe ℓ ∈ N tal que toda a palavra w ∈ A+, com

|w| = ℓ, admite um factor kn-potência uniforme para ϕ. Ou seja, dado w ∈ A+, com|w| = ℓ, existe um factor u de w tal que

4.2. Um algoritmo com ui ∈ A+, i ∈ {1, . . . , kn}, u1ϕ = u2ϕ = · · · = unϕ = · · · = uknϕ e |u1| = |u2| = · · · = |un| = · · · = |ukn|. Tomemos w1 = u1u2. . . un, w2 = un+1un+2. . . u2n, .. . wk = u(k−1)n+1u(k−1)n+2. . . ukn. Entãow1ϕ = w2ϕ = · · · = wkϕ = (u1ϕ)n ∈ E(S) , |w1| = |w2| = · · · = |wk| e

u = w1w2. . . wk. Logou é uma k-potência uniforme para ϕ cuja imagem das suas componentes porϕ é o mesmo idempotente de S.

4.2 Um algoritmo

Recordamos ser necessário ter presente as definições, as notações e os resultados da Secção 1.9, tais como, por exemplo, a definição de autómato finito, completo, determinista e acessível e as notações de maior prefixo próprio p(u), de maior

sufixo próprio s(u), de letra inicial i(u), e de letra final t(u) de uma palavra u ∈ A+. Dado um semigrupo A-gerado (S, ϕ) finito, com A finito, vamos determinar

de forma algorítmica um semigrupo que contenha um conjunto de representan- tes da congruência associada à definição de I m S e do qual I m S seja imagem

homomorfa. Para tal, consideramos uma ordem total em A, depois ordenamos

as palavras de A∗ pelo comprimento e, dentro de cada comprimento, ordenamo- las lexicograficamente. O semigrupo a determinar será o semigrupo de transição de um autómato finito, completo, determinista e acessível sobre A. Os estados

desse autómato serão palavras deA∗ que incluem a palavra vaziaǫ. A ideia sub- jacente consiste em que, para cada caminho com estado inicialǫ, estado final q e

etiquetau ∈ A+, se tenhaq menor ou igual que u (para a ordem fixada em A) e

(q)I m S = (u)I m S. A escolha dos estados e das transições desse autómato basear- se-á na análise das palavras de A∗ seguindo a ordem estabelecida e será feita da seguinte maneira:

2) escolhem-se as letras a cuja imagem por ϕ não seja idempotente e as tran-

sições ǫ −→ a. Para cada letra a tal que aϕ seja idempotente, escolhe-se aa

menor letrab tal que bϕ = aϕ e escolhe-se a transição ǫ−→ b;a

3) dada uma palavrau tal que |u| ≥ 2 e tal que p(u) já tenha sido escolhida,

3.1) se uϕ for idempotente, escolhe-se a menor palavra v tal que vϕ = uϕ

e escolhe-se a transição p(u)−−→ v;t(u)

3.2) seuϕ não for idempotente, prosseguimos do seguinte modo:

3.2.1) se s(u) já tiver sido escolhida, escolhe-se também u e escolhe-se a

transição p(u)−−→ u;t(u)

3.2.2) caso contrário, consideram-se os caminhosǫ −−→ p e ǫs(u) −−→ q ei(u)p

escolhe-se a transição p(u)−−→ q.t(u)

O algoritmo será dividido em duas partes. A primeira parte do algoritmo con- sistirá na construção do autómato finito AI que acabámos de descrever e na se- gunda parte mostrar-se-á que a expansão de Malcev determinada pela variedade trivial é, de um modo geral, um quociente próprio do semigrupo de transição

S(AI) e apresentar-se-á uma condição necessária e suficiente para que se tenha

I m S ≃ S(AI).

Parte I

Seja(A, ≤) um alfabeto finito totalmente ordenado. Consideramos em A∗a ordem shortlex≤sl: dadosu, v ∈ A∗, u ≤sl v ⇐⇒                    |u| ≤ |v| e |u| = |v| =⇒            u = v ou u = wau′ev = wbv, onde w ∈ A, a, b ∈ A, com a < b, e u′, v∈ A

Então,A∗com esta ordem também é um conjunto bem ordenado, sendo esta ordem compatível com o produto à direita e à esquerda.

4.2. Um algoritmo

SejamS um semigrupo finito e ϕ : A+

։ S um morfismo sobrejectivo. Defini-

mosQ =Sn∈N0Qn, onde

Q0 = {ǫ}

Q1 = Q0 ∪



x ∈ A : xϕ ∈ E(S) e ∀a ∈ A (a <sl x ⇒ aϕ 6= xϕ)

∪ x ∈ A : xϕ /∈ E(S) e, para cadan ∈ N, Qn+1 = Qn ∪  q ∈ A+ : p(q) ∈ Q n, qϕ ∈ E(S) e ∀q′ ∈ Q n∪ QnA ǫ 6= q′ <sl q ⇒ q′ϕ 6= qϕ  ∪ q ∈ A+ : p(q) ∈ Q n\{ǫ}, qϕ /∈ E(S) e s(q) ∈ Qn . DefinimosE =Sn∈N0En, onde E0 = ∅ E1 = E0 ∪  (ǫ, x, y) : x ∈ A, y ∈ Q1\{ǫ} e xϕ = yϕ ∈ E(S) ∪ (ǫ, x, x) : x ∈ A e xϕ /∈ E(S) e, para cadan ∈ N, En+1 = En∪ En+1(1) ∪ En+1(2) ∪ En+1(3) , onde En+1(1) = (q, x, qx) : q ∈ Qn, x ∈ A, qx ∈ Qn+1 En+1(2) = (q, x, q′) : q ∈ Q n, x ∈ A, q′ ∈ Qn+1\{ǫ}, q′ <sl qx e q′ϕ = (qx)ϕ ∈ E(S) En+1(3) =  (q, x, q′) : q ∈ Q n\{ǫ}, x ∈ A, q′ ∈ Qn+1\{ǫ}, (qx)ϕ /∈ E(S), existep ∈ Qn\{ǫ} tal que p <sl s(qx), existem (ǫ, a1, p1),

(p1, a2, p2), . . . , (pk−1, ak, p) em Entais que a1a2. . . ak = s(qx) e existem(ǫ, b1, q1), (q1, b2, q2), . . . , (qr−1, br, q′) ∈ En tais queb1b2. . . br= i(qx)p

.

Observemos que, para cadan ∈ N0, temos

Qn ⊆ Qn+1 e Qn+1 ⊆ Qn∪ QnA

En ⊆ En+1 e En+1 ⊆ Qn× A × Qn+1

logo,E ⊆ Q × A × Q. Além disso, para todo o (q, x, q′) ∈ E, tem-se q6= ǫ. Seja AI(S) = Q, A, E, ǫ, ∅. Com o objectivo de mostrar que o autómato

AI(S) é finito, completo, determinista e acessível, vamos provar uma série de propriedades relativas aos conjuntosQ e E.

Lema 4.3. Para todo on ∈ N0e para todo oq ∈ Q,

(a) seq ∈ Qnentão|q| ≤ n; (b) se|q| = n então q ∈ Qn.

Demonstração. A alínea (a) é imediata por um raciocínio simples de indução.

Provemos então(b), também por indução.

Sejaq ∈ Q.

Se|q| = 0 então q = ǫ e, logo, q ∈ Q0.

Se |q| = 1 então q ∈ A. Se qϕ /∈ E(S) então q ∈ Q1, por definição. Se

qϕ ∈ E(S) então, por construção, q está em Q1, poisq ∈ Q.

Suponhamos agora que|q| = n + 1, com n ≥ 1, e que a condição (b) é válida

para todos os elementos deQ de comprimento n.

Como|q| ≥ 2 e Q =Sm∈N0Qm, existek ∈ N tal que q ∈ Qk+1\Qk. Logo p(q) pertence a Qk. Como|p(q)| = n, a hipótese de indução garante que p(q) ∈ Qn. Logo, se qϕ ∈ E(S), temos necessariamente k ≤ n, pelo que q ∈ Qn+1, por

Qk+1 ⊆ Qn+1. Se qϕ /∈ E(S) então s(q) ∈ Qk e, por |s(q)| = n, obtemos

s(q) ∈ Qn, por hipótese de indução. Logo, por construção, também neste caso

obtemosq ∈ Qn+1.

Corolário 4.4. Dadosq ∈ Q e n ∈ N0, temos

(a) q ∈ Qnse e só se|q| ≤ n;

(b) q ∈ Qn+1\Qnse e só se|q| = n + 1; (c) se p(q) ∈ Qnentãoq ∈ Qn+1;

4.2. Um algoritmo

(d) sen ≥ 1 então Qn+1 ⊆ Qn∪ (Qn\Qn−1)A.

Lema 4.5. Para todo on ∈ N0, seq ∈ Qnentão Pref(q) ⊆ Qn.

Demonstração. Seq ∈ Q0 entãoq = ǫ e, logo, Pref(q) = {ǫ} ⊆ Q0.

Sen ∈ N0entãoQn+1 ⊆ Qn∪ QnA, pelo que podemos concluir o resultado por um simples processo de indução.

Lema 4.6. Sejam p ∈ A∗ e q = a

1a2. . . an ∈ A+, com ai ∈ A, para cada

i ∈ {1, . . . , n}. Se pq ∈ Q então

(p, a1, pa1), (pa1, a2, pa1a2), . . . , (pa1a2. . . an−1, an, pq) ∈ E.

Demonstração. Por indução no comprimento de q, o resultado é imediato, tendo

em conta o Lema 4.5.

Lema 4.7. Se(q, x, q′) ∈ E então q

slqx.

Demonstração. ComoE = Sn∈NEn, a demonstração será efectudada por indu- ção.

Se(q, x, q′) ∈ E

1 então, por definição, temosq = ǫ e q′ ≤slx = qx.

Sejan ∈ N e suponhamos que o resultado é verdadeiro para todas as transições

emEne que(q, x, q′) ∈ En+1. Se(q, x, q′) ∈ E

nentão, por hipótese de indução, obtemosq′ ≤sl qx.

Se(q, x, q′) ∈ E(1) n+1∪ E

(2)

n+1 então, por definição, temosq′ ≤slqx.

Suponhamos que(q, x, q′) ∈ E(3)

n+1. Então existep ∈ Qn\{ǫ} tal que p <sl s(qx)

e existem(ǫ, b1, p1), . . . , (pr−1, br, q′) ∈ En tais queb1. . . br = i(qx)p. Logo, por hipótese de indução e pelo facto da ordem shortlex ser compatível com o produto, vem

q′ ≤slpr−1br ≤slpr−2br−1br ≤sl · · · ≤sl b1. . . br = i(qx)p <sli(qx)s(qx) = qx.

Corolário 4.8. Se(q0, a1, q1), (q1, a2, q2), . . . , (qn−1, an, qn) ∈ E então

Lema 4.9. Para todo o(q, x, q′) ∈ E, se |q| = n então (q, x, q) ∈ E

n+1\En. Demonstração. Seja (q, x, q′) ∈ E tal que |q| = n. Então (q, x, q) ∈ Em, para algumm ∈ N. Provemos o resultado por indução em N.

Pelo Lema 4.7, temosq′

slqx. Logo |q′| ≤ |qx|. Temos também q′ 6= ǫ.

Sem = 1 então n = 0 e (q, x, q′) ∈ E 1\E0.

Suponhamos quem > 1 e, como hipótese de indução, admitamos que, para todo

o(p, y, p′) ∈ E

m−1 tal que|p| ≤ n, se tem (p, y, p′) ∈ E|p|+1\E|p|. Suponhamos quen = 0. Então q = ǫ; logo, (q, x, q′) ∈ E

m−1∪ Em(1)∪ Em(2). Se(q, x, q′) ∈ E

m−1então, por hipótese de indução, vem(q, x, q′) ∈ E1\E0. Se(q, x, q′) ∈ E(1)

m entãoq′ = qx = x, pelo que (q, x, q′) ∈ E1\E0. Se(q, x, q′) ∈ E(2)

m então ǫ 6= q′ <sl qx = x e q′ϕ = (qx)ϕ ∈ E(S). Logo

q′ ∈ A; donde, pelo Corolário 4.4, vem q∈ Q

1. Portanto(q, x, q′) ∈ E1\E0. Suponhamos agora quen ≥ 1. Pelo Corolário 4.4, sabemos que q ∈ Qn\Qn−1. ComoEn ⊆ Qn−1× A × Qn, deduzimos que(q, x, q′) /∈ En.

Se(q, x, q′) ∈ E

m−1então(q, x, q′) ∈ En+1\En, por hipótese de indução. Admitamos que(q, x, q′) ∈ E(1)

m ∪ Em(2)∪ Em(3). Ora, |q′| ≤ |qx| = n + 1, pelo que q∈ Q

n+1, atendendo ao Corolário 4.4. Assim, se(q, x, q′) ∈ E(1)

m ∪ Em(2)então(q, x, q′) ∈ En+1(1) ∪ En+1(2) . Suponhamos que(q, x, q′) ∈ E(3)

m . Então(qx)ϕ /∈ E(S), existe p ∈ Qm−1 tal queǫ 6= p <sl s(qx), existem (ǫ, a1, p1), (p1, a2, p2), . . . , (pn−1, an, p) em Em−1tais quea1a2. . . an = s(qx) e existem (ǫ, b1, q1), (q1, b2, q2), . . . , (qr−1, br, q′) em Em−1 tais queb1b2. . . br = i(qx)p. Pelo Corolário 4.8, vem

q′ sl b1b2. . . br = i(qx)p, qi ≤sl b1b2. . . bi ≤slb1. . . br = i(qx)p, p ≤sla1. . . an e pj ≤sl a1. . . aj, onde i ∈ {1, . . . , r − 1} e j ∈ {1, . . . , n − 1}. Logo |pj| < n e |qi| ≤ n. Assim, novamente por hipótese de indução, obtemos (ǫ, a1, p1), (p1, a2, p2), . . . ,

(pn−1, an, p), (ǫ, b1, q1), (q1, b2, q2), . . . , (qr−1, br, q′) ∈ Ene, como|p| ≤ |q| = n, pelo Corolário 4.4, temosp ∈ Qn. Logo(q, x, q′) ∈ En+1(3) .

4.2. Um algoritmo

Lema 4.10. Seja(q, x, q′) ∈ E. Então, qx ∈ Q se e só se qx = q.

Demonstração. Seja n ∈ N0 tal que(q, x, q′) ∈ En+1. Entãoq ∈ Qn e x ∈ A. Supondo queqx ∈ Q, provemos o resultado por indução em N0.

Se(q, x, q′) ∈ E

1 entãoq = ǫ, q′ ∈ Q1 eqx = x. Pelo Corolário 4.4, x ∈ Q1. Logo, atendendo às definições deE1 eQ1, obtemosq′ = x = qx.

Suponhamos, agora, quen ≥ 1 e admitamos, como hipótese de indução, que,

para todo o(p, y, p′) ∈ E

ntal quepy ∈ Q, se tem py = p′. Se(q, x, q′) ∈ E

nentão, por hipótese de indução, temosq′ = qx. Se(q, x, q′) ∈ E(1)

n+1entãoq′ = qx, pela definição de E (1) n+1. Se(q, x, q′) ∈ E(2)

n+1entãoq′ <sl qx e q′ϕ = (qx)ϕ e, por conseguinte, atendendo

à definição deQ|qx|, concluímos o absurdoqx /∈ Q. Portanto (q, x, q′) /∈ En+1(2) . Suponhamos, também com vista a um absurdo, que (q, x, q′) ∈ E(3)

n+1. Então, por definição, sabemos que(qx)ϕ /∈ E(S), existe p ∈ Qn\{ǫ} tal que p <sl s(qx)

e existem(ǫ, a1, p1), (p1, a2, p2), . . . , (pk−1, ak, p) ∈ En coma1a2. . . ak = s(qx). Comoqx ∈ Q, pela definição de Q|qx|, temos s(qx) ∈ Q. Pelo Lema 4.5, sabe- mos que Pref s(qx) ⊆ Q. Logo, por hipótese de indução, obtemos p1 = a1 e, sucessivamente,p2 = a1a2, . . . , p = a1. . . ak = s(qx), o que é absurdo. Portanto

(q, x, q′) /∈ E(3) n+1. O recíproco é óbvio.

Lema 4.11. Sejae ∈ E(S) e seja m = minsl(eϕ

−1). Então Fact(m) ⊆ Q. Demonstração. Por indução no conjunto Fact(m) com a ordem ≤sl.

Temosǫ ∈ Q0.

Seja x ∈ Fact(m) ∩ A. Tomamos m = m′xm′′, com m, m′′ ∈ A. Se não é idempotente, então x ∈ Q1. Suponhamos que xϕ ∈ E(S). Se x /∈ Q1, então existea ∈ A tal que a <sl x e aϕ = xϕ. Logo m′am′′ <sl m′xm′′ = m e

(m′am′′)ϕ = (mxm′′)ϕ = mϕ = e, uma contradição. Portanto x ∈ Q 1.

Seja w ∈ Fact(m) tal que |w| ≥ 2 e suponhamos, como hipótese de indução,

que Fact(m) ∩ {u ∈ A∗| u <

sl w} ⊆ Q.

Tomamosm = m′wm′′, comm, m′′ ∈ A, ew = qx, com q ∈ A+ ex ∈ A. Comoq ∈ Fact(m) ∩ {u ∈ A∗| u <

sl w}, por hipótese de indução, temos q ∈ Q.

Admitamos que (qx)ϕ ∈ E(S). Se existe q′ ∈ (Q

n+1 ∪ Qn+1A) \ {ǫ} tal que

q′ <

sl qx e q′ϕ = (qx)ϕ, então e = mϕ = (m′qxm′′)ϕ = (m′q′m′′)ϕ, tendo-se

m′qm′′ <

sl m′qxm′′ = m e m′qm′′ ∈ A+, novamente uma contradição. Logo

w = qx ∈ Qn+2.

Suponhamos que(qx)ϕ /∈ E(S). Como s(qx) <sl qx = w e s(qx) ∈ Fact(m),

da hipótese de indução vem s(qx) ∈ Q. De |s(qx)| = n + 1, temos s(qx) ∈ Qn+1, pelo Lema 4.3. Logow = qx ∈ Qn+2.

Portanto Fact(m) ⊆ Q.

Lema 4.12. Sejaq ∈ A+tal queqϕ ∈ E(S). Então

q ∈ Q se e só se q = min≤sl(qϕ)ϕ

−1. Demonstração. Suponhamos queq ∈ Q. Seja m = min≤sl(qϕ)ϕ

−1. Temos então

mϕ = qϕ e m ≤slq.

Seq ∈ A então q ∈ Q1\ Q0, m ∈ A e, para todo o a ∈ A, se a <sl q então

aϕ 6= qϕ. Logo m = q.

Suponhamos que |q| ≥ 2. Seja n = |q| − 1. Pelo Lema 4.11, sabemos que m ∈ Q. Por |q| = n + 1 e q ∈ Q, o Corolário 4.4 garante que q ∈ Qn+1\Qn. Como

|m| ≤ |q| = n + 1, temos do mesmo modo m ∈ Qn+1. Logom ∈ Qn∪ QnA, uma vez queQn+1 ⊆ Qn∪ QnA. Como qϕ ∈ E(S) e q ∈ Qn+1\Qn, temos

∀q′ ∈ Qn∪ QnA (ǫ 6= q′ <sl q ⇒ q′ϕ 6= qϕ).

Dem ∈ Qn∪QnA, ǫ 6= m ≤sl q e mϕ = qϕ, podemos assim deduzir que m ≮sl q,

pelo quem = q.

O recíproco é consequência imediata do Lema 4.11.

Lema 4.13. Sejamq ∈ Q, q∈ A+ex ∈ A tais que (qx)ϕ ∈ E(S). Então,

(q, x, q′) ∈ E se e só se q= min

sl (qx)ϕ

 ϕ−1. Demonstração. Se(q, x, q′) ∈ E então q∈ Q.

Se qx ∈ Q então, pelo Lema 4.10, temos q′ = qx e, pelo Lema 4.12, vem

qx = min≤sl (qx)ϕ

 ϕ−1.

Seqx /∈ Q então, como q′ϕ = (qx)ϕ, obtemos q= min

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