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Programa de Expansão da Educação Profissional - PROEP

2.4 AS MUDANÇAS NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DIANTE DOS NOVOS

2.4.1 Programa de Expansão da Educação Profissional - PROEP

O Programa de Expansão da Educação Profissional (PROEP) foi criado pelo Governo Federal no mesmo contexto do Decreto 2208/97 e da Portaria 646/97.

O programa visava à implementação e/ou readequação de 200 centros de educação profissional, além da oferta de 240 mil vagas nos cursos técnicos e 600 mil para os cursos básicos (CUNHA, 2002, p.118).

O Programa visava à reformulação do ensino médio e da educação profis-sional, de conformidade com a política educacional empreendida no Brasil no período de 1995 a 2002. Apresentava como objetivo, o financiamento de construção, reforma e ampliação de escolas; aquisição de equipamentos de laboratórios e material pedagógico, bem como ações voltadas para o desenvolvimento técnico-pedagógico e de gestão das escolas, tais como: capacitação de docentes e de pessoal técnico;

implantação de laboratórios, de currículos e de metodologias de ensino e de avaliação inovadoras; flexibilização curricular, adoção de modernos sistemas de gestão que pudessem contemplar a autonomia, flexibilidade, captação de recursos e parcerias.

Ressalta-se, no entanto, que as verbas do PROEP eram destinadas à infra-estrutura e não à manutenção da escola.

De acordo com Manfredi (2003), em que pese à supremacia jurídica da LDB n.o 9.394/96 sobre o Decreto n.o 2.208/97, este acabou ganhando força para legalizar e legitimar o movimento já iniciado na sociedade civil de fortalecimento dos espaços privados voltados para a qualificação da força de trabalho, cada vez mais estimulados pelo próprio Estado brasileiro para o desempenho de tal função, notadamente a partir de 1996, com a implementação do Plano Nacional de Qualificação do Trabalhador (PLANFOR), e de 1997, com o início do PROEP (MANFREDI, 2003, p.171-175).

Da análise que se faz, verifica-se que o programa em questão, decorre do Contrato de Empréstimo n.o 1.052/0C-BR, assinado entre o Governo brasileiro e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em 24 de novembro de 1997 e estabelecia como objetivo geral "criar um sistema de educação profissional separado do ensino médio e universitário".

Para dar concretude aos objetivos propostos, o PROEP contaria com um total de 500 milhões de dólares, sendo a metade (US$ 250 milhões) obtida por empréstimo do BID e 250 milhões de dólares como contrapartida do governo brasileiro, divididos igualmente, do orçamento do FAT (US$ 125 milhões) e do orçamento do MEC (US$ 125 milhões).

O prazo de implantação do PROEP estava estimado em seis anos e de acordo com os documentos oficiais do BID e do governo Brasileiro foram estabelecidas as condicionalidades e o cronograma de aplicação dos recursos para o programa, previsto da seguinte forma:

TABELA 4 - ESTIMATIVA DE RECURSOS DO PROEP

ESTIMATIVA DE RECURSOS (em milhares de dólares) GESTORES

DO

PROGRAMA ANO 1 ANO 2 ANO 3 ANO 4 ANO 5 ANO 6 TOTAL

BID 15000,0 79750,0 73250,0 50750,0 23750,0 7500,0 250000,

TN(1) 25000,0 35587,5 29474,2 20463,3 9034,1 3440,9 125000,

FAT 35911,8 26675,6 29274,2 20463,4 10034,1 2440,9 125000,

TOTAL 75911,8 144013,1 132198,4 91676,7 42818,2 13381,8 500000,

FONTE: BRASIL, Ministério da Fazenda (1997, p.80) NOTA: Elaborado por Deitos (2006, p.91).

(1) TN = Tesouro Nacional.

Visando dar celeridade na execução desse cronograma, o PROEP foi estru-turado em dois subprogramas: o subprograma A, para implementação de políticas globais que compreendem equipamentos, consultoria, capacitação de pessoal e serviços especializados, para tanto, os recursos envolvidos eram da ordem de 25 milhões de dólares de recursos do Tesouro Nacional e 14 milhões de dólares dos recursos do BID. O subprograma B apresentava como foco a execução de pré-investimentos e

investimentos dos estados e das escolas participantes para a formulação dos planos estaduais e dos projetos escolares, envolvendo obras de infra-estrutura física, mobiliário e equipamentos, capacitação de pessoal, consultorias, serviços especializados e imprevistos, correspondendo a 200 milhões de dólares recursos nacionais e 233 milhões de dólares de recursos do empréstimo; e para inspeção e supervisão do programa, 2,5 milhões de dólares de recursos oriundos do empréstimo (BID, 1997 apud DEITOS, 2006, p.91-92).

Observa que através do PROEP uma nova configuração de projetos e políticas necessitou ser definidos tanto para as redes federal, estadual, municipal e para a rede privada de educação profissional. Ou seja, a reforma desencadeada no governo de Fernando Henrique Cardoso, normatizou novos objetivos e nova organização para a educação profissional através de mudanças na CF de 1988, da aprovação da LDB n.o 9394/96, Decreto n.o 2.208/97, Portaria Ministerial n.o 646/97, além da implementação do PROEP.

No entanto, cabe ressaltar, que os financiamentos internacionais na educação brasileira têm dividido opiniões quanto à sua necessidade e à avaliação dos resultados financeiros, políticos e pedagógicos advindos dos empréstimos. Entre elas, se colocam a defesa por um lado e o questionamento por outro, das condições definidas para a liberação de recursos, do cumprimento de regras, da aplicação da contrapartida nacional e das punições pelos atrasos (SOUZA LIMA, 2007, p.8).

Para Deitos (2006), o financiamento dos programas educacionais não pode ser considerado no âmbito da "benevolência ou caridade social" dos organismos financeiros multilaterais. Para este autor, o financiamento externo aos programas educacionais nacionais para o ensino médio e profissional permitiu

a operacionalização das condicionalidades para a implementação das reformas realizadas, geraram onerosos encargos financeiros, que se somam ao processo de endividamento externo do país. Portanto, tudo indica, ao verificarmos as despesas financeiras produzidas pelos programas, que os recursos oriundos do financiamento externo não acrescentaram quase nada, sob o aspecto das necessidades geradas pelos problemas educacionais e nacionais, e pouco serviu e serve para minimizá-los (DEITOS, 2006, p.104).

Por outro lado, necessário se faz considerar que a dicotomia entre o ensino médio e a educação profissional ficou patente no Decreto n.o 2.208/97, que estabeleceu em seu artigo 5.o que "a educação profissional de nível técnico terá organização curricular própria e independente do ensino médio, podendo ser oferecida de forma concomitante ou seqüencial a este". Compreendendo que as políticas e financiamentos para educação promovida pelo BID indicam a proposição da separação entre o ensino médio e a educação profissional, pode-se inferir que o PROEP foi o programa do BID no Brasil que deu sustentação financeira necessária para a execução da separação entre ensino médio e educação profissional.

Analisando os objetivos do PROEP constata-se que este programa visava implementar a reforma no ensino profissionalizante em consonância com o modelo proposto pelo BID. Portanto, a adesão rápida a tal modelo era uma condição para que as escolas obtivessem recursos financeiros para melhorar a infra-estrutura, equipamentos, bem como para a capacitação de pessoal, adequação e atualização de currículos (MELO, 2008, p.8).

Neste contexto, o Estado do Paraná que já havia iniciado as negociações para a reformulação do ensino médio profissionalizante, durante o primeiro mandato do Governo Roberto Requião em 1992, materializou a política de extinção dos cursos técnicos na rede estadual de ensino, a partir de 1995, no governo Jaime Lerner.

Assim, a desarticulação do ensino profissionalizante de nível médio no Paraná, ocorreu anteriormente à promulgação da LDB n.o 9.394/96.

Diante disso, a edição do Decreto n.o 2.208/97 serviu para justificar a política de reestruturação do ensino técnico. Nesse sentido, a SEED/PR, justificaria o processo de extinção dos cursos técnicos, anunciando que era necessário valorizar a educação básica, em detrimento da educação profissional, uma vez que a preocupação deveria ser com a formação geral. O mercado desejava um novo tipo de profissional, em que competências e valores ganharam ênfase ao passo que a qualificação profissional tornou-se desnecessária.

Outra justificativa relaciona com a questão do financiamento. Havia uma grande pressão para a contenção de gastos do Estado e, desta maneira, era

bastante forte a idéia de privatização48. A iniciativa de Jaime Lerner acerca da educação previa que tanto a sociedade quanto as empresas privadas abarcassem a educação profissional.

O estudo mostra, portanto, que o Estado do Paraná tem uma história em política educacional um pouco diversa dos demais estados. A política educacional que esteve presente no Paraná na década de 1990, representava para os financiadores externos um laboratório experimental, como demonstra o Relatório do Banco Mundial de n.o 12.699BR: "a experiência do Paraná pode ser excelente campo de testes para estratégias que poderiam servir de modelo em outros lugares do Brasil" (BANCO MUNDIAL, 1994, p.21). Nessa direção as políticas educacionais do Paraná serviam como projeto piloto para implementação de programas em âmbito federal.

Para Ferretti (2000, p.81-82),

o Paraná foi o verdadeiro laboratório para criação e experimentação de alternativas para a Educação Profissional - (Ensino Técnico) - com base nas perspectivas delineadas por agências internacionais. Antecipando-se às políticas nacionais para a educação profissional de nível técnico, o governo estadual, por intermédio da Secretaria de Estado da Educação, desenvolveu estudos, desde o início da gestão, que culminaram, na elaboração do Programa de Expansão, Melhoria e Inovação do Ensino Médio.

Observa-se que o Paraná não esteve à parte das transformações ocorridas em relação à educação profissional. Assim, Cêa (2006), constata que o Paraná tem antecipado as orientações do governo federal, como se pode observar nas duas situações históricas para esta modalidade. Ou seja, por ocasião da edição do Decreto n.o 2.208/1997 e n.o 5.154/2004. "O Paraná foi o primeiro estado da federação a desarticular o ensino médio da formação para o trabalho, em 1996, assim como foi o primeiro a ofertar o ensino médio integrado à educação profissional, a partir de 2004" (CÊA, 2006, p.10).

48 Esse processo acirrou-se no Paraná nos governos Jaime Lerner (1995-2002), a partir dos acordos feitos com o BID e BIRD e do pronto atendimento por parte do governo de suas diretrizes, que estimulam a minimização da oferta de qualificação profissional em instituições públicas e a transferência desta para o setor privado (SAPELLI, 2008, p.139).

2.4.2 A Revogação do Decreto n.o 2.2098/1997 e a Concepção de Educação