De acordo com a notícia publicada no site da CEASA(
www.ceasape.org.br/verNoticia.php?id=80), em 19/02/2009, poderemos nos situar acerca da origem, funcionamento e objetivos desse Programa de segurança alimentar.
Segundo a notícia acima, o Programa Sopa Amiga, foi criado na última administração do ex-governador Miguel Arraes e retomado no início do Governo de Eduardo Campos. Essa sopa é distribuída em dezenas de creches da Região Metropolitana do Recife, a exemplo do Instituto Tia Sara, na comunidade Roda de Fogo.
De acordo com informações oficiais obtidas no site acima, desde março de 2007, milhares de quilos de tomate, jerimum, batatinha, repolho e outros produtos considerados sem atrativo para o consumidor (que muitos preferem chamar de “estragados”) são aproveitados no Centro de Abastecimento Alimentar de Pernambuco–CEASA/PE. Esses alimentos passaram a ser utilizados como suprimento alimentar de um público-alvo formado principalmente por crianças, adolescentes, idosos, pacientes que contraíram o vírus HIV, dependentes químicos e mulheres gestantes.
Atualmente o Programa Sopa Amiga
[...]está presente em 37 entidades beneficiadas[...]localizadas no Recife e nos municípios de Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista, Vitória de Santo Antão e Cabo de Santo Agostinho. São distribuídos cerca de 10 mil pratos de sopa acompanhados de um pão francês. No Recife, as Kombis do Sopa Amiga fazem a distribuição da “sopa expressa” (que chega quentinha em baldes de 50 quilos) nas comunidades dos bairros mais populares da Capital, como Totó, Torrões, Caçote, Novo Detran, Jordão Baixo, Ibura e Coque, entre outros[...]A assistente social Keila Ferreira, que faz o acompanhamento do programa nas comunidades, afirma que o número de entidades que procuram a Sopa Amiga é algo extraordinário, sendo impossível atender a demanda. “Cada dia recebemos pedidos de novas entidades – principalmente prefeituras, para contemplar outros municípios, o que estamos fazendo na medida do possível”, assegura. O presidente da Ceasa, Romero Pontual, ressalta que – aliado a outros programas sociais, o Sopa Amiga é uma espécie de “carro chefe” que vem contribuindo para sensibilizar um bom número de empresários que se transformaram em grandes parceiros e hoje fazem doações de vários produtos destinados à Fábrica de Sopa, instalada no antigo Instituto Alimentar de Pernambuco (IAPE), criado pelo ex-governador Miguel Arraes, que funciona nas dependências da Ceasa-PE. Para se ter uma ideia da “generosidade dos parceiros”, no balanço de 2008, onde foram produzidos 975 mil pratos de sopa (e igual quantidade de pães), as contribuições dos empresários foram fundamentais para o êxito do programa[...]Entidades das sociedade civil se aliaram aos empresários da Ceasa e doaram 31.286 quilos hortícolas e outros insumos que se somaram a outros 43.921 quilos de produtos diversos. Entre esses parceiros, estão a Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe) e a Coopergás. Disponível em: www.ceasape.org.br/verNoticia.php?id=80).Acesso em 12/08/2009.
De acordo com o exposto acima, o presidente do CEASA, Romero Pontual, coloca que as contribuições dos empresários foram fundamentais para o êxito do Programa Sopa Amiga e que a existência de alianças entre várias entidades da sociedade civil e empresariado do CEASA tem contribuído para a doação de insumos alimentícios. Vale ressaltar que o conteúdo da fala exposta acima pelo presidente desse Centro não é muito diferente da lógica atual colocada para as políticas sociais no neoliberalismo.
É importante que a sociedade participe desse processo de construção da política de segurança alimentar, no entanto, o que efetivamente está acontecendo é que para a efetivação desse Programa a intervenção da sociedade civil parece ocupar o lócus estatal.
Apesar do governo brasileiro está sempre referendando o combate à fome como meta prioritária a ser atendida, observamos que de fato quando se fala em programas de segurança alimentar ainda está enraizada a prática de apelo à sociedade civil para que haja não apenas o
fortalecimento das intervenções, ações e programas existentes, mas também, para que exista uma progressiva desresponsabilização financeira estatal frente às demandas de segurança alimentar.
Porém, o que se evidencia é que essa é uma desresponsabilização de cunho financeiro, uma vez que, do ponto de vista político o Estado não “pretende” se desvincular dessa função de mobilizar ações de enfrentamento à fome e à pobreza, pois a preocupação com essa meta é um slogan que vários governos não querem perder de vista, visto que, de fato contribui para a sua legitimidade frente a população demandante dessas intervenções.
Segundo Montaño transferir para Sociedade Civil a responsabilidade com o bem-estar é retrocedermos frente ao dever do Estado na garantia dos direitos sociais. Observe,
Diante desse quadro de enorme complexidade, no entanto, ao invés de evoluirmos para um conceito e uma estratégia no sentido de constituir uma rede universal de proteção social que explicite o dever do Estado na garantia de direitos sociais, retrocedemos a uma concepção de que o bem-estar pertence ao âmbito privado, ou seja, as famílias, a comunidade, as instituições religiosas e filantrópicas, devem responsabilizar-se por ele, numa rede de “solidariedade” que possa proteger os mais pobres. (MONTAÑO, 2005:12)
Passaremos a seguir a analisar as ações desenvolvidas no âmbito da Prefeitura da Cidade do Recife,iniciando por um levantamento das principais notícias que denotam a divulgação das ações de segurança alimentar desenvolvidas pela PCR. Vale ressaltar que as considerações sobre o repasse da responsabilidade estatal para a Sociedade Civil são frequentemente identificados, confirmando o que acabamos de assinalar