3. OS CENÁRIOS
3.1 O fio da meada: o início da utilização da Informática na Educação, uma
3.1.2 Os Programas Brasileiros de Informática na Educação: EDUCOM,
3.1.2.3 O PROINFO e os NTE´s
O PROINFO - Programa Nacional de Informática na Educação foi criado em abril/1997 pela Portaria58 MEC nº 522, 09/04/97, ficando sob a responsabilidade da Secretaria de Educação a Distância - SEED, órgão criado em 1996 pelo Decreto nº 1.917 e que ficaria responsável pela viabilização do PROINFO a partir de sua articulação com o Ministério da Educação e as Secretarias de Educação do Distrito Federal, dos estados e dos municípios. O PROINFO é o programa atual do Ministério da Educação que tem como finalidade disseminar o uso pedagógico das tecnologias de Informática e telecomunicações nas escolas públicas de ensino fundamental e médio pertencentes às redes estadual e municipal.59Para isso, estipulou os seguintes objetivos:
Melhorar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem; Possibilitar a criação de uma nova ecologia cognitiva nos ambientes escolares mediante incorporação adequada das
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Ver em anexo.
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novas tecnologias da informação pelas escolas; Propiciar uma Educação voltada para o desenvolvimento científico e tecnológico; Educar para uma cidadania global numa sociedade tecnologicamente desenvolvida60 (PROINFO/MEC, Diretrizes,1997: 4).
Na fase exploratória, entrevistamos a coordenadora estadual do PROINFO no Ceará, Zaíra Maria de Araújo Siqueira61, em cujo relato afirma que o PROINFO teve como concepção o documento da Unesco, Informática para Educação Básica: um currículo para escolas62, produzido em 1996 pelo International Federation for Information Processing (IFPI) e traduzido no Brasil em 1997 (SIQUEIRA, 2005). Este documento tinha como objetivo principal assegurar que todos os Países, tanto os centrais, quanto os periféricos, tivessem o acesso ao que há de melhor em Educação, de forma a preparar os jovens a viverem plenamente seu papel na sociedade moderna e contribuírem ativamente para a geração de riquezas (UNESCO, 1997: 7). Para tal, o documento da UNESCO dividiu por modalidade de ensino, do fundamental ao médio, e atribuiu as habilidades que eram necessárias desenvolver nos alunos em cada nível, focalizando preferencialmente as habilidades para a profissionalização. Segundo Siqueria (2005), o PROINFO avançou porque se pensou em utilizar a Informática para apoiar o desenvolvimento do currículo, e não necessariamente limitar-se à instrumentalização dos alunos, como sugeria o documento de base.
A partir desse documento da UNESCO, foram elaborados pelo MEC/SEED as Diretrizes Nacionais do Programa Nacional de Informática na Educação63 e os Programas Estaduais de Informatização das Escolas Públicas, dispondo ainda de uma série de
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PROINFO/MEC. Diretrizes Nacionais do Programa Nacional de Informática na Educação. Brasília: 1997.
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Entrevista realizada no dia 05/09/2005 no Cambeba, com a Coordenadora Estadual de Educação à Distância do Ceará, a Srª Zaíra Maria de Araújo Siqueira.
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Para maiores informações, ler em anexo o documento: Informática para educação básica: um currículo para escolas. MEC/UNB: UNESCO/IFIP, 1997.
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documentos que norteiam sua implantação, execução e planejamento, como, por exemplo, as Definições Gerais para seu Funcionamento64, que trazem sugestões de infra-estrutura necessária, requisitos básicos recomendáveis para adequação dos laboratórios e definições gerais, as orientações para a implantação dos NTE´s, entre outros.
Similar ao modelo do EDUCOM com seus centros-piloto e ao PRONINFE com os CIEd’s, o PROINFO, seguiu as mesmas orientações no que diz respeito aos centros de excelência, instituindo os Núcleos de Tecnologia Educacional, os NTE’s, estruturas descentralizadas, com as funções de sensibilizar, articular, capacitar, acompanhar e oferecer assessoria pedagógica às escolas e aos seus professores, além de apoiar no suporte técnico e na resolução de problemas dos laboratórios e no processo de avaliação da informatização das escolas.
Na capacitação de recursos humanos, o Programa atua em três focos diferentes: na formação dos professores-multiplicadores65, dos professores das escolas e de técnicos de suporte em Informática e telecomunicações. A formação dos professores-multiplicadores é realizada prioritariamente pelos Cursos de Especializações em Informática Educativa66 ministrados pelas universidades do País, de caráter lato sensu. A formação dos professores das escolas é realizada pela ação desses multiplicadores dos Núcleos de Tecnologias Educacionais - NTE´s espalhados nos estados, responsáveis pela disseminação dos conhecimentos na área para os professores das escolas. E a formação de técnicos de suporte em Informática e telecomunicações é realizada por meio de cursos específicos na área. Esses técnicos são responsáveis pela manutenção dos equipamentos do Programa. A partir desses focos, foram oferecidos diversos cursos de especialização em convênio com as secretarias
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Ver em anexo.
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Um professor-multiplicador é um especialista em capacitação de professores (de escolas) para uso da telemática em sala de aula. (Fonte: PROINFO/MEC – http://www.proinfo.mec.gov.br)
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Segundo Siqueira (2005), o PROINFO atualmente está migrando para a formação nos cursos de especialização em telemática.
estaduais e municipais de Educação e as universidades no País, que passaram a oferecer fundamentação teórico-prática para o uso da Informática na Educação, abrindo discussões sobre o papel do professor como mediador da aprendizagem no uso da tecnologia.
No Ceará, a formação de professores-multiplicadores dos NTE´s foi realizada por meio de cursos de especialização em Informática Educativa em duas universidades do Estado: a Universidade Federal do Ceará – UFC, responsável pela primeira turma oferecida no programa e a Universidade Estadual do Ceará – UECE, respondendo pelas duas turmas seguintes. Foi a partir dos cursos de especializações do PROINFO que alguns dos atores formadores pesquisados tiveram intensa participação e que se intensificou a disputa pelo domínio dos espaços de saber/poder na Informática na Educação em Fortaleza pelos diversos centros das universidades, aspectos que serão apresentados nos próximos capítulos.
Essa visão geral sobre os cenários que delinearam o pano de fundo da história da Informática Educativa no Brasil fez-se necessária para ajudar a compreender os elementos que contribuíram para a constituição das referências locais e entender os subsídios que balizam as escolhas didático-metodológicas dos atores formadores. Veremos a seguir uma descrição geral sobre as principais abordagens do uso do computador na Educação e as principais diretrizes de formação que fundamentam os atores formadores em suas escolhas, compondo assim o que conceituamos de “Os Roteiros” deste estudo.