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3.5 PROJETO DO CIRCUITO DE COMPENSAC¸ ˜AO

Primeiramente, deve ser determinado o ponto de operac¸ ˜ao para todo o cir-cuito anal ´ogico da malha de realimentac¸ ˜ao, tal an ´alise ´e realizada para que o mo-delo em pequenos sinais seja condizente com o funcionamento real do circuito. A polarizac¸ ˜ao dos circuitos integrados presentes na malha de realimentac¸ ˜ao ser ´a deta-lhado a seguir.

Comec¸ando a partir do regulador shunt, para garantir o funcionamento do componente TL431, uma corrente de catodo m´ınima para alimentac¸ ˜ao interna deve ser estabelecida, logo, o resistor RLED tamb ´em deve garantir IK,min junto com a corrente do LED. Equacionando a corrente em RLED tem-se:

IRLED,max= IC,max

CT Rmin + IK,min (50)

Substituindo as correntes de coletor pela tens ˜ao nodal de acordo com o circuito da Figura 24 e rearranjando a equac¸ ˜ao se obt ´em:

V_out [V]

Figura 23: Formato de onda de tens ˜ao de sa´ıda com detalhe no n´ıvel de tens ˜ao da ondulac¸ ˜ao produzida pelo filtro LC.

3.5 Projeto do Circuito de Compensac¸ ˜ao 58

IRLED,max= VCC − VCE,sat+ IK,minRpullupCT Rmin RpullupCT Rmin

(51) Do mesmo modo, a equac¸ ˜ao da corrente do LED considerando apenas o lado do diodo ´e dado por:

IRLED,max= VO− Vf − VT L431,min

RLED (52)

Igualando 51 com 52 e resolvendo para RLED obt ´em-se o valor m ´aximo admiss´ıvel para este resistor:

RLED,maxVo− VF,LED− VT L431,min

VCC− VCE,sat+ IK,minRpullupCT RminRpullupCT Rmin (53) O valor de refer ˆencia do comparador determina o valor estabilizado em que o amplificador de erro tender ´a, logo, a tens ˜ao de sa´ıda Vo do conversor em malha fechada ´e determinada pelo divisor resistivo formado por R1 e R2 na Figura 14, Atri-buindo um valor de R2 igual a 10 kΩ, o resistor R1 pode ser calculado pela relac¸ ˜ao:

R1 = R2  Vo VREF − 1  = 90kΩ (54)

Conclu´ıdo o dimensionamento para polarizac¸ ˜ao do componente TL431, ´e poss´ıvel calcular os componentes necess ´arios para o correto funcionamento do optoi-solador. O circuito integrado analisado para esta aplicac¸ ˜ao ´e o CI PC817 da Sharp. Este modelo quando operado com 5 mA de corrente de coletor entrega uma variac¸ ˜ao de CTR m´ınimo de 50%, podendo chegar a 600% para variac¸ ˜oes da corrente no diodo em torno de 1 mA (SHARP, 2003).

A capacit ˆancia parasita presente no transistor pode ser encontrada utili-zando informac¸ ˜oes de tempo de subida e descida para mudanc¸as de estado, como descrito por Toshiba (2017). A capacit ˆancia parasita pode ser encontrada por:

COP = tf

2, 2RLCT RM IN (55)

Para um CTR m´ınimo j ´a estabelecido, em condic¸ ˜oes de resistor RLde 1 kΩ para uma corrente IC de 2 mA, o tempo de descida ´e de aproximadamente 17 µs. A capacit ˆancia para este cen ´ario ´e de:

3.5 Projeto do Circuito de Compensac¸ ˜ao 59

COP = 17µS

2, 2 ∗ 1kΩ ∗ 0, 5 = 15, 5pF (56)

Logo, obt ´em-se uma capacit ˆancia parasita de 15,5 pF intr´ınseca entre os terminais coletor e emissor que deve ser considerada na compensac¸ ˜ao total da malha. O projeto da malha de controle e compensac¸ ˜ao ´e realizada analisando a func¸ ˜ao de transfer ˆencia da planta, j ´a deduzida no cap´ıtulo 2.5. Substituindo as gran-dezas envolvidas na equac¸ ˜ao 10 por valores encontrados anteriormente, obt ´em-se a seguinte equac¸ ˜ao:

ˆ vo(s) ˆ d(s) = 9.467e07 s2+ 120s + 1.538e06 (57)

O ciclo de trabalho ´e modulado por meio da comparac¸ ˜ao do sinal do am-plificador de erro com a onda dente de serra, e sua amplitude dita o ganho da etapa, tratado na equac¸ ˜ao 58.

ˆ d(s) ˆ vAE(s) = 1 VP (58)

Com isso, o sinal de entrada passa a ser o sinal modulado na sa´ıda do amplificador de erro, que ´e dado pela equac¸ ˜ao 59.

ˆ vo(s) ˆ vAE(s) = 1.893e07 s2 + 120s + 1.538e06 (59)

A func¸ ˜ao de transfer ˆencia apenas da planta, denominada GP(s), foi inserida no software MATLAB para an ´alise da resposta em frequ ˆencia e fase, a resposta do conversor est ´a plotada na Figura 26. A partir da curva de bode ´e poss´ıvel determinar a margem de ganho e fase para estabelecer qual tipo de controlador ser ´a utilizado.

Observa-se uma mudanc¸a de fase do conversor na frequ ˆencia de ganho unit ´ario de -179,3.

A frequ ˆencia de corte foi arbitrada em 10 kHz, com ganho de -46,4 dB neste ponto.

A alocac¸ ˜ao de polos e zeros foram feitos pelo m ´etodo do fator K proposto por Venable (1983), a partir do valor de mudanc¸a de fase e a margem de fase de-sejado, um fator K espac¸a as frequ ˆencias de polos e zeros de acordo com o tipo do controlador.

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Para este caso, o compensador deve incrementar os 179,3 de defasagem somados a margem desejada de 45, partindo da colaborac¸ ˜ao de 90 do integrador presente no circuito. A compensac¸ ˜ao em fase necess ´aria resulta em:

Boost = 45− (−179, 3) − 90 = 134, 3 (60) Esse incremento determina a necessidade de utilizac¸ ˜ao de um compensa-dor do tipo III.

Basso (2012) cita um problema de limite de ganho m´ınimo em func¸ ˜ao de RLED estar conectado diretamente em VO, que para margens de ganho baixas pode n ˜ao suprir a polarizac¸ ˜ao do circuito e resultar em uma reduc¸ ˜ao da regi ˜ao linear de operac¸ ˜ao do optoacoplador. A soluc¸ ˜ao ´e feita a partir da utilizac¸ ˜ao de uma tens ˜ao de polarizac¸ ˜ao fixa utilizando um diodo Zener para fixar a tens ˜ao de RLED em VZ, que quando considerado na modelagem em pequenos sinais faz com que a tens ˜ao em Vz seja nula e desacoplada de Vo. O resultado da malha de realimentac¸ ˜ao completa est ´a apresentada na Figura 24. RLED C2 VC(s) RPullup VDD VO(s) RLOWER TL431 VZ RZ R4 CTR GAE(s) AOC Kd

Figura 24: Circuito de realimentac¸ ˜ao com denominac¸ ˜ao de blocos do sistema din ˆamico.

Fonte: Autoria pr ´opria

Considerando a compensac¸ ˜ao de fase necess ´aria calculada na equac¸ ˜ao 60, a alocac¸ ˜ao dos polos e zeros utiliza da t ´ecnica proposta por Venable (1983) e

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melhorada a partir de iterac¸ ˜oes para adequac¸ ˜ao de margem de fase necess ´arias esta aplicac¸ ˜ao. Para o projeto do compensador do tipo III dado por 61, Mattingly (2003) prop ˜oe alocar o par de zeros pr ´oximos a fres para cancelar os efeitos dos polos do conversor, e ent ˜ao alocar os polos nas vizinhanc¸as de fsw, e ap ´os posicion ´a-los, deve-se verificar a resposta e mover suas posic¸ ˜oes aos arredores buscando asdeve-segurar uma margem de fase m´ınima de 45 por toda a banda passante em malha aberta.

Gc(s) = −G0  1 + ωz1 s  1 + s ωz2   1 + s ωp1   1 + s ωp2  (61)

Com o aux´ılio da ferramenta sisotool do software MATLAB, a sintonizac¸ ˜ao dos pares de polos e zeros foi feita a fim de melhorar os resultados propostos por Mattingly (2003) e chegou-se no seguinte posicionamentos para fz1, fz2, fp1e fp2com uma resposta em frequ ˆencia dado na figura 25 plotada em conjunto com a resposta em frequ ˆencia do conversor.

fz1= 99Hz; fz2= 386Hz (62)

fp1 = 2, 8M Hz; fp2 = 1, 0M Hz (63)

Nota-se que a alocac¸ ˜ao de um zero antes da frequ ˆencia de resson ˆancia causa um vale de amplitude antes de fres, por ´em ainda est ˜ao pr ´oximos, o mesmo ocorre com os polos alocados pr ´oximos a fsw. Mesmo com estas n ˜ao idealidades, este formato fez com que margem de fase se manteve igual ou maior a 45 em toda a banda passante.

O ganho do compensador em CC denominado G0, dado por 65, ´e composto pela multiplicac¸ ˜ao de dois ganhos, um causado pelos componentes de polarizac¸ ˜ao do optoacoplador, AOP, com o ganho em 0 Hz da malha de compensac¸ ˜ao formada no re-gulador shunt, denominada GAE(s). observa-se que o ganho AOP ´e inversamente pro-porcional a RLED, sua alterac¸ ˜ao para valores relativamente baixos, segundo Toshiba (2017), pode provocar variac¸ ˜oes bruscas de CTR, tornando o comportamento do op-toacoplador imprevis´ıvel, logo, RLED ´e fixado e o ganho em malha aberta ´e ajustado a partir da escolha de R2.

3.5 Projeto do Circuito de Compensac¸ ˜ao 62 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Magnitude (dB) 10-1 100 101 102 103 104 105 106 107 108 -90 -45 0 45 90 Fase (graus) Diagrama de Bode de Gc(s) Frequência (Hz) fres fsw

Figura 25: Diagrama de Bode de Gc(s) demarcando as frequ ˆencias de interesse na alocac¸ ˜ao de polos.

Fonte: Autoria pr ´opria

G0 = CT RminRpullup RLEDR2

R1 (65)

A escolha de RLED ´e feita a partir da equac¸ ˜ao 53, o resistor ´e escolhido considerando a tens ˜ao reversa do Zener de 15 V, a corrente m´ınima de polarizac¸ ˜ao igual a 1 mA, VDD sendo a tens ˜ao de refer ˆencia de sa´ıda do CI SG3524 e Rpullup igual a 20 kΩ obt ´em-se:

RLED,max15 − 1 − 2, 5

5 − 0, 3 + 1m ∗ 20K ∗ 0, 5∗ 20K ∗ 0, 5 = 7, 82kΩ (66) Uma margem de seguranc¸a de 20% ´e imposta resultando em um valor de RLED igual a 6, 26kΩ.

Definidos os resistores, o ganho a ser inserido pelo circuito de polarizac¸ ˜ao AOP resulta em:

AOP = 0.5 ∗ 20k

6, 26k = 1, 59× ≡ 1, 2dB (67)

Este ganho ´e adicionado pelos componentes presentes na polarizac¸ ˜ao do optoacoplador, no entanto, o ganho do compensador GAE(s) deve ser projetado le-vando em considerac¸ ˜ao esta amplitude j ´a estabelecida por RLED. Logo, o ganho

con-3.5 Projeto do Circuito de Compensac¸ ˜ao 63

siderado para GAE(s) ´e dado por:

GAE(dB) = Gf c(dB) − AOP(dB) = 46, 4 − 1, 20 = 45, 2dB ≡ 186, 17× (68)

A escolha de R2 a partir do ganho necess ´ario foi deduzida por Basso (2012) e calculado a partir da equac¸ ˜ao 69, enquanto que os outros componentes em func¸ ˜ao das posic¸ ˜oes dos polos e zeros foram calculados pelas equac¸ ˜oes 70 at ´e 73.

R2 = GAE(fc)R1RLED RpullupCT Rmin s 1 + fc fp1 2s 1 + fc fp2 2 s 1 + fz1 fc 2s 1 + fc fz2 2 (69) R3 = R1fz2 fp2− fz2 (70) C1 = 1 2πfz1R2 (71) C2 = 1 2πfp2Rpullup (72) C3 = fp2− fz2 2πR1fp2fz2 (73)

Por ´ultimo, o dimensionamento do resistor de polarizac¸ ˜ao do diodo Zener ´e calculado a partir da equac¸ ˜ao 74.

RZ = (Vo− VZ)RpullupCT Rmin

(V cc − V CE, sat) − (IZ,pol+ IK,min)RpullupCT Rmin

(74)

Adotando uma corrente de 2 mA exclusiva ao Zener e uma tens ˜ao VZ de 15 V tem-se RZ igual a 2,59 kΩ.

O c ´alculo dos resistores e capacitores pertencentes a malha de compensac¸ ˜ao al ´em dos componentes respons ´aveis pela polarizac¸ ˜ao de acordo com a Figura 24 est ˜ao resumido na Tabela 10.

A resposta em frequ ˆencia do loop em malha aberta dado pela equac¸ ˜ao 32 resulta na curva vista na Figura 26. Comparando as curvas, ´e poss´ıvel observar o

3.5 Projeto do Circuito de Compensac¸ ˜ao 64 Componentes de Gc(s) Optoacoplador PC817 CTR min./m ´ax. 50%/600% COP (Rpullup = 1kΩ) 15pF Resistores R1 90kΩ R2 405kΩ R3 34Ω Rlower 10kΩ Rpullup 20kΩ RLED 6, 26kΩ RZ 2, 6kΩ Capacitores C1 4nF C2 8pF C3 5nF

Tabela 10: Componentes para o circuito de compensac¸ ˜ao. Fonte: Autoria pr ´opria.

-150 -100 -50 0 50 100 Magnitude (dB) Gp(s) T(s) 100 101 102 103 104 105 106 107 -270 -225 -180 -135 -90 -45 0 Fase (deg) Diagrama de Bode de Gp(s) e T(s) Frequência (Hz)

Figura 26: Amplitude e Fase do Conversor e em Malha aberta. Fonte: Autoria pr ´opria

3.5 Projeto do Circuito de Compensac¸ ˜ao 65

ganho em baixas frequ ˆencias alto, inserido pelo integrador, al ´em do ganho necess ´ario para atingir a banda passante desejada. A margem de fase do sistema est ´a pr ´oximo a 90com margem por toda banda passante, a invers ˜ao de fase acontece na faixa de 2 MHz atenuados em 60 dB, o que garante a regulac¸ ˜ao em variac¸ ˜oes para correntes m´ınimas de carga como citado por Choi (2010).

0 10 20 30 40 50 60 70 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45

Resposta a um degrau, Compensado e não Compensado

Tempo (millisegundos) Tensão de Saída (V) Gp(s) T(s)

Figura 27: Resposta a um degrau para planta compensada e n ˜ao compensada.

Fonte: Autoria pr ´opria

A Figura 27 exibe a comparac¸ ˜ao entre a respostas do sistema n ˜ao-compensado e compensado, o resultado da compensac¸ ˜ao fica evidente na atenuac¸ ˜ao da resson ˆancia dado pelo fator Q do filtro LC, que tende a piorar em situac¸ ˜oes de cargas leves. Uma ultrapassagem na resposta compensada ainda existe, por ´em est ´a a n´ıveis toler ´aveis, al ´em de oferecer a vantagem de elevar a velocidade de resposta do controle, a res-posta da tens ˜ao de sa´ıda ao degrau do circuito n ˜ao-compensado apresenta picos de tens ˜ao de n´ıveis pr ´oximos ao dobro da amplitude do degrau, o que poderia provocar danos em componentes alimentados por esta fonte.

Outra melhora significativa est ´a no tempo de entrada em regime, que me-lhorou de 63,7 ms para 2,6 ms, o tempo de assentamento reduziu em 95,6%.

Ap ´os a validac¸ ˜ao do projeto matem ´atico da malha de controle, a simulac¸ ˜ao do circuito compensado foi implementada utilizando o software PSIM da Powersim Inc., sendo que o modelo simulado foi dividido em blocos de mesmo modo como foi separado as func¸ ˜oes de transfer ˆencia.

3.5 Projeto do Circuito de Compensac¸ ˜ao 66

O primeiro bloco representando o conversor estudado, como o modelo do conversor half-bridge ´e um derivado a partir do Buck, a sua simplificac¸ ˜ao ´e v ´alida. Mant ´em-se igual os componentes passivos LC, por ´em a tens ˜ao de entrada ´e igual a tens ˜ao m ´edia de sa´ıda da ponte retificadora do secund ´ario. Apenas um Buck de mesmas caracter´ısticas do conversor projetado foi estudado, representando apenas o barramento positivo em refer ˆencia ao tape central do transformador, o barramento negativo considera-se um comportamento id ˆentico para simplificac¸ ˜ao do modelo.

Figura 28: Modelo do circuito simulado no software PSIM. Fonte: Autoria pr ´opria

Vout [V]

D 0.1

D 0.3

Figura 29: Resposta de Gp(s)a alterac¸ ˜oes do valor de duty cycle. In´ıcio em D = 0.1, em 0,03 s um degrau ´e dado para D = 0.3 e em 0,06s um degrau negativo ´e dado em D para D = 0.1 novamente (Malha aberta).

3.5 Projeto do Circuito de Compensac¸ ˜ao 67

Vin [V]

Iout [A]

Vout [V]

Figura 30: Resposta de Vout a variac¸ ˜ao de tens ˜ao de entrada aos 0,04s e corrente na carga Ioutaos 0,06s (Malha fechada).

Fonte: Autoria pr ´opria

A resposta din ˆamica do conversor para variac¸ ˜oes no duty cycle mostrada na Figura 29 exibe o mesmo comportamento oscilat ´orio nos transientes de D, resul-tando em picos de tens ˜ao de transit ´orio e demora na estabilizac¸ ˜ao de at ´e 20ms. Esta caracter´ıstica de resposta ´e comum em filtros LC com um fator Q maior que a unidade, neste caso, devido a capacit ˆancia ser de ordem maior que a indut ˆancia do filtro, o fa-tor Q resultante ´e de 10,33, logo, espera-se que o compensador deva ser capaz de atenuar estas oscilac¸ ˜oes e estabilizar a tens ˜ao com maior velocidade.

Avaliando o sinal da tens ˜ao VO, o compensador consegue manter a sa´ıda estabilizada em regime permanente e responde bem a pequenas perturbac¸ ˜oes nas vari ´aveis de entrada do sistema: corrente de sa´ıda e tens ˜ao de entrada. Na Figura 30, a tens ˜ao VO ´e medida em regime, no instante 0,04 s um degrau em Vin ´e aplicado, Vo ´e perturbado positivamente retornando ao valor de regime em menos de 5 ms ap ´os o degrau. Seguindo o tempo em regime, um incremento na corrente de sa´ıda ´e aplicado em 0,06 s segundos causando uma r ´apida queda de tens ˜ao com retorno ao valor de regime, concluindo que o controlador est ´a de fato compensando perturbac¸ ˜oes com uma velocidade satisfat ´oria.

3.5 Projeto do Circuito de Compensac¸ ˜ao 68 A V A V V out

Figura 31: Simulac¸ ˜ao do comportamento da tens ˜ao do barramento positivo atrav ´es de uma carga modulada por um sinal de ´audio, si-mulando a carga de um amplificador de pot ˆencia.

Fonte: Autoria pr ´opria

Vout [V]; Vsig @ 100 Hz

Vout [V]; Vsig @ 1 KHz

Vout [V]; Vsig @ 10 KHz

Figura 32: Amplitude de ripple para o sinal de ´audio em 100 Hz, 1 kHz e 10 kHz e pot ˆencia de sa´ıda de 62 W pico.

Fonte: Autoria pr ´opria

casos em que a tens ˜ao de sa´ıda deve manter um certo n´ıvel de queda de tens ˜ao, para o caso da alimentac¸ ˜ao de uma carga de corrente pulsante, um barramento por vez deve fornecer pot ˆencia a carga como j ´a foi explanado em 2, logo, a curva de corrente consumida pelo amplificador em apenas um barramento pode ser simplificada como uma senoide retificada em 180.

3.5 Projeto do Circuito de Compensac¸ ˜ao 69

um transistor em base-comum, que modula a alimentac¸ ˜ao de tens ˜ao a um resistor representando a resist ˆencia de um alto-falantes de 8 Ω acrescido de uma carga de polarizac¸ ˜ao em paralelo como mostrado na Figura 31.

Por ´ultimo, o teste de queda de tens ˜ao ´e verificado por toda a faixa aud´ıvel de frequ ˆencia do sinal de modulac¸ ˜ao da corrente, foi escolhido sinais senoidais de en-trada de 100 Hz, 1 kHz e 10 kHz, simulando ”graves”, ”m ´edios”e ”agudos”de um sinal de ´audio, nota-se nos resultados da simulac¸ ˜ao mostrado na Figura 32, que em altas frequ ˆencias a oscilac¸ ˜ao ´e bastante atenuada enquanto que quando se reproduzem graves ocorre acr ´escimos na ondulac¸ ˜ao em baixa frequ ˆencia no barramento, por ´em com n´ıveis de oscilac¸ ˜ao ainda menores que 580 mV de pico a pico.

Os resultados obtidos em simulac¸ ˜ao se mostraram de acordo com o projeto, mostrando que esta aplicac¸ ˜ao do TL431 e optoacoplador oferece bom desempenho fazendo o uso de poucos componentes e CIs de baixo custo, al ´em de poder ser im-plementado com a isolac¸ ˜ao galv ˆanica requerida para fontes de alimentac¸ ˜ao.

70

4 IMPLEMENTAC¸ ˜AO E RESULTADOS

Para comprovac¸ ˜ao dos resultados te ´oricos e simulados, o conversor CA-CC foi constru´ıdo em uma placa de circuito impresso desenhada no software EAGLE da Autodesk Inc. Um diagrama completo do circuito, dispon´ıvel na Figura 33 foi pro-jetado a partir do conversor half-bridge apresentado na Sec¸ ˜ao 2.3.1, com a sa´ıda alimentando a carga, seja ele uma carga resistiva ou um amplificador de ´audio, a sa´ıda ´e aferida a partir de um sensor de tens ˜ao, que ent ˜ao ´e calculada a diferenc¸a e repassado ao isolador ´optico, como comentado na Sec¸ ˜ao 2.5. Ap ´os isolado o sinal de realimentac¸ ˜ao, a sa´ıda ´e inserida no circuito oscilador formado pelo CI SG3524, que entrega um sinal modulado por largura de pulso ao driver de gate dos MOSFETs presentes no conversor, como mencionado na Sec¸ ˜ao 3.3.

Sensor de Tensão e Amplificador de Erro Oscilador gate driver Optoisolador +Vcc GND -Vcc 127V AC Amplificador de Áudio 2 canais

Figura 33: Esquema resumido do circuito implementado. Fonte: Autoria pr ´opria

O desenho das trilhas do circuito impresso para o circuito de pot ˆencia foi realizado seguindo algumas regras de roteamento proposto por Sha et al. (2015) para reduc¸ ˜ao de ru´ıdos emitidos e captados, foram eles:

• Trilhas feitas a mais curta e reta poss´ıvel, sendo que quanto mais larga a trilha melhor, isso evita a criac¸ ˜ao de indut ˆancias parasitas causando a reduc¸ ˜ao dos

4 Implementac¸ ˜ao e Resultados 71

picos de tens ˜ao em transientes de chaveamento;

• Reduc¸ ˜ao da ´area interna f´ısica dos loops de corrente o m ´aximo poss´ıvel, o que aumenta a imunidade `a ru´ıdos e reduz a indut ˆancia parasita das trilhas;

• Espac¸o isolado entre prim ´ario e secund ´ario, determinado pelos componentes isolantes (transformador e optoacoplador);

• Criac¸ ˜ao de conex ˜ao dos pontos de terra ´unicos para cada tipo de circuito (aci-onamento, conversor, feedback, etc.), que consiste na divis ˜ao de conex ˜oes ao comum em um mesmo ponto de partida, separando a circulac¸ ˜ao de corrente alta de circuitos mais sens´ıveis a ru´ıdos.

O prot ´otipo constru´ıdo mostrado na Figura 34 inclui uma placa especial-mente ao conversor CA-CC, com a entrada ligada a um variac de 127 V e sa´ıda co-nectada a duas cargas eletr ˆonicas modelo 8522 da fabricante B&K Precision, configu-radas como resist ˆencia fixa de 8,33 Ω, uma outra placa foi produzida destinada ao mo-dulador PWM e acionamento dos MOSFETs alimentada por uma fonte de alimentac¸ ˜ao de bancada em 15 V, na sua sa´ıda, dois sinais PWM complementares s ˜ao ligados ao conversor por meio de um conector macho na placa moduladora e f ˆemea na placa do conversor est ´atico.

Figura 34: Fotografia do prot ´otipo implementado, na placa maior est ´a o conversor, ligado por meio de conectores a placa do driver das chaves.

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