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PROJETOS DE LEI Nº 4.053/2008 E Nº 5.197/2009

decorrência do fenômeno da alienação parental, quais sejam,

Estágio I – Leve – Neste estágio normalmente as visitas se apresentam calmas, com

um pouco de dificuldades na hora da troca de genitor. Enquanto o filho está com o genitor alienado, as manifestações da campanha de desmoralização desaparecem ou são discretas e raras. A motivação principal do filho é conservar um laço sólido com o genitor alienador (GARDNER3, §20).

Estágio II – Médio – O genitor alienador utiliza uma grande variedade de táticas

para excluir o outro genitor. No momento de troca de genitor, os filhos, que sabem o que genitor alienador quer escutar, intensificam sua campanha de desmoralização. Os argumentos utilizados são os mais numerosos, os mais frívolos e os mais absurdos. O genitor alienado é completamente mau e o outro completamente bom. Apesar disto, aceitam ir com o genitor alienado, e uma vez afastados do outro genitor tornam a ser mais cooperativos (GARDNER3, §27 y 28).

Estágio III – Grave – Os filhos em geral estão perturbados e freqüentemente

fanáticos. Compartilham os mesmos fantasmas paranóicos que o genitor alienador tem em relação ao outro genitor. Podem ficar em pânico apenas com a idéia de ter que visitar o outro genitor. Seus gritos, seu estado de pânico e suas explosões de violência podem ser tais que ir visitar o outro genitor é impossível. Se, apesar disto vão com o genitor alienado, podem fugir, paralisar-se por um medo mórbido, ou manter-se continuamente tão provocadores e destruidores, que devem necessariamente retornar ao outro genitor. Mesmo afastados do ambiente do genitor alienador durante um período significativo, é impossível reduzir seus medos e suas cóleras. Todos estes sintomas ainda reforçam o laço patológico que têm com o genitor alienador (GARDNER3, §38).55 (grifo do autor)

Em função dos sintomas supracitados, Gardner expõe de maneira explicativa como a criança vai gradativamente se distanciando do genitor não guardião perante a alienação sofrida. Percebe-se que de início (estágio leve), a criança, apesar de estar em processo de alienação, não demonstra claramente tal sintoma.

Impregnados por informações maléficas em desfavor do genitor não guardião, perante diversas táticas usadas pelo genitor alienador (estágio médio), a criança expõe facilmente sua posição nos momentos em que se encontra com aquele, porém, quando permanecem sozinhos os sintomas, muitas vezes, desaparecem.

Considerado pelo supracitado autor, como estágio mais grave, a criança se encontra num estado de fanatismo e medo aparente quando é posta junto ao genitor alienante nos momentos de visita; perfazendo-se até mesmo comportamentos violentos dificultando, contudo, sua convivência com o mesmo. Tais comportamentos afetam a vida da criança até mesmo quando não está junto ao genitor alienante, nos reportando a idéia de que o sofrimento alimentado por este filho é deveras contínuo.

5.5 PROJETOS DE LEI Nº 4.053/2008 E Nº 5.197/2009

Atualmente, tramitam no Congresso Nacional Brasileiro dois Projetos de Lei, cujo objeto de estudo é a Alienação Parental.

O Projeto de Lei n. 4.053 de 2008 tem como autor o Deputado Régis de Oliveira e como relator o Deputado Acélio Casagrande. Possui o objetivo de apresentar e dispor sobre a alienação parental de forma a caracterizá-la e conceituá-la no âmbito jurídico.

Segundo o relatório do referido projeto de lei,

[...] a alienação parental merece reprimenda estatal porquanto é forma de abuso no exercício do poder familiar, de desrespeito aos direitos de personalidade da criança em formação; que envolve claramente questão de interesse público, ante a necessidade de exigir uma paternidade ou maternidade responsável, compromissada com as imposições constitucionais, bem como de salvaguardar a higidez mental das crianças e adolescentes. Pondera que o artigo 227 da Constituição Federal e do

artigo 3º da Lei n. 8.069/90 – Estatuto Criança e do Adolescente – asseguram o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social das crianças e adolescentes, em condições de liberdade e dignidade.56

O Projeto de Lei n. 5.197 de 2009 tem como autor da proposição o Deputado Carlos Bezerra. O referido projeto tem como fundamento proteger a criança e o adolescente contra este fenômeno considerado uma forma de violência. 57

A ementa do projeto supracitado visa, na prática jurídica, alterar a Lei n. 10.406, de 2002 (Código Civil), para incluir a síndrome da alienação parental como causa de perda do poder familiar. 58 Neste sentido, ao alterar especificamente o inciso 1.638 do referido diploma, inclui, “entre as causas de perda do poder familiar, a alienação parental, que é descrita como a conduta de se caluniar, difamar ou injuriar o ex-cônjuge ou ex-companheiro com a intenção de desmoralizá-lo perante o filho em comum.” 59

Nas palavras do médico e deputado José Aristodemo Pinotti,

A alienação parental é reconhecida como forma de abuso emocional, que pode

causar à criança ou adolescente distúrbios psicológicos para o resto da vida.

Nesse sentido, não há dúvida de que também representa abuso no exercício do poder familiar, de desrespeito aos direitos de personalidade da criança em formação.

Envolve claramente questão de interesse público, ante a necessidade de exigir uma paternidade ou maternidade responsável, compromissada com as

imposições constitucionais, bem como de salvaguardar a higidez mental de nossas crianças e adolescentes.60 (grifado)

Em consideração ao Projeto de Lei n. 4.053 de 2008 o deputado Acélio Casagrande, expressa sua opinião da seguinte forma,

56 BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei n. 4.053 de 2008. Disponível em:

<http://www.camara.gov.br/sileg/integras/657661.pdf>. Acesso em: 30 maio 2010.

57

BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei n. 5.197 de 2009. Disponível em:

<http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=433860>. Acesso em: 29 maio 2010.

58 BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei n. 5.197 de 2009, loc. cit. 59 BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei n. 5.197 de 2009, loc. cit. 60

PINOTTI, José Aristodemo. Projeto de lei. Alienação parental. Disponível em: <http://www.alienacaoparental.com.br/projeto-de-lei-sap>. Acesso em: 11 mar. 2010.

Além de introduzir definição legal da alienação parental no ordenamento

jurídico, a proposição estabelece rol exemplificativo de condutas que dificultam o efetivo convívio entre criança ou adolescente e genitor, de forma a não apenas

viabilizar o reconhecimento jurídico da conduta de alienação parental, mas sinalizar

à sociedade que tal merece reprimenda estatal.61 (grifado)

Consoante informações colhidas na página de notícias do endereço eletrônico do Senador Paulo Paim relator da Comissão de Direitos Humanos (CDH) no Senado, quanto ao projeto de lei supracitado,

Dados demonstram que o Brasil tem cerca de dez milhões de crianças e adolescentes vítimas da alienação parental. [...] A matéria já foi aprovada na Câmara e agora tramita no Senado (PLC 20/2010) [...]. Na avaliação de Paim o tema precisa ser divulgado e a lei aprovada.62

A íntegra do Projeto de Lei n. 4.053 expõe que, no intuito de gerar mais eficácia aos destinatários, o Projeto de Lei visa assegurar, além do convívio da criança e do adolescente com ambos os genitores, o convívio com os avós, que, por sua vez, junto a quem detém a guarda, pode também figurar no pólo ativo. 63

Ainda na visão do Senador Paulo Paim, “a lei faz com que as pessoas pensem melhor no que estão fazendo. Prova disso, são, por exemplo, o Estatuto do Idoso, a Lei Maria da Penha, O Estatuto da Criança e do Adolescente”.64 Enfatiza ainda que, se “hoje estamos pensando diferente sobre estes temas porque lá atrás alguém detectou o problema e brigou para que ele fosse reconhecido pelo Estado. Ou seja, o Estado tem de ser parceiro das pessoas na solução desse mal”. 65

Segundo nota pública de apoio ao referido Projeto de Lei 4.053, a Alienação Parental é considerada como “grave modalidade de abuso emocional contra crianças e adolescentes, caracterizada pela interferência em sua formação psicológica para que repudiem mãe ou pai, ensejando não raramente grave comprometimento emocional.” 66

Tal circunstância prioriza a preservação da sanidade emocional das crianças e também dos adolescentes que se deparam e possam vir a se deparar com esse processo de Alienação Parental, [...] visa assegurar primordialmente proteção, haja vista a prerrogativa da condição de vítima. O projeto segue a linha do Estatuto da Criança e do Adolescente, onde as

61 CASAGRANDE, Acélio. Projeto de lei. Alienação parental. Disponível em:

<http://www.alienacaoparental.com.br/projeto-de-lei-sap>. Acesso em: 11 mar. 2010.

62 PAIM, Paulo. Paim alerta para problemas da alienação parental. Disponível em:

<http://www.senadorpaim.com.br/imprensa/paim-alerta-para-problemas-da-alienacao-parental>. Acesso em: 21 maio 2010.

63

BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de lei n. 4.053, de 2008, loc. cit.

64 PAIM, loc. cit. 65 PAIM, loc. cit.

66 PEREZ, Elizio Luiz. Nota pública de apoio ao PL 4.053/2008. Nota técnica n. 1 – 3/7/2009. Associação Pais

para Sempre. Disponível em: <http://www.apase.org.br//11000a-notaassociacoes.htm.>. Acesso em: 25 maio

agressões físicas ensejam tal proteção independente da condição mental, ou ainda do caráter do agressor. 67

A natureza de caráter preventivo está relacionada a um possível abuso psicológico/emocional em função da caracterização da Alienação Parental no ambiente familiar da criança e do adolescente, haja vista que “a agressão ou o abuso emocional pode não causar hematomas, mas deixam cicatrizes tão profundas quanto as surras”. 68

Mister ressaltar ainda, as informações e esclarecimentos preliminares do juiz do trabalho Elizio Luiz Perez,

A importância de que o Estado assegure a recuperação de genitor vítima de eventual transtorno psicológico, em especial para preservar a participação equilibrada de pai e mãe na formação de crianças e adolescentes, também não o exime da necessidade

objetiva de restringir a autoridade parental exercida de forma abusiva, segundo a intensidade do abuso. A possibilidade de alienação parental ser também

enfrentada por intermédio de tratamento psicológico monitorado é, ademais, prevista no PL 4.053/2008 (art. 5º, IV, do PL, segundo o parecer substitutivo).69

Nesse compasso, o projeto de lei cria dispositivos que inibem alguns atos que diagnosticam a Alienação Parental, objetivando, contudo, uma possível redução deste tipo de conflito vislumbrando uma tendência à viabilização de mediação e soluções conciliatórias consistentes a fim de assegurar o bem estar das famílias. 70

Quanto à efetividade processual referente às garantias de proteção a criança e adolescente no que confere a existência de indícios de atos que constate a Alienação Parental, o projeto de lei também vislumbra a possibilidade de “perícia psicológica ou biopsicossocial, estabelecendo requisitos mínimos que garantam razoável grau de segurança ao exame (art. 4º do PL, segundo o parecer substitutivo).” 71